Shelichut não se refere ao que você está fazendo, mas ao que você é.
É um estado de ser abrangente, 24 horas por dia de prontidão para servir. Qualquer hora e por qualquer coisa.
Quando, por vezes, sinto-me sobrecarregado simplesmente pelas tarefas sem fim que precisam ser feitas ontem, costumo lembrar uma frase genial de minha mãe, de abençoada memória.
Ela era uma imigrante da Rússia que teve 15 filhos em circunstâncias difíceis.
As pessoas lhe perguntavam como ela dividia o tempo entre todos os filhos e ainda encontrava tempo para atividades comunitárias.
No seu jeito modesto, respondia:
“Não sei. Na Rússia não me ensinaram divisão. Só me ensinaram multiplicação!”
Recebi o texto abaixo (em inglês, e traduzi para o português) por Whatsapp, na sexta-feira 21 de fevereiro de 2025. Foi escrito por Hillel Fuld. Vale a pena ler.
Desde o primeiro dia, vivo dizendo a todos os que quiserem ouvir, que desde 7 de outubro presenciamos tantos milagres, que é difícil de contar.
Alguns desses milagres são fáceis de reconhecer, por exemplo: como a operação dos beepers aconteceu, ou como tivemos tanto sucesso interceptando e explodindo aquelas centenas de drones e mísseis balísticos que foram lançados do Iran contra nós. Duas vezes.
Outros milagres foram mais difíceis de admitir.
E temos a noite de ontem.
Ontem à noite houve um milagre na dimensão da abertura do mar.
Refiro-me a um milagre revelado, que poderia e devia ter acabado muito diferente.
Não me pergunte qual minha fonte. E se isso significa que você não acredita no que vou dizer, que seja. Você pode continuar procurando. Mas se você conhece meu trabalho, sabe que sou muito cuidadoso com o que compartilho. Portanto, se estou compartilhando isto, pode confiar em mim: é baseado em fonte confiável.
Ontem à noite, uma moça notou um objeto suspeito num ônibus no centro de Israel. Avisou ao motorista, que parou o ônibus numa estação, fez com que todos descessem, e logo depois, o ônibus explodiu e foi totalmente destruído.
Mas a história não acaba por aí. Ainda tem muito mais.
Nas horas que se seguiram, quatro outras bombas foram descobertas em ônibus, algumas explodiram e outras foram desarmadas antes que explodissem. Outras não funcionaram.
De acordo com minha fonte, e isso era novidade para mim, nada menos de 15 ônibus deveriam explodir hoje de manhã. De acordo com os relatos, os terroristas marcaram o timer para as 9 da noite, em vez de 9 da manhã.
E isso é o pior? Não. Nem de perto.
Além dos 15 ônibus, 5 terroristas suicidas deveriam explodir, simultaneamente, bombas, na trilha do trem leve. Todas no centro de Israel.
E isso é o pior? Não. Isso é a parte boa.
De onde se originou esse ataque? Gaza? Não. Yehuda e Shomron (Judeia e Samaria). Em outras palavras, esses terroristas vieram de dentro de Israel.
E o principal, e volto a dizer que que não estou revelando onde escutei isso: tudo isso não passaria de distração, como os foguetes do 7 de outubro. Apenas uma distração para a verdadeira invasão.
Minha fonte diz que quando os ônibus explodissem, forças de emergência massivas deveriam correr para a cena, causando uma grande brecha na cerca de segurança, e muitos terroristas de Judeia e Samaria invadiriam Israel e executariam um segundo 7 de outubro. Só que dessa vez não seria de Gaza, de modo que seria uma invasão em praticamente todas as grandes cidades de Israel.
Digo pela terceira vez: essa não é uma informação que está ao alcance do público. E não posso dar um link e não divulgarei a fonte. Pode acreditar em mim, ou não. Você decide.
É importante salientar que há décadas, não tínhamos explosões de ônibus em Israel. Fazemos esse acordo e soltamos terroristas, alguns deles os arquitetos por trás das bombas nos ônibus, durante a intifada, e de repente, temos de volta ônibus explodindo.
Não posso imaginar que alguém ache que isso é simples coincidência.
Tudo isso era para acontecer durante as horas de rush e teria causado centenas, talvez milhares de mortes de israelenses.
Mesmo se o resto não for verdade, múltiplas explosões de ônibus assim, durante a hora de rush? Não posso nem imaginar.
Ontem de manhã foi um dos piores dias da história de Israel. Talvez o pior. Todos nós nos sentimos impotentes, sem exceção.
Quando nós sofremos, D-us sofre conosco.
Quanto a você, não sei, mas ontem de manhã, quando vi os caixões dos anjos Bibas, olhei para cima, para Hashem e perguntei: por quê? Por que ele nos daria tanto sofrimento ou deixaria Hamas fazer isso conosco??
Eu disse para mim mesmo que ficaremos bem, mas não tinha muita certeza. Será que D-us ainda estava cuidando de nós? Ou tinha nos abandonado? Voltou as costas para nós?
Depois, quando os sequestrados estavam sendo entregues, um lindo arco-íris apareceu nos céus de Israel, um sinal, da época de Noach, que D-us jamais destruirá o mundo, tampouco permitirá que ele seja destruído. Um arco-íris, de acordo com a escritura judaica, é o jeito de D-us nos dizer: “Não se preocupem. Estou com vocês.”
Mas mesmo assim, eu estava tão triste e tão irado.
Aí, as notícias começaram a chegar.
Um ônibus explodiu. Ninguém se machucou.
Hum, “Como é que isso acontece?” Perguntei-me.
Depois, outro ônibus explodiu. Ninguém se machucou. E um terceiro. Ninguém se machucou.
Voltei a sentir a presença de D-us. Consegui voltar a respirar.
E as notícias continuaram a chegar. Mais bombas descobertas. Mais informações. Esse seria o maior ataque desde 7 de outubro. Talvez ainda maior.
Totalmente fracassado.
Por quem? Pelo exército de Israel? Não.
Shabak? Não.
Mossad? Não.
Foi um ataque massivo impedido 100% pelo Próprio D-us. E por uma moça muito atenta que percebeu um objeto suspeito.
Seja lá o que Hamas tinha planejado ou não planejado para esta manhã, eu não estaria escrevendo estas palavras se seu plano tivesse dado certo. Mas D-us tinha outros planos, e depois de toda a dor que os filhos de D-us tinham sofrido ontem, Ele achou que precisávamos ser lembrados de Sua presença. Ele sentiu que precisávamos ser lembrados de que Ele nos protege, agora e sempre. Ele tinha razão. Estávamos precisando disso.
Esse acontecimento poderá entrar para a história como um dos maiores milagres que aconteceu para o povo judeu desde os tempos bíblicos.
“Há duas maneiras de se viver a vida. Uma é que nada é milagre. A outra é que tudo é milagre.”
