“Quero me divorciar de minha esposa, porque eu quero dar tsedaká e ela me impede.”
Disse-lhe o Rebe:
“Sabe-se que homem e mulher são “esh (fogo) e yud”e “esh (fogo) e hei”. Quando se unem,o nome de D-us paira entre eles, como dizem nossos Sábios: “Shechiná beineihem”. A diferença entre yud e hei é que yud é contração e hei, expansão. O que em você está em restrição e ocultação, nela está em revelação e expansão. E a origem é em você. E para o bom entendedor, meia palavra basta.
(“Shmuot veSipurim”, Vol. I, pág. 34)
Adaprado do livro:
“SipureiChabad”
Do Rabino Avraham Chanoch Glitsenshtein
Vol. XVII. Pág. 207-208.
(Hebraico)
Leilui Nishmat:
SARA TSIVIA BAT MENACHEM MENDEL
Eliyahu ben Aba
Chaim Avraham ben Sara e Yossef Fogel
Moshe Haim ben Kaila z’l
David ben Avraham (Curico)
Arie Leib ben Yaakov
Miriam bat Yaakov
Chava bat Libi
Efraim Kopl ben Eliyáhu
Chaim Shemuel ben Aba
Moshê Baruch ben Yaakov Tsvi haLevi
Miriam bat Yaakov Kopl Halevi
Beile (Berta) bat Refael
Aba (Abel) ben (Eliyáhu) Eliash Leibas
Pinchas ben Moshê
Mordechai ben Yaakov Kopl HaLevi
Lea bat Hersh
Efraim Shlomo ben Motl Halevi
Eliyáhu ben Yaakov
Yaakov ben Eliyáhu
Miriam bat David
Chana Liba bat Tuvia
Isaac ben Luzer
Libe bat Tzipora
Avraham Duvid ben Eliezer
Tzipora bat Zalman
Todos os soldados que caíram defendendo nosso povo HY’D
Contam que o Tsêmach Tsêdek falou sobre o chassid R…:
“Por que vocês estão fazendo tanto barulho sobre ele, dizendo que caiu na tentação do amor por dinheiro? Fora isso ele é bom em tudo. E antes da hitchafcha (“transformação”) vai cair em outra coisa. E em que isso é pior do que as demais aveirot (pecados)?”
(“Maassei Avotai”, do livro “Migdal Oz”)
Adaptado do livro:
“SipureiChabad”
Do Rabino Avraham Chanoch Glitsenshtein
Vol. XVII. Pág. 238.
(Hebraico)
Leilui Nishmat:
Eliyahu ben Aba
Chaim Avraham ben Sara e Yossef Fogel
Moshe Haim ben Kaila z’l
David ben Avraham (Curico)
Arie Leib ben Yaakov
Miriam bat Yaakov
Chava bat Libi
Efraim Kopl ben Eliyáhu
Chaim Shemuel ben Aba
Moshê Baruch ben Yaakov Tsvi haLevi
Miriam bat Yaakov Kopl Halevi
Beile (Berta) bat Refael
Aba (Abel) ben (Eliyáhu) Eliash Leibas
Pinchas ben Moshê
Mordechai ben Yaakov Kopl HaLevi
Lea bat Hersh
Efraim Shlomo ben Motl Halevi
Eliyáhu ben Yaakov
Yaakov ben Eliyáhu
Miriam bat David
Chana Liba bat Tuvia
Isaac ben Luzer
Libe bat Tzipora
Avraham Duvid ben Eliezer
Tzipora bat Zalman
Todos os soldados que caíram defendendo nosso povo HY’D
Certa vez, o Tsêmach Tsêdek estava viajando pela Lituânia, e passou por certa cidade da região de Vilna. As pessoas da cidade sabiam que o Tsêmach Tsêdek passaria por lá.
Lá morava uma viúva e sua filha única, que tinha ficado noiva umas 15 vezes, mas em todas elas o noivo se arrependera e acabara o noivado.
Muitas vezes tinham pensado em viajar até Lubavitch, mas não conseguiram. Mas desta vez, decidiram se encontrar com o Rebe e lhe contar todo o sofrimento por que passaram.
