BS’D

Em Beit Nissan de 5780 estão fazendo 100 anos do falecimento do Rebe Rashab, quinto Rebe de Lubavitch.
Certa vez, num farbrenguen, Rabi Avraham Zaltzman contou a seguinte história sobre a época em que estudava na yeshivá na cidade de Lubavitch há mais de 100 anos:
Eu tinha apenas 12 anos, mas era tão levado e incontrolável que não conseguia ficar sentado estudando Torá. O que aconteceu, então? Deram para mim e para dois outros meninos de temperamento parecido, tarefas para nos manter ocupados de modo positivo.
Uma dessas tarefas era ordenhar algumas cabras, numa fazenda próxima, e trazer o leite para os alunos. Mas isso também acabou ficando chato. De modo que, num dia terrível, em que estávamos desesperados para nos distrair um pouco, meus amigos e eu conseguimos fazer com que uma das cabras bebesse vodka, levamos o animal bêbedo para a porta do grande salão de estudo onde todos os alunos estavam concentrados no estudo do Talmud, e a empurramos para dentro.
A cabra, sem dar a menor atenção à santidade do local, começou a pular nas mesas, derrubou vários rabinos e espalhou livros e papéis em todas as direções. Foi só depois de algumas horas que puderam voltar a estudar e, obviamente, todos sabiam quem tinham sido os culpados.
Nós três fomos chamados ao escritório do diretor, Rabi Yossef Yitschak Shneersohn (filho do Rebe Rashab – Shalom Dovber Shneersohn, quinto Rebe de Chabad, e fundador da yeshivá), onde ele nos mandou a fazer as malas e ir embora. Por falta de opção, obedecemos, e algumas horas depois, estávamos na estação de trem na cidade próxima de Rodna, para voltar para casa.
Mas, de repente, voltei-me para meus amigos e disse: “O que estamos fazendo? Não podemos ir embora! Precisamos voltar e implorar por piedade!”
Mas os outros balançaram a cabeça. “Não vai funcionar”, um deles falou. “Não viu a cara do diretor? Ele não quer mais nos ver. É nosso fim!” O outro menino concordou. Mas eu não desisti. Antes que o trem chegasse, consegui convencer um dos meninos a voltar comigo e tentar.
Nós nos despedimos de nosso terceiro amigo e voltamos para Lubavitch, sem nenhum plano, mas decididos a não nos render sem luta. Não podíamos voltar para o diretor, pois ele estava muito bravo. E também não dava para tentar com o Rebe, o pai do diretor, pois ele jamais passaria por cima de uma decisão de seu filho, ainda mais numa situação dessas.
Chegamos à conclusão de que nossa única chance seria a avó do diretor, a Rebetsin Rivka. Ela tinha um coração de ouro, e era como uma mãe para todos os meninos da yeshivá. Cozinhava, costurava e lavava para eles, bem como cuidava deles quando estavam doentes ou carentes. Talvez ela pudesse ajudar.
Fomos até sua casa e batemos na porta. Quando ela atendeu, desabafei. Quando acabei, sua resposta foi direta. “Não posso ir contra a decisão de meu neto; ele é o diretor. A única pessoa que talvez possa fazer isso é meu filho, o Rebe. Mas também não posso falar com ele sobre isso. Simplesmente não posso me meter.”
Em seguida, ela teve uma idéia. “Mas o que posso fazer é o seguinte: toda manhã, às 10, meu filho toma um copo de chá em seu quarto. Venham amanhã e lhes mostro onde é seu quarto… mas quem vai ter de falar vão ser vocês.”
Meu amigo e eu achamos um lugar para dormir naquela noite e, na manhã seguinte, fui para a casa da Rebetsin; mas meu amigo estava com tanto medo que esperou do lado de fora. Ela abriu a porta para mim, mostrou onde era o quarto, cochichou “boa sorte” e ficou olhando quando eu, corajosamente me aproximei da porta.
A porta se abriu. Quando o Rebe me viu lá, de pé, olhou para mim e perguntou o que eu queria. “Quero estudar em Lubavitch.” Eu estava quase chorando.
“Lubavitch?” O Rebe sorriu, fazendo um gesto, com a mão, para que eu me aproximasse. “Mas há tantas outras boas yeshivot! Slobodka, Navordek”, e citou todas as outras academias de Torá, umas 20, da região.
“Mas quero estudar aqui!” choraminguei.
O Rebe sorriu com minha atitude, e quando vi o sorriso, comecei a chorar. Isso fez com que o Rebe começasse a rir, o que me fez chorar ainda mais.
De repente, o Rebe ficou sério. Vamos pensar no caso. Volte mais tarde.
Fui saindo, andando para trás, fungando e enxugando os olhos com a manga. De repente parei, dei dois passos prá frente, o que me levou de volta à porta do quarto, e fiquei parado lá, timidamente olhando pro chão. “Nu? O que quer agora?” Perguntou o Rebe.
“Hum, tenho um amigo”, respondi. Está lá fora esperando.”
O Rebe recostou-se pensativo. “Um amigo? Bem, pensaremos nele também. Volte daqui a algumas horas.”
Bom, a história tem um final feliz. Voltamos a procurar o Rebe algumas horas depois. O Rebe nos levou ao escritório de seu filho, para falar com o Rabi Yossef Yitschak, disse algumas palavras e saiu.
Seu filho nos deu uma multa pesada: tínhamos que estudar dezenas de páginas do Talmud e de Chassidut de cor. Mas ele nos aceitou de volta!
E esta é a história de como meu coração partido me levou de volta para a yeshivá.
Rabi Mendel Ruterfas, um Chassid bem conhecido, também estava naquele farbrenguen, e comentou:
“Sabe por que o Rebe aceitou você de volta na yeshivá?”
“Este é o ponto da história”, explicou Rabi Zaltzman. “Porque eu queria tanto estudar em Lubavitch que cheguei a chorar! É assim que uma pessoa deve querer estudar Torá e Chassidut a ponto de ter o coração partido!”
“Nada disso!” Disse Reb Mendel. “Não foi seu coração partido que trouxe você de volta para a Lubavitch. O Rebe aceitou você de volta porque você se preocupou com seu amigo. Você pensou noutro judeu. Foi por isso que ele aceitou você de volta. Por causa de seu amor fraternal!”
Adaptado de:
http://lchaimweekly.org/lchaim/5775/1364.htm#caption7
Que republicou de:
Beis Moshiach Magazine
(Inglês)
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