Ben Zomá disse: “Quem é sábio? Quem aprende com todo mundo, como foi dito: ‘De todos aqueles que me ensinaram adquiri sabedoria…’”
(Pirkei Avot 4:1)
Não é preciso ser sábio para aprender – todos devem aprender. Um sábio não é, simplesmente, alguém que estuda e sim, quem vê algo de positivo em cada indivíduo, e dele aprende aquela qualidade positiva.
Parasht Tazria contém a mitsvá de circuncisão, Brit Milá, “E no oitavo dia a carne de seu prepúcio será circuncidada.”
Conta o Midrash que nossos Sábios fizeram a seguinte pergunta: Se D-us quer que os judeus sejam circuncidados, porque não os cria assim? É óbvio que o Criador Onipotente poderia fazê-lo.
O motivo, explicam, é o princípio do tikun, ou correção. D-us, deliberadamente, cria muitas coisas no mundo em estado incompleto ou parcial, com o objetivo de que o judeu as aperfeiçoe. De fato, esta é a missão Divino do judeu: levar a criação de D-us à perfeição por meio de Torá e mitsvot.
É óbvio que D-us não precisa de nossa ajuda. Ele podia muito bem ter criado tudo no auge da perfeição. Porém, ao nos nomear seus “sócios”, nos permite ganhar mérito e, de fato, “trabalhar” pelas bênçãos que recebemos na vida.
Quando o judeu cumpre sua missão ordenada por D-us, e preenche o mundo com santidade, toda a bondade que D-us lhe concede – vida, filhos e sustento – transforma-se de “doação de caridade” para seu devido direito.
D-us não está lhe dando um presente. Ele merece todas essas bênçãos porque trabalhou por elas.
Ao mesmo tempo, ter consciência dessa relação estimula o judeu a querer fazer mais ainda para cumprir sua parte do acordo, pois a natureza humana é tal que a pessoa detesta ser sustentada pelo “pão da vergonha”. Circuncisão é apenas um exemplo de como adquirimos esse mérito.
Pode-se fazer uma pergunta semelhante sobre a distribuição aparentemente desigual de riqueza no mundo. Por que D-us dá tanto dinheiro para alguns e tão pouco para outros? Por que o pobre não pode receber seu sustento diretamente de D-us, em vez de depender da generosidade dos outros? A resposta é que D-us quer que o rico adquira um mérito adicional dando tsedaká para o pobre. Na verdade, nem todo o dinheiro que está em sua posse lhe pertence. D-us simplesmente o coloca em suas mãos para que possa ser redistribuído de modo mais igualitário.
Sim, a pessoa mais abastada enfrenta um teste mais difícil, pois sua Má Inclinação se eleva em protesto. Mas o fato é que quando ele vence sua Inclinação e dá para o necessitado, além de não perder sua riqueza, D-us lhe dá mais ainda, como pagamento por sua boa ação.
Uma conhecida de minha esposa estava se mudando para outro apartamento. Procurou minha esposa e lhe pediu ajuda para escrever uma carta para o Rebe, pedindo-lhe uma berachá para a mudança. Como ela não sabia nem yidish nem hebraico, pediu a minha esposa para escrever a carta.
“Escreva a carta em inglês”, disse-lhe minha esposa. “O Rebe entende inglês.”
A mulher escreveu a carta e, em seguida a colocou num volume de Igrot Kôdesh que ela tinha retirado de nossa estante.
Minha esposa abriu o livro na página onde a carta havia sido colocada aleatoriamente, e traduziu a carta que havia naquela página.
Era uma carta para um casal que estava se mudando para um novo apartamento, abençoando-os para que tudo o que fosse relacionado com a mudança tivesse sucesso.
A mulher ficou satisfeita com a bênção, mas minha esposa notou que o livro que ela tinha retirado da estante era uma coletânea de cartas do Rebe Anterior, sogro do Rebe.
“É óbvio que o Rebe Anterior era um tsadik e um Rebe, mas eu ficaria mais segura tendo uma bênção do nosso Rebe, também”, disse a mulher.
Minha esposa lhe mostrou onde estavam os volumes de Igrot Kôdesh do Rebe, em outra prateleira.
A mulher escolheu um volume daquela prateleira e pôs sua carta aleatoriamente naquele livro. Entregou-o a minha esposa, e lhe pediu para traduzir a carta que estava naquela página.
Minha esposa leu:
“Estou surpreso que você está me consultando sobre um assunto que meu sogro já respondeu…”
A história abaixo foi relatada pelo Rabino Zalman Notik, da Yeshivá Torat Emet, em Yerushaláyim:
Um grupo de alunos da Yeshivá cumpria seu programa rotineiro das tardes de sexta-feira: incentivar meninos e homens judeus a pôr tefilin. Os estudantes encontraram um grupo de novos imigrantes, provenientes da União Soviética. Quando os alunos estavam ensinando os rapazes e homens a colocar tefilin, um velho judeu nascido na Rússia aproximou-se, emocionado, e perguntou: “Vocês são de Lubavitch? Tenho uma história para lhes contar!”.
