Um rabino estava visitando o tsadik R. Mordechai de Madvorna za’l. Conversa vai, conversa vem, e acabaram chegando à situação material dos judeus.
O rabino perguntou ao tsadik:
– O que fazer com o “mundo”? Os judeus precisam de parnassá, e a situação está muito difícil.
Respondeu-lhe o tsadik:
– A única solução é fazer teshuvá, pois debaixo do kissê hakavod (o Trono de Honra) há um tesouro enorme de dinheiro. Como sabemos disso? Do “Meio Shekel”, pois D-us mostrou a Moshê uma moeda que estava debaixo do Trono de Honra e lhe disse: “Isto é o que devem dar”. E sobre a teshuvá, consta na Guemará: “Grandiosa é a tshuvá pois chega até o Trono de Honra”. Ora, quando já estiveram perto do Kissê Hakavod, vão poder, facilmente, pegar do dinheiro do tesouro que está escondido lá…
Certa vez, dois homens que se associaram para um negócio, foram ter com o Rav Meir de Premishlan za’l, e pediram sua berachá para que tivessem sucesso em sua sociedade.
Disse-lhes o tsadik:
– Vocês já escreveram uma escritura de parceria?
Eles disseram que não.
– Então – disse-lhes o tsadik – vou redigir a escritura para vocês.
Pegou uma folha de papel em brando e escreveu as quatro primeiras letras do alfabeto hebraico: alef, beit, guimel, dalet. Deu-lhes o papel, dizendo:
– Aqui está a escritura.
Os dois homens ficaram sem entender nada.
Percebendo seu espanto, o tsadik lhes disse:
– O segredo do sucesso está nessas quatro letras. Alef, beit, guimel, dalet. São as iniciais de:
“Emuná (fé, honestidade) – Berachá (bênção),
Gneivá (roubo) – Dalut (pobreza)”.
Se vocês negociarem com fé, lealdade e honestidade, haverá berachá (bênção) em seu trabalho, se, porém, conduzirem seus negócios com gneivá (roubo, desonestidade), a consequência será pobreza…
Uma conhecida de minha esposa estava se mudando para outro apartamento. Procurou minha esposa e lhe pediu ajuda para escrever uma carta para o Rebe, pedindo-lhe uma berachá para a mudança. Como ela não sabia nem yidish nem hebraico, pediu a minha esposa para escrever a carta.
“Escreva a carta em inglês”, disse-lhe minha esposa. “O Rebe entende inglês.”
A mulher escreveu a carta e, em seguida colocou-a num volume de Igrot Kôdesh que ela tinha retirado de nossa estante.
Minha esposa abriu o livro na página onde a carta havia sido colocada aleatoriamente, e traduziu a carta que havia naquela página.
Era uma carta para um casal que estava se mudando para um novo apartamento, abençoando-os para que tudo o que fosse relacionado com a mudança tivesse sucesso.
A mulher ficou satisfeita com a bênção, mas minha esposa notou que o livro que ela tinha retirado da estante era uma coletânea de cartas do Rebe Anterior, sogro do Rebe.
“É óbvio que o Rebe Anterior era um tsadik e um Rebe, mas eu ficaria mais segura tendo uma bênção do nosso Rebe, também”, disse a mulher.
Minha esposa lhe mostrou onde estavam os volumes de Igrot Kôdesh do Rebe, em outra prateleira.
A mulher escolheu um volume daquela prateleira e pôs sua carta aleatoriamente naquele livro. Entregou-o a minha esposa, e lhe pediu para traduzir a carta que estava naquela página.
Minha esposa leu:
“Estou surpreso que você está me consultando sobre um assunto que meu sogro já respondeu…”
O Rabino Moshe Meisels, discípulo do Alter Rebe, recebeu do Alter Rebe a missão de espionar o exército de Napoleão Bonaparte e transmitir tudo o que descobrisse para os comandantes do exército russo.
Ele era um homem muito culto, fluente em alemão, russo, polonês e francês. Conseguiu trabalho como tradutor para o alto comando francês. Conquistou, em pouco tempo, a confiança dos oficiais, conseguindo, assim, estar por dentro de seus planos mais secretos.
Foi Reb Moshe quem salvou o arsenal de armas russas em Vilna: alertou o comandante russo, e os que tentaram explodir o arsenal foram pegos no flagra.
Disse Reb Moshe: “O alef da chassidut salvou minha vida.”
[O alef da chassidut é o que o Rebe Schneur Zalman de Liadi, o Alter Rebe, escreve no Tanya que
“por sua própria natureza, a mente domina o coração.”
A história foi a seguinte:
Certa vez, Reb Moshe estava presente quando o alto comando do exército francês estava reunido, discutindo planos de guerra.
