A primeira vez em que encontrei o Rebe foi no início da década de 50, pouco depois de ele ter assumido a liderança do movimento Chabad-Lubavitch e pouco depois de eu ter sido nomeado presidente da Israel Commission do Rabinical Council of America. Nessa posição eu lidava com assuntos que diziam respeito à vida religiosa no Estado de Israel, que eram de grande interesse para o Rebe. De modo que nos encontrávamos com freqüência para discutir assuntos muito polêmicos da atualidade, como mulheres religiosas servindo no Exército da Defesa de Israel, a posição de não-judeus no Estado Judaico, como o Estado deveria definir quem é judeu, etc.
Muitas vezes eu chegava para encontrá-lo cerca de meia noite e ia embora às quatro da manhã. Nessas reuniões, percebi que o Rebe tinha um conhecimento profundo do que estava acontecendo em Israel, até mesmo nos mínimos detalhes. Sabia quem estava no Knesset e em cada uma de suas subcomissões. Estava por dentro de todas as reuniões do governo sobre todos os assuntos, e de quem era a favor ou contra determinada posição. Era impressionante escutá-lo falar sobre as reuniões do governo como se estivesse estado presente.
Ele também sabia o que estava acontecendo com os judeus em todo o mundo – fosse em países árabes, no Leste Europeu, na África do Sul, ou na América do Norte ou do Sul. Tinha de saber, para mandar seus emissários para fortalecer as comunidades judaicas em todo o mundo. Na minha opinião, ele é o indivíduo mais responsável pela reconstrução da vida judaica após o Holocausto.
Seus esforços são admirados pelas pessoas mais inesperadas. Sou testemunha de que David Ben Gurion admirava o Rebe. Em minhas conversas com Ben Gurion, ele expressou a maior admiração pelo conhecimento do Rebe, pelo fato de o Rebe haver estudado na Sorbonne e ser bem versado tanto nas ciências quanto na Torá.
À medida que meu trabalho com o Rabbinical Council of America foi se ampliando – e tive de viajar, não apenas para Israel, mas pela Diáspora – fui tomando mais conhecimento das atividades do Rebe no mundo inteiro. Um dos lugares que visitei foi a União Soviética, onde o trabalho secreto do Rebe, que ele conseguiu manter apesar de todas as dificuldades, manteve acesa a chama do judaísmo sob o jugo comunista.
Minhas viagens me levaram a um contato maior ainda com o Rebe porque após minhas visitas ao Marrocos, à Tunísia, Algéria e outros países do norte da África, onde viviam emissários de Chabad, o Rebe queria escutar minha avaliação do trabalho deles. De vez em quando também me pedia para realizar uma missão para ele. Lembro-me de uma vez em que me pediu para pôr minha segurança pessoal em risco para fazer algo extremamente difícil – que não posso revelar o que era. Consegui e, na volta, dei-lhe um relatório. E disse: “Quero que o Rebe saiba que não foi uma tarefa nada fácil.” Ao que ele respondeu: “Rabino Segal, quando foi que você fez um contrato com D-us para uma vida fácil?”
Essa frase teve um impacto duradouro sobre mim. Posteriormente, quando aconteceram coisas em minha vida – como doença na família e outros problemas – eu me lembrava do que o Rebe dissera e isso me ajudou profundamente.
Adaptado do livro: “One by One”
Págs. 211-213)
(Inglês)
Leilui Nishmat:
Eliyahu ben Aba
Chaim Avraham ben Sara e Yossef Fogel
Moshe Haim ben Kaila z’l
David ben Avraham (Curico)
Neche bat Shlomo
Miriam bat Yaakov
Chava bat Libi
Efraim Kopl ben Eliyáhu
Chaim Shemuel ben Aba
Moshê Baruch ben Yaakov Tsvi haLevi
Miriam bat Yaakov Kopl Halevi
Beile (Berta) bat Refael
Aba (Abel) ben (Eliyáhu) Eliash Leibas
Pinchas ben Moshê
Mordechai ben Yaakov Kopl HaLevi
Lea bat Hersh
Efraim Shlomo ben Motl Halevi
Eliyáhu ben Yaakov
Yaakov ben Eliyáhu
Miriam bat David
Chana Liba bat Tuvia
Isaac ben Luzer
Libe bat Tzipora
Avraham Duvid ben Eliezer
Tzipora bat Zalman
Todos os soldados que caíram defendendo nosso povo HY’D
Parashat Bamidbar (literalmente: “no deserto”) é sempre lida antes de Shavuot, para nos ensinar que uma pessoa que cumpre a Torá pode transformar até mesmo um deserto num paraíso idílico, como consta (Yishaiahu 51:3):
“E Ele tornará seu deserto como o Eden, e seu local abandonado como o jardim de D-us.”
