FAREI VOLTAR O CORAÇÃO DOS PAIS…

BS’D

…ATRAVÉS DOS FILHOS

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Rebe contou que havia uma família que morava em Israel que tinha uma filhinha de seis anos. A família não cumpria Torá mitsvot e a menina estudava em uma escola que não era religiosa. Certo dia, duas mocinhas foram visitar a escola e contaram às alunas pequenas que existe uma mitsvá importante que só mulheres e meninas podem cumprir – a mitsvá de acender velas de Shabat. As moças falaram para as meninas que elas também podiam cumprir essa mitsvá importante, e receber o Shabat.

“Queremos muito acender velas em honra do Shabat” – empolgaram-se as meninas. – Como podemos fazer isso?” – Perguntaram emocionadas.

“Muito simples”, as moças as orientaram. “Primeiro coloca-se uma moeda numa caixinha de tsedaká. Depois devem acender a vela e fazer a berachá, assim receberão o sagrado Shabat.” E deram a cada menina uma vela e um castiçal pequeno com uma folha bonita contendo a berachá.

Quando acabou a aula e a menina foi prá casa, correu para sua mãe para lhe mostrar a vela. “Ima, veja o que recebi”, contou com a empolgação característica da infância, e avisou a sua mãe que na próxima sexta-feira de tardezinha, ela pretendia acender a vela, em honra do Shabat.

A mãe não entendeu nada. Não tinha o mérito de cumprir mitsvot, e nunca tinha ouvido falar em velas de shabat. “Não!” – “Não vai acender esta vela.” E pensou: “Onde já se viu uma coisa dessas?! Uma menina pequena resolve fazer algo que seus pais jamais fizeram?! Não é possível que a menina comece a mudar as regras da casa!”

A menina, que o dia todo tinha planejado como acenderia a vela, caiu no choro. “Qual é o problema que eu acenda a vela?! Já tenho a vela e já sei a berachá. Está tudo escrito no papel que me deram na escola. Não estou lhe pedindo que me dê nada. Só estou pedindo que me deixe acender a vela”, chorou a menina e bateu os pés em teimosia.

A mãe se espantou com a reação da filha. Respondeu carinhosa: “Tudo bem, filhinha. Se parar de chorar, deixo você acender a vela que recebeu.”

Assim que escutou isso, a menina parou de chorar, seus olhos se iluminaram e ficou muito feliz.

Ao chegar a hora do acendimento das velas, a menina achegou-se à mesa e, exatamente como lhe haviam ensinado na escola, pegou a vela e o castiçal, e os colocou cuidadosamente sobre a mesa grande. Pediu fósforos a sua mãe, acendeu a chama e, com grande respeito, aproximou o fósforo à vela, que brilhou com uma chama tremeluzente. A menina cobriu os olhos e fez a berachá do acendimento das velas.

Descobriu os olhos e olhou, encantada, para a vela acesa. De repente, lembrou-se de que as mocinhas disseram que é proibido tocar na vela e tirá-la do lugar no shabat. E com inocência infantil, falou para sua família: “No Shabat é proibido tocar na vela, tirá-la do lugar e até mesmo soprar na vela, para não apagá-la, pois é chilul Shabat (profanação do Shabat)…”

Os pais entenderam que aquilo não era tão mau assim, e que sua filha não modificou as regras da casa. Afinal de contas, tudo o que a menina fez foi acender uma vela. Inclusive, perceberam sua emoção na hora da cerimônia do acendimento da vela. E na sexta-feira seguinte, não esperaram até que a menina fizesse uma cena. Assim que pediu, deram-lhe permissão para acender sua vela.

A empolgação da menina foi igual à da semana anterior.

Algo começou a mudar no coração da família…

Numa sexta-feira algumas semanas depois, o pai disse, de repente para a mãe da menina, que não combina que a televisão esteja ligada enquanto a vela ainda está acesa. “Tem razão”, respondeu a esposa, “não consigo ver televisão enquanto nossa filhinha querida está cantando músicas de Shabat e a vela ainda está acesa…”

Os pais decidiram, simplesmente, que a partir daquele dia, enquanto a vela estivesse acessa, a televisão estaria desligada.

