BS’D

Antes da grande onde de imigração para Israel após 1948, muitos judeus marroquinos desejavam se mudar para a Terra Santa. Mas naquela época, pouquíssimas famílias conseguiram fazer aquela viagem longa e cansativa.
Antes de concluir seus preparativos para a viagem, todos os que queriam se mudar da grande comunidade judaica de Tafilalet para Êrets Yisrael iam pedir permissão ao Rabi Meir Abuhatseira (“Baba Meir” – o filho mais velho e sucessor espiritual de Baba Sali). Quando estavam com tudo quase pronto para viajar, chegavam à casa de Baba Meir para se despedir. Ficavam lá durante quatro ou cinco horas, com lágrimas jorrando como água, e com soluços que ecoavam pela casa toda. Os filhos de Rabi Meir não entendiam por que os judeus a caminho de Jerusalém estavam chorando. Quando perguntavam, os emigrantes diziam que estavam prestes a iniciar uma viagem difícil e perigosa. A família de Rabi Meir se acostumou ao fato de todos os que estavam de mudança para Israel passarem metade de um dia em sua casa, chorando.
Certo dia, chegou à casa de Rabi Meir, em Arpud, um homem que ele conhecera em outra cidade (onde morara anteriormente). O homem era muito inocente, sendo sua ingenuidade sua maior virtude, bem como sua maior limitação. Não entendia nada do que acontecia no mundo à sua volta. Tinha, porém, uma fé pura e sincera no Criador e nos tsadikim que Ele pusera neste mundo. Tinha resolvido se mudar para a Terra Santa e tinha chegado para se despedir de Rabi Meir. Lembrava-se, da época em que morava em Midelt, do costume de ir à casa de Baba Meir e chorar, antes de partir. O homem queria fazer o mesmo. Sabia que tinha muito motivo para chorar. Um mar de lágrimas começou a jorrar. E soluçou como alguém que acaba de perder um ente querido. Rabi Meir, percebendo que chorava muito mais que a média das pessoas, perguntou-lhe o motivo. O homem respondeu: “Baba Meir, o senhor me conhece há muito tempo, e sei que o senhor sabe que não sou instruído. Não reconheço nenhuma letra do alfabeto e jamais li um livro. Até agora consegui me sustentar negociando com os gentios. Mas o que o futuro me reserva? A população de Êrets Yisrael é composta de professores e eruditos. Quem vai se dar ao trabalho de olhar para um ignorante como eu? Sou tão ignorante que nem sei dizer se a página branca dentro da capa de um livro é a primeira ou a última página! Como vou conseguir ganhar a vida e o que vou fazer o dia todo?” Ele parou de falar, mas continuou a soluçar.
Rabi Meir lhe disse: “Escute! Sua inocência e ignorância vão ser justamente o que o ajudará a se virar em Êrets Yisrael. O fato de você não saber ler nem escrever vai sustentá-lo a vida inteira!”
Ao ouvir isso, os olhos do homem se iluminaram. Suas lágrimas secaram e deram lugar a um sorriso. Fez uma mesura e despediu-se de Baba Meir, feliz da vida com a berachá que recebera.
A partir daquele instante, até a hora de viajar, transmitia para todos os vizinhos sua alegria pela bênção que recebera. Depois, no navio, os demais passageiros, que temiam o futuro, perceberam sua tranquilidade. E ele lhes explicava, sorrindo: “Nada tenho a temer, pois trago na mochila a berachá do tsadik Baba Meir. Ela me dará sustento a vida inteira. “É justamente o fato de eu ser um bobo inocente e ignorante que me dará sustento.”
Os demais viajantes viam em suas palavras a comprovação de sua ingenuidade e burrice.
O homem chegou em Êrets Yisrael e fixou residência em Kfar Ata, na costa do Mediterrâneo entre Haifa e Akko. Seus filhos se destacaram, tanto nos estudos religiosos, quanto nos seculares. E se davam bem em tudo o que faziam. Um dos seus filho conseguiu emprego no “Instituto 3”, que fazia parte da “Rede de Desenvolvimento de Armas”, onde caiu nas boas graças de um dos principais engenheiros de mísseis, que o nomeou seu assistente pessoal.
Certo dia, o engenheiro comentou com seu assistente sobre um problema antigo do instituto. Diariamente eram traçados esboços de muitos projetos secretos de possíveis mísseis. Ao final do dia, como a maioria deles não seriam utilizados, esses projetos teriam de ser destruídos. Os armários dos engenheiros estavam abarrotados. E os engenheiros, já assoberbados de trabalho, não tinham tempo de lidar com aquilo.