De repente, Napoleão entrou e, vendo Reb Moshe, que lhe era desconhecido, foi direto para ele, gritando: ‘Você é espião para a Rússia!’ E colocou a mão sobre o tórax de Reb Moshe para ver se as batidas de seu coração o denunciariam.
Mas o alef da chassidut o salvou. Sua mente controlou seu coração que continuou em ritmo totalmente normal, e ele respondeu firmemente: ‘Os comandantes de Sua Majestade o Imperador me contrataram como intérprete, uma vez que sou versado nos idiomas necessários para o cumprimento de seus deveres…’
No ano 5664 houve uma grande crise econômica na Rússia. Um dos chassidim do Rebe Rashab de Lubavitch era um grande empreiteiro e a crise abalou muito seus negócios. Foi falar com o Rebe e caiu no choro. “Fui empreiteiro de sucesso durante vinte anos. Dezenas de judeus trabalhavam para mim, conseguindo assim seu sustento. Agora, prefiro a morte”, falou.
O Rebe lhe respondeu: “Em Viena há uma roda gigantesca com pequenos vagões presos a ela. Há vagões que sobem, e há os que descem. Dizem nossos Sábios que no mundo há um ciclo que se repete. Quem está lá em cima está feliz e sorridente, mas não passa de um bobo, pois a roda está girando. Do mesmo modo, quem está na parte inferior da roda e está chorando, precisa saber que a roda continua a girar.
“Mande o desespero embora!” – Disse o Rebe. E dê continuidade a seus negócios. Com a ajuda de D-us, a roda vai girar, e você vai recuperar sua posição.”
Adaptado de: “Sichat Hashavua” (24/03/17) (Hebraico)
O Rebe contou o seguinte fato em Shabat Parashat Tavô, 5746 [Torat Menachem Vol. IV, pág. 370]:
Um judeu que mora em Yerushalayim me contou sobre um vizinho que o perturbava e importunava muito. E eis que de repente, antes de Yom Hakipurim, esse vizinho o procurou e lhe pediu “perdão” por todo o mal que tinha lhe causado.
O judeu, que conhecia o vizinho muito bem, sabia que mesmo após o “pedido de desculpas” ele ia continuar a agir do mesmo jeito, perturbando-o e o importunando. Mas por outro lado, há uma Lei no judaísmo que diz que quando alguém pede perdão – precisamos perdoar. Daí ele teve uma ideia, e respondeu o seguinte para o vizinho:
“Perdoo você com a mesma medida que você me pede desculpas…”
ORIENTAÇÃO DO REBE:
Às vezes a pessoa tenta inspirar e encorajar o próximo para fazer diversas ações – suas palavras, porém, não surtem efeito, e a pessoa não se inspira com suas palavras. Ele precisa saber que se o assunto realmente fosse importante para ele, as pessoas seriam inspiradas por suas palavras. Quando se fala só da boca para fora – não exercem a menor influência nem penetram no próximo.
Certa vez, perguntaram a um dos irmãos do Alter Rebe que mérito tiveram seus pais para terem filhos assim, tão especiais. [O Alter (velho) Rebe é o Rav Shneur Zalman de Liadi, primeiro rebe de Chabad, autor do Tanya e do Shulchan Aruch. Ele e seus três irmãos eram todos rabinos muito importantes.] Ao que ele respondeu:
“Tudo por mérito de Mamãe.”
[Vale salientar que o pai deles, Rav Baruch era um grande tsakik, um grande sábio, descendente do Rei David e do Rei Shelomô. Sobre ele conta o Rebe Rayats (R. Yossef Yitschak Schneerson), o Rebe anterior, em suas memórias.]
E o irmão do Alter Rebe continuou:
“Para que se tenha uma idéia da importância que Mamãe, nossa mestra, dava à educação judaica de seus filhos, vou relatar um fato: Papai viajou, certa vez, e ao voltar trouxe para sua esposa, um casaco de inverno muito chique e muito caro. Poucos dias depois, Mamãe percebeu que nosso professor estava meio desanimado enquanto nos dava aula. Chamou-o de lado e perguntou o que estava havendo. Ele respondeu que desde que Rav Baruch presenteara a rebetsin com aquele casaco, sua própria esposa (do melamed) não parara de atormentá-lo por ele também não lhe dar um presente assim. Mamãe não pensou duas vezes. Imediatamente, foi até o armário, pegou o casaco e o entregou ao melamed, dizendo: “Leve o casaco para sua esposa. Para mim, o que importa é que você estude com meus filhos com entusiasmo!”
No “grande casamento”, dos netos do Rebe Levi Yitschak de Berditchev e do Alter Rebe, autor do Tanya, os dois avós tsadikim estavam presentes.
Na hora da refeição do casamento, o Alter Rebe bebeu lechaim para seu mechutan (consogro), o tsadik de Berditchev:
– Lechaim, mechutan! Que Hashem nos ajude material e espiritualmente.