Lá estava o Chassid, servindo bebidas e cobrando as contas dos fregueses. Hoje Ivan e Grisha tinham ido às tapas, de novo, e eles os expulsara, dizendo-lhes que resolvessem suas questões em outro lugar. Stasha tinha se recusado a pagar sua conta que já estava em cinco rublos. O chassid já não estava agüentando o barulho, as xingações e as brigas dos bêbados. Havia dias em que ele mal conseguia abria a porta da taverna para seus fregueses. “Malka,” – dizia à esposa, “tenho de encontrar outro meio de vida. Não agüento mais.” Mas, na verdade, o que mais poderia ele encontrar para fazer na vila? Afinal de contas, tinha seis filhos para criar.
“Todo dia e toda noite”, pensou o taberneiro, “minha semana inteira é gasta na companhia desses camponeses grosseiros, que passam as horas bebendo vodka, para em seguida caírem bêbados ou brigarem por motivos ridículos e vulgares. Acabo decaindo no meu Serviço a D-us, por passar meus dias num lugar assim.” E quando voltava a procurar saídas, caía em desespero.
Finalmente, resolveu ir visitar Rabi Aryeh Leib, o Shpoler Zeide. O tsadik, com certeza, teria um bom conselho que o ajudaria a sair daquela terrível situação. Ao chegar à casa do tsadik, foi recebido em seu escritório e pôs-se a explicar seu problema. Contou que ficava o dia todo na taverna servindo bebida a todo tipo de gente baixa, e estava preocupado de que poderia acabar caindo na deles, simplesmente por causa do contato constante. Por outro lado, tinha família, e deveres para com sua esposa, filhos e seus pais idosos. Sentia-se, portanto, sem saída. Mas tinha de haver uma solução.
O rabino escutou suas queixas, em silêncio, deixando que o pobre homem desabafasse. Em seguida, o tsadik disse com um sorriso compreensivo: “Pelo que está me dizendo, entendo que você preferiria cumprir suas obrigações para com seu Criador de um jeito diferente. Talvez ganhando um saco de moedas de ouro e morando num palácio luxuoso, cercado por livros sagrados, usando as mais finas vestimentas e com um chapéu de pele na cabeça, fosse mais fácil ser um bom judeu! Se você tivesse essas condições, poderia estudar Torá e cumprir mitsvot com a mente clara e o coração pleno, sem o peso de qualquer preocupação neste mundo. Bem, meu caro amigo, você está totalmente enganado. Não é este o plano Divino. D-us o quer sobrecarregado com todos os problemas que o perseguem todo dia – a falta de dinheiro para pagar as contas no fim do mês, filhos para casar, camponeses vulgares gritando para você trazer logo suas bebidas – e com tudo isso, quer que você seja um bom judeu. Meu amigo, é a vontade de D-us que você pegue todas essas distrações e as deixe de lado a fim de cumprir Sua vontade, mesmo que se sinta arrasado. Quando você se apega a Ele, mesmo diante de todas essas dificuldades e anseia por uns raros momentos de paz em que possa cumprir o desejo de seu coração de pronunciar algumas poucas e preciosas palavras de prece para Ele, aí D-us obtém a maior alegria de seu serviço. Se Ele só quisesse louvores sem esforço, Lhe bastaria os inúmeros batalhões de anjos que pronunciam: ‘Santo! Santo! Santo!’ Sem cessar. Não, Ele deseja seu coração, que você Lhe dá apesar de todas as suas adversidades diárias – isto é que é um verdadeiro Serviço Divino.
“Eu o aconselho a parar de reclamar das dificuldades de ganhar a vida no ambiente grosseiro de sua taverna e Lhe agradeça por ter lhe dado a oportunidade de se elevar a uma situação de tal santidade que nenhum outro teste lhe teria possibilitado. Na verdade, D-us lhe deu um grande presente, e você deve apreciá-lo.”