Alguns explicarão que o Iron Dome funciona, e chegarão à conclusão que não é milagre. O mesmo quanto ao estilingue de David e o sistema de Arrow.
Alguns explicarão como todos esses foguetes e drones não interceptados por Israel caíram em lugares vazios. Podem não acreditar que isso também foi milagre.
E os beepers? Os walkie talkies? Pegar Nasrallah? Haniyeh? Deif? Vão atribuir tudo à espionagem de Israel.
Mas isso? O que aconteceu ontem à noite? Israel não teve nada a ver com aquilo. Se você não considera esse acontecimento um milagre, só há uma explicação. Você não quer vê-lo como milagre.
Abra os olhos. Limpe suas lentes. Hashem está aqui conosco em nossa dor, e a cada dia que passa, estamos mais próximo de que Ele, finalmente, Se revele para nós, explicando por que tudo isso tinha de acontecer, e finalmente traga Mashiach.
Por enquanto, só quero reconhecer a grandeza de Hashem e, em nome das centenas, talvez milhares de israelenses que estariam mortos agora, simplesmente agradecer.
Hodu leHashem ki tov ki leolam chasdô!
Agradeçam a Hashem, pois Ele é bom: pois sua bondade é eterna.
Baruch atá Hashem Elokeinu melech haolam hagomel lachaivim tovot, shegmalani kol tov.
Abençoado sejas Tu, Oh D-us, nosso D-us, Rei do Universo, que recompensa boas ações e me recompensa por toda coisa boa.
Dizemos essa bênção quando somos salvos de tragédia. Hoje, o povo judeu foi salvo de tragédia.
Obrigado, Hashem!
& & &
Em mérito dos soldados do Exército da Defesa de Israel, que tenham sucesso total e voltem para casa sãos e salvos, para uma vida boa e longa.
Pela proteção de todos os habitantes da Terra Santa, de todo nosso povo e de todas as pessoas boas.
Pela cura dos feridos.
Pela libertação dos reféns, sãos e salvos.
Que as famílias atingidas tenham consolo.
“Hashem oz leamô yiten, Hashem yevarech et amô bashalom.”
Pela vinda do nosso Justo Mashiach.
Leilui Nishmat:
Eliyahu ben Aba
Chaim Avraham ben Sara e Yossef Fogel
Moshe Haim ben Kaila z’l
Hershel ben Moishe
Moishe ben Aba
Miriam bat Yaakov
Efraim Kopl ben Eliyáhu
Chaim Shemuel ben Aba
Moshê Baruch ben Yaakov Tsvi haLevi
Miriam bat Yaakov Kopl Halevi
Beile (Berta) bat Refael
Aba (Abel) ben (Eliyáhu) Eliash Leibas
Pinchas ben Moshê
Mordechai ben Yaakov Kopl HaLevi
Lea bat Hersh
Efraim Shlomo ben Motl Halevi
Eliyáhu ben Yaakov
Yaakov ben Eliyáhu
Miriam bat David
Chana Liba bat Tuvia
Todos os soldados que caíram defendendo nosso povo HY’D
Acho que meu vício não era dos piores. Mas era um vício, que foi ficando mais grave, com o passar do tempo. Meu vício era … chocolate.
Minha situação era a daquele rashá (perverso) do Tanya, que em vez de ter controle sobre seus desejos, seus desejos o dominam por completo. Estão “sob o domínio do coração”. Um beinoni (pessoa mediana) tem a capacidade de dominar seu coração, embora nem sempre exerça essa capacidade.
Mas hoje em dia há muitas pessoas viciadas em todo tipo de coisa e comportamentos. Celular, mídia social inclusive, joguinhos, são vícios muito comuns. Ou mesmo, ficar dezenas, centenas de vezes por dia olhando as notícias. Essas coisas consomem nosso bem mais precioso: o tempo.
Vou contar como consegui me livrar de meu vício em chocolate, pois talvez isso ajude outras pessoas a livrarem-se de seus pequenos e grandes vícios. Esse método pode ser utilizado para quase tudo, embora não seja indicado para certas drogas e similares, que precisam de ajuda profissional e, muitas vezes, internamento em clínica.
O que fiz:
30 dias: ZERO chocolate.
E assim para muitos vícios. De acordo com a neurociência, 30 dias é o tempo necessário para resetar o cérebro. Os primeiros 15 são de muito sofrimento, mesmo. Como detox de álcool e drogas. É um detox de dopamina.
Depois dos quinze dias iniciais, as sensações desagradáveis vão melhorando. Mas o tempo que a ciência dá para o reset do cérebro é, realmente, trinta dias.
Mas mesmo depois de resetado, o cérebro guarda impressões que podem ser facilmente reativadas. Devemos, portanto, ter muito cuidado para não ter recaídas que nos levam de volta à estaca zero.
No caso de celular: a gente precisa, mesmo, de todos aqueles aplicativos e similares? Depois dos 30 dias totalmente sem, devemos tomar decisões. Se o prejuízo é maior que o lucro, será que não posso abrir mão de muitos deles? Quantas vezes por dia preciso olhar as notícias? Uma vez ao dia? Ou talvez duas vezes por semana? E assim por diante.
O alcoólatra não pode beber a primeira gota, mas nem todas as substâncias e comportamentos são assim. Temos de ter discernimento para decidir. E voltar a ter controle sobre nossa própria vida. Mas aqueles 30 dias de detox são, mesmo muito importantes.
Boa sorte! Hatslachá!~
& & &
Em mérito dos soldados do Exército da Defesa de Israel, que tenham sucesso total e voltem para casa sãos e salvos, para uma vida boa e longa.
Pela proteção de todos os habitantes da Terra Santa, de todo nosso povo e de todas as pessoas boas.
Pela cura dos feridos.
Pela libertação dos reféns, sãos e salvos.
Que as famílias atingidas tenham consolo.
“Hashem oz leamô yiten, Hashem yevarech et amô bashalom.”
Pela vinda do nosso Justo Mashiach.
Leilui Nishmat:
Eliyahu ben Aba
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Todos os soldados que caíram defendendo nosso povo HY’D
Em 1978, depois de voltar para o judaísmo, Devora estudava no Machon Chana em Crown Heights. Aqui está seu relato de seu encontro com a Rebetsin e das lições de vida que dele obteve.
“Certo dia, eu estava no dormitório de Machon Chana sentindo-me deprimida. Pensei: meus amigos deixaram de falar comigo e minha família não está feliz comigo. Estou aqui em Crown Heights, então por que não ir lá para o topo e tentar falar com a Rebetsin? Pedi a duas amigas do dormitório que se juntassem a mim e, juntas, escrevemos uma carta para a Rebetsin perguntando se poderíamos nos encontrar com ela. Pegamos a carta, fomos até a casa da Rebetsin e a colocamos na caixa do correio. Em seguida, fomos embora rapidamente, sem saber o que aconteceria.
