BS’D

David Deri tinha um restaurante kasher de carne em Manhattan. Certo dia, um homem entrou lá e, um tanto hesitante, começou a olhar o cardápio que estava sobre a mesa mais próxima da porta. Trajava jeans furados e remendados, e uma camisa bem usada – algo bem comum nas ruas de Nova York, naquela época. David abordou o freguês, que não parecia nada promissor.
“Olá, senhor. Meu nome é David. Posso ajudá-lo?”
“Oi, sou James. Gostaria de um shwarma.”
David olhou para ele, curioso. Tinha incluído shwarma no cardápio apenas porque havia israelenses que gostavam de aparecer de vez em quando. Mas os israelenses que ele conhecia dificilmente responderiam ter o nome de ‘James’.
Não pôde deixar de perguntar: “Como você sabe o que é shwarma?”
“O que você está falando?” – respondeu James como um judeu de verdade. “Comi shwarma a vida toda.” Em seguida acrescentou enfático: “Sou israelense.”
“E seu nome é ‘James’?” David pensou que talvez não tivesse ouvido direito.
James riu. “Meu verdadeiro nome é Chaim. Porém, aqui nos Estados Unidos resolvi usar um nome mais popular.”
David resolveu aproveitar a oportunidade. Afinal de contas, era Chabad, seguidor do Rebe de Lubavitch. Começou a temperar a conversa com palavras de Torá. As expressões faciais de James mostraram que ele captava o tema com facilidade e que gostava de ouvir novas idéias.
Após várias visitas ao restaurante, onde James sempre pedia grandes porções de shwarma, e as recebia sempre com o tempero de pensamentos de Torá, David lhe sugeriu que se matriculasse em aulas particulares semanais com um aluno da Yeshivá Lubavitch, que o procuraria para marcar um horário que fosse conveniente para ambos.
“Por que não?” Respondeu James, sorrindo, e deu a David seu cartão de visitas comercial. David não tinha perguntado em que ele trabalhava, e ficou surpreso ao descobrir que ele era o CEO de uma grande firma de investimentos de Wall Street!
Naquela noite, David deu o cartão para um estudante de yeshivá seu conhecido, chamado Shneur. Nas semanas seguintes, David não viu James. Será que tinha mudado de restaurante? Será que viera nas horas em que David não estava lá? Não sabia. Em todo caso, logo se esqueceu de James.
Vários meses depois, porém, David se lembrou que fazia muito tempo que não via James e ligou para Shneur, perguntando se ainda estavam em contato.
“Claro que estou em contato com ele. E muito!”. E acrescentou outras boas notícias:
“Saiba que James comprou um par de tefilin e os coloca todos os dias (de semana). E também começou a guardar Shabat, embora parcialmente.”
Anos passaram. David estava atrás da caixa registradora quando um judeu de aspecto religioso entrou no restaurante. O homem olhou em volta e, ao ver David, correu para ele, lhe deu um aperto de mão caloroso.
“Lembra-se de mim?” Perguntou.
David não se lembrava.
O homem sorriu triunfante: “Sou James!”
David engoliu em seco. “Claro que me lembro de você. Mas você está bem diferente”, acrescentou, olhando para a kipá que estava na cabeça de James e para sua boa aparência geral.
“É. Agora estou sempre de kipá. E tudo por sua culpa!” Disse brincando.
“O que aconteceu foi o seguinte” – James continuou. “Comecei a estudar com Shneur, o rapaz da yeshivá a quem você falou para me ligar. Estudamos por telefone uma vez por semana. Em uma dessas aulas, chegamos a uma idéia do Rebe de que os que têm muito pouco conhecimento de Torá devem assumir a responsabilidade de ensinar o pouco que sabem a outro judeu que, infelizmente sabe menos ainda do que ele.
“Essa idéia foi difícil para eu digerir. Perguntei a Shneur como alguém como eu, que além de saber muito pouco não cumpria as mitsvot, poderia ensinar a sagrada Torá?
“Shneur passou por cima de minhas preocupações e me convenceu de que eu podia fazê-lo, que o Rebe tinha pensado em mim, também.
“Naquele instante, resolvi que organizaria uma festa de Shabat toda semana para meus funcionários e clientes judeus. E que além da comida que eu encomendaria, compartilharia com eles o que estava aprendendo com Shneur.
“Para as festas de Shabat, aluguei um espaço num edifício de luxo em Manhattan. As festas foram um tremendo sucesso. Sem dúvida a comida farta e variada do melhor buffet kasher da região era um fator muito importante. Porém, o destaque do evento era minha apresentação sobre os ensinamentos de Torá do Rebe de Lubavitch.
“O número de pessoas pedindo para ser convidadas foi crescendo, até que, após uns poucos meses, precisei organizar os participantes assíduos em turnos em semanas alternadas.
“Até que chegou uma hora em que eu não mais pude negar que não ficava bem ter festas de Shabat onde as leis do Shabat não eram cumpridas. E que, além disso, eu, o organizador, anfitrião e professor, só cumpria o Shabat parcialmente. Após um breve conflito interior, tive de encarar que chegara a hora em que eu teria de me tornar totalmente shomer Shabat!
“A partir do meu compromisso em cumprir o Shabat, as demais mitsvot foram se seguindo naturalmente. Até que acabei resolvendo mergulhar de cabeça e me tornar um judeu totalmente religioso, com todas as suas implicações.
“Mais um tempo passou, e conheci uma judia religiosa sensacional. Casamos, graças a D-us, e fomos morar no Canadá.”
“Está vendo o que o shwarma faz?” Comentou David, irônico. Em seguida, deu uma piscadela e deu uma tapinha no ombro de James.
“Pera lá”, exclamou James. “A história não terminou ainda.
“Há poucas semanas vim, como agora, a Nova York, a negócios. Estava andando por uma rua em Manhattan quando, de repente, um judeu de kipá me abordou e me cumprimentou muito empolgado. ‘Rabino James, oi!’ Exclamou emocionado.
“Me chamou de ‘rabino’, nada mais, nada menos! Mas eu não fazia a menor idéia de quem ele era.
“E ele, sem parar de puxar minha mão, continuou: ‘Saiba que você mudou minha vida!’ Disse, para espanto meu.
“Ele era um dos freqüentadores daquelas festas de Shabat que eu organizava quando ainda morava em Nova York. As palavras de Torá que ele ouviu semanalmente acabaram penetrando em seu coração. E tal como acontecera comigo, ele acabou percebendo que tinha de modificar seu modo de vida e passar a viver de acordo com a Torá e as mitsvot.
“Está vendo, David? Sem que eu percebesse, o Rebe de Lubavitch fez de mim um sheliach – um de seus emissários, para inspirar outros judeus para que voltassem a suas raízes, aproximando, assim a redenção final.”
James sorriu. “Sim, seu shwarma foi realmente poderoso.”
Traduzido e adaptado por Yerachmiel Tilles do semanário “HaGueúla”, #990
Adaptado de:
http://ascentofsafed.com/cgi-bin/ascent.cgi
Weekly Chassidic Story # 1126 (5 Tamuz, 5779)
http://ascentofsafed.com/cgi-bin/ascent.cgi?Name=1126-44
(Inglês)
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Yaakov ben Eliyáhu
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