BS’D

Numa cidadezinha na região de Vilna, um rapaz e uma moça casaram-se. Pouco tempo depois do casamento, a esposa notou que o marido tinha uns costumes estranhos, a que ela não estava acostumada: Acordava meia-noite para fazer “Tikun Chatsot”, quando amanhecia, ia, diariamente, imergir no mikve, e lia um livro que guardava escondido debaixo do cobertor. A mulher contou tudo a seu pai, que retirou o livro de debaixo do cobertor para ver de que se tratava. Abriu o livro e sua vista escureceu: o livro era… “Toldot Yaakov Yossef”, cujo autor era um dos líderes do movimento chassidico. Seu genro tinha sido fisgado pelo “kat”.
É óbvio que ao ver o genro, o sogro despejou sobre ele toda sua ira, e o cobriu de insultos e calunias. Quando viu que desse jeito não conseguiu nada, resolveu falar manso com ele, para que abandonasse aquele “mau caminho”. Isso também de nada adiantou. Aí começou a exigir que se divorciasse de sua filha e lhe desse guet. O genro também não concordou com isso: estava ligado ao kat dos chassidim com toda sua alma, e também não queria se divorciar da mulher. O sogro percebeu que o negócio estava muito complicado, e desabafou com seus amigos da cidade, pedindo-lhes que o ajudassem a se livrar do genro. A cidade ficou “um D-us nos acuda”, o maior tumulto. Uns dizendo que era preciso pressionar o perverso para que se divorciasse da mulher, e outros dizendo que seria um “guet forçado” e a mulher ainda cairia numa complicação de “perguntas e respostas” de rabinos sobre se o guet foi kasher. Portanto, era necessário dar um monte de presentes e muito dinheiro para subornar o marido para que desse guet para a esposa de livre e espontânea vontade. E a cidade estava no maior rebuliço, até que a história chegou aos ouvidos do Pôrets da cidadezinha, que era um general idoso. Quando o Pôrets soube que toda aquela confusão era por causa de um livro, perguntou quem era o autor do tal livro. Disseram-lhe que o autor estava incitando e instigando os judeus a se afastarem da Torá de Israel, e seu nome era Yaakov Yossef Hakohen, da cidade de Polna’ah. Quando o Pôrets ouviu isso, pediu que lhe trouxessem o livro. Quando lhe levaram o livro, viu que na folha de rosto, embaixo, estava escrito, em russo, o nome do livro e do autor. O Pôrets, então, deu ordens para que se apresentassem diante dele o sogro, o rapaz e sua esposa, e todos seus conhecidos. Quando chegaram diante dele, o Pôrets falou:
– Chegou a hora de lhes contar um fato que me aconteceu na juventude. Prestem bem atenção.
Há muitos anos, fui coronel do exército. Certa vez, no final do inverno, meu batalhão estava estacionado perto da cidade de Polna’ah. Depois de algum tempo, precisamos transferir nosso acampamento para outro lugar. Em casos assim, acorda-se ao raiar do dia e se faz uma inspeção de todos os soldados e se lhes dá ordens para se preparar para a viagem. Na inspeção, estavam faltando três soldados. Mandei uns soldados irem até a cidade próxima, Polna’ah, procurá-los e trazê-los. Foram, e algum tempo depois, voltaram contando algo estranho: encontraram os três soldados numa casa, onde havia velas acesas, e ao lado da mesa estava sentado um senhor idoso de aspecto muito respeitável, e os soldados estavam lá, de pé, paralisados, sem conseguir mexer as mãos nem os pés, nem falar podiam. Não acreditei naquela história esquisita, e mandei outros soldados irem ver o que estava acontecendo. Eles foram, e contaram a mesma história. Fiquei muito admirado e resolvi ir lá pessoalmente ver o que estava acontecendo. Fui com alguns soldados e, quando entrei na casa, e vi o ancião, que parecia um anjo de D-us, sentado em concentração profunda ao lado da mesa, estremeci de temor. E vi os soldados. Estavam lá de pé, como surdos mudos grudados ao chão como por pregos. Tomei coragem para atrapalhar os pensamentos sagrados daquele ancião, e lhe pedi:
– Percebo que o senhor é um homem santo, e meus soldados precisam ir embora junto com todo o batalhão. Portanto, o senhor poderia fazer a gentiliza de fazer com que os soldados possam sair andando daqui?
E o ancião respondeu:
– Com certeza roubaram alguma coisa daqui. Tirem dos bolsos deles os objetos roubados que eles poderão andar.