“Poucos dias depois, a Sra. Galperin, que era a cozinheira do Machon Chana, foi falar comigo e, baixinho, perguntou: ‘Você escreveu uma carta para a Rebetsin?’ Meu coração disparou quando respondi: ‘Sim.’ Ela me disse: ‘A Rebetsin gostaria de conhece-la.’
“Na semana seguinte fomos com a Sra. Galperin, que era muito próxima da Rebetsin, até sua casa. A Sra. Galperin tocou a campainha e quem abriu a porta foi a mulher mais majestosa, nobre e elegante que jamais tínhamos visto. Percebemos que ela era a Rebetsin. Ela nos convidou a entrar. Pegou nossos casacos e nos convidou para a sala de jantar. A mesa estava posta como se fosse para a nobreza, com copos belíssimos e talheres esplêndidos. Sobre a mesa havia biscoitinhos e suco de fruta. Dava para ver que ela tinha investido muita reflexão e muito esforço para fazer com que nos sentíssemos bem-vindas. E que tinha tido muito trabalho. E nos sentamos à mesa.
“A Rebetsin perguntou nossos nomes. Depois que respondemos, a Sra. Galperin lhe mostrou fotos de uma moça de Machon Chana que tinha se casado recentemente. Dava para perceber, no rosto da Rebetsin, que era como se fosse sua própria filha. Ficou tão feliz, olhando atentamente para cada fotografia. Dava para ver que ela estava, simplesmente, emocionada que aquela moça tinha casado. Ela teve muita nachas olhando as fotos.
“Em seguida ela perguntou a cada uma de nós o que gostávamos de fazer, quais eram nossos hobbies. Cada uma de nós falou o que gostava de fazer no tempo livre. Depois ela nos perguntou de que música gostávamos. Ela era muito prática e realista.
“Perguntou se falávamos Yidish e nos disse que é muito importante estudar Yidish e falar Yidish. Quando a visita acabou, ela foi buscar o Sidur e pudemos falar a bênção de depois de comer do Sidur. Era o Sidur do pai dela – o Sidur do Rebe Anterior!
“Foi uma visita muito especial. Depois, refleti bastante sobre aquela visita.
“Quando eu estava em Crown Heights, estava me sentido muito só. Depois daquele encontro com a Rebetsin, passei a me sentir muito especial.
“Éramos três moças que tínhamos ido para o Machon Chana para aprender mais sobre nossa herança.
“Em geral, quando se é convidado para a casa de alguém, perguntam coisas pessoais, como: como você ficou religiosa, como veio para Crown Heights?
“Mas a Rebetsin nos perguntou o que gostávamos de fazer e de que música gostávamos. Foi brilhante. Nos tratou com tanto respeito. Sabia exatamente o que perguntar e nos tratou com tanta sensibilidade.
“A lição que me ensinou foi como lidar com as pessoas. Penso muito sobre isso, e uso isso em minha Shlichut até hoje, quando lido com pessoas!”
Devorah Caytak é shlucha e dirige a Jewish Youth Library em Ottawa, Canadá. Atualmente, seus filhos são também são Shluchim em suas respectivas comunidades, e ela e seu marido têm muito Chassidishe Nachas da família.
De vídeo de Living Torah de JEM
Rebetsin Chaya Mushka – 25 de Adar de 1901 – 22 de Shevat de 1988
Era Chanuká e eu estava no Shopping. Estava com pressa, mas não para fazer as compras de última hora. Para falar a verdade, não sou lá muito consumista. Eu tinha levado um grupo de estudantes de Crown Heights, Brooklyn, a um shopping Center em New Jersey para distribuir kits de menorá de Chanuká. Por sermos Chassidim Chabad-Lubavitch, estávamos à cata de oportunidades para incentivar outros judeus a acenderem as velas da Festa das Luzes.
O percurso até New Jersey demorara mais do que o esperado e precisávamos voltar 45 minutos após termos chegado. Eu tinha de voltar para o Brooklyn para dar uma palestra e estava na entrada do shopping para poder reunir as meninas a tempo.
Após olhar para o relógio pela milésima vez, percebi uma rodinha de cadeiras no meio da praça de alimentação. Lá estava um grupo de mulheres de todas as idades, sentadas conversando, rindo, comendo ou bebendo. “Vai ser fácil”, pensei, quando percebi que muitas das moças e mulheres pareciam judias.
Havia um jovem sentado sozinho na rodinha de cadeiras, mas estava na cara que não era judeu. Nem tanto por seu cabelo pintado de roxo e verde, nem pelos piercings que tinha nas orelhas e em outras partes do corpo. Ele simplesmente não tinha cara de judeu. Como o Rebe de Lubavitch sempre incentiva mulheres a abordarem mulheres (e homens a abordarem homens), fiquei tranqüila de que eu não seria indelicada se não oferecesse um kit de Chanuká ao rapaz.
Passei pelas mulheres e moças, perguntando se eram judias e se queriam kits de menorá de Chanuká. As mulheres judias reagiram positivamente e ficaram contentes de receber os kits. Algumas até me perguntaram se eu também tinha folhetos de acendimento das velas de Shabat.
Após falar com a última das mulheres, olhei para o relógio e vi que os 45 minutos estavam no fim. Comecei a andar rápido para a entrada do shopping para me encontrar com minhas alunas.
Dei alguns passos e ouvi alguém dizendo: “Nechama, volte.”
Não costumo ouvir vozes. Mas lá veio de novo: “Nechama, volte.”
“Me deixe em paz”, respondi para a voz. Mas ela não desistiu de mim.
“Nechama, volte e pergunte se ele é judeu.”
Resolvi voltar pro rapaz, que estava lanchando.
“Com licença, você é judeu?” – Perguntei-lhe.
No instante seguinte eu estava coberta de refrigerante, ketchup e mostarda. O jovem tinha se surpreendido tanto com minha pergunta que tinha largado tudo. Depois de se desculpar muito, ele me perguntou:
“Poderia me dizer por que me perguntou se sou judeu?”
Até hoje não sei por que essas palavras me vieram à mente, mas eu disse, com muita firmeza: “Você parece judeu!”
Foi quando ouvi um soluço, vindo do que só poderia ser o fundo de seu coração. O jovem começou a chorar e disse: “Diga isso de novo, por favor.”
“Você parece judeu”, eu disse novamente. Mais uma enxurrada de lágrimas. Mas ele se segurou mais uma vez e perguntou: “Por favor, diga isso de novo.” E eu disse.
Depois que se acalmou, o jovem me contou o seguinte:
“Minha mãe era judia, mas meu pai, não. Embora minha mãe não ligasse para religião – comemoravam em casa todas as festas não-judaicas – ela fez questão de que eu frequentasse uma escola judaica.
