Certa vez, Rebe Levi Yitschak de Berditchev estava fazendo o Sêder, na primeira noite de Pêssach, e lhe parecia que tinha tido todas kavanot corretas. Mas do Céu lhe foi revelado:
– Não se vanglorie de seu Sêder, aqui na cidade há um judeu chamado Chaim “Treiger” (carregador) e o Sêder dele é melhor que o seu.
Foi quando chegaram à casa do tsadik muitos chassidim, que já tinham concluído o Sêder em suas casas, e tinham ido ouvir e ver o Sêder do tsadik. Disse-lhes Rebe Levi Yitschak de Berditchev:
– Vocês conhecem R. Chaim “Treiger”?
Um dos chassidim disse que o conhecia, mas não sabia onde ele morava.
Disse-lhes Rebe Levi Yitschak de Berditchev:
– Se for possível chama-lo até aqui, ficarei muito contente.
Os chassidim se espalharam pelas ruas de Berditchev a sua procura, até que conseguiram descobrir onde morava. Chegaram na casa dele e bateram na porta. A esposa do carregador saiu e disse:
– Para que precisam de meu marido? Ele está bêbedo, dormindo na cama.
Mas os Chassidim não ligaram para o que ela disse. Acordaram-no e o levaram, quase carregado nos ombros, até a casa do tsadik. Rebe Levi Yitschak de Berditchev falou que lhe dessem uma cadeira para sentar, e começou a lhe fazer perguntas.
– Meu amigo R. Chaim, no Shabat Hagadol você falou “Avadim haínu”?
– Sim, respondeu o carregador.
– Você fez bedikat chamets?
– Sim, respondeu.
– Hoje à noite, fez o Sêder?
R. Chaim respondeu:
– Rebe! Vou contar a verdade ao senhor. Ouvi dizer que durante oito dias seguidos é proibido beber vodca. Então, hoje de manhã bebi para os oito dias. Daí, fiquei cansado e dormi. Quando anoiteceu, minha esposa começou a me acordar. E falei para ela: “O que você quer de mim? Não sabe que sou um ignorante, e que meu pai também era um ignorante, e não sei de nada? Só uma coisa eu sei: que nossos antepassados estavam na galut nas mãos dos ciganos, e temos um D-us que nos tirou de lá para a liberdade. E agora também estamos na galut, e Hashem também agora vai nos tirar da galut.” Depois disso, vi que sobre a mesa havia matsot, vinho e ovos. E comi as matsot com os ovos e bebi o vinho, e como estava muito cansado, precisei voltar a dormir.
Rebe Levi Yitschak de Berditchev ouviu suas palavras e mandou os Chassidim acompanhá-lo de volta a sua casa.
Depois o tsadik falou:
– Suas palavras causaram uma ótima impressão no Céu, pois as disse com a maior sinceridade, e com a mais pura das intenções, pois mais do que isso não sabe.
Do livro: Sipurei Chassidim – Moadim
Do Rabino Shlomo Yossef Zevin
Págs. 295-296
(Hebraico)
Em mérito dos soldados do Exército da Defesa de Israel, que tenham sucesso total e voltem para casa sãos e salvos, para uma vida boa e longa.
Pela proteção de todos os habitantes da Terra Santa, de todo nosso povo e de todas as pessoas boas.
Pela cura dos feridos.
Pela libertação dos reféns, sãos e salvos.
Que as famílias atingidas tenham consolo.
“Hashem oz leamô yiten, Hashem yevarech et amô bashalom.”
Pela vinda do nosso Justo Mashiach.
Leilui Nishmat:
Eliyahu ben Aba
Chaim Avraham ben Sara e Yossef Fogel
Moshe Haim ben Kaila z’l
David ben Avraham (Curico)
Arie Leib ben Yaakov
Miriam bat Yaakov
Chava bat Libi
Efraim Kopl ben Eliyáhu
Chaim Shemuel ben Aba
Moshê Baruch ben Yaakov Tsvi haLevi
Miriam bat Yaakov Kopl Halevi
Beile (Berta) bat Refael
Aba (Abel) ben (Eliyáhu) Eliash Leibas
Pinchas ben Moshê
Mordechai ben Yaakov Kopl HaLevi
Lea bat Hersh
Efraim Shlomo ben Motl Halevi
Eliyáhu ben Yaakov
Yaakov ben Eliyáhu
Miriam bat David
Chana Liba bat Tuvia
Isaac ben Luzer
Libe bat Tzipora
Avraham Duvid ben Eliezer
Tzipora bat Zalman
Todos os soldados que caíram defendendo nosso povo HY’D
Pressburg era uma das cidades mais importantes do Império Austro-Húngaro, e sua yeshivá era uma das maiores e mais respeitadas de toda a Europa. Nos meados do Século XIX, lá viveu um rico mercador, que tinha uma grande loja no centro da cidade. Era respeitado e ativo na comunidade judaica, e era também conhecido por sua generosidade. Tinha um costume notável. Diariamente calculava os rendimentos de seu negócio, via qual tinha sido o lucro e disso separava 10% como dízimo, que entregava diariamente para a yeshivá.
