BS’D

Aharon Denderowitz relata o seguinte:
Quando eu era bem pequeno e vivia em Londres, meu pai esteve muito doente e ficava a maior parte do tempo no hospital, de modo que minha mãe tinha de trabalhar e meus avós cuidavam de mim. Lembro-me que costumava perguntar a minha mãe: “Onde está Papai?” e ela respondia: “Em breve estará em casa”. E eu insistia: “Quando?” E ela respondia: “Não sei.”
Mas aproximadamente na época em que completei cinco anos, algo mudou. No início de 1958, meu pai teve alta e nos mudamos para Gateshead. Foi quando a vida voltou ao normal, fui para a escola e tudo estava bem.
Anos passaram, e quando meu pai estava com quase setenta anos, teve câncer e começou a definhar; entrou numa clínica e acabou falecendo. Na semana de shivá – os sete dias de luto – meu irmão mais novo, Simcha, alav hashalom, contou para mim e para meus outros irmãos uma história. Ele disse, “preciso contar para vocês o que aconteceu quando Papai estava na clínica. Não pude contar antes porque a pessoa que me contou pediu segredo.”
Simcha prosseguiu dizendo que em seus últimos dias, meu pai teve uma visita, Reb Yisrael Rudzinski, que estivera com ele nos campos durante a Segunda Guerra Mundial. Reb Yisrael era um chassid Bobov, alfaiate de profissão, e era um dos melhores amigos de meu pai, os sobreviventes que participavam de todas as comemorações de família conosco. Quando ele foi visitar meu pai pela última vez, meu irmão deixou que os dois conversassem em particular.
Reb Yisrael era especial, sincero e dedicado e, ao sair do quarto de meu pai, viu que meu irmão estava deprimido. De modo que, na tentativa de lhe dar coragem para o que viria pela frente, contou-lhe esta história.
“Você sabe que seu pai esteve muito doente quando jovem?” Reb Yisrael perguntou a meu irmão. Meu irmão disse que sabia, mas que isso fora antes de ele ter nascido.
Reb Yisrael continuou: “Quando seu pai estava muito doente, visitei sua mãe e seus avós. E eles me mostraram uma carta que tinham acabado de receber do hospital após uma junta médica sobre seu pai. Essa carta dizia que os médicos achavam que ele precisava ser operado mas havia um risco de essa intervenção fazer com que seu pai ficasse em estado vegetativo.”
Meus avós perguntaram a opinião de Reb Yisrael. “Quem sou eu para responder um pergunta dessas?” – Disse. E sugeriu que aquela era uma questão para um grande líder do mundo judaico. E se ofereceu para mandar uma carta, por eles, para todas as maiores autoridades rabínicas da época.
Acabou mandando vinte e três cartas, explicando a situação e perguntando se deviam permitir a operação ou não. Mandou tantas cartas porque não sabia quem iria responder. Após a guerra, havia muita tristeza e muitas questões de perda e mágoa com que os rabinos tinham que lidar.
Mas ele recebeu uma resposta.
O único que respondeu foi o Rebe de Lubavitch.
O Rebe respondeu que lhe doía o coração ouvir sobre tamanho sofrimento, mas ele sentia que não podia responder essa pergunta. Porém, gostaria de dar uma sugestão, que escutara de seu sogro, o Rebe Anterior, que uma pessoa que estuda Chitas diariamente verá salvação.
O que é Chitas (Chitat) ? É um acrônimo para Chumash (os Cinco Livros de Moisés), Tehilim (o Livro dos Salmos) e Tanya (o livro básico do Alter Rebe, fundador do movimento Chabad). O Rebe estava recomendando que meu pai começasse a estudar porções diárias desses livros sagrados de acordo com um cronograma prescrito.
Como o Rebe tinha sido o único que respondera, Reb Yisrael resolveu telefonar para ele. Após muito esforço – pois naquela época as ligações internacionais não eram tão fáceis – conseguiu ligar para o escritório do Rebe e pediu ao secretário para fazer o favor de dizer ao Rebe que seu conselho não poderia ser seguido, pois meu pai estava tão doente que não tinha condições de estudar Chitas. “Neste caso”, veio a resposta, “que alguém da família o faça por ele.”
“Mas ele perdeu toda a família na guerra”, disse Reb Yisrael. “Ele não tem ninguém.”
“Neste caso, o Rebe recomenda que um amigo o faça”, disseram-lhe.
Embora ele não fosse um chassid Lubavitch, Reb Yisrael seguiu a orientação do Rebe de Lubavitch e tornou-se o amigo que estudava Chitas por meu pai. Foi isso o que ele disse a meu irmão.
Após seis semanas, meu pai começou a mostrar sinais de melhora, e os médicos começaram a falar em lhe dar alta do hospital. E após mais seis semanas lhe deram alta.
Quando isso aconteceu, meu pai seguiu o conselho do Rabino Moshê Schwab do Gateshead Talmudical College, que lhe disse para se mudar, de acordo com a máxima: “Meshanê makom meshanê mazal – uma mudança de lugar pode mudar a sorte da pessoa.” Foi por isso que nos mudamos para Gateshead quando eu tinha cinco anos de idade.
Desde aquela época, até a velhice, meu pai esteve bem – tinha um emprego, sustentava nossa família e era muito ativo na comunidade judaica local.
Naquela conversa marcante, Reb Yisrael disse a meu irmão algo impressionante – “Desde então, há quarenta anos, falo Chitas. E pretendo continuar.”
E Aharon Denderowitz concluiu:
Acho muito forte esta história porque ela mostra que não sabemos qual é o canal espiritual que nos sustenta. E ela me faz pensar em tudo o que o Rebe fez por todos nós e continua fazendo. Espero que esta história inspire todos os que a lerem.
https://www.chabad.org/therebbe/article_cdo/aid/4309327/jewish/The-Power-of-Chitas.htm
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