As duas pularam diante dos cavalos e conseguiram fazer com que a carruagem parasse.
O cocheiro começou a gritar com elas, mas elas não ligaram, até que o Rebe despertou de suas reflexões e lhes perguntou o que queriam.
A moça lhe entregou o pa’n onde detalhara seu assunto e o Rebe suspirou e disse:
“Ach voy! Esperem mais um pouco.
A moça começou a chorar:
“Não, não! Até quando? Já tenho 35 anos! Por que preciso esperar?”
E o Rebe lhe disse novamente:
“Esperem mais um pouquinho.”
Mas a moça continuou na dela.
“Nu”, concluiu o Rebe, “podem ir que vai ter shiduch imediatamente.”
As duas começaram a voltar para casa e viram, no caminho, uma procissão de enterro de uma mulher que falecera deixando cinco órfãos pequenos. Ficaram de olho. No final da Shiva, a moçaassumiu criar as crianças e se casou com o pai delas com Chupá e Kidushin.
(“Maassei Avotai”, do livro “Migdal Oz”)
Adaptado do livro:
“SipureiChabad”
Do Rabino Avraham Chanoch Glitsenshtein
Vol. XVII. Pág. 200-201
(Hebraico)
Leilui Nishmat:
Eliyahu ben Aba
Chaim Avraham ben Sara e Yossef Fogel
Moshe Haim ben Kaila z’l
David ben Avraham (Curico)
Arie Leib ben Yaakov
Miriam bat Yaakov
Chava bat Libi
Efraim Kopl ben Eliyáhu
Chaim Shemuel ben Aba
Moshê Baruch ben Yaakov Tsvi haLevi
Miriam bat Yaakov Kopl Halevi
Beile (Berta) bat Refael
Aba (Abel) ben (Eliyáhu) Eliash Leibas
Pinchas ben Moshê
Mordechai ben Yaakov Kopl HaLevi
Lea bat Hersh
Efraim Shlomo ben Motl Halevi
Eliyáhu ben Yaakov
Yaakov ben Eliyáhu
Miriam bat David
Chana Liba bat Tuvia
Isaac ben Luzer
Libe bat Tzipora
Avraham Duvid ben Eliezer
Tzipora bat Zalman
Todos os soldados que caíram defendendo nosso povo HY’D
Uma conhecida de minha esposa estava se mudando para outro apartamento. Procurou minha esposa e lhe pediu ajuda para escrever uma carta para o Rebe, pedindo-lhe uma berachá para a mudança. Como ela não sabia nem yidish nem hebraico, pediu a minha esposa para escrever a carta.
“Escreva a carta em inglês”, disse-lhe minha esposa. “O Rebe entende inglês.”
A mulher escreveu a carta e, em seguida a colocou num volume de Igrot Kôdesh que ela tinha retirado de nossa estante.
Minha esposa abriu o livro na página onde a carta havia sido colocada aleatoriamente, e traduziu a carta que havia naquela página.
Era uma carta para um casal que estava se mudando para um novo apartamento, abençoando-os para que tudo o que fosse relacionado com a mudança tivesse sucesso.
A mulher ficou satisfeita com a bênção, mas minha esposa notou que o livro que ela tinha retirado da estante era uma coletânea de cartas do Rebe Anterior, sogro do Rebe.
“É óbvio que o Rebe Anterior era um tsadik e um Rebe, mas eu ficaria mais segura tendo uma bênção do nosso Rebe, também”, disse a mulher.
Minha esposa lhe mostrou onde estavam os volumes de Igrot Kôdesh do Rebe, em outra prateleira.
A mulher escolheu um volume daquela prateleira e pôs sua carta aleatoriamente naquele livro. Entregou-o a minha esposa, e lhe pediu para traduzir a carta que estava naquela página.
Minha esposa leu:
“Estou surpreso que você está me consultando sobre um assunto que meu sogro já respondeu…”
A história abaixo foi relatada pelo Rabino Zalman Notik, da Yeshivá Torat Emet, em Yerushaláyim:
Um grupo de alunos da Yeshivá cumpria seu programa rotineiro das tardes de sexta-feira: incentivar meninos e homens judeus a pôr tefilin. Os estudantes encontraram um grupo de novos imigrantes, provenientes da União Soviética. Quando os alunos estavam ensinando os rapazes e homens a colocar tefilin, um velho judeu nascido na Rússia aproximou-se, emocionado, e perguntou: “Vocês são de Lubavitch? Tenho uma história para lhes contar!”.
