A filha de um chassid do Alter Rebe já era uma moça, mas seu pobre pai não tinha os meios para poder casá-la. Seus amigos sugeriram que, já que era inverno, ele deveria aventurar-se no negócio de bebidas alcoólicas. Disseram-lhe para comprar grande quantidade de vodka de uma destilaria local, transportar para uma das grandes feiras numa cidade grande e, com a ajuda de D-us, lá vender com bom lucro.
O homem resolveu seguir o conselho de seus amigos. Fez um vultoso empréstimo, comprou um barril de vodka e alugou um cavalo e uma carroça para transportar a mercadoria para a cidade.
Finalmente chegou a seu destino. Imediatamente foi para o local da feira para começar a vender o quanto antes. Pegou o barril para tirá-lo da carroça mas… oy vey, o barril estava leve demais! Percebeu, então, uma rachadura no fundo, e sentiu o cheiro forte do álcool, que ensopara a madeira da carroça. O barril estava totalmente vazio. Todo o conteúdo se esvaíra durante a longa viagem!
Profundamente infeliz, recolocou o barril vazio na carroça. Resolveu ir a Liozna, ao Rebe. Quando foi por ele recebido, relatou-lhe sua triste história. Mas ao contar, tomou maior consciência de seu prejuízo e desmaiou.
O ajudante do Rebe conseguiu fazê-lo voltar a si, mas, quando o pobre chassid recobrou a consciência o suficiente para lembrar-se de onde estava e por quê, desmaiou novamente.
Desta vez, assim que ele reabriu os olhos, o Rebe lhe disse: “Pode voltar para casa agora; D-us o fará prosperar.”
As palavras animadoras do Rebe acalmaram um pouco o chassid. Alguns minutos depois conseguiu subir na carroça e começar sua viagem de volta para casa. Acontece que quando chegou em casa e começou a pensar em sua situação, foi ficando nervoso e estressado. Perdera todo o investimento que fizera, não sabia como pagaria os empréstimos e, o pior, é que perdera a última chance de poder ajudar sua filha a casar-se.
Começou a chorar amargamente.
Tentou se controlar. Mas antes de conseguir parar de chorar, sua esposa entrou correndo em casa, na maior alegria. “Encontrei um tesouro! Achei ouro!” Gritava ela.
“Que história é essa?” – Perguntou ele.
Quando ela se acalmou um pouco, conseguiu responder. Contou que foi tirar o barril da carroça para guardá-lo. E lhe pareceu ter escutado um barulhinho, de modo que foi olhar o que havia lá dentro.
Achou uma trouxinha lá no fundo. Tirou-a e a abriu. Estava cheia de moedas de ouro. Uma fortuna! Muito mais que o necessário para pagar as dívidas e casar todos os seus filhos (cada um na hora certa, é óbvio).
O que acontecera? No caminho de Liozna para casa, estava muito frio. Quando chegou à margem do rio, em vez de subir na ponte, resolveu poupar tempo indo sobre a superfície congelada do rio. Enquanto isso, um nobre russo passou em sua carruagem sobre a ponte e, ao que parece, o pacote de riqueza instantânea caíra da carruagem do nobre diretamente dentro do barril.
Quando contaram o fato ao Alter Rebe, ele disse: “Não pensem que fiz um milagre, nem mesmo que tive Ruach Hakôdesh quando lhe disse que D-us o faria prosperar. Foi simples lógica. Sabemos que D-us, Todo Poderoso, não exige de ninguém nada além de sua capacidade. Quando vi que aquele judeu não podia aguentar a desgraça que lhe ocorrera, eu sabia que, com certeza, D-us estava providenciando sua salvação.”
Tradizido para o inglês e adaptado por Yrachmiel Tilles de “Peninei HaKeser” Vol II.
“Este é Meu nome para sempre – não sou chamado do jeito que sou escrito” (Pessachim 50.)
Em um encontro de Chassidim, o Rebe Rashab contou como foi que o famoso Chassid, R. Meir Refael’s que era o parnas chodesh (líder da comunidade judaica) de Vilna, tornou-se um chassid ardoroso do Alter Rebe, autor do Tanya. E isso foi durante o conflito contra os chassidim, que estava sendo comandado, principalmente, da cidade de Vilna.
