ENTREVISTA DE EMPREGO

BS’D

Foto by Pinchas Margolis

Em tempos idos, os judeus da Alemanha eram famosos por terem uma estrutura comunitária e social muito organizada. Ser escolhido para algum cargo em uma dessas comunidades era um posto de honra, e tinha de passar pela aprovação de diversos comitês. Uma vez escolhido, o candidato passava a gozar de uma influência considerável na vida comunitária.

O processo de seleção dos líderes religiosos era igualmente rigoroso. Ser rabino de uma comunidade judaica alemã era uma posição de prestígio, e havia muita competição.

Rabi Refael Cohen, o rav de Pinsk, era uma das maiores autoridades religiosas de sua geração. Aos dez anos fora aceito na famosa yeshivá Sheagat Ariê, e aos dezenove, já a liderava. Antes de Pinsk, fora rav  em Posna e Minsk. Não foi surpresa, portanto, ter sido convidado a ser o rabino de Hamburgo, uma das maiores comunidades judaicas da Alemanha. O rabino partiu para Hamburgo, a fim de se encontrar com seus líderes e iniciar o processo oficial de nomeação.

Na época, os ventos do Iluminismo (Haskalá) já tinham começado a soprar na Alemanha. O objetivo declarado de seus defensores era “modernizar” o judaísmo, conservando suas tradições milenares. Na prática, porém, seu desígnio oculto era remover todas as barreiras que separavam o judeu do não-judeu até a assimilação do povo judeu na família das nações. Rabi Refael, nativo da conservadora Lituânia, jamais encontrara nenhum dos maskilim, como eram chamados, e esse conceito lhe era estranho.

Moisés Mendelssohn era um dos maiores defensores do Iluminismo na época, em Berlin. Para muitos judeus, era um visionário, cujas opiniões e ideologia muito os influenciavam. Dentre os que o viam assim estavam vários dos líderes comunitários de Hamburgo, que eram responsáveis pela escolha do rabino. Seu candidato ideal deveria possuir bons conhecimentos de Torá, mas também deveria ser “progressista” o suficiente para acompanhar os modismos e as tendências da época.

Quando Rabi Refael compareceu diante do comitê de seleção, este ficou profundamente impressionado diante de seu conhecimento e sabedoria óbvios. Suas opiniões e crenças pessoais, porém, permaneceram desconhecidas. A comissão decidiu que a melhor pessoa para julgar o caráter de Rabi Refael seria o próprio Moisés Mendelssohn.

Só disseram a Rabi Refael que se ele quisesse concluir o processo de seleção o mais rápido possível, deveria viajar a Berlin, para se encontrar com “o maior pensador judeu de todos os tempos”, Rabi Moisés Mendelssohn. Se obtivesse sua recomendação, o posto de rabino seria dele.

Rabi Refael, em sua ingenuidade, pensou que ia se encontrar com um sábio da Torá, e partiu rumo a Berlin. Enquanto isso, a comissão enviou uma carta urgente para Moisés Mendelssohn explicando a situação e lhe pedindo para avaliar a fibra moral do rabino lituano. Será que estava qualificado para ser o rabino da comunidade “progressista” de Hamburgo?

Rabi Refael entrou na casa de Moisés Mendelssohn e encontrou o “sábio da Torá” sentado à sua mesa, com a cabeça descoberta, folheando uma Bíblia hebraica. Ficou tão espantado que perdeu a fala, durante alguns instantes. Além do choque, achou que também tinha sido deliberadamente enganado e ludibriado.

Quando Mendelssohn levantou a cabeça e cumprimentou seu visitante com “Shalom”, Rabi Refael respondeu com uma citação de Isaías: “‘Não há paz, diz D-us.’ Como puderam me mandar a um herege?”- Bradou. “Prefiro ter que pedir esmolas a obter recomendação de uma pessoa que estuda a sagrada Torá com a cabeça descoberta!” Dizendo isso, deu meia-volta e saiu.

Antes de ele chegar de volta a Hamburgo, porém, chegou uma carta de Moisés Mendelssohn notificando à comissão suas conclusões. “Não tive tempo de avaliar o caráter do rabino lituano” – escreveu. “Pois assim que ele me viu, me chamou de herege e saiu fazendo muito barulho. Por quê? Porque minha cabeça estava descoberta enquanto eu estava olhando uma Bíblia. Recusou-se a aceitar minha recomendação e disse que preferia mendigar a necessitar de minha aprovação.”

Os membros da comissão pensaram que Mendelssohn estava dizendo que Rabi Refael não estava qualificado para a posição. Mas não! O final da carta continha uma surpresa: “Portanto, recomendo que os senhores o nomeiem como rav, pois ele é um homem sincero. Tenho certeza de que uma pessoa assim será sempre imparcial, até mesmo se uma espada estiver suspensa sobre seu pescoço…”

No fim, Rabi Refael foi nomeado rav de Hamburgo, e serviu nessa função durante muitos anos. Durante toda a vida continuou sendo um ferrenho opositor ao Iluminismo e ao próprio Mendelssohn, com cuja recomendação obtivera o emprego.

Baseado em: http://lchaimweekly.org/

(Inglês)

Leilui Nishmat:

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Moshe Haim ben Kaila z’l

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Chava bat Libi

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Chaim Shemuel ben Aba

Moshê Baruch ben Yaakov Tsvi haLevi

Miriam bat Yaakov Kopl Halevi

Beile (Berta) bat Refael

Aba (Abel) ben (Eliyáhu) Eliash Leibas

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Mordechai ben Yaakov Kopl HaLevi

Lea bat Hersh

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Eliyáhu ben Yaakov

Yaakov ben Eliyáhu

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