“Quando eu era jovem, lá na Rússia, costumava frequentar as reuniões secretas (farbrenguens) dos Lubavitchers. Também costumava rezar com eles e ir a suas aulas. Em um farbrenguen que jamais esquecerei, o assunto principal era o desejo de se reunir com o Rebe (Rabino Yossef Yitschak, o Rebe anterior, sexto Rebe da dinastia Chabad). Cantamos: ‘Que D-us nos dê boa saúde e vida, e que possamos nos reunir a nosso Rebe.’ Nosso desejo intenso de estar com o Rebe era quase palpável, e crescia de minuto a minuto.
“No meio do farbrenguen, alguns chassidim levantaram-se, de repente, e resolveram ‘agir’. Pegaram algumas cadeiras, viraram-nas de cabeça para baixo e as arrumaram em fila, formando um trenzinho. Imaginem só, um bando de marmanjos comportando-se como criancinhas do jardim da infância, sentados em cadeiras viradas e fazendo de conta que estavam indo para o Rebe!
“Quase todos os outros, inclusive eu, ficaram de lado, olhando. Ríamos deles dizendo que tinham pirado. Que ridículo… besteira de criança!
“Mas, sabem, dentro de pouco tempo, todos os chassidim que viajaram no ‘trem’ receberam permissão para deixar a Rússia, e realmente foram ao Rebe; ao passo que o restante de nós, os ‘normais’, ficamos para trás. Como vocês podem ver, a maioria de nós não teve forças para manter a observância da Torá e das mitsivot, e só agora estamos começando a recuperar…”
Bernard Hillstein (o nome foi mudado) finalmente admitira que já não podia viver sozinho e teria de ir para uma casa geriátrica.
Sempre gostara de clima ameno.
De modo que, quando Bernie encontrou um “lar de velhos” no sul da Flórida, que tinha uma sinagoga e era totalmente ShomerShabat, logo assinou o contrato.
Percebeu as letras miúdas só após ter pago o sinal e ter “desalugado” seu apartamento em New Jersey.
Ethel, com quem fora casado durante 56 anos, falecera há seis anos. Foi quando os médicos de Bernie o aconselharam a receber Oakley em sua casa.
Bernie adquiriu Oakley, um pastor alemão, cão-guia de serviço, para ajudá-lo a se virar sizinho.
Há seis anos Oakley era o companheiro constante de Bernie.
Sem Oakley, Bernie não sabe como teria sobrevivido à Covid.
Ele e Ethel não tiveram filhos e sua visão estava falhando. Sem Oakley no apartamento Bernie teria sofrido a maior das tristezas: solidão completa.
Como dá para imaginar, Bernie ficou preocupado quando viu, nas letras miúdas, que aquela residência para idosos não permitia animais de estimação, nem mesmo os de serviço.
Imediatamente Bernie veio ao meu escritório e me pediu para conseguir alguma exceção ou dispensa na proibição dos “pets”.
Bernie não conseguia se imaginar vivendo sem seu querido Oakley.
Escutei Bernie e telefonei para o “lar”.
O diretor me ouviu calma e educadamente, porém foi firme, explicando que a cláusula da proibição dos “pets” significava: nada de “pets”. Ponto final. Não havia dispensa nem exceções.
Telefonei para o rabino, capelão do lugar, e ele também, explicou que estava de mãos atadas. Não tinha influência nem autoridade para permitir que Bernie levasse Oakley para lá. Bernie estava à beira do desespero. Já tinha se desligado do apartamento de New Jersey e já pagara o sinal para a Flórida.
O pensamento de abandonar Oakley, o que significava viver só, lhe parecia uma sentença de morte.
