BS’D
“Os Egípcios escravizaram os judeus com trabalho opressivo.”
O equivalente atual de “trabalho opressivo”, se seguirmos a definição do Rambam,é a obsessão que algumas pessoas têm por fazer dinheiro. É óbvio que busca da riqueza pode se tornar “uma tarefa sem fim”, que consome todo o tempo e não deixa espaço para outras atividades. Mas por que haveria de ser considerada uma “tarefa inútil”? Sem dúvida há lucros reais quando se investe mais tempo e mais energia para ganhar dinheiro.
A verdade, porém, é que nós, judeus, acreditamos que nossa renda para o ano em curso já foi decretada por D-us em Rosh Hashaná (o primeiro dia do ano). É óbvio que só com “o suor da testa comerás pão” (Bereshit 3:19), e é preciso muito esforço para poder descontar nosso “cheque” celestial. Mas na verdade, todo o empreendedorismo do mundo não vai ajudar a pessoa a ganhar nem um centavo a mais do que lhe tinha sido decretado para este ano.
Portanto, é inútil trabalhar demais. Não vai torná-lo mais rico.
Qual é a quantidade sensata de trabalho?
Muito simples. Primeiro, a pessoa tem de cumprir suas obrigações básicas. É lógico que tem de cuidar da saúde, o que significa comer e dormir o suficiente e seguir as orientações médicas. Também há as obrigações para com a família: investir tempo cuidando dos filhos e dando apoio à esposa. E, obviamente, há as obrigações religiosas: as preces diárias, estudar Torá regularmente, cumprir o Shabat e guardar as festas, etc.
Do tempo que sobra, pode-se dedicar quanto quiser para ganhar a vida, mas não mais do que isso. Roubar tempo de seus deveres indispensáveis para ganhar mais dinheiro é simplesmente inútil, pois você jamais ganhará mais do que D-us reservou para você e D-us não espera que você boicote as obrigações familiares e religiosas para obter ganho financeiro.
Portanto, feche sua loja em horário normal! Não passe as noites no escritório negando a atenção que sua família merece. Do seu horário apertado, reserve um tempo para rezar e estudar Torá. E não deixe de cuidar da saúde.
Já não estamos no Egito. O trabalho esmagador já acabou. Fazendo isso, sua carteira não sofrerá pois, afinal de contas, em Pessach comemoramos nossa liberdade.
(Baseado em Likutê Sichot, Vol. 3, pág. 848ff)
Adaptado de “The Kol Menachem Haggadah”
págs. 93-94.
Leilui Nishmat Efraim Kopl ben Eliyáhu