“Todo dia, na escola, as outras crianças caçoavam de mim. Não por que não comemorávamos as festas judaicas em casa. Elas não sabiam disso. Era por que eu era a cópia exata de meu pai. As crianças da escola diziam: ‘Por que você está aqui? Não tem cara de judeu. Por que está de tsitsit e kipá, você não parece judeu.’ E é verdade. Eu não pareço nada judeu. As crianças mangavam de mim dia após dia. E eu voltava prá casa chorando. Meu pai pediu a minha mãe prá ela me deixar mudar de escola. ‘Não está vendo como ele está infeliz?’ Até que, após alguns anos de zombarias e tortura, minha mãe concordou com meu pai e me deixou ir estudar numa escola pública.
“Lembro até hoje as zombarias.” Disse, angustiado o jovem. “Hoje, quando eu estava sentado aqui vendo você falar com todas as mulheres e moças judias perguntando se eram judias, eu disse: “D-us, não tenho culpa de não está fazendo nada judaico. Olhe, essa moça vai abordar todos os outros, mas não vai se aproximar de mim para me perguntar se sou judeu. Não pareço judeu! Quando você chegou ao fim da rodinha, levantei os olhos para D-us e disse: ‘Vou até lhe mostrar que tenho razão. Mas se essa moça me perguntar se sou judeu, vou Lhe dar mais uma chance.’ Quando você foi embora eu disse: ‘Ahá. Tá vendo, D-us?’
E aí você voltou na minha direção. Bem, acho que agora vou ter que dar a D-us mais uma chance.”
Dei ao jovem um kit de menorá de Chanuká e o número do telefone do Beit Chabad daquela localidade. E nos despedimos.
Não sei se ele chegou a contatar o Beit Chabad. Mas sei que aquela luzinha que existe em cada um de nós, mesmo que não estiver sendo cuidada, ou se, D-us nos livre for zombada, brilha eternamente dentro de todo judeu.
Venho de dinastias chassídicas, tanto do lado de meu pai, quanto do lado de minha mãe. O lado de meu pai era de Chernobyl e o lado de minha mãe era de Sanz, e também éramos descendentes do Mitteler Rebe de Lubavitch.
Eu me formei em rabino e trabalhei como tal durante alguns anos em Milwaukee, antes de me tornar psiquiatra e me mudar para Pittsburgh.
Depois de ter trabalhado durante vários anos como rabino, senti que não estava realizado em meu trabalho, e após me aconselhar com o Steipler Gaon – fui para a faculdade de medicina para me tornar psiquiatra. Em 1960, quando tinha começado meu treinamento em psiquiatria, tive meu primeiro contato pessoal com o Rebe de Lubavitch.
Quando me encontrei com o Rebe, ele me perguntou o que eu estava fazendo. Contei-lhe e ele disse: “Quando acabar seu treinamento em psiquiatria, mude-se para Nova York. Há muitas pessoas que eu gostaria de enviar a um psiquiatra porque precisam de tratamento psiquiátrico, mas não posso manda-las para alguém que vai dizer que religião é uma neurose, e que eles têm de abandonar a religião.”
Naquela época não era como hoje em dia – não havia psiquiatras religiosos em Nova York. E eu, sendo um jovem que acabara de se formar em psiquiatria, não queria ficar sobrecarregado. Portanto, eu disse ao Rebe: “Se eu fizer isso, se eu me tornar o único psiquiatra religioso de Nova York, que tem tantos judeus religiosos, não vou conseguir dar conta. Vou ter de trabalhar noite e dia, sete dias por semana. E não vou conseguir estudar nem um pouquinho de Torá. Nunca mais vou poder abrir um livro judaico.”
Mas o Rebe disse: “Quando há uma mitsvá que ninguém mais pode fazer, e você é o único que pode, essa mitsvá tem prioridade sobre o estudo da Torá.”
Eu disse: “Isso quer dizer que eu teria de abdicar do estudo. E isso eu não poderia fazer, a não ser que o Próprio D-us me disse para fazê-lo.” Ao que o Rebe respondeu: “O que você quer? Que um anjo com duas asas venha lhe dizer?”
Eu disse: “Um rabino que se pareça com um anjo seria suficiente.” Sei que foi chutspá (atrevimento) de minha parte falar assim, mas o Rebe não se ofendeu – apenas sorriu.
Depois ele me perguntou se eu tinha lido as obras de Victor Frankl, o psiquiatra que sobrevivera aos campos de concentração e fundou a escola de psicologia conhecida como logoterapia, que é compatível com o judaísmo.
Eu ainda não tinha lido Frankl, na época, e o Rebe sugeriu que eu o fizesse. Também sugeriu que meditação pode ser muito terapêutica, mas que precisávamos desenvolver uma meditação de acordo com o judaísmo, e não baseada em religiões orientais.
Falei para o Rebe que ainda estava no início de meu treinamento em psiquiatria, e não tinha conhecimento de meditação, mas que pesquisaria o assunto quando tivesse oportunidade. Depois recebi do Rebe uma carta de três páginas sobre meditação.
Aquela foi minha primeira audiência com o Rebe e fiquei muito impressionado. Quando ele me ouvia, eu sentia que ele estava, realmente, escutando cada palavra que eu dizia, e ele pensava, antes de responder.
Depois daquele primeiro encontro, meus encontros com o Rebe foram muito curtos – eu ficava na fila junto com as multidões, para receber um dólar e uma berachá dele – mas mesmo assim, eu sentia que tinha uma ligação especial com ele.
Esse sentimento foi reforçado pelo que aconteceu certo Hoshana Rabá. Na época, eu tinha amizade com um chassid Chabad de Pittsburgh, Rabino Shalom Posner, que costumava ir visitar o Rebe. Pedi-lhe, quando ele foi, para conseguir para mim um pedaço de lekach, o bolo de mel que o Rebe distribuía durante o mês judaico de Tishrei. E foi o que ele fez – ele disse ao Rebe que queria um pedaço de bolo parao Doutor Twerski e o Rebe lhe deu. Mas em seguida, o Rebe o chamou de volta e lhe deu mais um pedaço, dizendo: “Este pedaço é para o Rabino Twerski.”
Para mim, aquilo era uma indicação de como o Rebe me considerava.
O Rebe também me mandava pacientes. Quer dizer, costumava dizer às pessoas para irem a um rofê yedid – um médico que é amigo do paciente – e eu era considerado o rofê yedid, ou um deles.
Eu também mandava pacientes para o Rebe, porque eu via a influência psicológica que ele tinha sobre as pessoas. Não sei se ele tinha estudado especificamente psicologia, mas o Chazon Ish jamais estudara medicina e podia orientar os cirurgiões sobre como operar –tinha obtido todo o seu conhecimento da Torá. O mesmo acontecia com o Rebe. Tinha conhecimento neste campo, e talvez o houvesse adquirido da Torá, que é a fonte definitiva.
Minha intuição era que ele tinha um jeito de fazer as pessoas se sentirem especiais porque ele realmente acreditava que eram especiais.
