Certa vez, dois homens que se associaram para um negócio, foram ter com o Rav Meir de Premishlan za’l, e pediram sua berachá para que tivessem sucesso em sua sociedade.
Disse-lhes o tsadik:
– Vocês já escreveram uma escritura de parceria?
Eles disseram que não.
– Então – disse-lhes o tsadik – vou redigir a escritura para vocês.
Pegou uma folha de papel em brando e escreveu as quatro primeiras letras do alfabeto hebraico: alef, beit, guimel, dalet. Deu-lhes o papel, dizendo:
– Aqui está a escritura.
Os dois homens ficaram sem entender nada.
Percebendo seu espanto, o tsadik lhes disse:
– O segredo do sucesso está nessas quatro letras. Alef, beit, guimel, dalet. São as iniciais de:
“Emuná (fé, honestidade) – Berachá (bênção),
Gneivá (roubo) – Dalut (pobreza)”.
Se vocês negociarem com fé, lealdade e honestidade, haverá berachá (bênção) em seu trabalho, se, porém, conduzirem seus negócios com gneivá (roubo, desonestidade), a consequência será pobreza…
Uma conhecida de minha esposa estava se mudando para outro apartamento. Procurou minha esposa e lhe pediu ajuda para escrever uma carta para o Rebe, pedindo-lhe uma berachá para a mudança. Como ela não sabia nem yidish nem hebraico, pediu a minha esposa para escrever a carta.
“Escreva a carta em inglês”, disse-lhe minha esposa. “O Rebe entende inglês.”
A mulher escreveu a carta e, em seguida colocou-a num volume de Igrot Kôdesh que ela tinha retirado de nossa estante.
Minha esposa abriu o livro na página onde a carta havia sido colocada aleatoriamente, e traduziu a carta que havia naquela página.
Era uma carta para um casal que estava se mudando para um novo apartamento, abençoando-os para que tudo o que fosse relacionado com a mudança tivesse sucesso.
A mulher ficou satisfeita com a bênção, mas minha esposa notou que o livro que ela tinha retirado da estante era uma coletânea de cartas do Rebe Anterior, sogro do Rebe.
“É óbvio que o Rebe Anterior era um tsadik e um Rebe, mas eu ficaria mais segura tendo uma bênção do nosso Rebe, também”, disse a mulher.
Minha esposa lhe mostrou onde estavam os volumes de Igrot Kôdesh do Rebe, em outra prateleira.
A mulher escolheu um volume daquela prateleira e pôs sua carta aleatoriamente naquele livro. Entregou-o a minha esposa, e lhe pediu para traduzir a carta que estava naquela página.
Minha esposa leu:
“Estou surpreso que você está me consultando sobre um assunto que meu sogro já respondeu…”
O Rabino Moshe Meisels, discípulo do Alter Rebe, recebeu do Alter Rebe a missão de espionar o exército de Napoleão Bonaparte e transmitir tudo o que descobrisse para os comandantes do exército russo.
Ele era um homem muito culto, fluente em alemão, russo, polonês e francês. Conseguiu trabalho como tradutor para o alto comando francês. Conquistou, em pouco tempo, a confiança dos oficiais, conseguindo, assim, estar por dentro de seus planos mais secretos.
Foi Reb Moshe quem salvou o arsenal de armas russas em Vilna: alertou o comandante russo, e os que tentaram explodir o arsenal foram pegos no flagra.
Disse Reb Moshe: “O alef da chassidut salvou minha vida.”
[O alef da chassidut é o que o Rebe Schneur Zalman de Liadi, o Alter Rebe, escreve no Tanya que
“por sua própria natureza, a mente domina o coração.”
A história foi a seguinte:
Certa vez, Reb Moshe estava presente quando o alto comando do exército francês estava reunido, discutindo planos de guerra.
De repente, Napoleão entrou e, vendo Reb Moshe, que lhe era desconhecido, foi direto para ele, gritando: ‘Você é espião para a Rússia!’ E colocou a mão sobre o tórax de Reb Moshe para ver se as batidas de seu coração o denunciariam.
Mas o alef da chassidut o salvou. Sua mente controlou seu coração que continuou em ritmo totalmente normal, e ele respondeu firmemente: ‘Os comandantes de Sua Majestade o Imperador me contrataram como intérprete, uma vez que sou versado nos idiomas necessários para o cumprimento de seus deveres…’
No ano 5664 houve uma grande crise econômica na Rússia. Um dos chassidim do Rebe Rashab de Lubavitch era um grande empreiteiro e a crise abalou muito seus negócios. Foi falar com o Rebe e caiu no choro. “Fui empreiteiro de sucesso durante vinte anos. Dezenas de judeus trabalhavam para mim, conseguindo assim seu sustento. Agora, prefiro a morte”, falou.