Procuraram nos bolsos deles e estavam cheios de objetos de prata. Tiraram os objetos roubados dos bolsos deles e dois deles andaram como qualquer ser humano. Mas o terceiro ainda estava preso no lugar, sem conseguir se mexer. Os outros dois disseram: deve ter alguma coisa nas botas dele. E assim foi. Encontraram um copo de prata enfiado em suas botas. Retiramos o copo e ele também andou.
Como foi que aquilo tinha acontecido? Era a primeira noite de Pêssach, a noite do Sêder. Quando acabaram o Sêder, a família foi dormir. Só o dono da casa, Rav Yaakov Yossef Hakohen, ficou sentado ao lado da mesa a noite toda, concentrado em seus pensamentos sagrados. Não tinham fechado a porta da casa, pois essa noite é “Leil Shimurim”, noite protegida de tudo o que é prejudicial ou nocivo. Quando os três soldados passaram pela casa, viram pelas janelas que a família estava dormindo, a porta da casa estava aberta, e o senhor idoso estava sentado meditando, como se estivesse dormindo. Entraram na casa, encheram os bolsos de matsot e restos da comida que estava sobre a mesa, e em seguida, puseram nos bolsos todos os objetos de prata que a família pusera sobre a mesa, como é costume judaico na noite do Sêder. E imediatamente ficaram grudados ao chão, sem poder se mexer, até que o comandante do batalhão foi lá libertá-los.
O Pôrets continuou contando:
– Quando vi aquele milagre enorme, pedi que o santo rabino me abençoasse em duas coisas: filhos, pois ainda não tinha filhos, e vida longa. O rabino atendeu meu pedido e me abençoou. Em seguida, pedi ao rabino para me dizer quando minha vida terminaria:
– O final da vida do ser humano é algo oculto, não pode ser revelado, mas fique sabendo que no fim de sua vida, vai ter a oportunidade de divulgar meu nome entre judeus que não me conhecem.
A bênção do rabino realizou-se. D-us me abençoou com filhos, e também ainda estou vivo, embora eu seja muito velho. E agora – concluiu o Pôrets – algum de vocês ainda vai ter a ousadia de falar mal desse homem tão elevado e sagrado? Alguém ainda vai condenar o moço que estuda o livro desse homem sagrado de D-us? Ordeno que façam as pazes entre vocês, e que ninguém ouse fazer mal ao rapaz.
Os judeus muito se emocionaram ao escutar a história do general idoso, aceitaram seu veredicto, de não implicar mais com o rapaz e viver em paz.
Em seguida o Pôrets lhes disse:
– Agora sei que cheguei ao fim de minha vida, pois as palavras do santo rabino aconteceram tintim por tintim. E aconteceu algo para que eu divulgasse o nome dele entre vocês. Mas estou muito satisfeito, que tive a oportunidade de fazer paz entre vocês, por meio do nome desse santo rabino, que está no Paraíso.
Poucos meses depois disso, o velho Pôrets faleceu.
Adaptado do livro: Sipurei Chassidim – Moadim.
Págs. 293-295
(Hebraico)
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Em mérito dos soldados do Exército da Defesa de Israel, que tenham sucesso total e voltem para casa sãos e salvos, para uma vida boa e longa.
Pela proteção de todos os habitantes da Terra Santa, de todo nosso povo e de todas as pessoas boas.
Pela cura dos feridos.
Pela libertação dos reféns, sãos e salvos.
Que as famílias atingidas tenham consolo.
“Hashem oz leamô yiten, Hashem yevarech et amô bashalom.”
Pela vinda do nosso Justo Mashiach.
Leilui Nishmat:
Eliyahu ben Aba
Chaim Avraham ben Sara e Yossef Fogel
Moshe Haim ben Kaila z’l
Hershel ben Moishe
Moishe ben Aba
Miriam bat Yaakov
Efraim Kopl ben Eliyáhu
Chaim Shemuel ben Aba
Moshê Baruch ben Yaakov Tsvi haLevi
Miriam bat Yaakov Kopl Halevi
Beile (Berta) bat Refael
Aba (Abel) ben (Eliyáhu) Eliash Leibas
Pinchas ben Moshê
Mordechai ben Yaakov Kopl HaLevi
Lea bat Hersh
Efraim Shlomo ben Motl Halevi
Eliyáhu ben Yaakov
Yaakov ben Eliyáhu
Miriam bat David
Chana Liba bat Tuvia
Todos os soldados que caíram defendendo nosso povo HY’D
Todas as vítimas do terror HY’D