Os motivos foram dois. Duas histórias.
Era uma vez um Chassid, cujo genro abandonara a esposa (filha do Chassid) e a deixara aguná. Fazia três anos que fugira de casa e a família ignorava por completo seu paradeiro. O Chassid e sua filha foram ter com o Alter Rebe, a quem contaram sua aflição e lhe pediram conselho e berachá. O Alter Rebe lhes aconselhou que fossem a Vilna e pedissem ao parnas chodesh que encontrasse o marido que abandonara a esposa.
É óbvio que os Chassidim confiavam totalmente nas palavras de seu Rebe. Os amigos e conhecidos daquela família coletaram dinheiro entre eles e conseguiram o necessário para a viagem da mulher à distante Vilna. E lhes disseram que fosse direto à casa do líder da comunidade e dele exigisse que encontrasse seu marido. Além disso, disseram-lhe que mesmo se a expulsassem da casa, humilhassem-na e lhe chamassem nomes, ou até mesmo se batessem nela, aguentasse tudo e não deixasse o parnas chodesh em paz, enquanto não encontrasse o marido, pois, uma vez que tinha sido isso o que o Rebe dissera, sem sombra de dúvida o encontraria.
E foi o que fez a mulher. Depois de uma viagem longa e exaustiva, chegou a Vilna e foi direto para a casa do gvir, R. Meir Refael’s. R. Meir estava no shul, e a aguná contou tudo à esposa do gvir. Esta, obviamente, achou tudo aquilo ridículo. De onde seu marido ia saber do paradeiro de um avrech que três anos antes fugira da esposa numa cidadezinha tão distante de Vilna? Quando R. Meir voltou do shul, sua esposa lhe contou que não era à toa que perseguiam o “kat” e suas ações, pois suas artimanhas eram inimagináveis: mandaram uma pobre mulher de uma cidadezinha distante até aqui, para que a gente encontre seu marido. A aguná dirigiu-se a R. Meir e lhe disse que não iria embora enquanto não conseguisse seu objetivo: seu marido. R. Meir e sua família a repreenderam, explicaram-lhe como aquilo era ridículo – mas seus argumentos de nada adiantaram. Percebendo que não se livraria dela, R. Meir lhe disse: “Seu marido não vai ser encontrado em um dia, vá, portanto, para o hekdesh (hospedaria da comunidade para pobres e sem teto) e fique por lá. Depois vamos ver como vão se desenrolar os acontecimentos. Foi o que fez a mulher. Só que não deixou R. Meir em paz. Todo dia o procurava, chorava e gritava: cadê meu marido?
R. Meir contou a história na sinagoga, lançando lenha à fogueira da machloket contra o “kat” e suas artimanhas, e a história da aguná era assunto muito comentado na cidade.
Passaram-se alguns dias, e R. Meir foi chamado à delegacia. De vez em quando passavam por Vilna grupos de prisioneiros “indocumentados”, que não possuíam documento de identificação. E costumavam chamar R. Meir Refael’s para identificar os que ele conhecia, e eles eram soltos. E foi o que aconteceu daquela vez. Quando os prisioneiros começaram a falar seu nome e sua cidade de origem, um deles mencionou aquela cidadezinha da aguná. Foi como se um raio tivesse atingido R. Meir. Pediu que esperassem na delegacia, que logo estaria de volta, e foi correndo para casa. Mandou chamar a aguná, pediu-lhe que lhe desse sinais de identificação do marido, e eles batiam exatamente com aquele prisioneiro. R. Meir voltou à delegacia com a aguná, e ela reconheceu o marido. R. Meir conseguiu libertar o homem, foram até o Rabino, e o homem deu guet à mulher.
Naquele dia, algo mudou no modo como R. Meir Refael’s via o “kat”. Ao que parece, as coisas não são como falam aqui em Vilna. Mesmo assim, ainda não chegara a uma decisão. Talvez aquilo não passasse de coincidência. R. Meir resolveu não relatar o fato a ninguém e esperar. Talvez, com o passar do tempo, o assunto dos Chassidim e o Rav deles fosse esclarecido.