Dei mais telefonemas e, finalmente, o diretor da casa geriátrica, já irritado, disse: “Essas são as regras. Se quiser, ligue para o Sr. Hertzler. Ele é o dono, e só ele pode lhe dar permissão. Porém, ele e um chassidishe yid bem idoso. Duvido muito que esteja interessado em ter um cão em sua propriedade.”
As coisas foram arranjadas como só Hashem pode fazer. O Sr. Hertzler, que raramente saía da Flórida, estaria em Nova York para uma festa de família. E consegui marcar um encontro com ele para a noite daquele domingo.
Quando cheguei na casa onde ele estava hospedado, em Boro Park, não tinha grandes esperanças de sucesso.
O Sr. Hertzler, que se sentia melhor falando em Yidish do que em inglês, era um judeu chassídico. Quando lhe apertei a mão, não pude deixar de perceber os números azuis em seu antebraço.
Percebi que seria uma missão inútil, pois que sobrevivente do Holocausto de 95 anos permitiria que um pastor alemão fosse hóspede em sua propriedade?
Com tudo isso, depois de ter dado tantos telefonemas para marcar esse encontro e ter viajado de Passaic até Brooklyn, eu tinha de fazer meu apelo. E se (ou mais provavelmente, quando) ele dissesse não, eu saberia que tinha feito tudo o que estava ao meu alcance.
O Sr. Hertzler foi extremamente hospitaleiro, ofereceu-me um delicioso kokush (rocambole) e chá forte e doce.
Depois de conversar um pouco sobre meu shul, fui direto ao ponto, e expliquei a situação e por que Bernie precisava de Oakley. Enfatizei que Oakley era tudo o que Bernie tinha na vida e a grande mitsvá que seria permitir que Oakley morasse com ele.
O Sr. Hertzler escutou pacientemente e em seguida respondeu citando um passuk, “Lo Yecherats Kelev Leshonô” (“Mas para todos os filhos de Israel, nenhum cão aguçará sua língua.” – Shemot 11:7).
Pensei que, talvez, o Sr. Hertzler não estivesse prestando atenção ao que eu dissera.
Repeti meu pedido, e ele repetiu o passuk.
Em seguida, ele olhou para mim e disse, com um sorriso.
“Esperei você durante setenta e oito anos. É óbvio que seu amigo pode levar o cachorro. De fato, eu mesmo pagarei por tudo de que o cachorro precisar.”
O Sr. Hertzler deve ter percebido minha confusão, e explicou:
“Em 1945, lá pro final da guerra, os nazistas estavam evacuando o lager (campo de concentração). Como eu sabia que os Russos deveriam chegar em poucos dias, resolvi me esconder debaixo das barracas, agachado. Os nazistas pegaram seus pastores alemães para encontrar todo e qualquer judeu, pelo faro. Sempre que um cachorro farejava um judeu, começava a latir. Quando o nazista e seu cão se aproximaram de meu esconderijo, rezei, repetidamente, com todo o coração: “Ulechol Benei Yisrael Lo Yechratz Kêlev Leshono.”
Para meu espanto, o cachorro passou bem perto de mim. Dava para sentir seu hálito. Contudo, o cão não fez o menor ruído, e seguiu adiante.
Foi quando fiz uma promessa a Hashem.
Do mesmo modo que Hashem recompensou os cães por não terem latido no Êxodo, eu também retribuiria a um pastor alemão por não ter latido na hora de minha própria YetsiatMitsrayim.
Finalmente, chegou o dia que tanto esperei.
“Diga a seu amigo que ele e Oakley serão meus hóspedes de honra.”
Fiquei mudo de espanto.
O Sr. Hertzler colocou mais um pedaço de kokush no meu prato e disse alegremente: “Você pensou que estava vindo me pedir um favor. Mas na verdade, é o oposto: Hashem o mandou aqui para que eu pudesse pagar minha dívida de setenta e oito anos. Por favor, vamos fazer juntos um lechaim para agradecer a Hashem por sua bondade.”
“Se não agora, quando?” – Hilel
(Ron Yitschak Eisenman –
Rav da Congregation Ahavat Israel –
Passaic, NJ)
(Recebi por WhatsApp)
“Vocês deverão ser pessoas santas para Mim. Não comam carne dilacerada no campo; atirem-na aos cães”
(Shemot 22:30)
D-us não fica devendo nada a ninguém.