“Quando eu era jovem, lá na Rússia, costumava frequentar as reuniões secretas (farbrenguens) dos Lubavitchers. Também costumava rezar com eles e ir a suas aulas. Em um farbrenguen que jamais esquecerei, o assunto principal era o desejo de se reunir com o Rebe (Rabino Yossef Yitschak, o Rebe anterior, sexto Rebe da dinastia Chabad). Cantamos: ‘Que D-us nos dê boa saúde e vida, e que possamos nos reunir a nosso Rebe.’ Nosso desejo intenso de estar com o Rebe era quase palpável, e crescia de minuto a minuto.
“No meio do farbrenguen, alguns chassidim levantaram-se, de repente, e resolveram ‘agir’. Pegaram algumas cadeiras, viraram-nas de cabeça para baixo e as arrumaram em fila, formando um trenzinho. Imaginem só, um bando de marmanjos comportando-se como criancinhas do jardim da infância, sentados em cadeiras viradas e fazendo de conta que estavam indo para o Rebe!
“Quase todos os outros, inclusive eu, ficaram de lado, olhando. Ríamos deles dizendo que tinham pirado. Que ridículo… besteira de criança!
“Mas, sabem, dentro de pouco tempo, todos os chassidim que viajaram no ‘trem’ receberam permissão para deixar a Rússia, e realmente foram ao Rebe; ao passo que o restante de nós, os ‘normais’, ficamos para trás. Como vocês podem ver, a maioria de nós não teve forças para manter a observância da Torá e das mitsivot, e só agora estamos começando a recuperar…”
Falando de uma maneira geral, há três tipos de alimentos:
O alimento que é necessário para o desenvolvimento normal ou cuja necessidade é vital para preservar a vida.
Alimento que é prejudicial e deve ser evitado, ou até mesmo destruído.
Alimento que, embora não seja indispensável, é fonte de nutrição e prazer adicionais.
Há alusão a essas três categorias nas três comidas especiais de Pêssach:
Matsá é, obviamente, o pão não fermentado e “o pão sustenta a vida do Homem” (Salmos 104:15). Em termos mais amplos, a palavra “pão” refere-se a uma refeição completa, e a toda a nutrição diária (Vide Daniel 5:1; Rashi sobre Bereshit 31:54).
Maror – em nosso contexto – significa coisas indesejáveis que precisam ser consideradas amargas e, portanto, rejeitadas.
O sacrifício de Pêssach tinha de ser comido “al hassova”, quando a pessoa já estava satisfeita (Rambam, Leis do Sacrifício Pascal 8:3. Era como um “sobremesa”, fonte de prazer e nutrição adicionais. Por isto, o Pêssach tinha de ser comido luxuosamente, “como um festejo real” (Rashbam sobre Pessachim 119b).
Com base nisso, podemos perceber três tipos de “alimentos” espirituais que devem ser dados a uma criança no processo educacional:
A primeira necessidade vital de uma criança é receber uma dose diária de nutrição básica, ou seja, Torá e mitsvot, que são chamadas de “pão”. Além disso, deve-se cuidar para que o estudo da Torá e o cumprimento das mitsvot sejam humildes e achatados, como a matsá, sem nenhum traço de chamets (fermento) que faz com que a massa suba, cresça e inche arrogantemente (Likutê Torá, Tsav 13c).
Ao mesmo tempo, é preciso proteger a criança das influências indesejáveis (amargas) de fora – insinuadas pelo maror – por meio de disciplina e repreensão. Atualmente, a obrigação de comer maror não é tão forte quanto na época do Templo (atualmente é uma obrigação rabínica, não bíblica). Do mesmo modo, a abordagem à disciplina deve ser mais branda, hoje em dia, do que era no passado. Matsá, porém, permanece uma exigência bíblica total até hoje, exatamente como na época do Templo, o que nos ensina que devemos continuar a dar reforço positivo integral a nossas crianças em sua “dieta básica” de Torá e mitsvot.
Se seguirmos essas diretrizes na educação de nossos filhos (e de nós mesmos) passo a passo, ficaremos “saciados” com Torá e mitsvot de tal modo que a santidade que existe no coração de cada judeu virá à tona, causando um compromisso total com D-us. Deste modo estudaremos Torá com uma dedicação maior ainda e cumpriremos as mitsvot com o maior capricho, fazendo tudo com alegria verdadeira (“como num festejo real”) como está expresso no sacrifício de Pêssach.
(de uma carta do Rebe de 11 de Nissan de 5737)
(Adaptado de “The Kol Menachem Haggadah” págs.133-134
Leilui Nishmat:
Eliyahu ben Aba
Chaim Avraham ben Sara e Yossef Fogel
Moshe Haim ben Kaila z’l
David ben Avraham (Curico)
Arie Leib ben Yaakov
Miriam bat Yaakov
Chava bat Libi
Efraim Kopl ben Eliyáhu
Chaim Shemuel ben Aba
Moshê Baruch ben Yaakov Tsvi haLevi
Miriam bat Yaakov Kopl Halevi
Beile (Berta) bat Refael
Aba (Abel) ben (Eliyáhu) Eliash Leibas
Pinchas ben Moshê
Mordechai ben Yaakov Kopl HaLevi
Lea bat Hersh
Efraim Shlomo ben Motl Halevi
Eliyáhu ben Yaakov
Yaakov ben Eliyáhu
Miriam bat David
Chana Liba bat Tuvia
Isaac ben Luzer
Libe bat Tzipora
Avraham Duvid ben Eliezer
Tzipora bat Zalman
Todos os soldados que caíram defendendo nosso povo HY’D