Na semana seguinte, os pais mantiveram sua decisão. Não tocaram na vela de Shabat que estava sobre a mesa, e quando a menina acendeu a vela, desligaram a televisão. Acontece que, logo em seguida, o telefone tocou…

A mãe se levantou para atender mas, imediatamente, recuou. “Como vou atender o telefone, e a vela de Shabat está acesa aqui sobre a mesa?” A partir daquela semana, os pais pararam de atender o telefone enquanto a vela de sua filhinha estava acesa…

Passou-se mais um Shabat e, de repente, a mãe percebeu algo estranho: Quando uma vizinha ou amiga entrava na casa, via a vela sobre a mesa. Inclusive notava como a menina estava feliz por ter acendido a vela de Shabat e contava a todos que era uma vela sagrada e um dia sagrado. Enquanto que a mãe se comportava como se fosse um dia comum, de semana… Isso era meio estranho e não dava para entender! Para a menina era um dia sagrado, enquanto para a mãe era simplesmente um dia de semana?!

A mãe resolveu começar a acender velas de Shabat!

Assim que acendeu suas velas, a mãe foi para a cozinha, como de costume, esquentar o jantar. Quase acendeu o forno quando se deu conta assustada: “Acabei de acender as velas do sagrado Shabat, inclusive fiz a berachá, dizendo que é Shabat Kôdesh, e logo depois vou profanar o Shabat?!”

A mãe, simplesmente, não tocou o forno! As velas que tinha acabado de acender não lhe permitiram ligar o forno.

Mas comer comida fria também não dá. Aí a mãe começou a preparar tsholent, tal qual uma família que cumpre mitsvot.

Deste modo a família foi, passo a passo, progredindo, e cada semana descobria mais uma ação que não se pode fazer no Shabat.

As semanas foram passando, e a família foi cada vez mais se aproximando do cumprimento das mitsvot. Até que agora (quando o Rebe contou esta história), todos os membros da família viraram baalei teshuvá.

E tudo começou porque uma menininha insistiu – com choro e muita bagunça – em acender uma vela cada véspera de Shabat. Isso fez com que, com o passar das semanas, toda a família tenha deixado de profanar o Shabat  enquanto a vela estava acesa. E continuou com a mãe, ela própria, começando a acender velas de Shabat. Deste modo, toda a família fez teshuvá.

***

Depois desta história, o Rebe contou mais outra:

Vivia na Inglaterra, uma família tradicional, que sabia o que são velas de Shabat, e as acendia semanalmente. Davam muita importância à mitsvá de acender as velas. Toda sexta-feira, uma mesa festiva era posta, e sobre ela eram acesas as velas.

Como a mãe queria muito que toda a família estivesse presente durante o acendimento, só o fazia quando o marido chegava do trabalho.

O marido só fechava seu negócio às cinco da tarde. Voltava para casa e, às seis a esposa acendia as velas de Shabat. Depois disso, o marido fazia o kidush e a família se sentava para a refeição do Shabat.

O marido era um homem muito organizado, e sempre abria e fechava seu negócio na hora certa. Fechava todas as sextas-feiras às cinco da tarde, tanto no verão, quando o sol ainda estava alto e lá fora estava claro; quanto no inverno, quando já estava escuro.

Certo dia, a filha daquele casal voltou da escola e, vibrando disse à mãe: “Mamãe, já tenho cinco anos e quero muito acender velas de Shabat, como me ensinaram na escola.”

A mãe ficou muito contende. “Isso mostra que a menina é inteligente e entende as coisas.” Pensou. Estou contente que minha filha segue meu exemplo. Isso mostra que ela vai me obedecer em outras coisas também.”

E a partir de então, cada sexta-feira a mãe arrumava uma mesa festiva, e esperava que o pai voltasse do trabalho. E às seis em ponto, ela e a menininha acendiam velas de Shabat.

E o inverno chegou… Os dias ficaram curtos e as noites, longas.

A sexta-feira foi muito curta. A menina, como de costume, olhou a folha de instruções que recebera, e viu o horário das velas daquela semana. Olhou para a folha, olhou para o relógio que havia na parede da sala e percebeu que faltava pouco para o horário do acendimento das velas. Na escola lhe ensinaram que antes daquele horário é permitido acender velas mas depois daquele horário, o sol já se pôs, já era Shabat e… já era proibido acender velas: era chilul Shabat  (profanação do Shabat)!

A menina esperou, ansiosamente que a mãe levasse as velas para a mesa. Mas… nada. “Mamãe mal começou a arrumar a mesa festiva do Shabat”, pensou a menina. Lá fora, o sol estava quase se pondo, mas a mãe não dava nem sinal de que logo acenderiam as velas.

“O que está acontecendo aqui?” – pensou a menina. “Toda semana a gente acende velas muito antes da entrada do Shabat. O que está acontecendo hoje?! Por que mamãe ainda não aprontou as velas??!”

“Mamãe, quando vamos acender as velas? Já está muito tarde…” A mãe espantou-se: “Ué, às seis, como todas as semanas… e ainda temos bastante tempo até lá!”

