BS’D

Um dos passos do Sêder de Pêssach é Yachats (quebrar a matsá do meio).
Quando fazemos Yachats, surgem duas “identidades” radicalmente diversas de Matsá.
Uma das metades da Matsá, o pedaço menor, torna-se o “pão de pobre”. O pedaço maior (Aficoman), por outro lado, simboliza o cordeiro Pascal, que era comido numa atitude de majestade e realeza.
O pedaço menor permanece sobre a mesa; mas o pedaço maior tem de ser escondido.
O pedaço menor é uma Matsá do “exílio”, sobre a qual lamentamos a escravidão de nossos antepassados no Egito; o pedaço maior é uma Matsá da “redenção”, com que ansiamos pelo dia em que voltaremos a comer o cordeiro Pascal.
O pedaço menor nos lembra do Êxodo do Egito, cujos efeitos acabaram sendo revertidos, com outros exílios que o seguiram; o pedaço maior é uma alusão à futura redenção, cujos efeitos serão permanentes e eternos.
Surge, portanto, uma indagação: como é que uma única Matsá pode conter uma personalidade tão dividida? Após ser quebrada em duas, vemos que a Matsá do meio combinava dois temas totalmente diversos. Como puderam coexistir numa única bolacha?
Yisrael Báal Shem Tov, fundador do movimento Chassídico, que reviveu o misticismo, a alegria e a veneração sincera a D-us como ponto focal do judaísmo, às vezes assinava como “Yisrael de Okop”. Okop não é o nome de uma cidade – de fato, o Báal Shem Tov era originário da cidade de Tlost, na Galícia. Okop significa “fenda” em polonês.
Em sua origem, Tlost fora uma cidade murada. Em algum ponto da história, porém, as muralhas foram destruídas, deixando muitas fendas. Os pais do Báal Shem Tov eram tão pobres que não tinham nem uma casinha modesta para morar. Procuraram abrigo, portanto, em uma daquelas fendas. E foi lá que o Báal Shem Tov nasceu – daí sua assinatura: “Yisrael da fenda”.
O Báal Shem Tov não foi o Mashiach. Mas temos a promessa de que o reviver místico por ele iniciado acabará sendo responsável por trazer a Era Messiânica (Keter Shem Tov). Quando o Rebe Shalom Dov Ber de Lubavitch contou essa história, concluiu: “Das fendas do Báal Shem Tov adquirimos forças para sair de todas as demais fendas, pois a influência do Báal Shem Tov é inabalável.”
Que ironia impressionante! A influência imensa do Báal Shem Tov, que acabará sendo responsável pela utopia mundial do futuro, teve um início tão lastimável! E toda a humanidade terá, um dia, riqueza e abundância material graças a uma pessoa que viveu numa fenda!
Mas este é o ponto, exatamente. Como disse o Salmista: “Do aperto clamei a D-us; D-us me atendeu com magnitude.” (Tehilim 118:5). A imensa amplitude só pode vir depois de termos passado pelo tremendo aperto.
E é essa a dinâmica que a Matsá do meio simboliza. A pobreza e a redenção surgem de uma única Matsá para nos ensinar que o trágico e a ventura são subsequentes.
Portanto, se você olhar em volta e vir um mundo fragmentado, sem que se aviste solução, não se desespere. A verdade é que Mashiach está logo ali, na esquina, e logo vai surgir de nossas fendas, com a ajuda de “Yisrael de Okop”.
(Baseado na Sichá do Rebe na segunda noite de Pessach de 5720)
Adaptado de: “The Kol Menachem Haggadah” (Inglês),
Págs. 40-42)
Leilui Nishmat:
Efraim Kopl ben Eliyáhu
Chaim Shemuel ben Aba
Chaim Avraham ben Sara e Yossef Fogel
Moshê Baruch ben Yaakov Tsvi haLevi
Miriam bat Yaakov Kopl Halevi
Beile (Berta) bat Refael
Aba (Abel) ben (Eliyáhu) Eliash Leibas
Pinchas ben Moshê
Efraim ben Motl Halevi
Eliyáhu ben Yaakov
Yaakov ben Eliyáhu
Miriam bat David
Chana Liba bat Tuvia
Eyal, Gil-Ad e Naftali HY’D
Todos os soldados que caíram defendendo nosso povo HY’D
Todas as vítimas do terror HY’D