Certo ano, quando o Tsêmach Tsêdek (Rabi Menachem Mendel de Lubavitch) concluiu seu discurso na véspera de Rosh Hashaná, disse para seus chassidim:
“Hoje precisamos nos preparar para nos dirigir a D-us, a Quem dirigimos nossas preces como ‘nosso Pai, nosso Rei’. Um pai gosta de ver um coração puro; um rei gosta de uma roupa limpa.”
O Rebe em seguida explicou que a missão Divina adequada para a ocasião do Ano Novo era para que cada um purificasse seu coração e limpasse suas “roupas” – os três meios de expressão – pensamento, fala e ação. E continuou:
“Cada pessoa é acompanhada por dois anjos. Quando, após as preces da noite de Rosh Hashaná, os anjos escutam cada pessoa desejar sinceramente a seu próximo: ‘Que você seja inscrito e selado para um ano bom’, eles sobem e aparecem como advogados de defesa na Corte Celestial. Lá, pedem para que os que desejaram bons votos tenham um ano bom e doce.”
E o Rebe concluiu suas palavras com a bênção:
“Que todos vocês sejam inscritos e selados para um bom ano.”
Trecho de uma carta do Rebe para o farmacêutico Morris Milstein de Crown Heights:
“Quanto à questão da parnassá e a repercussão imediata no lucro da loja, quando ela ficar fechada no Shabat e Yom Tov, o que importa… não é a quantia de dinheiro ganha e sim como ele será utilizado. Pois qualquer pessoa sensata preferiria ganhar menos, mas usar os rendimentos para coisas saudáveis e felizes, em vez de ganhar mais e gastá-lo, que D-us nos livre, para médicos e coisas assim, quando além da despesa há a aflição e a dor, que D-us nos livre. A conclusão é que se deve levar em conta que dinheiro ganho de um jeito que contraria a Lei Divina não pode ter uma finalidade útil, e o ganho aparente não passa de ilusão, ou coisa pior. Portanto qualquer que seja o aspecto considerado, religioso, moral, econômico, nada justifica manter sua loja aberta no Shabat e no Yom Tov, tampouco pode servir a seus melhores interesses. Por outro lado, respeitar a Lei Divina lhe trará mais bênçãos Divinas para boa saúde e prosperidade, materiais e espirituais.
Na época do Alter Rebe (o Rav Schneur Zalman de Liadi, autor do Tanya e do Shulchan Aruch) houve uma mulher que durante mais de dois anos não conseguiu purificar-se. A sheeilá (“pergunta”), que ficou famosa, foi apresentada a muitos dos grandes rabinos da época e todos eles a consideraram impura.
Quando a sheeilá chegou diante do Alter Rebe ele disse:
“Embora de acordo com a Lei Judaica, atualmente não sejamos peritos em manchas de sangue, neste caso estou certo de que se trata de sangue de pombo.”
O Alter Rebe aconselhou ao pai da mulher que quando chegassem seus dias de purificação ela fosse morar em outro lugar, distante da família. E deveria ficar fechada em seu quarto. Ninguém poderia visitá-la, exceto seus pais. E ninguém deveria saber de seu paradeiro. E quando fosse ao mikvê, deveria ir com sua mãe, e numa hora em que não houvesse lá nenhuma outra mulher.
O pai da mulher seguiu à risca as instruções do Alter Rebe. E para grande espanto da mulher e de sua mãe, quando chegou a época de sua purificação tudo estava normal e ela imergiu no dia certo. Como, porém, seu marido era muito especial em Torá e temor a D-us, ficou desconfiado e resolveu esperar até o mês seguinte.
Naquele verão, teve início uma epidemia de cólera nos arredores de Mohilev e os rabinos divulgaram medidas para evitar que a epidemia se alastrasse e, de passagem, despertaram a população para a teshuvá e o arrependimento por pecados entre o homem e D-us e entre o homem e seu semelhante. Muitos dos habitantes da cidade ficaram com medo. E eis que uma mulher foi procurar o rabino e contou-lhe, arrependida e chorando muito, sobre o pecado que cometera contra aquela mulher, fazendo-a sofrer durante dois anos sem conseguir purificar-se.
E foi esse o teor de sua confissão: quando ela era jovem, foi-lhe sugerido um shiduch com o marido daquela mulher. Por motivos diversos, o shiduch não se realizou e ela acabou casando com um homem muito simples. Desde então, ficou com ódio daquela mulher e resolveu vingar-se dela. Para isso, fingiu ser sua amiga e, quando chegavam seus dias de purificação, matava uma galinha ou um pombo e sujava de sangue as roupas da mulher.
A futura Redenção, que seja rapidamente em nossos dias MaMaSh, tem uma condição não-negociável: que nenhum judeu pode ser deixado para trás na galut. “Vocês serão reunidos, um a um.”
Se todos os judeus tiverem sido reunidos, mas se restar um único judeu em alguma terra distante a Geulá não poderá se realizar. Se todos os judeus tiverem sido reunidos mas restar um judeu lá na extremidade do céu, a Torá diz que D-us fará todo mundo ficar esperando na galut, junto com a Shechiná exilada. Até que “vocês sejam reunidos um a um” e Ele trará aquele judeu que está na extremidade do céu ou no fim do mundo e o reunirá com os demais judeus, de modo que possamos sair todos juntos da galut para que a Gueulá verdadeira e completa possa acontecer.
Também temos aquela carta do Báal Shem Tov que ele escreve que escutou de Mashiach que Mashiach vai chegar quando “suas fontes se espalharem para fora.”
Por isso foi sugerido que a gente não espere até que as pessoas que estão “fora” cheguem para onde já há fontes e que digam que querem beber água. E sim, que “suas fontes (os ensinamentos do Báal Shem Tov) se espalhem para fora”. É por isso que foi pedido que onde quer que haja um único judeu, não podemos ficar todos esperando até que ele deseje a Redenção. Portanto devemos ir até lá, levar para ele as fontes, imprimir o Tanya, e após a impressão, estudar pelo menos algumas linhas de Tanya, desta maneira as fontes já estarão “chutsa” (fora) naquele lugar distante, que também estará pronto para receber nosso justo Mashiach.
O Baal Shem Tov ensinou que tudo o que vemos ou ouvimos deve ser utilizado no Serviço Divino.
Portanto, o que podemos aprender do jogo de futebol?
Qual é o objetivo do futebol? Lançar a bola no gol.
A bola representa a Terra, que é esférica.
E o gol representa o portão do Rei (D-us).
Portanto, nosso objetivo na vida deve ser derrotar o time adversário (o YêtserHará) e, por meio de Torá e mitsvot, lançar o mundo em direção ao gol (objetivo) de sua criação.