BS’D
O Rabino Dovid Schochet relata o seguinte:
Em 1952, quando me matriculei na Lubavitcher Yeshivah em Crown Hights, tive minha primeira audiência com o Rebe. O que me lembro claramente daquela primeira yechidut foi a lição que ele me deu sobre dar valor à vida. “Não tome a vida por garantida”, disse. “De manhã, ao acordar, agradeça a D-us por tudo o que você tem.”
E prosseguiu dizendo que muitas pessoas vão dormir, à noite, achando que seus sapatos têm de estar perto da cama exatamente onde foram colocados na noite anterior. Enquanto estão se vestindo, queixam-se de que está fazendo muito frio ou muito calor. De fato, estão criticando D-us – pois quem faz o tempo e a temperatura? Em vez disso, deveriam ficar agradecidos por ainda estar vivos, por ainda estar de posse de seus bens, e que um novo dia está começando em que têm a oportunidade de fazer muitas coisas boas. Essa foi uma lição de que jamais me esqueci.
Naquela primeira audiência, o Rebe também me aconselhou a trabalhar em educação judaica. Meu plano era entrar para a universidade depois da yeshivá e me tornar engenheiro elétrico, mas o Rebe disse que eu encontraria muito mais satisfação trabalhando para alcançar judeus, pois “cada judeu é um diamante”.
Segui seu conselho e, um belo dia, fui convidado para dar uma palestra para estudantes universitários em Buffalo. Acontece que a platéia seria composta, em sua maioria, de não-judeus, e representantes de outras religiões também falariam. Minha primeira reação foi achar que deveria recusar. Mas mesmo assim, liguei para o escritório do Rebe para perguntar o que fazer.
A resposta que recebi foi de que valeria a pena influenciar não-judeus de modo positivo, especialmente quanto à mitsvá de dar caridade e que eu deveria contar uma história atribuída por muitos ao famoso rabino polonês do Século XVII, Yom Tov Limpann (de quem descendo, embora não soubesse disso na época).
E foi o que eu fiz. Fui à reunião e contei a história, que aconteceu na Cracóvia, na época do Rabino Yom Tov, que também é conhecido como Tosfot Yom Tov, que é o título de seu livro mais famoso.
É a história do avarento da cidade, chamado Yossele, o pão-duro. Era judeu, mas por se recusar, categoricamente a dar caridade, os judeus da Cracóvia o odiavam. A ponto de, quando ele faleceu, o terem enterrado na extremidade do cemitério, local reservado para as pessoas indignas. Pois acharam que ele não merecia mais do que isso.
Mas aconteceu que poucas semanas após o funeral, desencadeou-se um tumulto na cidade. Necessitados que dependiam de doações do açougueiro e do padeiro, deixaram de receber a ajuda a que estavam acostumados. E os fundos de empréstimo sem juros, de ajuda para casamentos e para emergências médicas também tinham todos secado.
Aflitas, as pessoas da comunidade foram bater à porta do Rabino Yom Tov, à procura de uma explicação. Quando ele investigou o assunto, descobriu que o benfeitor por trás de todas as instituições beneficentes da cidade fora, nada mais, nada menos que Yossele. Era ele quem reembolsava o açougueiro e o padeiro, bem como sustentava o fundo de empréstimos, só que não queria que ninguém soubesse.
O Rabino Yom Tov ficou tão comovido pelo altruísmo e pela humildade daquele homem que anunciou que queria ser enterrado na extremidade do cemitério, perto de Yossele.
Quando acabei de contar a história, que foi bem aceita, um jovem padre aproximou-se de mim e me pediu para repetir a história. Inicialmente, recusei, dizendo, meio que brincando: “Me esforcei, meu inglês não vai melhorar da próxima vez.” Mas ele foi tão insistente que acabei concordando e o convidei para ir até meu hotel, onde lhe contei a história pela segunda vez.
Enquanto eu falava, percebi que ele estava muito agitado. Andava para lá e para cá sem parar e quando acabei, pediu-me para contar a história uma terceira vez. Pensando que ele era desequilibrado mentalmente, perguntei por que ele estava com aquela obsessão por aquela história.
Ele disse: “Acho que aquele Yossele era meu bisavô.”
“Como pode ser?” Perguntei.
Ele era judeu e você é um padre!”
Ele explicou que sua mãe era uma refugiada de guerra, da Polônia, e que quando casou com seu pai, que era um oficial do exército, teve de prometer que guardaria segredo de sua verdadeira identidade. Mas antes de morrer, ela confessou tudo a seu filho. Revelou sua descendência judaica e contou ao filho uma história semelhante sobre um de seus antepassados.
“Isso significa que você é judeu”, eu disse. “E sei você é judeu, tem a obrigação de cumprir a Torá e guardar seus mandamentos.”
Ele não disse mais nada e foi embora, e eu pensei que nunca mais teria notícias dele. Mas tive.
Anos depois, quando eu estava visitando Jerusalém, um homem de barba se aproximou de mim perto do Muro Ocidental. “Rabino Schochet, Shalom Aleichem”, disse.
“Eu te conheço?” Perguntei.
“O senhor conhece meu antigo eu. Sou o cara que conversou com o senhor em Buffalo… Depois da nossa conversa, pensei muito, e resolvi voltar para minhas raízes. Agora sou um Chassid Breslaver.
Quando ouvi aquilo, entendi por que o Rebe me dissera para dar aquela palestra e contar aquela história. Não foi coincidência. Eu precisava falar diante daquela audiência não-judaica em Buffalo porque havia um judeu lá que precisava ser salvo.
Portanto, digo a todos os emissários de Chabad – não se queixem de que o Rebe os mandou para o mundo onde a vida é difícil. Não pensem ‘eu não deveria estar aqui’ ou ‘não quero fazer isto ou aquilo’. Lembrem-se do que se trata – se você salvar uma pessoa, salva o mundo.
Adaptado de:
http://www.collive.com/show_news.rtx?id=41734&alias=message-to-all-chabad-shluchim
(Inglês)
Leilui Nishmat:
Chaya Mushka bat harav Avraham Meir sheyichye
Efraim Kopl ben Eliyáhu
Chaim Shemuel ben Aba
Chaim Avraham ben Sara e Yossef Fogel
Moshê Baruch ben Yaakov Tsvi haLevi
Miriam bat Yaakov Kopl Halevi
Beile (Berta) bat Refael
Aba (Abel) ben (Eliyáhu) Eliash Leibas
Pinchas ben Moshê
Efraim ben Motl Halevi
Eliyáhu ben Yaakov
Yaakov ben Eliyáhu
Miriam bat David
Chana Liba bat Tuvia
Eyal, Gil-Ad e Naftali HY’D
Todos os soldados que caíram defendendo nosso povo HY’D
Todas as vítimas do terror HY’D