No relato de Êxodo consta:
“Mas para todos os filhos de Israel, nenhum cão aguçará sua língua.” (Shemot 11:7).
Disse o Santo, Bendito Seja:
“Dêem a ele sua recompensa.” (Mechilta)
Rashi
Leilui Nishmat:
Eliyahu ben Aba
Chaim Avraham ben Sara e Yossef Fogel
Moshe Haim ben Kaila z’l
David ben Avraham (Curico)
Arie Leib ben Yaakov
Miriam bat Yaakov
Chava bat Libi
Efraim Kopl ben Eliyáhu
Chaim Shemuel ben Aba
Moshê Baruch ben Yaakov Tsvi haLevi
Miriam bat Yaakov Kopl Halevi
Beile (Berta) bat Refael
Aba (Abel) ben (Eliyáhu) Eliash Leibas
Pinchas ben Moshê
Mordechai ben Yaakov Kopl HaLevi
Lea bat Hersh
Efraim Shlomo ben Motl Halevi
Eliyáhu ben Yaakov
Yaakov ben Eliyáhu
Miriam bat David
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Isaac ben Luzer
Libe bat Tzipora
Avraham Duvid ben Eliezer
Tzipora bat Zalman
Todos os soldados que caíram defendendo nosso povo HY’D
O Rebe Maharash (Rabi Shemuel, o quinto Rebe de Chabad-Lubavitch) examinou cuidadosamente o chassid que acabara de entrar em seu escritório para uma audiência particular. “Diga-me,” perguntou, “você reserva tempo para estudar Torá com outras pessoas?”
O chassid mexeu-se desconfortável. Era um prateiro talentoso e relojoeiro habilidoso. Fizera uma viagem de muitos dias, vindo de sua cidade, Vladimir, para se encontrar com o Rebe, e essa audiência particular era, definitivamente, a culminação da visita.
Não, explicou, não tinha marcado nenhuma aula com outros, mas não tinha culpa. Acabara de se mudar para Vladimir, e a população judaica de lá era composta de pessoas grosseiras, embora não tivessem culpa de ser assim. Eram descendentes dos Cantonistas – os meninos judeus que tinham sido brutalmente raptados de seus infelizes pais para serem obrigados a servir no exército do Czar, acabando por se esquecer das leis e rituais sagrados de sua infância.
Havia apenas dois aldeões que podiam ser chazanim (cantores litúrgicos), o chassid era o único da comunidade que era instruído o bastante para ler na Torá, e era seu dever sagrado preparar a porção semanal. Isso, além de seu próprio horário de estudo e negócios. De modo que, disse o chassid, não lhe sobrava tempo para ensinar a outras pessoas.
“Não estou entendendo”, disse o Rebe Maharash com desaprovação. “Por que você acha que saiu de onde morava, Polotsk – cidade famosa por sua religiosidade – e se mudou para Vladimir, um deserto vazio de Torá e cumprimento das mitsvot (mandamentos)?”
O chassid concordou. Polotsk fora uma cidade ideal para se viver, habitada por pessoas muito religiosas que lotavam as sinagogas do amanhecer ao anoitecer, e cujas famosas yeshivot eram de altíssimo nível de educação religiosa. Mas o que ele podia fazer? Seus negócios tinham degringolado a tal ponto que ele mal conseguia sobreviver lá em Polotsk. Além disso, tinha pedido e recebido o consentimento e a berachá do Rebe para se mudar para Vladimir. A bênção tinha se realizado por completo, com seu negócio tendo um sucesso muito maior que os seus sonhos mais desvairados.
“Você está enganado”, disse o Rebe Maharash, “pensando que foi enviado para lá por motivos econômicos. Quem acredita em D-us e na Providência Divina pode, e deve, entender que D-us não tira uma família temente a D-us de um lugar de Torá para um ambiente não religioso por motivos materiais. Essa noção vem de sua incompreensão de seu objetivo. Na verdade, seu objetivo não é trabalhar com prata e relógios, e sim, divulgar a Torá de D-us e seus mandamentos onde for possível. Sua mudança para Vladimir foi Divinamente planejada para que você possa ensinar e inspirar as massas, tanto o soldado culto quanto os filhos ignorantes dos Cantonistas.