Tragicamente, esse homem excepcional adoeceu de repente, e faleceu relativamente jovem, deixando uma viúva e cinco filhas jovens. Sua esposa era inteligente e ativa. Sempre ajudara o marido no negócio, que conhecia bem. Depois de seu falecimento, assumiu o controle e manteve seu sucesso. Também teve o cuidado de continuar o jeito generoso do marido e, diariamente, entregava o dízimo dos lucros ao Rosh Yeshivá, o ilustre Ktav Sofer.
Logo após o falecimento do marido, como não tinha filhos, pediu ao Rosh Yeshivá para organizar para que estudiosos da Torá dissessem o Kadish, a prece dos enlutados, pela a alma de seu marido, durante todos os onze meses, e também anualmente no yahrzeit. Também pediu que um segundo Kadish fosse dito diariamente, tendo em mente todas as almas que não tinham ninguém dizendo Kadish por elas.
Isso continuou durante cerca de dez anos. Às vezes os 10% chegavam a centenas de kroner por dia. Mas por mais que fossem, ela sempre perguntava se a yeshivá estava cumprindo sua parte do acordo.
Mas a roda virou. Em vez de lucros diários, começaram os prejuízos. Mesmo assim, a viúva seguia seu cronograma de aparecer diariamente na yeshivá, só que informava ao Rosh Yeshivah que hoje, infelizmente, nada tinha para dar. Mesmo assim, continuava perguntando se ainda estavam dizendo os Kadishim, embora ela já não pudesse contribuir financeiramente. Garantiam-lhe que, obviamente estavam, e que ela não se preocupasse.
Dia após dia, a situação foi piorando, até que ela teve de começar a vender algumas de suas joias e outros objetos de valor para poder pôr comida na mesa para suas filhas. Ninguém sabia de sua situação, exceto os estudantes mais velhos e os funcionários da yeshivá, que sabiam que seu negócio estava praticamente falido.
Certo dia, um casamenteiro foi à sua casa e, após algumas gentilezas, disse: “Minha cara senhora, suas filhas cresceram, e são muito bonitas. Talvez, devido a seu grande envolvimento nos negócios, a senhora não tenha percebido que já estão na hora de casar. Estou seguro de que posso encontrar muitos alunos de Yeshivá extraordinários que estariam interessados por elas, e a senhora poderia escolher. Basta me dizer quanto pretende dar de dote para cada uma.”
Sabiamente, ela resolveu não lhe revelar sua verdadeira situação. Em vez disso, falou apenas que pensaria no assunto e voltaria a falar com ele sobre sua oferta. Ele foi embora e ela caiu no choro.
Em seguida, vestiu-se e correu para a yeshivá. Desabafou para o Rosh Yeshivá. Chorando, disse: “Não entendo como minha situação piorou tanto.” Voltou a perguntar se os kadishim ainda estavam sendo ditos, e ele lhe assegurou que estavam.
De repente, a porta se abriu. Um senhor distinto entrou, voltou-se para a viúva, e lhe perguntou por que estava chorando. Disse-lhe que sabia de sua situação e estava disposto a ajudar. E pediu ao RoshYeshivá para que fossem para seu escritório e que dois estudantes da yeshivá se juntassem a eles. O Rosh Yshivá concordou e chamou dois dos seus cinco grandes discípulos daquele ano: seu filho, Rabi Shimon Sofer e Rabi Yossef Chaim Sonnenfeld.
Quando todos estavam reunidos, o visitante misterioso disse: “Sei que você tem cinco filhas em idade de casar. Vamos fazer as contas. Cada uma precisa de mil kroner para dote e mais outros mil kroner para as despesas do casamento e para comprar móveis e montar uma casa. De modo que são dois mil para cada uma, ou dez mil no total. Além disso, para levantar novamente seu negócio, vai precisar de mais outros dez mil kroner. Isso dá um total de vinte mil kroner.
“Tudo bem,” disse, “vou fazer um cheque.” Tirou um talão de cheques e destacou um. Escreveu nele o nome da mulher, fez um cheque de vinte mil kroner e assinou! Mas antes de lhe dar, pediu aos dois jovens estudantes que assinassem no verso, como testemunhas da transação. Também lhes pediu que pegassem seus cadernos pessoais para que ele assinasse em cada um deles, caso a assinatura do cheque fosse questionada. Voltando-se, em seguida, novamente para a mulher, disse-lhe que deveria levar o cheque ao banco do governo, quando abrisse, às nove horas, e que eles descontariam o cheque. Em seguida, foi embora, tão de repente quanto tinha chegado.
