BS’D

O Rebe Rashab (o quinto Rebe de Lubavitch) escreveu que um rei já é rei ao nascer; mas como dois reis não podem reinar simultaneamente, ele não assume a coroa enquanto seu predecessor estiver presente.
O mesmo pode ser dito sobre um Rebe. Ele sempre é Rebe, mesmo antes de assumir a liderança.
O rabino Zalman Posner contou a seguinte história que aconteceu quando ele era adolescente:
Aconteceu no ano de 5703/1942, aproximadamente. Era Rosh Hashaná. A comunidade Chabad em Crown Hights era pequena, comparada ao que seria anos depois. Na época era composta de umas 150 pessoas.
Estávamos nos preparando para caminhar pela Eastern Parkway rumo aos Botanical Gardens, onde faríamos o Tashlich às margens do lago. Queríamos atirar nossos pecados aos peixes e dar prazer espiritual ao sexto Rebe de Lubavitch, o Rebe Yossef Yitschak, conhecido como o Rebe Rayats.
O genro do Rebe Rayats (nosso Rebe atual), que estava tranquilamente no meio do grupo, comentou: “Não é assim que se vai para Tashlich.” Gesticulando, acrescentou: “Para Tashlich, vai-se em linha dupla, cantando.”
Sair marchando na Eastern Parkway? Cantar? Quem tinha ouvido falar em tal coisa?
Na década de 40, o bairro de Crown Heights tinha uma população predominantemente judaica, rica, assimilada e não muito religiosa. Todas as janelas daqueles apartamentos elegantes de frente para a Parkway estariam cheias de gente olhando nossa parada – centenas, talvez milhares de pessoas. E para quem estariam olhando? É óbvio que para mim.
Eu estava todo encolhido. Eu era jovem e muito tímido.
Mas fizemos exatamente o que o genro do Rebe Rayats tinha dito – marchamos em fila dupla, cantando.
Eu implorei a D-us que me poupasse de ter que passar por tanto constrangimento de novo.
No ano seguinte, minha prece foi ouvida.
Quando todos estavam se preparando para ir novamente para o Tashlich em fila dupla, cantando (desta vez o genro do Rebe Rayats não precisou falar de novo), Reb Shemuel Levitin, o respeitado chassid conselheiro da Yeshivá Tomchei Tmimim, chamou-me.
“Não consigo acompanhar a marcha”, explicou desculpando-se. “Será que dava para você me fazer o favor de ir andando comigo, atrás dos outros?”
Fiquei felicíssimo. Obrigado, D-us, por atender a meu pedido!
Outros homens, a maioria idosos, ao ouvir o pedido de Reb Shemuel, foram junto com ele, no final da parada. E eu os acompanhei, como ele me pedira.
Caminhávamos a uma distância de aproximadamente meio quarteirão do grupo principal. Chegamos um pouco atrasados, quando o grupo já estava indo embora da lagoa do Jardim Botânico. Quando acabamos o Tashlich, fomos atrás deles, a certa distância.
Na volta, nossa parada subiu pela Union Street. Passamos por um prédio em cuja calçada havia casais conversando, crianças correndo e bebês dormindo em carrinhos. Todos muito bem vestidos, para Rosh Hashaná.
Um homem, em particular, me chamou a atenção. Estava com uma camisa branca de colarinho engomado, e o cabelo cuidadosamente penteado para trás.
Quando passamos por eles. Esse homem elegante aproximou-se de mim e segurou meu braço.
“Por que eles estão cantando? Por que eles estão cantando?”
Eu, jovem e tímido, gaguejei: “Rosh Hashaná. Tashlich.”
Ainda segurando meu braço, ele apontou para seu próprio coração. “Aqui bem no fundo”, disse muito sério, “tenho uma centelha. Quando vi judeus marchando pela rua cantando, ‘eba, sou judeu!’ Aquela faísca explodiu numa chama.” E ele se afastou de mim.
Sem dúvida, aquele cavalheiro estivera em uma das sinagogas naquela manhã. Com certeza escutara um sermão inspirador, um chazan emocionante, e um coral melodioso. Mas sua centelha ainda estava adormecida.
Uma parada de Tashlich e pessoas cantando – isso tinha feito toda a diferença.
Naquela época ninguém imaginava que o jovem genro seria o Rebe, um dia. Mas só ele “sabia” que precisávamos fazer uma parada e cantar indo para o Tashlich porque uma neshamá, uma alma, com uma centelha silenciosa e adormecida, que pertencia a um homem que não estava nem de kipá em Rosh Hashaná, seria despertada daquele jeito.
Será que isso foi um milagre? Talvez.
Mas houve mais um milagre, um que aconteceu com o homem que seria o Rebe, e os chassidim, jovens e velhos. Não passou pela cabeça de ninguém a possibilidade de não escutá-lo.
Baseado em: The Avner Institute Rebbebook@gmail.com
Leilui Nishmat:
Efraim Kopl ben Eliyáhu
Chaim Shemuel ben Aba
Moshê Baruch ben Yaakov Tsvi haLevi
Miriam bat Yaakov Kopl Halevi
Beile (Berta) bat Refael
Aba (Abel) ben (Eliyáhu) Eliash Leibas
Pinchas ben Moshê
Efraim ben Motl Halevi
Eliyáhu ben Yaakov
Yaakov ben Eliyáhu
Miriam bat David
Eyal, Gil-Ad e Naftali HY’D
Todos os soldados que caíram defendendo nosso povo HY’D