De todos os traços de caráter elevados que nosso patriarca Yaakov possuía, a Torá escolhe “um homem honesto” como o maior elogio, para nos ensinar que nada é mais digno de respeito e admiração do que uma vida vivida com honestidade e retidão.
“E a moça a quem eu disser, ‘baixe seu cântaro, lhe peço, para que eu possa beber’, e ela disser, ‘beba, e também darei de beber a seus camelos’…”
(Bereshit 24:14)
Esse “teste” de uma noiva em potencial para Yitschak não foi escolhido arbitrariamente, pois engloba a própria natureza da santidade.
A principal diferença entre santidade e seu oposto é que a santidade é voltada para fora, transborda, influencia seus arredores os impregna de luz.
A natureza do lado oposto, porém, é pegar tudo para si.
Quando Eliezer viu que Rivka, além de lhe dar de beber, também deu água para seus camelos, entendeu que isso era um sinal de que ela “pertencia” ao lado da santidade, e era digna de se casar com o filho de Avraham.
Parashat Vayerá menciona um aspecto espiritual, e ao mesmo tempo mundano, do relacionamento de Avraham e Sara.
Nossos Sábios do Talmud ensinam: “Como uma mulher auxilia ao homem? … Se o homem traz trigo, ele consegue mastigá-lo? Se ele traz fibra de linho, consegue vesti-lo? Conseqüentemente, ela traz luz para os olhos dele e o firma sobre os próprios pés!”
A missão que a pessoa tem na vida é elevar e refinar os aspectos materiais do mundo, neles introduzindo conteúdo espiritual. Mas o homem só traz o trigo e a fibra de linho, preocupa-se com a matéria prima, com aspectos gerais. É um tanto afastado da realidade terrena, dos detalhes. É a mulher quem transforma o trigo em alimento e o linho em vestimenta, quem consegue realizar, de modo tangível, nossa missão na vida.
Avraham e Sara. Homem e mulher. Quando Avraham soube que sua esposa, Sara, teria um filho, rezou. Lá do alto de sua santidade imensa, de seu ponto de vista elevado e imparcial, pediu: “Tomara que Yishmael viva diante de Ti!” Esperava que Yishmael continuasse a viver uma vida de temor e dedicação a D-us. Avraham via em Yishmael, futuro patriarca dos povos árabes, o potencial para uma vida de temor a D-us.
Sara, por sua vez, via a realidade. Percebia a influência devastadora de Yishmael em casa, principalmente sobre seu filho, Yitschak. Exigiu que Avraham retirasse de casa a influência prejudicial de Yishmael.
Avraham não conseguia aceitar a idéia de expulsar seu filho mais velho. Embora D-us já tivesse dito a Avraham que cumpriria Seu pacto especificamente através de Yitschak, do ponto de vista de Avraham, paracia que Yishmael deveria ficar em casa. Só em casa Avraham poderia ter esperanças de poder exercer uma influência positiva sobre Yishmael.
Mas D-us disse a Avraham: “Tudo que Sara te disser, escuta sua voz, pois tua descendência virá de Yitschak.” O comentarista Rashi explica que essa declaração indica que o poder de profecia de Sara era superior ao de Avraham. Foi Sara, a mulher como os pés no chão, o alicerce do lar, quem percebeu a influência nefasta.
De “A Thought for the Week”, Detroit. Adaptado das obras do Rebe de Lubavitch.