Algum tempo depois, um homem pobre, dos arredores de Vilna, grande erudito e chassid, estava indo a pé para Liozna. Quando passou por Vilna, entrou na sinagoga, tirou da estante uma Guemará, e se sentou para estudar. Era quinta-feira de tardezinha. O caminhante resolveu passar o Shabat em Vilna. O shamash percebeu que aquele viajante não era um pobre comum. Não pediu esmolas, comeu pão seco que trouxera em sua mochila com um pedaço de dag-maluach, e voltou aos estudos. Estudou Torá a noite inteira. Na sexta-feira de manhã, o shamash perguntou ao visitante onde passaria o Shabat. Ele respondeu que ficaria na sinagoga. Disse-lhe o shamash:
– Baruch Hashem temos muitos gvirim que cumprem a mitsvá de hachnassat orchim com todo o coração, especialmente quando o hóspede é um erudito. Por que, então, o senhor não cumpre a mitsvá de oneg-Shabat e quer ficar aqui na sinagoga e comer pão seco com dag-maluach?
O visitante respondeu que não queria ir na casa de ninguém para Shabat. Que tinha tudo de que precisava.
O shamash contou aquilo para certo gvir erudito, que fazia questão de ter convidado em sua mesa, no Shabat. Quando o gvir soube que o visitante era um erudito e que recusava o convite, pediu ao rabino da sinagoga que fosse junto com ele convencer o visitante a ir passar o Shabat em sua casa. O Rav e o gvir insistiram muito, até que o visitante concordou em ir, com a condição que não dormiria lá. Dormir, ele queria justamente na sinagoga.
Na refeição da sexta-feira de noite, o gvir conversou muito com seu hóspede sobre assuntos de Torá e viu que ele era um grande homem, curtindo muito sua companhia, feliz por D-us lhe ter enviado tamanho talmid-chacham. Antes de Birkat Hamazon, o gvir deu um suspiro profundo, mas nada falou. O visitante espantou-se, mas nada perguntou. Após a refeição, o hóspede foi para a sinagoga e voltou a seus estudos. No dia seguinte, no almoço, o gvir e o convidado discutiram Torá novamente e, antes de BirkatHamazon,o gvir suspirou novamente. E aquilo repetiu-se na seudá shlishit e também na Melavê Malka do sábado à noite. O convidado não pode mais se conter e perguntou o motivo do suspiro.
O gvir lhe contou que estava em grande apuro. Ele e seu sócio foram acusados falsamente e levados a julgamento. E ambos foram condenados a três anos de exílio na Sibéria. Recorreram ao Tribunal Regional, onde o veredicto foi confirmado. Agora, o assunto estava para ser deliberado em Petersburg, e só D-us sabia quais seriam os resultados. Ao ouvir isso, disse o hóspede ao gvir:
– Tenho algo confidencial a lhe dizer. Poderíamos ir para uma sala onde pudéssemos conversar com privacidade?
Entraram na sala e fecharam a porta, e o hóspede falou para o gvir:
– Meu conselho é que viaje imediatamente para Liozna, para pedir um conselho e uma berachá ao Rebe. Sou discípulo do Rebe, e estou a caminho de Liozna. Sem dúvida encontrará lá sua salvação.
Disse o gvir:
– Para uma coisa dessas preciso consultar meu sócio. Vou mandar chamá-lo agorinha e vamos discutir o assunto.
O gvir mandou chamar o sócio e lhe contou o que o hóspede lhe dissera. Disse o sócio:
– Receio que além de não encontrar salvação lá, ainda vamos nos meter em encrenca aqui. Pois quando aqui na cidade ficarem sabendo que fomos fisgados pelo “kat”vão nos perseguir até acabarem conosco.
Os sócios discutiram o assunto entre si, e resolveram ir consultar R. Meir Refael’s, que era amigo deles, e lhe pedir conselho.
Chegaram à casa de R. Meir Refael’s e o fizeram jurar, antecipadamente, que o assunto que lhes contariam era estritamente confidencial, independente do conselho que lhes desse. R. Meir prometeu guardar segredo, e eles lhe contaram tudo. E R. Meir, que ainda estava impressionado com o caso da aguná, lhes respondeu de imediato:
– Concordo que viajem a Liozna.