O Rebe Maharash continuou: “Você se esqueceu do ensinamento do Báal Shem Tov de que uma alma desce para esse mundo físico durante setenta ou oitenta anos para fazer um favor material, e principalmente espiritual, a outro judeu? Quem acha que seus passos são predestinados de acordo com suas necessidades materiais não tem fé suficiente. Será que a mesma bênção Divina não pode estar tanto em Polotsk quanto em Vladimir? Minha bênção para seu sucesso material visava acompanhar seus próprios esforços em divulgar o judaísmo. Sem isso, de nada adiantará minha bênção.”
O Rebe anterior, que registrou essa história numa carta a um de seus seguidores, escreveu: “não leia esta história como se não passasse de mais uma historinha, que entra por um ouvido e sai pelo outro. E sim, deixe que as palavras do Rebe Maharash penetrem no âmago de seu coração, e que cada pessoa se pergunte: o que estou fazendo para cumprir a missão Divina que me foi confiada, no lugar que me foi destinado por D-us?!”
Em tempos idos, os judeus da Alemanha eram famosos por terem uma estrutura comunitária e social muito organizada. Ser escolhido para algum cargo em uma dessas comunidades era um posto de honra, e tinha de passar pela aprovação de diversos comitês. Uma vez escolhido, o candidato passava a gozar de uma influência considerável na vida comunitária.
O processo de seleção dos líderes religiosos era igualmente rigoroso. Ser rabino de uma comunidade judaica alemã era uma posição de prestígio, e havia muita competição.
Rabi Refael Cohen, o rav de Pinsk, era uma das maiores autoridades religiosas de sua geração. Aos dez anos fora aceito na famosa yeshivá Sheagat Ariê, e aos dezenove, já a liderava. Antes de Pinsk, fora rav em Posna e Minsk. Não foi surpresa, portanto, ter sido convidado a ser o rabino de Hamburgo, uma das maiores comunidades judaicas da Alemanha. O rabino partiu para Hamburgo, a fim de se encontrar com seus líderes e iniciar o processo oficial de nomeação.
Na época, os ventos do Iluminismo (Haskalá) já tinham começado a soprar na Alemanha. O objetivo declarado de seus defensores era “modernizar” o judaísmo, conservando suas tradições milenares. Na prática, porém, seu desígnio oculto era remover todas as barreiras que separavam o judeu do não-judeu até a assimilação do povo judeu na família das nações. Rabi Refael, nativo da conservadora Lituânia, jamais encontrara nenhum dos maskilim, como eram chamados, e esse conceito lhe era estranho.
Moisés Mendelssohn era um dos maiores defensores do Iluminismo na época, em Berlin. Para muitos judeus, era um visionário, cujas opiniões e ideologia muito os influenciavam. Dentre os que o viam assim estavam vários dos líderes comunitários de Hamburgo, que eram responsáveis pela escolha do rabino. Seu candidato ideal deveria possuir bons conhecimentos de Torá, mas também deveria ser “progressista” o suficiente para acompanhar os modismos e as tendências da época.
Quando Rabi Refael compareceu diante do comitê de seleção, este ficou profundamente impressionado diante de seu conhecimento e sabedoria óbvios. Suas opiniões e crenças pessoais, porém, permaneceram desconhecidas. A comissão decidiu que a melhor pessoa para julgar o caráter de Rabi Refael seria o próprio Moisés Mendelssohn.
Só disseram a Rabi Refael que se ele quisesse concluir o processo de seleção o mais rápido possível, deveria viajar a Berlin, para se encontrar com “o maior pensador judeu de todos os tempos”, Rabi Moisés Mendelssohn. Se obtivesse sua recomendação, o posto de rabino seria dele.
Rabi Refael, em sua ingenuidade, pensou que ia se encontrar com um sábio da Torá, e partiu rumo a Berlin. Enquanto isso, a comissão enviou uma carta urgente para Moisés Mendelssohn explicando a situação e lhe pedindo para avaliar a fibra moral do rabino lituano. Será que estava qualificado para ser o rabino da comunidade “progressista” de Hamburgo?