O Rebe lhe respondeu: “Em Viena há uma roda gigantesca com pequenos vagões presos a ela. Há vagões que sobem, e há os que descem. Dizem nossos Sábios que no mundo há um ciclo que se repete. Quem está lá em cima está feliz e sorridente, mas não passa de um bobo, pois a roda está girando. Do mesmo modo, quem está na parte inferior da roda e está chorando, precisa saber que a roda continua a girar.
“Mande o desespero embora!” – Disse o Rebe. E dê continuidade a seus negócios. Com a ajuda de D-us, a roda vai girar, e você vai recuperar sua posição.”
Adaptado de: “Sichat Hashavua” (24/03/17) (Hebraico)
O Rebe contou o seguinte fato em Shabat Parashat Tavô, 5746 [Torat Menachem Vol. IV, pág. 370]:
Um judeu que mora em Yerushalayim me contou sobre um vizinho que o perturbava e importunava muito. E eis que de repente, antes de Yom Hakipurim, esse vizinho o procurou e lhe pediu “perdão” por todo o mal que tinha lhe causado.
O judeu, que conhecia o vizinho muito bem, sabia que mesmo após o “pedido de desculpas” ele ia continuar a agir do mesmo jeito, perturbando-o e o importunando. Mas por outro lado, há uma Lei no judaísmo que diz que quando alguém pede perdão – precisamos perdoar. Daí ele teve uma ideia, e respondeu o seguinte para o vizinho:
“Perdoo você com a mesma medida que você me pede desculpas…”
ORIENTAÇÃO DO REBE:
Às vezes a pessoa tenta inspirar e encorajar o próximo para fazer diversas ações – suas palavras, porém, não surtem efeito, e a pessoa não se inspira com suas palavras. Ele precisa saber que se o assunto realmente fosse importante para ele, as pessoas seriam inspiradas por suas palavras. Quando se fala só da boca para fora – não exercem a menor influência nem penetram no próximo.
Certa vez, perguntaram a um dos irmãos do Alter Rebe que mérito tiveram seus pais para terem filhos assim, tão especiais. [O Alter (velho) Rebe é o Rav Shneur Zalman de Liadi, primeiro rebe de Chabad, autor do Tanya e do Shulchan Aruch. Ele e seus três irmãos eram todos rabinos muito importantes.] Ao que ele respondeu:
“Tudo por mérito de Mamãe.”
[Vale salientar que o pai deles, Rav Baruch era um grande tsakik, um grande sábio, descendente do Rei David e do Rei Shelomô. Sobre ele conta o Rebe Rayats (R. Yossef Yitschak Schneerson), o Rebe anterior, em suas memórias.]
E o irmão do Alter Rebe continuou:
“Para que se tenha uma idéia da importância que Mamãe, nossa mestra, dava à educação judaica de seus filhos, vou relatar um fato: Papai viajou, certa vez, e ao voltar trouxe para sua esposa, um casaco de inverno muito chique e muito caro. Poucos dias depois, Mamãe percebeu que nosso professor estava meio desanimado enquanto nos dava aula. Chamou-o de lado e perguntou o que estava havendo. Ele respondeu que desde que Rav Baruch presenteara a rebetsin com aquele casaco, sua própria esposa (do melamed) não parara de atormentá-lo por ele também não lhe dar um presente assim. Mamãe não pensou duas vezes. Imediatamente, foi até o armário, pegou o casaco e o entregou ao melamed, dizendo: “Leve o casaco para sua esposa. Para mim, o que importa é que você estude com meus filhos com entusiasmo!”
No “grande casamento”, dos netos do Rebe Levi Yitschak de Berditchev e do Alter Rebe, autor do Tanya, os dois avós tsadikim estavam presentes.
Na hora da refeição do casamento, o Alter Rebe bebeu lechaim para seu mechutan (consogro), o tsadik de Berditchev:
– Lechaim, mechutan! Que Hashem nos ajude material e espiritualmente.
Ao que Rebe Levi Yitschak de Berditchev perguntou:
– Como pode ser, mechutan? A materialidade antecede a espiritualidade?!
Ao que respondeu o Alter Rebe:
– É o que consta com Yaakov, nosso patriarca, em Parashat Vayetsê: “Se me der pão para comer e roupas para vestir…então será o Eterno para mim por D-us.” Ele pôs o material antes do espiritual.
Rebe Levi Yitschak de Berditchev voltou a perguntar:
– Mas podemos comparar a materialidade de Yaakov, nosso Patriarca à nossa?!
O Alter Rebe respondeu:
– E podemos comparar nossa espiritualidade à de Yaakov, nosso Patriarca?!