Os sócios não vacilaram e logo atrelaram a carruagem. Levaram também o visitante e foram direto para Liozna.
Quando lá chegaram, contaram ao Rebe todo o problema. E o Rebe lhes disse:
– Vocês são judeus eruditos, digam-me, por favor, o significado do dito (Berachot 58:1): “O reino da Terra é semelhante ao reino do Céu.” Em que se parecem?
Os sócios ficaram calados.
E o Rebe falou:
– Vou lhes dizer o significado. Na Guemara (Pessachim 50:1) consta: “Este é Meu nome para sempre – não sou chamado do jeito que sou escrito; sou escrito pelo nome Yud Hei, e sou chamdo pelo nome Alef Dalet.Hakadosh Baruch Hu não é chamado pelo nome. No reino da Terra também é assim. O czar tem seu nome próprio, mas é proibido chamá-lo pelo nome próprio, só pelo nome de “czar”.
E despediu-se deles, sem que tivesse falado nada sobre o assunto que os preocupava.
Os sócios saíram do escritório do Rebe totalmente decepcionados com o Rebe e com o “kat” e também com aquele visitante. Atrelaram a carruagem e voltaram para Vilna. Foram ter com R. Meir Refael’s e lhe disseram que o Rav do “kat” era muito estranho. Não falava coisa com coisa. Pergunta-se uma coisa e ele responde com algo que não tem nada a ver. R. Meir, ao ouvir aquilo, chegou à conclusão que não passava de confuso e enrolão, e achou que o caso da aguná não passara de coincidência.
Alguns meses depois, chegou a hora do julgamento do recurso, em Petersburg, no Senado. Os sócios viajaram à capital, e consultaram vários advogados que não lhes deram muita esperança. Um dos advogados, porém, sugeriu-lhes que tentassem sensibilizar o Ministro da Justiça e implorar sua piedade. Quem sabe se apiedasse deles. Após pesquisas e buscas, descobriram que o Ministro da Justiça fazia uma caminhada diária em um dos parques da cidade. Procuraram o guarda do parque e o subornaram com um belo presente para que lhes permitisse entrar no parque antes que o Ministro chegasse e que, quando ele chegasse, lhes fizesse um sinal, para que pudessem dele se aproximar e fazer sua solicitação.
Acontece que no dia em que o guarda os deixou entrar no parque, o Ministro da Justiça adoeceu e não saiu para seu passeio rotineiro. Só o Ministro da Cultura foi caminhar. O guarda ia ao lado do Ministro para auxilia-lo e, para evitar que os judeus achassem que aquele era o Ministro da Justiça, fez-lhes gestos, com as mãos dizendo que ele não era a pessoa que estavam procurando. Os judeus não entenderam seus gestos e pensaram que ele estava lhes comunicando que se aproximassem para fazer o apelo. Os judeus caíram aos pés do Ministro, contaram-lhe seu problema, e pediram sua ajuda. Ao que o Ministro respondeu:
– Os senhores se confundiram. Este assunto é da alçada do Ministro da Justiça, e sou o Ministro da Cultura.
Os judeus saíram do parque decepcionados. Alguns instantes depois, o Ministro falou para o guarda:
– Corra e traga de volta aqueles dois judeus.
O guarda se assustou. Talvez os estivesse chamando porque tinham entrado no parque sem permissão. Mas, por falta de opção, correu atrás deles e lhes transmitiu a ordem do Ministro, para que voltassem imediatamente ao parque. Eles também se assustaram. Voltaram amedrontados e se postaram diante do Ministro. Este lhes disse:
– Percebo que vocês são judeus eruditos. O Czar me fez uma pergunta recentemente, e se souberem respondê-la de modo que me agrade, darei a resposta ao Czar em nome de vocês e também lhe pedirei que ele anule o julgamento no Senado. A pergunta é a seguinte: No Talmud de vocês tem um dito: “O reino da Terra é semelhante ao reino do Céu.” O Czar não está conseguindo entender a semelhança entre os dois. Perguntou-me, e eu também não sei responder. Será que vocês sabem a resposta?
