Pouco depois que chegou aos Estados Unidos, o Rebe Rayats (o Rebe anterior) declarou “Lealtar Ligueula” (Gueulá Imediata!), convocação que ficou famosa. Houve grande divulgação dela, de modo que todos sabiam que o Rebe de Lubavitch fala muito sobre Mashiach.
Certa vez, dois judeus estavam no metrô, e quando chegaram à estação próxima ao “770”, um deles falou para o amigo:
Numa noite de inverno, os discípulos do Báal Shem Tov não tinham velas suficientes para iluminar a sinagoga. Para surpresa deles, seu mestre pediu-lhes que subissem no telhado, pegassem de lá velas de gelo e as acendessem na sinagoga.
Com total kabalat ol (submissão), os alunos seguiram a orientação do mestre e, para espanto de todos, as velas de gelo se acenderam e iluminaram!
ENSINAMENTO:
O Báal Shem Tov mostrou como o próprio gelo – que é o oposto da luz e do fogo – pode iluminar. No serviço divino do ser humano também é preciso transformar a escuridão do corpo e sua frieza – em santidade.
O Rebe contou a história abaixo poucos dias antes de aceitar a liderança do movimento Chabad-Lubavitch:
Um homem me procurou, queixando-se de um problema sério de saúde. Estava com pedras nos rins. Contou que foi a um médico especialista, que lhe disse que precisaria de uma operação de urgência.
Eu lhe disse que não se impressionasse com o que o médico dissera e que não havia necessidade de operação.
O homem não se acalmou e foi se consultar com outro médico, que também lhe disse que era preciso operar – o oposto do que o Rebe tinha dito – e chegou a marcar a data da cirurgia.
Porém, um dia antes da operação o médico precisou fazer uma longa viagem e a operação foi adiada.
Milagrosamente, antes que a operação fosse realizada, aconteceu um milagre revelado.
As pedras saíram sozinhas dos rins, sem cirurgia alguma!
ENSINAMENTO:
O Rebe contou esse milagre para provar que mesmo após o falecimento do Rebe Rayats há milagres revelados:
O Rebe não fica devendo; suas influências são eternas. Só é preciso fazer recipientes para receber seus influxos. E o recipiente é: mudança de hábitos. Precisamos mudar, nem que seja um pouquinho, e com isso teremos o mérito de receber as berachot do Rebe em tudo de que necessitamos.
Aconteceu quando o Rebe Rayats se encontrava em Varsóvia.
Certo dia, um grande milionário foi visitá-lo. Quando ele saiu, meu sogro me contou, rindo, que acontecera uma grande tragédia ao ricaço.
Fiquei muito espantado: se o Rebe estava contando que acontecera uma grande desgraça ao milionário, qual o motivo do riso?!
O Rebe Rayats continuou dizendo que aquele ricaço perdera uma fortuna, mencionou a quantia e continuou rindo. Espantei-me novamente.
Foi quando o Rebe me explicou:
“Se o abastado tivesse doado parte de seu dinheiro para tsedaká – teria tido um prejuízo menor. Só lhe aconteceu essa desgraça porque ficou com todo o dinheiro para si.” (Em outro lugar há outra versão: “Se ele só tivesse, desde o começo, a quantia que lhe restou após a ‘tragédia’, não estaria se queixando. Só está chateado porque antes ele tinha mais.”)
E nosso Rebe nos dá o seguinte ensinamento que pode ser obtido dessa história:
As pessoas pensam que estão fazendo um favor ao Rebe quando dão tsadaká para as instituições do Rebe. Mas não é assim: o Rebe, na verdade, está lhes fazendo um favor por lhes dar o mérito de dar tsadaká. O Rebe quer que as pessoas participem de seu trabalho sagrado contribuindo financeiramente, pois isso é bom para os próprios doadores. Tal como dizem nossos Sábios sobre o passuk “asser teasser” – “asser bishvil shetitasher = dê maasser para que você fique rico”
Do livro:
“Má shesiper li haRabi” (hebraico) Vol. III, págs. 152-153.