Era costume, em muitas comunidades judaicas antigas, visitar o cemitério em Lag Baômer. Assim sendo, os residentes de Homil tinham o hábito de visitar seus entes queridos nesse dia.
A Chevra Kadisha, Sociedade Funerária, também fazia sua visita anual ao cemitério na tarde de Lag Baômer. Seus membros passavam por todos os túmulos, verificavam como estavam as lápides, e anotavam tudo o que precisava ser consertado.
No fim da tarde, quando acabavam a inspeção, os membros da Chevra Kadisha se reuniam para uma seudá (refeição festiva). Era sempre um evento inspirador, dedicado a promover o cumprimento de “atos de verdadeira bondade” (como são chamadas as práticas fúnebres judaicas, pois não se espera retribuição dos falecidos).
O famoso Rabino Yitschak Eizik de Homil também participava da comemoração da Chevra Kadisha. Fazia um “lechaim” e pronunciava algumas palavras de Torá adequadas à ocasião.
Antes, porém, R. Yistchak fazia sua própria visita aos túmulos de seus antecessores. Ano após ano, seguia a mesma rotina até que certa vez, algo muito incomum aconteceu.
Já estava ficando tarde naquele Lag Baômer, quando R. Yitschak começou sua ronda, acompanhado pelo zelador do cemitério. Aproximava-se de cada túmulo e sussurrava algo que só ele conseguia escutar.
Lá no finalzinho do cemitério, na parte nova, onde estavam enterrados os que faleceram mais recentemente, parou diante de um monumento de mármore novo. Abaixou-se para ler a inscrição e certificar-se de que era o que estava procurando e balançou levemente a cabeça.
“Rápido!” – Virou-se de repente e chamou o zelador. “Volte para a cidade e traga um machado bem forte e com a lâmina pesada.” O zelador obedeceu, e poucos minutos depois estava de volta.
“Agora, quero que você apague tudo o que está escrito aqui.” – Disse o rabino. – “Apague todos os elogios floridos e homenagens. Deixe apenas o nome do falecido e a data em que ele morreu.”
O zelador hesitou, ficou parado no lugar. Mas o Rabino Yitschak insistiu. “Por favor, faça o que estou lhe pedindo.”
Com as mãos trêmulas, o funcionário do cemitério levantou o machado e demoliu todo o texto em que constava a ladainha de boas ações que o falecido realizara durante a vida. Isto feito, um olhar de satisfação apareceu no rosto do rabino. “Muito bom” – disse ao espantado zelador. “Agora posso ir para a seudá da Chevra Kadisha.”
A notícia do ocorrido espalhou-se rapidamente por Homil. Ou, como falam hoje, tornou-se viral. E chegou aos ouvidos dos membros da Sociedade Funerária, antes mesmo de o rabino chegar à comemoração.
Mal chegou na porta, o rabino anunciou: “Graças a D-us consegui fazer um ato de bondade para uma alma judia.” E todos olharam para ele com cara de que não estavam entendendo nada.
O rabino sentou-se e fez uma bênção sobre um copo de vodka. “Lechaim – à vida!” – Desejou aos presentes. Em seguida explicou:
“Há poucas semanas, um judeu simples faleceu em Homil. Seu enterro foi pequeno e modesto. Só estiveram presentes alguns membros da família e representantes da Chevra Kadisha. Era um judeu bondoso, que tinha muitas mitsvot a seu crédito, embora não fosse especialmente culto ou santo. E de vez em quando vacilava, como todo mundo. Ou seja: era um judeu dentro da média.
“Após seu falecimento, sua alma subiu para a Corte Celestial, onde suas boas e más ações foram examinadas minuciosamente. O veredicto estava prestes a ser anunciado quando, de repente, um anjo levantou-se segurando um cintilante tablete de mármore. Era a lápide que os filhos do falecido tinham colocado sobre seu local de descanso final.
“Aparentemente, os filhos daquele homem tinham resolvido dar ao pai – e a si próprios – um bocado de honras não merecidas. A longa inscrição descrevia uma vida de devoção e religiosidade que, na verdade, não passava de invenção. A Corte Celestial foi perturbada por esse malogro da justiça.
“Hoje fiz um grande favor à alma do falecido,” – concluiu o rabino. “Quando apaguei todos os elogios imerecidos, a Corte Celestial anunciou que a alma do homem podia, agora, receber a recompensa que lhe era de direito.”