A menina exclamou: “Oy vavoy!!! É proibido!!! É proibido acender as velas às seis. Já é noite. Vai ser chilul Shabat!”…

A mãe olhou para a menina sem entender nada. “Como, é proibido?! Papai ainda está no trabalho. Ele só volta às seis. E só quando ele chega é que acendemos as velas…”

A menina não escondeu sua turbulência. “Mamãe, não tem nada a ver com a hora que papai chega! A gente aprendeu na escola que é preciso acender as velas antes do pôr do sol. No verão, seis da tarde é bem antes do pôr do sol. Mas no inverno, às seis já está escuro… bem depois do pôr do sol… Aí já é proibido acender as velas, é chilul Shabat!”…

A mãe se assustou com a repreensão da filha e disse: “O quê? Você está querendo me modificar?! Está querendo que depois de tantos anos eu modifique meu costume?!”

A menininha respondeu: “Não! Não quero modificar você, só quero que me deixe acender as velas na hora, antes do pôr do sol.”

A mãe teve de deixar a filha acender logo as velas. A filha, por sua vez, apressou-se e acendeu a vela antes do pôr do sol.

O pai chegou do trabalho no seu horário costumeiro, quase seis, quando já era de noite.

Entrou em casa e viu algo muito estranho: sobre a mesa do Shabat estava acesa uma velinha: a vela que sua filhinha acendera. “O que está acontecendo aqui?” – Perguntou espantado. “Por que você acendeu a vela e não esperou para acender com sua mãe, na hora que ela sempre acende?”

A filha contou para o pai tudo o que acontecera, e lhe explicou o que aprendera na escola: que é preciso acender as velas de Shabat  antes do pôr do sol.

O pai ficou espantado…

“Como pode ser que uma menina pequena discorde de seus pais?!” Porém, depois que pesquisaram o assunto, tiveram que admitir que a menina estava certa.

Dentro de pouco tempo, a menina conseguiu fazer com que seus pais mudassem de opinião e, na semana seguinte, a mãe e a filha já acenderam as velas de Shabat na hora certa…

Até então, a mãe achava que cumpria a mitsvá de acender velas de Shabat com grande capricho, até cuidava do shalom bayit, esperando que seu marido chegasse do trabalho. Mas ela estava equivocada: além de não fazer mitsvá nenhuma, ainda estava fazendo a averá (transgressão) muito grave de chilul Shabat. E quem foi que fez essa transformação?! Quem fez com que a mãe começasse a acender as velas na hora certa? A menininha de cinco anos…

MORAL DA HISTÓRIA:

De histórias como esta vemos que “mitsvá goreret mitsvá” (uma mitsvá puxa outra). Isso não é apenas um assunto que aparece na Mishná. É um assunto concreto, que vemos de fato. Uma das maneiras de constatar a importância e necessidade de uma ação é ver suas consequências. De histórias assim aprendemos como é importante o esforço na campanha de “acender velas de Shabat”.

(Da sichá de 6 de Tishrei de 5736)

Do livro: “Má Shesiper li HaRabi

Vol III

Págs. 162-173.

Em mérito dos soldados do Exército da Defesa de Israel, que tenham sucesso total e voltem para casa sãos e salvos, para uma vida boa e longa.

Pela proteção de todos os habitantes da Terra Santa, de todo nosso povo e de todas as pessoas boas.

Pela cura dos feridos.

Pela libertação dos reféns, sãos e salvos.

Que as famílias atingidas tenham consolo.

“Hashem oz leamô yiten, Hashem yevarech et amô bashalom.”

Pela vinda do nosso Justo Mashiach.

Leilui Nishmat:

Eliyahu ben Aba

Chaim Avraham ben Sara e Yossef Fogel

Moshe Haim ben Kaila z’l

David ben Avraham (Curico)

Arie Leib ben Yaakov

Miriam bat Yaakov

Chava bat Libi

Efraim Kopl ben Eliyáhu

Chaim Shemuel ben Aba

Moshê Baruch ben Yaakov Tsvi haLevi

Miriam bat Yaakov Kopl Halevi

Beile (Berta) bat Refael

Aba (Abel) ben (Eliyáhu) Eliash Leibas

Pinchas ben Moshê

Mordechai ben Yaakov Kopl HaLevi

Lea bat Hersh

Efraim Shlomo ben Motl Halevi

Eliyáhu ben Yaakov

Yaakov ben Eliyáhu

Miriam bat David

Chana Liba bat Tuvia

Isaac ben Luzer

Libe bat Tzipora

Avraham Duvid ben Eliezer

Tzipora bat Zalman

Todos os soldados que caíram defendendo nosso povo HY’D

Todas as vítimas do terror HY’D

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