Ao ouvir a pergunta, o coração dos judeus sentiu temor e alívio, e naquele momento entenderam a intenção das palavras do Rav de Liozna quando o visitaram. Deram ao Ministro a resposta que escutaram do Rebe, e o Ministro gostou muito da solução. Prometeu-lhes que interviria junto ao Czar para que este desse ordens para que o julgamento fosse anulado.
E foi o que aconteceu. O Ministro contou ao Czar que encontrara no parque dois judeus, que pareciam eruditos, fez-lhes a pergunta do Czar e eles lhe deram a resposta correta. O Czar também gostou da resposta. E o Ministro contou ao Czar que aqueles judeus estavam em apuros, e que só ele, o Czar, poderia ajudá-los. Contou-lhe o problema e o Czar deu ordens para que o Senado anulasse o julgamento.
Os sócios voltaram para Vilna em grande júbilo. E quando lá chegaram, foram direto contar a R. Meir Refael’s todo o acontecido.
R. Meir Refael’s foi logo para Liozna, e tornou-se um Chassid importante e dedicado do Alter Rebe.
Adaptado do livro: “Sipurei Chassidim – Torá”
Do Rav Shlomo Yossef Zevin
Págs. 155-160
(Hebraico)
Leilui Nishmat:
Eliyahu ben Aba
Chaim Avraham ben Sara e Yossef Fogel
Moshe Haim ben Kaila z’l
David ben Avraham (Curico)
Neche bat Shlomo
Miriam bat Yaakov
Chava bat Libi
Efraim Kopl ben Eliyáhu
Chaim Shemuel ben Aba
Moshê Baruch ben Yaakov Tsvi haLevi
Miriam bat Yaakov Kopl Halevi
Beile (Berta) bat Refael
Aba (Abel) ben (Eliyáhu) Eliash Leibas
Pinchas ben Moshê
Mordechai ben Yaakov Kopl HaLevi
Lea bat Hersh
Efraim Shlomo ben Motl Halevi
Eliyáhu ben Yaakov
Yaakov ben Eliyáhu
Miriam bat David
Chana Liba bat Tuvia
Isaac ben Luzer
Libe bat Tzipora
Avraham Duvid ben Eliezer
Tzipora bat Zalman
Todos os soldados que caíram defendendo nosso povo HY’D
Certa vez, um chassid viajou ao Rebe Dov Ber (conhecido como o Miteler Rebe) com um problema terrível. Alugava uma estalagem do pôrets (senhor feudal) e estava para ser despejado, por não ter conseguido pagar o que devia. O judeu corria perigo de perder a casa e o sustento.
O chassid entrou no escritório do Rebe para uma audiência particular. Relatou seu problema e pediu que o Rebe escrevesse uma carta para um empresário abastado chamado Moshê M., que era amigo do pôrets, e poderia intervir.
O Rebe escreveu a carta, mas quando o chassid saiu da sala do Rebe e a leu, viu que estava endereçada para outro Moshê: Moshê A., que era tão pobre quanto ele próprio. Pensou que o Rebe tivesse se enganado.
Em seu desespero, tentou voltar à sala do Rebe. O gabai, porém, explicou-lhe que havia muitas pessoas na fila e demoraria muito para ele conseguir entrar novamente.
O chassid, em sua grande aflição, falou que o assunto era urgente e acrescentou: “É rápido, o Rebe só vai precisar mudar umas palavrinhas. É que ele fez a carta para a pessoa errada.”
O filho do Rebe, que estava por perto, ouviu a conversa e comentou:
“Um Rebe não erra.”
O chassid, então, resolveu procurar Moshê A. e lhe entregar a carta do Miteler Rebe.
Moshê A. explicou ao chassid que ele não tinha nada a ver com o pôrets. Mas o chassid, agora certo de que o Rebe sabia o que estava fazendo, insistiu. Finalmente, Moshê A. concordou em ir visitar o pôrets no dia seguinte.
No meio da noite, bateram à porta de Moshê A. E para surpresa sua, era o pôrets em pessoa, ensopado e tremendo de frio. Moshê o recebeu, deu-lhe roupas secas, alimentou-o e lhe deu de beber. Quando se sentiu melhor, o nobre contou que estava caçando na floresta quando foi pego, de surpresa, por uma tempestade. Bateu na primeira casa que encontrou ao sair da floresta, e estava muito grato a Moshê.
