BS’D
O Mabul (Dilúvio), que lavou o mundo, teve função purificadora e limpou a Terra da imoralidade que nela brotara, dando origem a um novo mundo. Nossos Sábios comparam as águas do Dilúvio às águas purificadoras do mikvê. E, de fato, jorraram durante quarenta dias, tal qual o mikvê, que tem a medida de quarenta seá. Portanto, nossos Sábios explicam o passuk (versículo) que chama Êrets Yisrael de “terra não purificada” pelo fato de lá não ter descido o Dilúvio purificador.
A imersão no mikvê purifica de todas as coisas indesejáveis, mas só após o objeto que requer purificação ser totalmente mergulhado na água. A tevilá (imersão) só purifica uma pessoa se ela mergulhar por completo, inclusive os cabelos, conforme a interpretação de nossos Sábios sobre o passuk “e lavará na água toda sua carne” – “o supérfluo a sua carne, que são os cabelos”.
Quando se dá a purificação? O Rambam determina que a purificação só ocorre ao sair do mikvê: “o impuro só se purifica ao subir do mikvê, não quando ainda se encontra dentro do mikvê”. Neste caso, porém, não é necessário que seu corpo inteiro saia do mikvê. Basta que qualquer parte de seu corpo saia da água para que a purificação ocorra.
Há outra forma de purificação que é através do fogo. O fogo purifica até mesmo objetos de argila, que não podem ser corrigidos com a imersão em água. Quando se recoloca o objeto no forno da olaria – é purificado, porque “uma nova face chegou”.
O ser humano pode ser considerado um ‘objeto de argila’, uma vez que é “pó da terra”. Há coisas que podem ser purificadas através da imersão na água, e há coisas que não são purificadas pela imersão na água e requerem imersão no ‘fogo’. Isso refere-se à teshuvá (arrependimento, retorno) originada de ‘um amor intenso como labaredas de fogo’, que transforma os pecados em méritos. Uma teshuvá assim, oriunda do amor, transforma o homem num novo ser humano, e é por isso que é proibido falar a um báal teshuvá: ‘lembra-te de tuas ações passadas’, pois ele já se transformou numa outra pessoa, por completo.
E também nesse caso, a purificação é realizada no instante em que a pessoa começa a ‘sair do fogo’ (como ao subir das águas do mikvê). No instante em que começa a sair, até mesmo com uma partícula de si mesmo – já foi purificado de todas as coisas indesejáveis.
Os decretos e os sofrimentos da galut (exílio) são como uma ‘imersão no fogo’, que traz expiação e purificação para todo o povo judeu. Como, porém, o povo judeu é um ente indivisível, como se fosse um só corpo, no instante em que uma fração dele sai deste ‘fogo’ a expiação e a purificação efetua-se para o povo inteiro.
Portanto, quando judeus, em qualquer lugar do mundo, ocupam-se com o estudo da Torá com tranqüilidade, como se o mundo não perturbasse nem ocultasse – podem tirar o ‘corpo’ inteiro – todo o povo judeu – da ‘água’ ou do ‘fogo’ e levar todos os judeus a um estado de luz e folga. É esta a força que têm os judeus que se encontram justamente aqui, neste mundo material, de se redimir e trazer a redenção verdadeira e completa para todo o povo judeu.
“Torat Menachem’, Vol. XXVi, pág.. 108.
(Traduzido de “Sichat Hashavua”, www.chabad.org.il)