This pic shows Landscape view of the Golan Heights from fortress Nimrod. Israel countryside with Green valley in Golan Heights in Israel. The pic is taken in january 2019.
No final de YomKipur, Rebe Levi Yitschak de Berditchev voltou-se para um Chassid e lhe disse:
– Vou lhe dizer para que você rezou no Yom Kipur. No começo você pediu a Hashem que lhe desse 1000 rublos em dinheiro, para que você pudesse se dedicar ao estudo da Torá sem preocupações. Depois, você mudou de ideia, pensando que se recebesse 1000 rublos, com certeza abriria uma loja e o negócio atrapalharia seus estudos, portanto, pediu que lhe desse em duas prestações de 500 rublos cada. Antes da reza de Neilá, achou que aquilo era atrevimento seu, de modo que pediu que Hashem dividisse a quantia em quatro partes: 250 rublos a cada três meses, para que você pudesse servir a D-us em tranquilidade. Mas não lhe passou pela cabeça que pode ser que Hashem não precise de seu Serviço Divino nem de seu estudo de Torá. Talvez Ele prefira seu esforço e suas preocupações…
Numa véspera de Rosh Hashaná, um aprendiz de barbeiro, passou perto da casa do Rebe Levi Yitschak de Berditchev. Esse aprendiz de barbeiro estava de cabeça descoberta e tinha um topete.
O tsadik o avistou pela janela e o chamou para entrar. O tsadik lhe perguntou:
– Por que você anda com este topete?
– Porque – respondeu – trabalho para os ministros e nobres que vêm cortar o cabelo, e preciso estar apresentável para eles.
– Escute – disse o tsadik – vou lhe dar um rublo para que tire este topete, pois se trata da “proibição de seguir os costumes dos outros povos” (Vayikrá 18:3)
– Não! – Respondeu o rapaz.
– Então – acrescentou o tsadik – lhe dou três rublos para que o faça.
E o rapaz continuou recusando.
O tsadik foi subindo sua oferta, até chegar a vinte rublos. E nada de o rapaz concordar. Foi quando o tsadik falou:
– Se você tirar agorinha o topete, eu lhe prometo o Olam Habá (Mundo Vindouro).
Ao ouvir aquilo, o moço tirou uma tesoura do bolso e, num instante, cortou o topete.
O tsadik levantou-se e exclamou:
–Ribonô Shel Olam (Mestre do Universo),veja a grandeza e a força da fé dos judeus, até mesmo os mais simples! Quanto um homem desses precisa trabalhar e se esforçar para ganhar um rublo apenas. Mais ainda vinte rublos, que é uma quantia imensa para ele. E mesmo assim, o que se recusou a fazer por vinte rublos, fez por uma porção do Mundo Vindouro, embora jamais o tenha visto…
Um ano, Rebe Levi Yitschak de Berditchev estava procurando alguém para tocar o shofar em Rosh Hashaná em sua sinagoga. Muitos pretendentes se apresentaram. Cada um deles demonstrou seus conhecimentos nas kavanot e sodot do toque do shofar de acordo com a kabalá,mas nenhum deles agradou ao tsadik.
Um dia, apareceu um báal tokea e Rebe Levi Yitschak de Berditchev lhe perguntou em que ele pensaria na hora de tocar o shofar. Ao que o homem respondeu:
Rabenu!Sou um judeu simples e não me ocupo com coisas ocultas. Tenho quatro filhas que chegaram à idade de casar e minha intenção nos toques de shofar é: Ribonó Shel Olam! Estou cumprindo Sua vontade, cumprindo Sua mitsvá de tocar o shofar. Então, cumpra minha vontade e me ajude a casar minhas filhas.
RebeLevi Yitschak exclamou:
– É você quem vai tocar o shofar na minha sinagoga.
“Você irá para o lugar que o Eterno, seu D-us escolherá para fazer Seu nome habitar lá.”
Um judeu precisa saber que quando ele vai de um lugar para outro, não vai por si só, e sim, está sendo direcionado de Cima. E a intenção e o propósito disso é “fazer com que Seu Nome habite lá” – tornar D-us conhecido no local aonde ele foi Divinamente direcionado.
( O Báal Shem Tov)
“Já que você não serviu ao D-us, Seu D-us, com júbilo e alegria de coração…você servirá a seus inimigos”
Desse versículo aprendemos a importância da alegria em servir a D-us. O castigo severo de “você servirá a seus inimigos” – tornar-se-á escravo – não é causado por não servir a D-us, mas sim por servir a D-us sem alegria.
Certa vez, o Rav Menachem Mendel de Riminov recebeu de presente uma mesa muito boa e muito cara.
Seu filhinho começou a correr em volta da mesa com um amiguinho, como costumam fazer as crianças.
Quando o amiguinho estava correndo atrás do filho do tsadik, bateu a cabeça em uma das pontas da mesa e começou a chorar.
Embora tenha logo parado de chorar e tenha voltado a brincar alegremente, o tsadik mandou que cortassem as pontas daquela mesa cara, para que não houvesse mais perigos em sua casa.
Quando o Rebe Anterior, Rebe Yosef Yitschak Schneersohn, o Rebe Rayats, chegou aos Estados Unidos, no início dos anos 40, ele tinha um médico que costumava ir a sua residência e lhe aplicar injeções para tratar sua paralisia. Ficaram amigos, e o médico costumava visitar o Rebe só para conversar.