O jovem se ofereceu para destruir os documentos, mas o engenheiro deixou muito claro que ele não tinha permissão de olhar para eles, pois eram papéis secretos.
“Meu pai é analfabeto” – disse o jovem. “Talvez seja a pessoa ideal para o cargo.”
O engenheiro não acreditou. “Será possível que exista alguém, em toda a Terra de Israel, que não saiba ler e escrever?”
O jovem respondeu: “Meu pai.”
O engenheiro não podia acreditar. Como era possível que um ignorante desses fosse o pai de um filho tão instruído? Apesar do ceticismo, passou a sugestão para os diretores da fábrica. Esses, animados, solicitaram uma investigação de segurança.
Inicialmente investigaram o background do suposto analfabeto imigrante do Marrocos. Quando ficaram certos de que ele não tinha nenhuma ligação com nenhum inimigo do país, resolveram ir visitá-lo, para ver que tipo de pessoa era.
Quando chegaram a sua casa, em Kfar Ata, encontraram-no andando na varanda, simplesmente, olhando para o nada. Conversaram um pouco com ele e viram que era simples, como seu filho dissera. Deram-lhe um jornal e ele o segurou de cabeça para baixo. Perguntaram como rezava, já que não sabia ler. Ele disse que aprendera as preces de cor, na juventude e, simplesmente, murmurava as palavras.
Os investigadores de segurança deram toda a informação a seus superiores. Percebendo que ele era a pessoa ideal para o trabalho, ofereceram-lhe o cargo de “Destruidor de Documentos Secretos” de todo o Instituto 3. Deram-lhe um escritório, onde ele ficava o dia todo rasgando e queimando. No fim do mês, ganhava um bom salário.
Ao final de trinta anos, teve de se aposentar devido à idade. Apesar da excelente aposentadoria e da ótima indenização, estava chateado. Viajou até a costa para falar com o filho de Baba Meir, Rabi David-Chai Abuhatseira, o rabino chefe de Naharia (ao norte de Akko). E lhe disse, triste: “Seu pai me prometeu trabalho para a vida toda. E agora eles deram fim ao meu emprego.”
Em menos de uma semana, os diretores do instituto o procuraram e perguntaram se ele concordaria em voltar ao trabalho, pois “não tinham conseguido encontrar ninguém qualificado para substituí-lo!”
O homem trabalhou lá ainda muitos anos, enquanto teve condições, e nada lhe faltou. Tudo o que Baba Meir dissera décadas antes se realizou.
Source: Adapted by Yerachmiel Tilles from Abir Yaakob: The Lives & Times of the Saintly Grand Rabbis of the Abichazira Dynasty (vol 2.) by Chaonch Regal…who heard the story from Rabbi David-Chai Abuhatzeira, son of Baba Meir and currently still the Chief Rabbi of Nahariya, israel.
Fonte: Adaptado por Yerachmiel Tilles de Abir Yaakob: As Vidas e Tempos dos Santos Grandes Rabinos da Dinastia Abichazira (Vol. 2) por Chaonch Regal… que escutou essa história do Rabino David-Chai Abuhatzeira, filho de Baba Meir e atualmente ainda Rabino Chefe de Nahariya, Israel.
Traduzido e adaptado de:
http://ascentofsafed.com/cgi-bin/ascent.cgi
http://ascentofsafed.com/cgi-bin/ascent.cgi?Name=824-02
(Inglês)
Leilui Nishmat:
Eliyahu ben Aba
Chaim Avraham ben Sara e Yossef Fogel
Moshe Haim ben Kaila z’l
David ben Avraham (Curico)
Arie Leib ben Yaakov
Miriam bat Yaakov
Chava bat Libi
Efraim Kopl ben Eliyáhu
Chaim Shemuel ben Aba
Moshê Baruch ben Yaakov Tsvi haLevi
Miriam bat Yaakov Kopl Halevi
Beile (Berta) bat Refael
Aba (Abel) ben (Eliyáhu) Eliash Leibas
Pinchas ben Moshê
Mordechai ben Yaakov Kopl HaLevi
Lea bat Hersh
Efraim Shlomo ben Motl Halevi
Eliyáhu ben Yaakov
Yaakov ben Eliyáhu
Miriam bat David
Chana Liba bat Tuvia
Isaac ben Luzer
Libe bat Tzipora
Avraham Duvid ben Eliezer
Tzipora bat Zalman
Todos os soldados que caíram defendendo nosso povo HY’D
Todas as vítimas do terror HY’D



