BS’D

Era costume, em muitas comunidades judaicas antigas, visitar o cemitério em Lag Baômer. Assim sendo, os residentes de Homil tinham o hábito de visitar seus entes queridos nesse dia.
A Chevra Kadisha, Sociedade Funerária, também fazia sua visita anual ao cemitério na tarde de Lag Baômer. Seus membros passavam por todos os túmulos, verificavam como estavam as lápides, e anotavam tudo o que precisava ser consertado.
No fim da tarde, quando acabavam a inspeção, os membros da Chevra Kadisha se reuniam para uma seudá (refeição festiva). Era sempre um evento inspirador, dedicado a promover o cumprimento de “atos de verdadeira bondade” (como são chamadas as práticas fúnebres judaicas, pois não se espera retribuição dos falecidos).
O famoso Rabino Yitschak Eizik de Homil também participava da comemoração da Chevra Kadisha. Fazia um “lechaim” e pronunciava algumas palavras de Torá adequadas à ocasião.
Antes, porém, R. Yistchak fazia sua própria visita aos túmulos de seus antecessores. Ano após ano, seguia a mesma rotina até que certa vez, algo muito incomum aconteceu.
Já estava ficando tarde naquele Lag Baômer, quando R. Yitschak começou sua ronda, acompanhado pelo zelador do cemitério. Aproximava-se de cada túmulo e sussurrava algo que só ele conseguia escutar.
Lá no finalzinho do cemitério, na parte nova, onde estavam enterrados os que faleceram mais recentemente, parou diante de um monumento de mármore novo. Abaixou-se para ler a inscrição e certificar-se de que era o que estava procurando e balançou levemente a cabeça.
“Rápido!” – Virou-se de repente e chamou o zelador. “Volte para a cidade e traga um machado bem forte e com a lâmina pesada.” O zelador obedeceu, e poucos minutos depois estava de volta.
“Agora, quero que você apague tudo o que está escrito aqui.” – Disse o rabino. – “Apague todos os elogios floridos e homenagens. Deixe apenas o nome do falecido e a data em que ele morreu.”
O zelador hesitou, ficou parado no lugar. Mas o Rabino Yitschak insistiu. “Por favor, faça o que estou lhe pedindo.”
Com as mãos trêmulas, o funcionário do cemitério levantou o machado e demoliu todo o texto em que constava a ladainha de boas ações que o falecido realizara durante a vida. Isto feito, um olhar de satisfação apareceu no rosto do rabino. “Muito bom” – disse ao espantado zelador. “Agora posso ir para a seudá da Chevra Kadisha.”
A notícia do ocorrido espalhou-se rapidamente por Homil. Ou, como falam hoje, tornou-se viral. E chegou aos ouvidos dos membros da Sociedade Funerária, antes mesmo de o rabino chegar à comemoração.
Mal chegou na porta, o rabino anunciou: “Graças a D-us consegui fazer um ato de bondade para uma alma judia.” E todos olharam para ele com cara de que não estavam entendendo nada.
O rabino sentou-se e fez uma bênção sobre um copo de vodka. “Lechaim – à vida!” – Desejou aos presentes. Em seguida explicou:
“Há poucas semanas, um judeu simples faleceu em Homil. Seu enterro foi pequeno e modesto. Só estiveram presentes alguns membros da família e representantes da Chevra Kadisha. Era um judeu bondoso, que tinha muitas mitsvot a seu crédito, embora não fosse especialmente culto ou santo. E de vez em quando vacilava, como todo mundo. Ou seja: era um judeu dentro da média.
“Após seu falecimento, sua alma subiu para a Corte Celestial, onde suas boas e más ações foram examinadas minuciosamente. O veredicto estava prestes a ser anunciado quando, de repente, um anjo levantou-se segurando um cintilante tablete de mármore. Era a lápide que os filhos do falecido tinham colocado sobre seu local de descanso final.
“Aparentemente, os filhos daquele homem tinham resolvido dar ao pai – e a si próprios – um bocado de honras não merecidas. A longa inscrição descrevia uma vida de devoção e religiosidade que, na verdade, não passava de invenção. A Corte Celestial foi perturbada por esse malogro da justiça.
“Hoje fiz um grande favor à alma do falecido,” – concluiu o rabino. “Quando apaguei todos os elogios imerecidos, a Corte Celestial anunciou que a alma do homem podia, agora, receber a recompensa que lhe era de direito.”
Adaptado de:
http://lchaimweekly.org/lchaim/5760/619.htm#caption9
(Inglês)
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