Na manhã seguinte, quando o pôrets estava prestes a voltar para seu palácio, insistiu em retribuir a Moshê todo o bem que lhe fizera. Moshê, então, contou-lhe sobre o problema do chassid e pediu que reconsiderasse seu caso.
O nobre prometeu renovar seu contrato e perdoar a dívida. E acrescentou:
“Você está com sorte por ter falado comigo hoje sobre o assunto. Eu ia alugar a estalagem para outra pessoa: um parente de meu grande amigo Moshê M.
Imaginem só o que teria acontecido se o Rebe tivesse endereçado a carta para o Moshê “certo”!
Dois dos mais próximos chassidim do Rebe Rashab: R. Yitschak Yoel Rafalovitch e R. Shmuel Gurary, estavam tomando chá no vestíbulo diante do escritório do Rebe.
Enquanto discutiam assuntos de Torá e Chassidut, começaram a debater sobre se, chegando a hora de rezar Minchá e a pessoa deseja tomar um copo de chá: se tem obrigação de rezar Minchá primeiro ou se é permitido beber o chá primeiro, e só depois rezar Minchá.
De repente, o Rebe saiu de seu escritório. Eles contaram ao Rebe sobre sua discussão, ao que o Rebe comentou:
“Se a pessoa quer tomar chá com paz de espírito, deve rezar Minchá primeiro. Mas se quiser rezar Minchá com paz de espírito, nesse caso tudo bem tomar um copo de chá antes!”
Muitos anos atrás, no ano de 5547 (1786), o inverno chegou muito cedo. Em Sucot já estava inusitadamente frio, e já começara a nevar. Por conseguinte, a maioria dos chassidim que chegaram a Liozna para Shemini Atsêret e Simchat Torá estavam com os dedos das mãos e dos pés congelados, e muitos pegaram uma gripe muito forte. Quando o Rabi Schneur Zalman foi informado da terrível situação, ficou pensativo durante algum tempo e, em seguida, declarou: “Sobre a Torá consta, ‘é uma lei de fogo para eles’. Hoje é Simchat Torá! Todos devem ser trazidos para as hakafot, e que ‘o fogo consuma o fogo’ – o fogo de Simchat Torá consumirá o fogo da febre.”
Antes das hakafot, Reb Pinchas Roizes de Shklov foi enviado a todas as hospedarias da cidade para convidar os visitantes, muitos dos quais estavam com febre altíssima. Quando os chassidim doentes e seus familiares ouviram as palavras animadoras, ficaram felicíssimos. Com fé completa, saíram na noite tempestuosa e se dirigiram à sinagoga, enfrentando o granizo, as chuvas torrenciais e os ventos bravios. Alguns, debilitados a ponto de não poder andar, tiveram de ser carregados, apesar do perigo mortal.
A sinagoga, abarrotada de pessoas, era de dar pena. Ouviam-se tosses e gemidos por todos os lados, e o calor era insuportável. Alguns dos visitantes estavam tão fracos, que não podiam nem sentar-se nos bancos, tiveram de ser encostados contra as paredes.
Todos os anos em Shemini Atsêret, o Rebe rezava as preces noturnas e liderava suas próprias hakafot com um minyan particular. Em seguida, ia fazer o kidush na sucá , e depois dirigia-se à grande sinagoga no pátio, para as hakafot. Esse ano, porém, algo inusitado ocorreu. Ao entrar na sucá, o Rebe chamou três chassidim idosos, um dos quais era um Kohen, o segundo, um Levi e o terceiro um Yisrael. “Vocês formam um tribunal rabínico de três membros”, disse-lhes o Rebe, “e deverão agora escutar meu kidush. Respondam ‘amen’ para cada uma das minhas bênçãos, com a intenção de que essa aprovação valha para todas as idéias espirituais e invocações que terei em mente.”
A pedido do Rebe, vários recipientes grandes com vinho foram levados para fora da sucá. Após fazer o kidush,ele verteu o vinho que lhe sobrara no copo em um dos recipientes e nomeou os três membros de seu tribunal rabínico para serem os ‘emissários da cura’. Foram orientados para que misturassem o vinho com o vinho dos outros recipientes, e o distribuíssem entre os doentes, que o beberiam e ficariam totalmente curados. O Rebe também lhes pediu que subissem à ala das mulheres e servissem vinho para aquelas que não tinham sido abençoadas com filhos ou que tinham tido abortos.