Rabi Refael entrou na casa de Moisés Mendelssohn e encontrou o “sábio da Torá” sentado à sua mesa, com a cabeça descoberta, folheando uma Bíblia hebraica. Ficou tão espantado que perdeu a fala, durante alguns instantes. Além do choque, achou que também tinha sido deliberadamente enganado e ludibriado.
Quando Mendelssohn levantou a cabeça e cumprimentou seu visitante com “Shalom”, Rabi Refael respondeu com uma citação de Isaías: “‘Não há paz, diz D-us.’ Como puderam me mandar a um herege?”- Bradou. “Prefiro ter que pedir esmolas a obter recomendação de uma pessoa que estuda a sagrada Torá com a cabeça descoberta!” Dizendo isso, deu meia-volta e saiu.
Antes de ele chegar de volta a Hamburgo, porém, chegou uma carta de Moisés Mendelssohn notificando à comissão suas conclusões. “Não tive tempo de avaliar o caráter do rabino lituano” – escreveu. “Pois assim que ele me viu, me chamou de herege e saiu fazendo muito barulho. Por quê? Porque minha cabeça estava descoberta enquanto eu estava olhando uma Bíblia. Recusou-se a aceitar minha recomendação e disse que preferia mendigar a necessitar de minha aprovação.”
Os membros da comissão pensaram que Mendelssohn estava dizendo que Rabi Refael não estava qualificado para a posição. Mas não! O final da carta continha uma surpresa: “Portanto, recomendo que os senhores o nomeiem como rav, pois ele é um homem sincero. Tenho certeza de que uma pessoa assim será sempre imparcial, até mesmo se uma espada estiver suspensa sobre seu pescoço…”
No fim, Rabi Refael foi nomeado rav de Hamburgo, e serviu nessa função durante muitos anos. Durante toda a vida continuou sendo um ferrenho opositor ao Iluminismo e ao próprio Mendelssohn, com cuja recomendação obtivera o emprego.
Certa vez, um grande erudito dos Mitnagdim foi visitar o Rabi Mordechai de Lachvich, e lhe perguntou:
– Por que quando um jovem pai de família dos Mitnagdim estuda no Beit Hamidrash tem boas maneiras, e quando ele se junta à comunidade dos Chassidim imediatamente se torna impertinente?
Ao que o tsadik respondeu:
– Você não sabe que o Yetser Hará é velho e estudioso? Velho – pois o Rei Shelomô já o chamou de “rei velho e bobo”, estudioso – pois ele estuda junto com todos os que estudam. Esse velho e estudioso quando se aproxima de um jovem pai de família e começa a tentar convencê-lo a seguir seu mau conselho, se o rapaz é tímido e bem educado, não consegue ter a ousadia de ir contra o Yêtser Hará, e mandá-lo embora. É por isso que os Chassidim precisam ser atrevidos…
Do livro:
“Sipurei Chassidim”, Moadim
Do Rav Shelomô Yossef Zevin
Pág. 156
(Hebraico)
Leilui Nishmat:
Eliyahu ben Aba
Chaim Avraham ben Sara e Yossef Fogel
Moshe Haim ben Kaila z’l
David ben Avraham (Curico)
Arie Leib ben Yaakov
Miriam bat Yaakov
Chava bat Libi
Efraim Kopl ben Eliyáhu
Chaim Shemuel ben Aba
Moshê Baruch ben Yaakov Tsvi haLevi
Miriam bat Yaakov Kopl Halevi
Beile (Berta) bat Refael
Aba (Abel) ben (Eliyáhu) Eliash Leibas
Pinchas ben Moshê
Mordechai ben Yaakov Kopl HaLevi
Lea bat Hersh
Efraim Shlomo ben Motl Halevi
Eliyáhu ben Yaakov
Yaakov ben Eliyáhu
Miriam bat David
Chana Liba bat Tuvia
Isaac ben Luzer
Libe bat Tzipora
Avraham Duvid ben Eliezer
Tzipora bat Zalman
Todos os soldados que caíram defendendo nosso povo HY’D