Cresci e fui educado numa das melhores yeshivot lituanas daquela época (1983). Minha educação foi bem “anti-Chabad”.
Por natureza, eu era alguém que procurava propósito. Procurei em várias yeshivot de diversas linhas, procurei kabalistas, mestres de mussar, procurei muito, nas mais diversas linhas do judaísmo, mas não estava encontrando o que procurava. Estava muito decepcionado.
Certo dia, eu estava muito deprimido e entrei numa sinagoga. E por Hashgachá Pratit, vi um panfleto de ensinamentos do Rebe chamado Likrat Shabat rasgado. Olha, eu realmente agradeço ao indivíduo que o rasgou. Rasgou e jogou lá na sinagoga Anshei Yerushalayim em Kiriat Sêfer.
Pensei: “Se é de Chabad, vai ver que tem alguma fofoca interessante aí.”
Olhei, e foi quando tive o choque de minha vida! Abri o livro, o “Likrat Shabat”. Comecei a ler e… alguma coisa não fazia sentido. Era de uma genialidade: por um lado, uma simplicidade incompreensível. Por outro, tamanha profundidade! Quando li o trecho de ensinamentos do Rebe sobre Chassidut, eu não conseguia captar que o Rebe era uma pessoa assim. Para mim, não fazia sentido. Eu sempre tinha pensado no Rebe como alguém que faz mivtsaim (campanhas). Um comandante de mivtsaim: tefilin, tsedaká, os 12 Psukim que as crianças devem dizer, reuniões de Shabat para crianças… Coisas assim. Agora, quando a gente vê o Rebe explicando Torá, percebi que não é quem eu pensava que é.
Atualmente, quando falo sobre o Rebe, preciso respirar fundo. Mencionar o nome do Rebe agora é algo totalmente diferente. Para mim, o Rebe e seus ensinamentos transformaram toda a minha vida. Melhoraram meu casamento. Me deram satisfação na vida.
Hoje, sem estudar uma sichá ou maamar do Rebe não há propósito.
Até ali, eu estava no centro. D-us me ajudava. Vou usar expressões duras aqui. Quando eu rezava a Amidá, minha intenção era: “me dê, me dê, me dê” da manhã à noite.
Chassidut ensina que você não tem a menor importância, você não é nem um parafusinho. Há um “Mestre do Universo” e você é Seu sheliach (emissário) para realizar alguma coisa. De modo que toda a direção de sua vida se transforma. Hoje, quando rezo, não é como antigamente. Hoje, quando digo “Modê Ani”, não é o mesmo “Modê Ani” de antes.
R. Baruch de Mezibush, neto do Báal Shem Tov, dizia:
Do mesmo modo que “em cada geração cada um de nós deve se considerar como se ele próprio tivesse saído do Egito” (Pssachim), precisamos entender que em cada geração há um Mordechai e um Haman, mas quem lê a Meguilá apenas lemafrea (retroativamente), ou seja, como se fosse um milagre que ocorreu apenas no passado, não cumpriu sua obrigação.
O filho de certo chassid procurou o tsadik de Gur, autor do “SefatEmet”, e queixou-se de seu pai, que não o ajudava na parnassá.
Quando o pai do chassid visitou o tsadik, este lhe perguntou por que não ajudava o filho. E ele respondeu que não tinha condições de fazê-lo. Ao que o tsadik lhe respondeu:
– Está escrito: “De onde vou conseguir carne… por acaso o concebi? Por acaso o dei à luz?” (Bamidbar 11: 12-13). A questão é complicada: como já tinha dito: ‘de onde vou conseguir carne?’ O que isso tinha a ver com ter ou não concebido, já que ele não tinha mesmo carne? Isso prova que se ‘eu o concebi e o dei à luz’ o argumento de que ‘não tenho’ não é suficiente. Precisa dar um jeito para ajudar na parnassá do filho.