Um judeu meteu na cabeça que queria ser “rebe” em determinada região. Tinha tanta certeza de que tinha perfil para ser “rebe”, e queria tanto apressar sua “coroação”, que quando o Rebe Rashab visitou aquele lugar, ele logo foi ter como Rebe pedindo-lhe que lhe desse sua aprovação e certificação de que ele tinha perfil para ser “rebe”. Mas como não queria dizer isso diretamente, resolveu falar por meio de indiretas…
Falou pro Rebe Rashab que o “BáalHachalom (mestre do sonho)” tinha aparecido para ele num sonho dizendo que ele tinha todos as qualidades necessárias para ser “rebe”.
Mas acontece que, para seu espanto, o Rebe nem se deu ao trabalho de responder! O homem, ingenuamente, pensou que o Rebe não entendera TCsua indireta… O que fez ele? Voltou a procurar o Rebe, e lhe disse que o “mestre do sonho” aparecera novamente para ele e “lhe revelara” que ele era digno de ser “rebe”…
Como de nada adiantou, e o Rebe nem ligou para o assunto, ele voltou ao Rebe repetidas vezes dizendo sempre que o “báal hachalom” não o deixava em paz, e continua aparecendo em seu sonho, revelando que ele é digno de se tornar “admo’r” para os chassidim.
Quando o Rebe Rashabviu que não conseguia se livrar do homem, disse-lhe:
– Na próxima vez que o “báalhachalom” aparecer para você – diga-lhe que vá para os chassidim… para ser nomeado “rebe”, o “báalhachalom” não precisa dizer isso para você, e sim para os chassidim…
Vivia numa aldeia um judeu que arrendava uma fazenda de um nobre e vivia lá tranquilo, sem estresse.
Certa vez, passou pela aldeia um grupo de chassidim indo visitar R. Chaim de Kosov. Era noite, e os chassidim queriam pernoitar na casa daquele inquilino. Bateram na porta, pedindo para entrar, mas o inquilino se fez de surdo, recusando-se a recebe-los. Os chassidim ficaram muito frustrados, pois estava frio e chovia torrencialmente. Mas nada puderam fazer. Continuaram seu caminho e, ao amanhecer, chegaram em Kosof.
Quando foram recebidos pelo tsadik, este lhes perguntou sobre a viagem. E eles contaram o acontecido com aquele arrendatário. R. Chaim respondeu:
– Ele ainda vai precisar de um kohen.
Poucos dias depois, o arrendatário foi ter com o rabino triste a cabisbaixo. Tinha sido chamado pelo dono da aldeia, que lhe dissera que tinha três meses para ir embora de lá. E de nada adiantaram suas súplicas. Por isso tinha ido procurar R. Chaim para lhe pedir um conselho.
– De fato, sempre me perguntei: um arrendatário que mora numa aldeia, e reza sem minyan e sem mikvê. Não fala Amen nem Kedushá, nem Barchu. Nem ouve a leitura da Torá. Como está cumprindo suas obrigações? A verdade é que o principal motivo para ele ter o direito de morar lá é que “receber hóspedes é mais elevado que receber a Divina Presença”, e cumprindo a mitsvá de receber visitas, que é possível de ser feita na aldeia, corrige-se tudo. Portanto, enquanto você cumpriu essa mitsvá direitinho, o mérito da mitsvá protegeu você para que ninguém lhe pudesse fazer mal. Mas agora, que de acordo com o que escutei, pessoas chegaram em sua casa e você não as acolheu, o que você tem a fazer na aldeia? É melhor se mudar para uma cidade grande de sábios e escribas, para que reze de noite e de manhã com minyan, e mergulhe no mikvê antes de rezar, como todos os chassidim religiosos…
O arrendatário falou chorando:
– Rebe, mas de que vou me sustentar?
Disse-lhe o Rebe:
– Tome a decisão de que daqui prá frente, sua casa seja aberta, aí Hashem vai lhe fazer voltar à situação confortável que você tinha antes, sem que nada de mal lhe aconteça.
O arrendatário tomou essa decisão e a cumpriu, e Hashem fez com que o nobre mudasse de ideia, e o arrendatário ficou onde estava, como R. Chaim dissera.
“E abençoarei os que te abençoarem, e aqueles que te amaldiçoarem amaldiçoarei; e serão benditas em ti todas as famílias da Terra.”
(Bereshit 12:3)
O “Sefat Emet” de Gur costumava escutar toda semana a Parashá que seus filhos pequenos haviam estudado. E também os testava. Na hora da prova, alguns dos filhos, por vezes lhe perguntavam algo, e ele lhes respondia.
Certa vez, um de seus filhos perguntou:
Está escrito: “…aqueles que te amaldiçoarem amaldiçoarei; e serão benditas em ti todas as famílias da Terra.” Não estou entendendo, se todas as famílias da Terra serão abençoadas em Avraham, quem são os que amaldiçoam?
Ao que o tsadik respondeu:
– À semelhança de alguém que amaldiçoa os chassidim, e mesmo assim quer que seus filhos sejam como os chassidim…