Isso me faz lembrar de uma história sobre minha neta, que escreveu para o Rebe quando ela tinha uns nove anos de idade. Todas as meninas da classe dela acendiam velas de Shabat, mas na nossa família, a tradição era que uma menina só começava a acender velas partir do Bat Mitsva, aos doze anos.
Então ela teve a iniciativa de escrever para o Rebe: “Querido Rebe, todas as meninas da minha classe acendem uma vela antes do Shabat mas meu zeide (avô) diz que na nossa família nós só o fazemos a partir do Bat Mitsvá. O que devo fazer?”
Ora, você bem sabe com quantas perguntas o Rebe era bombardeado dia e noite. Mas mesmo assim, dois dias depois chegou uma carta dele: “Faça o que seu zeide diz para fazer.”
Ela veio me ver, e eu vi como ela queria tanto fazê-lo portanto, concordei. Mas fiquei tão impressionado pelo Rebe ter utilizado seu tempo para responder à pergunta de uma criança de nove anos, quando ele tinha o mundo inteiro lhe perguntando sobre assuntos da maior importância.
Isso mostra como cada um era especial para ele, e também mostra que ele entendia o que significaria para uma criança receber uma reposta pessoal do Rebe.
Rabino Dr. Abraham J. Twerski (1930-2021) foi um psiquiatra e autor, fundador do Gateway Rehabilitation Center, com base em Pittsburgh, Pennsylvania. Foi entrevistado em Teaneck, New Jersey, em janeiro de 2012.
Do livro: One by One – Stories of the Lubavitcher Rebbe
Págs. 169 -172
(Inglês)
&&&
Em mérito dos soldados do Exército da Defesa de Israel, que tenham sucesso total e voltem para casa sãos e salvos, para uma vida boa e longa.
Pela proteção de todos os habitantes da Terra Santa, de todo nosso povo e de todas as pessoas boas.
Pela cura dos feridos.
Pela libertação dos reféns, sãos e salvos.
Que as famílias atingidas tenham consolo.
“Hashem oz leamô yiten, Hashem yevarech et amô bashalom.”
Pela vinda do nosso Justo Mashiach.
Leilui Nishmat:
Eliyahu ben Aba
Chaim Avraham ben Sara e Yossef Fogel
Moshe Haim ben Kaila z’l
Miriam bat Yaakov
Efraim Kopl ben Eliyáhu
Chaim Shemuel ben Aba
Moshê Baruch ben Yaakov Tsvi haLevi
Miriam bat Yaakov Kopl Halevi
Beile (Berta) bat Refael
Aba (Abel) ben (Eliyáhu) Eliash Leibas
Pinchas ben Moshê
Mordechai ben Yaakov Kopl HaLevi
Lea bat Hersh
Efraim Shlomo ben Motl Halevi
Eliyáhu ben Yaakov
Yaakov ben Eliyáhu
Miriam bat David
Chana Liba bat Tuvia
Todos os soldados que caíram defendendo nosso povo HY’D
Como dá para enxergar a luz numa realidade escura?
No programa feminino que apresento, tenho o privilégio de receber e entrevistar mulheres inspiradoras.
Cada entrevista é uma experiência única: Começo a entrevista sem saber aonde ela vai me levar. Embora eu prepare com antecedência perguntas, a entrevistada se abre diante das câmeras e, por vezes vai para uma direção totalmente diversa. Pontos que foram discutidos em nossa conversa inicial nem sempre são abordados, e pontos diferentes e mais profundos sobem à tona. A dinâmica entrevistadora-entrevistada cria uma conversa que não foi planejada nem estava no script.
Uma das entrevistas mais poderosas que já fiz foi com a parlamentar Limor Son Har-Melech. Enquanto uma entrevista tem a duração média de cerca de quarenta minutos, a dela foi de duas horas.
Ela abriu seu coração e contou sua história: Descreveu como seu marido Hy’d foi assassinado a seu lado, no carro, por terroristas. Ela estava no sexto mês de gravidez e teve uma cesariana de emergência. Passou por muitas cirurgias e três anos de reabilitação para se recuperar por completo de suas feridas.
Na época ela morava em Chomesh, onde começou a retirada dos assentamentos. A casa dela foi a última a ser evacuada. Quando os soldados entraram, ela lhes disse: “Antes de cumprir suas ordens, olhem pela janela e vejam os árabes.”
Eles olharam para fora e viram os árabes gritando em
êxtase: “Bom para vocês, soldados de Israel! Continuem a destruir suas próprias casas.”
“Vocês precisam entender”, ela disse aos soldados, “que o que eles não conseguiram fazer em anos, jogando coquetéis Molotov e pedras, vocês fizeram em uns poucos dias. Vocês nos arrancaram de nossa terra. Vejam como eles estão felizes! Vocês entendem o que estão fazendo? Isto é uma destruição completa.”
Os soldados começaram a desocupar a última casa… a casa dela. A dor era insuportável. No meio do caos, o pai de seu marido assassinado, que tinha ido ficar com eles naquele período, disse para todos: “Nós vamos sair daqui cantando e dançando.”
Ele reuniu um grupo de pessoas, e eles começaram a dançar, cantando: “Ainda vamos voltar.”
Limor sentiu-se como se estivesse vendo Rabi Akiva. Todos em volta dele choravam, mas ele, ria. Ele sabia que se a profecia do castigo estava acontecendo, a profecia da consolação com certeza se realizaria.
Essa história me emocionou muito… Durante as duas horas que passei com ela acabei com uma caixa inteira de lenços de papel. Saí da entrevista pensando: De onde ela consegue essa força para superar testes assim?
Peguei alguns pontos da entrevista para incorporar a minha própria vida. Mas o ponto que mais me marcou foi o fato de que precisamos viver como Rabi Akiva. Precisamos mudar nossa percepção e nos elevar acima da loucura deste mundo. Podemos viver no caos, com ataques terroristas e caos interpessoal, e mesmo assim rir e ver a Gueulá chegando.
Do livro: “Who Are Your?”
De: Moran Koors
Págs. 134-135
(Inglês)
Em mérito dos soldados do Exército da Defesa de Israel, que tenham sucesso total e voltem para casa sãos e salvos, para uma vida boa e longa.
Pela proteção de todos os habitantes da Terra Santa, de todo nosso povo e de todas as pessoas boas.
Pela cura dos feridos.
Pela libertação dos reféns, sãos e salvos.
Que as famílias atingidas tenham consolo.
“Hashem oz leamô yiten, Hashem yevarech et amô bashalom.”
Pela vinda do nosso Justo Mashiach.