A notícia sobre o vinho do Rebe espalhou-se com a rapidez de um raio, e a sinagoga fervilhava de emoção. Quando os três chassidim idosos entraram na grande sinagoga com o vinho, um silêncio abafado caiu sobre todos os presentes. Os três subiram ao púlpito, e Reb Yaakov de Semilian, o Yisrael do tribunal rabínico, repetiu em voz alta as instruções do Rebe, letra por letra. Ao concluir, disse que gostaria de acrescentar algumas palavras de cunho próprio, que tinham pertinência especial à situação:
“Há uma tradição aceita, transmitida entre os chassidim, de geração em geração, que para que a bênção de um tsadik se realize, duas condições têm de ser cumpridas: primeiro, a pessoa abençoada deve acreditar na bênção com fé simples, sem especulações externas; segundo, deve dedicar-se ao Rebe que dá a bênção, obedecendo a suas orientações a respeito de Serviço Divino, estudo da Torá e comportamento ético.”
O vinho foi, em seguida, distribuído ordenadamente, com a ajuda de vários rapazes robustos, escolhidos para essa tarefa. Depois que todos receberam o vinho, o Rebe entrou na sinagoga e as hakafot tiveram início.
No dia seguinte, todos falavam do milagre. De fato, Avraham, o médico, afirmou que para muitos dos pacientes idosos o fenômeno fora uma verdadeira ressurreição dos mortos. Sustentou que, do ponto de vista médico, não havia a menor esperança para eles, e sua recuperação dera-se, sem dúvida, graças a intervenção sobrenatural.
(Do livro “Once Upon a Chassid”, Michoel Green, Editora Kehot, Vaad L’hafatsat Sichot)
Com permissão do “Likrat Shabat” daYeshivá Tomchei Tmimim.
Leilui Nishmat:
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Chaim Avraham ben Sara e Yossef Fogel
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Todos os soldados que caíram defendendo nosso povo HY’D
Frequentemente o Rebe conclui suas respostas com as palavras “azkir al hatsion” (mencionarei no tzion). Em muitos casos, esta é a resposta concisa.
Hatsion é o local de repouso do Rebe anterior, o Rebe Rayats, no cemitério localizado em Queens. Onde o Rebe passava horas rezando e lendo as inúmeras cartas a ele enviadas de todos os cantos do mundo. Há pessoas que, por falta de conhecimento, esperavam receber respostas “mais essenciais”.
Certa vez, o Rabino Shneur Zalman Duchman escreveu ao Rebe pedindo uma berachá para um jovem casal que não tinha filhos. O Rebe respondeu: “azkir al hatsion”, mas o Rabino Shneur Zalman não se deu por satisfeito e voltou a escrever para o Rebe, pedindo-lhe que prometesse ao casal que eles teriam descendência. O Rebe tornou a responder: “azkir al hatsion”.
Passou-se um ano e, certo dia, quando o Rebe estava saindo de sua residência, o Rabino Shneur Zalman estava passando pela President Street. O Rebe fez-lhe sinal para que se aproximasse e disse: “Você soube que aquele casal teve um filho? Nu, parece que “azkir al hatsion” tem significado…”
Do livro:
“Doresh Tov Lechol Amô”
Págs: 86-87
(Hebraico)
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O Rabino Leibel Groner, um dos secretários do Rebe, contou, certa vez, num farbrenguen a seguinte história:
O Rebe deu uma missão para um dos chassidim e o chassid pensou que aquilo estava além de sua capacidade. O Rebe percebeu sua hesitação e disse calmamente: “As expectativas que tenho de mim mesmo são dez vezes maiores que minha capacidade…”
Do livro: “Doresh Tov Lechol Amô”
(Hebraico)
Pág.: 73
Leilui Nishmat:
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Libe bat Tzipora
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Todos os soldados que caíram defendendo nosso povo HY’D
Quando o Rebe Anterior, Rabi Yossef Yitschak Schneerson, tinha 7 anos de idade, sua avó, a Rebetsin Rivka, deu-lhe, certa vez, um pedaço de melancia. O menino sentou-se num banco no pátio, junto com um amiguinho, deu um pedaço a seu amigo e estavam comendo, juntos.