Em uma dessas visitas, o médico percebeu um cinzeiro cheio de bitucas de cigarro. Naquela época, o Rebe anterior fumava muito. O médico, então, mencionou que uma pesquisa recente parecia indicar que fumar fazia mal à saúde. Isso aconteceu muito antes disso tornar-se conhecimento público.
Mas tarde, enquanto conversava, o médico, que era fumante, pegou um maço de cigarros e ofereceu um ao Rebe. O Rebe recusou, dizendo. “Não fumo.” O médico ficou surpreso, e o Rebe explicou. “Você me disse, há menos de meia hora, que não é saudável fumar. Portanto, não fumo.”
Teshuvá é isso. Ao perceber que era errado, acabou. Tornou-se de imediato, fora de questão. A partir daquele momento ele não fumava mais. Não houve “É mesmo? Tenho de parar? Não posso fumar nem mais um cigarrinho?” Ou “Talvez eu possa ir reduzindo aos poucos?”
Quando o Rebe falou: “Não fumo”, ele quis dizer: “Estou livre.”
Este é o verdadeiro significado de livre arbítrio: Posso me libertar. Sou livre para assumir qualquer identidade que eu quiser. Posso optar por me ver tendo o caráter e a capacidade que me façam bem.
Teshuvá não é ficar deprimido, achando-se um lixo.
Teshuvá é recalcular a rota, modificar nossa autoimagem – e com alegria!
Neste Shabat abençoamos o novo mês de Elul, um mês auspicioso que tem uma dimensão singular. Pois durante este mês, D-us está mais próximo de nós e nos proporciona uma capacidade extraordinária para a teshuvá – “retorno”.
Como toda porção do Torá tem relação com a época do ano em que é lida, vamos examinar a ligação entre o mês de Elul e a porção daTorá que lemos neste Shabat.
Parashat Reê inicia-se com as palavras: “Veja! Este dia Eu dou a vocês uma bênção e uma maldição.” Cada uma das palavras desse versículo contém uma alusão à natureza especial do Serviço do mês de Elul, e à ajuda Divina que recebemos para realizá-lo.
“Veja!”: A primeira coisa que um judeu deve fazer é abrir os olhos. Nosso sentido da visão nos proporciona uma verificação dos fatos muito mais definitiva que o sentido da audição. Quando um indivíduo vê algo com os próprios olhos, não pode ser dissuadido. O Serviço Divino de um judeu deve ser realizado com o mesmo nível de confiança e convicção.
Mas como podemos nós, meros seres humanos vivendo num mundo material, chegar a esse nível? D-us nos dá a resposta na palavra seguinte do versículo:
“Eu” (Anochi): A palavra “Anochi”está relacionada com a Essência de D-us, um aspecto da Divindade que é mais elevado que Nomes. O motivo pelo qual conseguimos atingir essas alturas espirituais é que a capacidade para isso origina-se nessas Fontes altíssimas. A Torá prossegue:
“Dou”: D-us nos dá esta ajuda Divina de acordo com o princípio de “Ele que dá, dá generosamente”; Suas dádivas são concedidas de boa vontade e em grande abundância.
“Para vocês” (“lifneichem”): Esta palavra está relacionada com a palavra em hebraico “penimiyut”, que significa “dentro” e “no interior”. O impulso especial que recebemos de D-us em Elul não é superficial, abrange a totalidade e a essência do judeu e o capacita a ligar-se com D-us no mais profundo dos níveis.
“Este dia”: Para que ninguém pense que essa assistência Divina só é concedida uma vez, a Torá nos diz que a ajuda de D-us é contínua, possibilitando-nos servi-Lo com forças renovadas em cada um dos dias do mês.
E como devemos utilizar adequadamente essa dimensão maior em nosso Serviço?
“Uma bênção e uma maldição”: Isso se refere ao cumprimento dos mandamentos positivos da Torá e evitar suas proibições.
Direcionar nossa maior capacidade de retornar a nossa fonte nessas duas direções trará, como resultado, um ano bom e doce e uma boa inscrição no Livro da Vida.
Certo ano, quando o Tsêmach Tsêdek (Rabi Menachem Mendel de Lubavitch) concluiu seu discurso na véspera de Rosh Hashaná, disse para seus chassidim:
“Hoje precisamos nos preparar para nos dirigir a D-us, a Quem dirigimos nossas preces como ‘nosso Pai, nosso Rei’. Um pai gosta de ver um coração puro; um rei gosta de uma roupa limpa.”
O Rebe em seguida explicou que a missão Divina adequada para a ocasião do Ano Novo era para que cada um purificasse seu coração e limpasse suas “roupas” – os três meios de expressão – pensamento, fala e ação. E continuou:
“Cada pessoa é acompanhada por dois anjos. Quando, após as preces da noite de Rosh Hashaná, os anjos escutam cada pessoa desejar sinceramente a seu próximo: ‘Que você seja inscrito e selado para um ano bom’, eles sobem e aparecem como advogados de defesa na Corte Celestial. Lá, pedem para que os que desejaram bons votos tenham um ano bom e doce.”
E o Rebe concluiu suas palavras com a bênção:
“Que todos vocês sejam inscritos e selados para um bom ano.”