Leilui Nishmat:
Eliyahu ben Aba
Chaim Avraham ben Sara e Yossef Fogel
Moshe Haim ben Kaila z’l
David ben Avraham (Curico)
Arie Leib ben Yaakov
Miriam bat Yaakov
Chava bat Libi
Efraim Kopl ben Eliyáhu
Chaim Shemuel ben Aba
Moshê Baruch ben Yaakov Tsvi haLevi
Miriam bat Yaakov Kopl Halevi
Beile (Berta) bat Refael
Aba (Abel) ben (Eliyáhu) Eliash Leibas
Pinchas ben Moshê
Mordechai ben Yaakov Kopl HaLevi
Lea bat Hersh
Efraim Shlomo ben Motl Halevi
Eliyáhu ben Yaakov
Yaakov ben Eliyáhu
Miriam bat David
Chana Liba bat Tuvia
Isaac ben Luzer
Libe bat Tzipora
Avraham Duvid ben Eliezer
Tzipora bat Zalman
Todos os soldados que caíram defendendo nosso povo HY’D
Embora tenha morado em Crown Hights durante um tempo depois que casei, eu não era Chabad. De vez em quando ia aos farbrenguens do Rebe, mas minha relação sempre fora mantendo certa distância.
Estou contando isso por causa de algo que aconteceu algum tempo depois.
Três anos depois de nosso casamento, minha esposa e eu nos mudamos para Silver Spring, onde estudei na Universidade de Maryland. Obtive um doutorado em psicologia e comecei a trabalhar como psicólogo no sistema escolar de lá. Além disso, eu dava aulas de Talmud – uma no Shabat de tarde, para o público geral, e uma terça-feira à noite, para um grupo menor de pessoas que queriam se aprofundar mais.
Estava com trinta e poucos anos, e imagino que estava meio cedo para ter a crise da meia idade – ou talvez eu tenha chegado a essa crise mais cedo que a maioria das pessoas – mas nessa época eu me debatia com uma série de questões urgentes:
Deveria ficar no estudo da Torá ou prosseguir com a psicologia? E se fosse esse o caso, como avançar na carreira – passar para psicoterapia particular ou aceitar uma oferta de uma das organizações de serviço social do município? Também estava em dúvida sobre qual seria a melhor escolha, para meus filhos, em termos de opções educacionais em Silver Spring.
Além de todos esses dilemas eu tinha minhas próprias dúvidas nas áreas de fé e confiança em D-us, bem como algumas questões filosóficas. Encontrava-me numa situação de incerteza.
Tudo isso me deixava muito deprimido, e eu não sabia o que fazer nem prá onde ir. Conversei com vários amigos íntimos, e um deles, um Chassid Chabad – sugeriu que eu visitasse o Rebe.
Portanto, em fevereiro de 1971 telefonei para o Rebe.
O secretário do Rebe atendeu o telefone em inglês, e me perguntou o que eu estava precisando.
Enquanto eu conversava com o secretário, ouvi uma voz, no fundo – voz essa que reconheci dos farbrenguens. O Rebe estava perguntando em yídish: “Quem está falando?”
Respondi: “Um judeu de Maryland.”
Eu disse ao secretário que estava com muitas questões que gostaria de discutir com o Rebe – questões sobre a direção que minha vida deveria tomar, minha carreira, fé. Expliquei que estava numa fase muito incerta e não sabia prá que lado ir.
Eu ia falando em inglês e, à medida que eu falava, o secretário do Rebe ia repetindo e parafraseando minhas palavras em yídish – imagino que ele estava fazendo isso para o Rebe, que devia estar lá perto.
E foi quando ouvi o Rebe falar, no fundo, em yídish: “Diga a ele que há um judeu que mora em Maryland com quem ele pode conversar. Seu nome é Weinreb.”
O secretário me perguntou: “Você ouviu o que o Rebe disse?”
Eu não podia acreditar nos meus ouvidos. Tinha certeza de que não tinha dado meu nome, mas o Rebe acabara de falar meu nome! Fui pego de surpresa e quis ouvir novamente. Portanto, quando o secretário me perguntou se eu tinha escutado, falei que não.
O secretário repetiu as palavras do Rebe para mim: “Há um judeu em Maryland com quem ele deve falar. Seu nome é Weinreb.”
“Mas meu nome é Weinreb!” Protestei.
Foi quando ouvi o Rebe dizer: “Se é assim, então ele deve saber que às vezes é preciso conversar consigo mesmo.”
O secretário também parecia atordoado com o que estava acontecendo. Parou, e eu só ouvia sua respiração. Então ele me disse: “O Rebe disse que às vezes é melhor conversar consigo mesmo. Seu nome não é Weinreb?”
“Sim, meu nome é Weinreb, mas talvez o Rebe esteja se referindo a outro Weinreb.”
“Não, o Rebe está dizendo ‘converse com Weinreb’, e explicou que você precisa conversar consigo mesmo.”
Agradeci muito, e a conversa acabou ali.
Acho que entendi o que o Rebe estava querendo me dizer. Se eu pudesse pôr palavras em sua boca, ele estava dizendo: “Você está procurando as respostas fora de si mesmo. Não é mais criança, é um homem. Tem trinta anos, é pai, é professor de Torá. Precisa ter mais autoconfiança. Está na hora de crescer e escutar a si mesmo. Não seja tão dependente dos outros. Confie em si mesmo.”
E dali por diante, tornei-me mais determinado. Acho que até então eu tinha a tendência de ser muito ambivalente. Não me arriscava. Quando precisava tomar uma decisão, era um procrastinador. Mas a partir de então, mudei.
O Rebe poderia ter pegado o telefone e me dito o que fazer, mas não sei se eu seguiria seu conselho do jeito que aceitei este. Tal qual muita gente, acho que eu tinha uma resistência natural a fazer o que os outros mandavam, e acho que o Rebe teve o discernimento de saber que para mim, seria melhor descobrir sozinho a resposta, do que ouvi-la dele.
Acho que o Rebe ter entendido isso foi parte de sua grande sabedoria.
Poucos meses depois daquele telefonema que transformou minha vida, tive a oportunidade de agradecer pessoalmente ao Rebe. Fui visitar meus sogros em Brooklyn e meu sogro me incentivou a ir agradecer ao Rebe. Ele estava recebendo as pessoas numa pequena audiência pública, e fui até ele e disse: “Meu nome é Weinreb e sou de Maryland.” E ele me deu um grande sorriso de reconhecimento.
Vi o Rebe muitas vezes, e também muitas fotos suas, mas aquele sorriso especial significou muito para mim.
Mudei-me de Silver Spring e acabei mudando de carreira: de psicólogo em tempo integral passei a rabino de uma sinagoga. Fui o rabino de Shomrei Emunah, uma congregação maravilhosa em Baltimore. Numa fase posterior, aceitei o cargo de Vice Presidente Executivo da Orthodox Union, embora tenha sido difícil a decisão de deixar meu cargo em Baltimore.
Desde 1971, houve épocas em que estive diante de questões difíceis na vida e, antes de buscar conselho de outra pessoa, escutava minha voz interior. Primeiro, dedicava algum tempo para estudar alguns dos ensinamentos do Rebe – como Likutei Sichot – para me conectar de novo, e depois seguia o conselho que ele tinha me dado: de conversar comigo mesmo. E incentivo outras pessoas a fazer o mesmo.
