
Era Chanuká e eu estava no Shopping. Estava com pressa, mas não para fazer as compras de última hora. Para falar a verdade, não sou lá muito consumista. Eu tinha levado um grupo de estudantes de Crown Heights, Brooklyn, a um shopping Center em New Jersey para distribuir kits de menorá de Chanuká. Por sermos Chassidim Chabad-Lubavitch, estávamos à cata de oportunidades para incentivar outros judeus a acenderem as velas da Festa das Luzes.
O percurso até New Jersey demorara mais do que o esperado e precisávamos voltar 45 minutos após termos chegado. Eu tinha de voltar para o Brooklyn para dar uma palestra e estava na entrada do shopping para poder reunir as meninas a tempo.
Após olhar para o relógio pela milésima vez, percebi uma rodinha de cadeiras no meio da praça de alimentação. Lá estava um grupo de mulheres de todas as idades, sentadas conversando, rindo, comendo ou bebendo. “Vai ser fácil”, pensei, quando percebi que muitas das moças e mulheres pareciam judias.
Havia um jovem sentado sozinho na rodinha de cadeiras, mas estava na cara que não era judeu. Nem tanto por seu cabelo pintado de roxo e verde, nem pelos piercings que tinha nas orelhas e em outras partes do corpo. Ele simplesmente não tinha cara de judeu. Como o Rebe de Lubavitch sempre incentiva mulheres a abordarem mulheres (e homens a abordarem homens), fiquei tranqüila de que eu não seria indelicada se não oferecesse um kit de Chanuká ao rapaz.
Passei pelas mulheres e moças, perguntando se eram judias e se queriam kits de menorá de Chanuká. As mulheres judias reagiram positivamente e ficaram contentes de receber os kits. Algumas até me perguntaram se eu também tinha folhetos de acendimento das velas de Shabat.
Após falar com a última das mulheres, olhei para o relógio e vi que os 45 minutos estavam no fim. Comecei a andar rápido para a entrada do shopping para me encontrar com minhas alunas.
Dei alguns passos e ouvi alguém dizendo: “Nechama, volte.”
Não costumo ouvir vozes. Mas lá veio de novo: “Nechama, volte.”
“Me deixe em paz”, respondi para a voz. Mas ela não desistiu de mim.
“Nechama, volte e pergunte se ele é judeu.”
Resolvi voltar pro rapaz, que estava lanchando.
“Com licença, você é judeu?” – Perguntei-lhe.
No instante seguinte eu estava coberta de refrigerante, ketchup e mostarda. O jovem tinha se surpreendido tanto com minha pergunta que tinha largado tudo. Depois de se desculpar muito, ele me perguntou:
“Poderia me dizer por que me perguntou se sou judeu?”
Até hoje não sei por que essas palavras me vieram à mente, mas eu disse, com muita firmeza: “Você parece judeu!”
Foi quando ouvi um soluço, vindo do que só poderia ser o fundo de seu coração. O jovem começou a chorar e disse: “Diga isso de novo, por favor.”
“Você parece judeu”, eu disse novamente. Mais uma enxurrada de lágrimas. Mas ele se segurou mais uma vez e perguntou: “Por favor, diga isso de novo.” E eu disse.
Depois que se acalmou, o jovem me contou o seguinte:
“Minha mãe era judia, mas meu pai, não. Embora minha mãe não ligasse para religião – comemoravam em casa todas as festas não-judaicas – ela fez questão de que eu frequentasse uma escola judaica.
“Todo dia, na escola, as outras crianças caçoavam de mim. Não por que não comemorávamos as festas judaicas em casa. Elas não sabiam disso. Era por que eu era a cópia exata de meu pai. As crianças da escola diziam: ‘Por que você está aqui? Não tem cara de judeu. Por que está de tsitsit e kipá, você não parece judeu.’ E é verdade. Eu não pareço nada judeu. As crianças mangavam de mim dia após dia. E eu voltava prá casa chorando. Meu pai pediu a minha mãe prá ela me deixar mudar de escola. ‘Não está vendo como ele está infeliz?’ Até que, após alguns anos de zombarias e tortura, minha mãe concordou com meu pai e me deixou ir estudar numa escola pública.
“Lembro até hoje as zombarias.” Disse, angustiado o jovem. “Hoje, quando eu estava sentado aqui vendo você falar com todas as mulheres e moças judias perguntando se eram judias, eu disse: “D-us, não tenho culpa de não está fazendo nada judaico. Olhe, essa moça vai abordar todos os outros, mas não vai se aproximar de mim para me perguntar se sou judeu. Não pareço judeu! Quando você chegou ao fim da rodinha, levantei os olhos para D-us e disse: ‘Vou até lhe mostrar que tenho razão. Mas se essa moça me perguntar se sou judeu, vou Lhe dar mais uma chance.’ Quando você foi embora eu disse: ‘Ahá. Tá vendo, D-us?’
E aí você voltou na minha direção. Bem, acho que agora vou ter que dar a D-us mais uma chance.”
Dei ao jovem um kit de menorá de Chanuká e o número do telefone do Beit Chabad daquela localidade. E nos despedimos.
Não sei se ele chegou a contatar o Beit Chabad. Mas sei que aquela luzinha que existe em cada um de nós, mesmo que não estiver sendo cuidada, ou se, D-us nos livre for zombada, brilha eternamente dentro de todo judeu.
Adaptado de:
http://lchaimweekly.org/lchaim/5767/949.htm#caption2
(Inglês)
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Em mérito dos soldados do Exército da Defesa de Israel, que tenham sucesso total e voltem para casa sãos e salvos, para uma vida boa e longa.
Pela proteção de todos os habitantes da Terra Santa, de todo nosso povo e de todas as pessoas boas.
Pela cura dos feridos.
Pela libertação dos reféns, sãos e salvos.
Que as famílias atingidas tenham consolo.
“Hashem oz leamô yiten, Hashem yevarech et amô bashalom.”
Pela vinda do nosso Justo Mashiach.
Leilui Nishmat:
Eliyahu ben Aba
Chaim Avraham ben Sara e Yossef Fogel
Moshe Haim ben Kaila z’l
Miriam bat Yaakov
Efraim Kopl ben Eliyáhu
Chaim Shemuel ben Aba
Moshê Baruch ben Yaakov Tsvi haLevi
Miriam bat Yaakov Kopl Halevi
Beile (Berta) bat Refael
Aba (Abel) ben (Eliyáhu) Eliash Leibas
Pinchas ben Moshê
Mordechai ben Yaakov Kopl HaLevi
Lea bat Hersh
Efraim Shlomo ben Motl Halevi
Eliyáhu ben Yaakov
Yaakov ben Eliyáhu
Miriam bat David
Chana Liba bat Tuvia
Todos os soldados que caíram defendendo nosso povo HY’D
Todas as vítimas do terror HY’D
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