Ao que Rebe Levi Yitschak de Berditchev perguntou:
– Como pode ser, mechutan? A materialidade antecede a espiritualidade?!
Ao que respondeu o Alter Rebe:
– É o que consta com Yaakov, nosso patriarca, em Parashat Vayetsê: “Se me der pão para comer e roupas para vestir…então será o Eterno para mim por D-us.” Ele pôs o material antes do espiritual.
Rebe Levi Yitschak de Berditchev voltou a perguntar:
– Mas podemos comparar a materialidade de Yaakov, nosso Patriarca à nossa?!
O Alter Rebe respondeu:
– E podemos comparar nossa espiritualidade à de Yaakov, nosso Patriarca?!
Um judeu meteu na cabeça que queria ser “rebe” em determinada região. Tinha tanta certeza de que tinha perfil para ser “rebe”, e queria tanto apressar sua “coroação”, que quando o Rebe Rashab visitou aquele lugar, ele logo foi ter como Rebe pedindo-lhe que lhe desse sua aprovação e certificação de que ele tinha perfil para ser “rebe”. Mas como não queria dizer isso diretamente, resolveu falar por meio de indiretas…
Falou pro Rebe Rashab que o “BáalHachalom (mestre do sonho)” tinha aparecido para ele num sonho dizendo que ele tinha todos as qualidades necessárias para ser “rebe”.
Mas acontece que, para seu espanto, o Rebe nem se deu ao trabalho de responder! O homem, ingenuamente, pensou que o Rebe não entendera TCsua indireta… O que fez ele? Voltou a procurar o Rebe, e lhe disse que o “mestre do sonho” aparecera novamente para ele e “lhe revelara” que ele era digno de ser “rebe”…
Como de nada adiantou, e o Rebe nem ligou para o assunto, ele voltou ao Rebe repetidas vezes dizendo sempre que o “báal hachalom” não o deixava em paz, e continua aparecendo em seu sonho, revelando que ele é digno de se tornar “admo’r” para os chassidim.
Quando o Rebe Rashabviu que não conseguia se livrar do homem, disse-lhe:
– Na próxima vez que o “báalhachalom” aparecer para você – diga-lhe que vá para os chassidim… para ser nomeado “rebe”, o “báalhachalom” não precisa dizer isso para você, e sim para os chassidim…
Vivia numa aldeia um judeu que arrendava uma fazenda de um nobre e vivia lá tranquilo, sem estresse.
Certa vez, passou pela aldeia um grupo de chassidim indo visitar R. Chaim de Kosov. Era noite, e os chassidim queriam pernoitar na casa daquele inquilino. Bateram na porta, pedindo para entrar, mas o inquilino se fez de surdo, recusando-se a recebe-los. Os chassidim ficaram muito frustrados, pois estava frio e chovia torrencialmente. Mas nada puderam fazer. Continuaram seu caminho e, ao amanhecer, chegaram em Kosof.
Quando foram recebidos pelo tsadik, este lhes perguntou sobre a viagem. E eles contaram o acontecido com aquele arrendatário. R. Chaim respondeu:
– Ele ainda vai precisar de um kohen.
Poucos dias depois, o arrendatário foi ter com o rabino triste a cabisbaixo. Tinha sido chamado pelo dono da aldeia, que lhe dissera que tinha três meses para ir embora de lá. E de nada adiantaram suas súplicas. Por isso tinha ido procurar R. Chaim para lhe pedir um conselho.
– De fato, sempre me perguntei: um arrendatário que mora numa aldeia, e reza sem minyan e sem mikvê. Não fala Amen nem Kedushá, nem Barchu. Nem ouve a leitura da Torá. Como está cumprindo suas obrigações? A verdade é que o principal motivo para ele ter o direito de morar lá é que “receber hóspedes é mais elevado que receber a Divina Presença”, e cumprindo a mitsvá de receber visitas, que é possível de ser feita na aldeia, corrige-se tudo. Portanto, enquanto você cumpriu essa mitsvá direitinho, o mérito da mitsvá protegeu você para que ninguém lhe pudesse fazer mal. Mas agora, que de acordo com o que escutei, pessoas chegaram em sua casa e você não as acolheu, o que você tem a fazer na aldeia? É melhor se mudar para uma cidade grande de sábios e escribas, para que reze de noite e de manhã com minyan, e mergulhe no mikvê antes de rezar, como todos os chassidim religiosos…
O arrendatário falou chorando:
– Rebe, mas de que vou me sustentar?
Disse-lhe o Rebe:
– Tome a decisão de que daqui prá frente, sua casa seja aberta, aí Hashem vai lhe fazer voltar à situação confortável que você tinha antes, sem que nada de mal lhe aconteça.
O arrendatário tomou essa decisão e a cumpriu, e Hashem fez com que o nobre mudasse de ideia, e o arrendatário ficou onde estava, como R. Chaim dissera.