Antes de sair por aí perguntando isso e aquilo a outra pessoa, converse consigo mesmo e escute o que você tem a dizer sobre o assunto – às vezes seu próprio conselho é o melhor.
O Rabino Dr. Tsvi Hersh Weinreb é o vice-presidente executivo emérito da Orthodox Union desde 2002.
Do livro:
One by One – Stories of the Lubavitcher Rebbe.
Págs. 25-29
(Inglês)
Em mérito dos soldados do Exército da Defesa de Israel, que tenham sucesso total e voltem para casa sãos e salvos, para uma vida boa e longa.
Pela proteção de todos os habitantes da Terra Santa, de todo nosso povo e de todas as pessoas boas.
Pela cura dos feridos.
Pela libertação dos reféns, sãos e salvos.
Que as famílias atingidas tenham consolo.
“Hashem oz leamô yiten, Hashem yevarech et amô bashalom.”
Pela vinda do nosso Justo Mashiach.
Leilui Nishmat:
Eliyahu ben Aba
Chaim Avraham ben Sara e Yossef Fogel
Moshe Haim ben Kaila z’l
David ben Avraham (Curico)
Arie Leib ben Yaakov
Miriam bat Yaakov
Chava bat Libi
Efraim Kopl ben Eliyáhu
Chaim Shemuel ben Aba
Moshê Baruch ben Yaakov Tsvi haLevi
Miriam bat Yaakov Kopl Halevi
Beile (Berta) bat Refael
Aba (Abel) ben (Eliyáhu) Eliash Leibas
Pinchas ben Moshê
Mordechai ben Yaakov Kopl HaLevi
Lea bat Hersh
Efraim Shlomo ben Motl Halevi
Eliyáhu ben Yaakov
Yaakov ben Eliyáhu
Miriam bat David
Chana Liba bat Tuvia
Isaac ben Luzer
Libe bat Tzipora
Avraham Duvid ben Eliezer
Tzipora bat Zalman
Todos os soldados que caíram defendendo nosso povo HY’D
Quando servi no Exército da Defesa de Israel, fui um dos 12, apenas, recrutas cumpridores da Torá, na Brigada Givati, que na época tinha uns três mil soldados.
Tínhamos alimentação kasher – porque de acordo com a lei israelense, toda a comida nas instituições nacionais tem de ser kasher – mas não tínhamos nada além disso. Não tínhamos uma sinagoga onde rezar (hoje em dia há uma em cada base), nem um Rolo de Torá de onde ler. Mas tentávamos nos virar do jeito que dava.
Certa sexta-feira, quando o Shabat estava para chegar, procurei os outros rapazes religiosos e lhes disse: “Venham hoje à noite à minha tenda e vamos rezar juntos. Vamos ter nosso próprio jantar de Shabat. Podemos cantar e comemorar, e vai parecer um Shabat de verdade.”
Eles gostaram da ideia. E foi isso o que fizemos. Pegamos comida do refeitório e a levamos para minha tenda, onde fizemos Shabat. Só nós doze. Rezamos, cantamos, comemos. Foi lindo. E ninguém nos atrapalhou.
Mas um novo comandante assumiu o comando de nossa base – o famoso general de brigada Abrashah Tamir. Circulava inspecionando tudo e, certa sexta-feira de noite, entrou na minha tenda e nos encontrou lá cantando.
“O que está havendo aqui?” – Perguntou. “Por que vocês não estão comendo junto com todos os outros rapazes no refeitório?”
Expliquei para ele que estávamos guardando o Shabat, e por isso estávamos comendo separados.
Ele não disse nada naquele instante mas, duas semanas depois, quando o Shabat estava entrando, fui chamado e avisado que o General Tamir queria que comêssemos junto com todos e – além disso – estava me pedindo para fazer Kidush para todos os soldados.
Fiquei satisfeito e me senti lisonjeado e disse: “Ótima ideia!” Mas quando fui chegando perto do refeitório, ouvi uma banda tocando lá dentro. Isso era uma violação do Shabat e parei. Não dava para entrar. De modo que eu disse para o oficial que estava me acompanhando, “Deixa prá lá.”
Poucos minutos depois, o oficial voltou dizendo que agora havia uma ordem oficial do General Tamir de que tínhamos de ir. Recusei-me a obedecer a ordem. Disse que eu tinha ordens de uma Autoridade Superior. Que eu não violaria o Shabat e não iria. Os demais concordaram comigo e ficamos onde estávamos.
O resultado foi que meus colegas foram presos e eu fui levado ao escritório do General Tamir. Quando entrei, ele tirou seu paletó com a insígnia de comandante e me disse: “Converse comigo como se eu não fosse seu comandante. E, por favor, explique por que fez isso! Por que me envergonhou diante de todos os soldados?”
Eu não estava entendendo aonde ele queria chegar. E disse: “O que lhe fiz? Você mesmo pode fazer o Kidush, por que eu tenho de fazer?”
E foi quando ele me contou o que aconteceu:
Depois que ele nos tinha visto pela primeira vez – quando estávamos cantando e comemorando o Shabat – achou que aquela experiência seria boa para todo o acampamento. E trouxe a banda para alegrar ainda mais o evento. Desconhecia totalmente que é proibido tocar instrumentos musicais no Shabat!
Quando entendi isso, disse: “Se você fizer a banda parar de tocar, podemos entrar sem problemas.”
Ele concordou e, cinco minutos mais tarde, nos juntamos aos outros. Eu fiz o Kidush e todo mundo ficou feliz.
Poucos dias depois, fui chamado pelo comandante do quartel general da divisão que – para grande espanto meu – pediu desculpas. Falou: “Peço desculpas em nome de toda a base pelo que aconteceu. Ninguém tem o direito de fazer vocês violarem o Shabat.” Foram essas suas palavras.
Em seguida perguntou: “De que vocês precisam?”
“Precisamos de uma sinagoga, um lugar adequado onde rezar. E de um rolo de Torá.”
“Não se preocupe.” Ele disse. “Vamos providenciar.”
E de fato, designaram para nós um lugar onde rezar e trouxeram uma Torá com escolta militar e uma banda do exército.
Aquilo foi simplesmente incrível, e escrevi para o Rebe contando toda a história.
A resposta do Rebe chegou dentro de pouco tempo. E foi uma resposta que transformou minha vida.
A carta do Rebe tinha a data do dia 16 do mês judaico de Elul de 5711 – 17 de setembro de 1951 – duas semanas antes de Rosh Hashaná. Dizia o seguinte:
“Gostei muito de receber sua carta… em que você descreve seu serviço militar e suas atividades fortalecendo o judaísmo entre seus camaradas… A grandeza do que você está fazendo não pode nem ser descrita em palavras… mas posso dizer, com certeza, que se você tivesse se alistado no exército apenas por isso, já teria sido suficiente.”