De repente, de uma das janelas da casa seu pai, o Rebe Rashab, chamou-o. Quando o garoto entrou em casa, disse-lhe seu pai:
-“É verdade que você dividiu a melancia com seu amigo, mas não o fez com todo o coração.”
E conversou muito com ele sobre bom olho e mau olho, até que o menino ficou muito tocado e começou a chorar. E chorou durante cerca de meia hora, até que vomitou o que havia comido.
Sua mãe, a rebetsin, viu o ocorrido e disse a seu marido, o Rebe:
– “O que você quer do menino?”
O Rebe respondeu:
– “Isso é bom, e assim ele adquirirá uma midá tová.”
Quando o menino cresceu e se tornou Rebe, contou, certa vez, o acontecido e concluiu:
-“Isto é educação.”
Adaptado de:
“SipureiChassidim – Torá”
R. Shlomo Yossef Zevin
Págs. 445-446,
(Hebraico)
Leilui Nishmat:
Eliyahu ben Aba
Chaim Avraham ben Sara e Yossef Fogel
Moshe Haim ben Kaila z’l
David ben Avraham (Curico)
Neche bat Shlomo
Miriam bat Yaakov
Chava bat Libi
Efraim Kopl ben Eliyáhu
Chaim Shemuel ben Aba
Moshê Baruch ben Yaakov Tsvi haLevi
Miriam bat Yaakov Kopl Halevi
Beile (Berta) bat Refael
Aba (Abel) ben (Eliyáhu) Eliash Leibas
Pinchas ben Moshê
Mordechai ben Yaakov Kopl HaLevi
Lea bat Hersh
Efraim Shlomo ben Motl Halevi
Eliyáhu ben Yaakov
Yaakov ben Eliyáhu
Miriam bat David
Chana Liba bat Tuvia
Isaac ben Luzer
Libe bat Tzipora
Avraham Duvid ben Eliezer
Tzipora bat Zalman
Todos os soldados que caíram defendendo nosso povo HY’D
Rabi Moshe Teitelbaum de Ujhely, conhecido como o Yishmach Moshe, foi sustentado por seu sogro durante os primeiros anos do casamento, de modo que pudesse estudar Torá sem preocupações.Quando seu sogro faleceu, ele percebeu que teria de achar alguma maneira de sustentar sua família.
Teve uma ideia de muito lhe agradou: arranjaria dez mil reinish de prata e os confiaria a algum empresário para que fizesse negócios. Disso teria uma fonte de renda bastante segura.
Só havia um problema com essa ideia brilhante: não tinha como obter tal quantia!
Certo dia, enquanto tentava, sem sucesso, concentrar-se em sua Guemará, R. Moshe começou a chorar devido à situação em que se encontrava. E adormeceu sobre o grande livro aberto, e começou a sonhar.
No sonho, entrou num grande salão, onde estava sentado um sábio de aspecto carismático, concentrado em profundo estudo da Torá. O homem lhe fez sinal para que entrasse numa sala lateral. E ele foi.
Outro homem, que lá estava, perguntou a R. Moshe se ele sabia quem era aquele sábio. Quando R. Moshe respondeu que não, o homem exclamou: “É Rabi Yitschak Luria, o sagrado Ari-zal de Tsefat!”
Quando R. Moshe voltou para onde o tsadik estava estudando, o Ari-zal lhe disse: “Jovem, se alguém tiver dez mil reinish de prata não mais dependerá da bondade de D-us? Em todo caso, dependemos – para poder comer, falar, caminhar e viver. E do mesmo modo que o Todo-Poderoso lhe concede esses favores, também lhe dará sustento, mesmo sem os dez mil reinish de prata!”
R. Moshe acordou revigorado e tranquilo.
Source: Adapted by Yerachmiel Tilles from Lma’an Yishme’u #161. (In Sipurei Chasidim by Rabbi S. Y. Zevin, the source of this story is said to be Rabbi Chayim Halberstam, the famed Divrei Chayim of Sanz.)