Aquilo me tocou tanto. E o Rebe me pediu para fazer algo para ele:
“Meu pedido sincero é que você transmita minha bênção para cada soldado, não apenas para os “religiosos” como você a eles se refere em sua carta.”
E prosseguiu explicando:
“Meu sogro, o Rebe [Anterior] costumava dizer: ‘Um judeu nem quer nem pode se separar da Divindade’ portanto, todos os seus camaradas são religiosos.”
Eu tinha a atitude de que havia doze soldados religiosos numa brigada de três mil homens. Mas para o Rebe, todos os três mil eram religiosos – só que eles não sabiam ainda.
Como o Rebe escreveu:
“É, simplesmente, que alguns deles não têm conhecimento suficiente de judaísmo. Mas não vão permanecer distantes, e vão perceber que eles também acreditam em D-us e em Sua Torá. Por favor, transmita a todos eles minha bênção – para que sejam inscritos e selados para um ano bom e doce.”
Disse-me para dizer a cada soldado que eu encontrasse – todos eles – que o Rebe de Lubavitch os está abençoando para um ano bom e doce!
Essa mensagem foi uma perspectiva totalmente diferente sobre como olhar para um judeu. Até então, eu colocava as pessoas em categorias – religiosos e não religiosos – e obviamente eu me considerava parte do grupo religioso. Mas o Rebe me mostrou como eu estava errado, porque todos os judeus são religiosos – alguns, simplesmente, não sabem disso ainda.
Quando ofereci uma quantia substancial para Chabad, recebi uma resposta impressionante do Rebe, que me esclareceu sobre sua visão de mundo e mudou minha vida.
Tudo começou no início da década de 80, quando meu sócio em advocacia e eu nos envolvemos num investimento na cidade de Melbourne, Austrália, onde moramos. Compramos dois pequenos imóveis no centro da cidade e, alguns anos depois, fomos procurados por uma grande empresa japonesa que desejava compra-los. Essa firma japonesa estava querendo construir uma loja enorme naquele lugar e nos fez uma oferta irrecusável. De modo que fizemos o negócio e tive um grande lucro.
Discuti o assunto com Sílvia, minha esposa, e achamos que seria boa ideia fazer algo por Chabad com aquele dinheiro. Após refletir bastante, resolvemos que construiríamos um hospital para crianças em Crown Heights, onde fica situado o quartel-general de Chabad e onde vive uma comunidade Chabad importante. Queríamos que o hospital funcionasse de acordo com a lei judaica e sob a orientação do Rebe.
Como éramos de Melbourne e não conhecíamos muita gente em Crown Heights, procuramos o Rabino Yudel Krinsky, secretário do Rebe. Fomos a Nova York, nos encontramos com o Rabino Krinsky, demos-lhe o cheque e voltamos para casa para esperar a resposta do Rebe.
Ela chegou pouco depois: uma carta de 3 páginas, datada de 15 de Tamuz de 5746 (22 de julho de 1986).
O Rebe iniciou a carta com uma citação de nossos Sábios: “A recompensa de uma mitsvá é a própria mitsvá”, e continuava:
O que pode um “obrigado” de um ser humano acrescentar à recompensa Divina em que tudo está incluído? Mas não deixa de ser correto expressar meu prazer interior ao ver outro bem conhecido dito de nossos Sábios tão eloquentemente confirmado em ação concreta, ou seja, a afirmação de que “um coração judeu está sempre acordado” – acordado e responsivo às mitsvot de Hashem, especialmente em seu caso, que responde à necessidade de divulgar Torá e mitsvot para benefício de muitos.
E continuava referindo-se à questão de como utilizar a doação da melhor maneira possível “de acordo com sua intenção”. E a continuação era uma longa explicação sobre a relação entre a ciência médica e a lei judaica.
Nossos Sábios dizem: “a Torá traz refuah (cura) para o mundo”. Isso não significa que a Torá invalida a ciência médica de algum modo. Pelo contrário, a Torá afirma que, em assuntos de saúde, é preciso consultar um médico e seguir suas instruções – ao mesmo tempo sem esquecer … que o médico não passa de um agente de D-us.
Em seguida, o Rebe analisou a abordagem atual da ciência médica – o que ele chamou de abordagem “terapêutica” e abordagem “preventiva”. A abordagem terapêutica trata as doenças, ao passo que a abordagem preventiva busca eliminá-las. E continuou:
É óbvio que atualmente, a medicina terapêutica é inevitável, mas, a medicina preventiva é um método preferível… Para que a medicina preventiva tenha mais sucesso e melhores resultados, é preciso começar na primeira infância – a começar com vacinação, escovar os dentes para evitar cáries, uma dieta equilibrada, etc. No que se refere a crianças judias, é indispensável o cumprimento rigoroso das leis de kashrut dos alimentos e bebidas, e sabe-se como isso afeta o desenvolvimento mental e físico.
Passando para nosso desejo de que nossa doação fosse destinada a um hospital infantil administrado de acordo com a lei judaica, o Rebe afirmou: “A Torá é a medicina preventiva mais eficaz que existe”, e continuou expressando a opinião de que “a melhor maneira de implementar sua intenção e obter resultados incomparavelmente maiores do que os imaginados é aplicar sua contribuição na área da chinuch (educação) de Torá para crianças.”
O Rebe citou as várias atividades de Chabad que iam desde administrar berçários kasher até ajudar os idosos, e concluiu:
Diante de tudo isso, acho que se sua tsedaká for utilizada deste modo, vai ser no verdadeiro espírito de sua ideia e intenção. Pois, usada desta maneira ajudará a assegurar crianças saudáveis física, mental e espiritualmente, para que não haja necessidade de se criar um hospital infantil de acordo com a halachá (lei judaica), pois serão criadas totalmente de acordo com a halachá.
Entendi. Tanto as necessidades físicas quanto as espirituais podem ser satisfeitas seguindo-se a Torá. Se a gente seguir a Torá,ela será nossa cura. E, portanto, a educação de Torá é o modo principal e básico de prevenir qualquer doença.
No fim, não sei exatamente para onde foi o dinheiro que doamos, mas deixamos para o Rebe fazer essa decisão. Sentimos que nossa conexão com o Rebe foi muito fortalecida com isso e, embora nunca tenhamos tido o privilégio de encontra-lo em audiência particular, fomos quase todos os anos a seus farbrenguens em Simchat Torá. Bem como nos conectávamos com ele quando estava distribuindo dólares para caridade.
Eu, pessoalmente, comecei a estudar ensinamentos chassídicos aplicadamente – isso foi meu primeiro passo – sempre tendo em mente as sábias palavras do Rebe. Elas transformaram minha vida, bem como a vida de minha esposa e filhos, e elas nos guiam até hoje.
By Michael Goldhirsch.
Mr. Michael Goldhirsch mora em Melbourne, Austrália, onde trabalhou como advogado durante mais de cinquenta anos. Foi entrevistado em julho de 2016 e novembro de 2019.