Todos os presentes estavam chocados, ainda sem acreditar no que acontecera. Foi como se estivessem num sonho. Foi quando um dos rabinos de repente falou: “Um homem assim poderia, realmente, ajudar a yeshivá. Vamos falar com ele.” Os dois saíram correndo atrás dele, mas não conseguiram encontrá-lo, nem ninguém que o tivesse visto.
Às nove, na manhã seguinte, a viúva estava no banco. O guarda que estava na porta a mandou falar com um dos caixas, a quem ela mostrou o cheque. Ele procurou nos registros e lhe disse que a conta tinha fundos para cobrir o cheque, mas uma quantia tão elevada necessitava da autorização do diretor. Pediu que ela esperasse e foi até a administração. Lá, mostrou o cheque a o diretor do banco que, ao vê-lo, desmaiou!
Foi o maior pandemônio. Foi a maior correria. Chegou a polícia e, após questionar alguns funcionários, prenderam a mulher numa sala de segurança aguardando investigação adicional.
O médico que foi chamado fez com que o diretor do banco recuperasse os sentidos rapidamente. Assim que recuperou a consciência, o diretor pediu para que a portadora do cheque fosse levada até ele. Quando lhe disseram que a segurança a prendera, disse que precisava ir até ela e que prender uma mulher tão justa não passara de engano. Foi logo a seu encontro e, após desculpar-se, a convidou a acompanhá-lo até seu escritório.
“Diga-me, por gentileza, como conseguiu este cheque?”
Ela lhe relatou suas dificuldades e a aparição repentina de seu benfeitor desconhecido. Explicou sobre seu falecido marido e sua prática diária de maasser, e dos kadishim que ela tinha organizado, através da yeshivá, para ele e para as almas que não tinham ninguém para dizer Kadish por elas.
Ele lhe perguntou se ela reconheceria seu benfeitor pessoalmente ou em foto. Ela disse que sim. E acrescentou que dois rabinos da yeshivá tinham sido testemunhas oficiais do acontecimento e que suas assinaturas estavam no verso do cheque, e que o homem também tinha assinado em seus cadernos pessoais. O diretor ficou empolgado ao ouvir isso e, ao ver as assinaturas, entrou em contato com a yeshivá para pedir que o Rabino Sonnenfeld e o Rabino Shimon Sofer fossem até seu escritório.
Quando eles chegaram, confirmaram o que a mulher tinha relatado. O diretor do banco disse-lhes, então que ele próprio descontaria o cheque, pois a conta bancária pertencia a sua família, mas que sua esposa também tinha que endossá-lo. Mandou chamar a esposa, pedindo-lhe que viesse rápido, porque havia pessoas esperando; mas que primeiro deveria juntar todas as fotos da família que tinha em casa, e trazê-las.
Embora o diretor do banco fosse judeu, sua esposa não era. Quando ela chegou, ele pediu que a viúva e os dois rabinos esperassem em outra sala. Contou à esposa o que estava acontecendo e disse que eles deveriam ver se a mulher conseguiria identificar nas fotos, o homem que assinou o cheque. A esposa afirmou que se tudo aquilo fosse verdade, ela se converteria ao judaísmo.
O diretor, então, espalhou todas as fotos sobre sua mesa. Pediu a cada um dos três que entrasse separadamente e visse se o homem que deu o cheque aparecia em alguma das fotos. Cada um dos três identificou a mesma pessoa, sem vacilar.
O diretor do banco pediu que todos entrassem. “Sabem quem é esse homem que deu o cheque?” – Perguntou. “É meu pai, que foi o diretor deste banco antes de mim… Mas ele faleceu há dez anos! Confesso que jamais falei Kadish por ele. Ontem à noite, ele me apareceu em sonho. Disse que tinha sido salvo do Guehinom (purgatório) pelos Kadishim que ela arranjou para que os estudantes da yeshivá dissessem pelas almas por quem não estavam falando Kadish, e agora, que ela estava em apuros, tínhamos que ajudá-la. Disse que lhe daria um cheque de vinte mil kroner, e se eu não o descontasse, ele me estrangularia enquanto eu dormisse. Acordei assustado. De manhã, contei o sonho a minha esposa, e ela também ficou perturbada. Quando vi o cheque, desmaiei. Soube, então, que o sonho era verdadeiro. Pagarei os vinte mil que meu pai prometeu, pois é muito merecido. Mas além disso, acrescentarei outros vinte mil por minha conta, porque você cumpriu uma obrigação que era minha e ajudou a alma de meu pai com os Kadishim que organizou.”
Voltou-se, novamente para os três. “Muito me arrependo de meu afastamento do judaísmo. Vejo agora que nosso D-us é o único, verdadeiro D-us, e Ele dá a todos sua justa recompensa. De agora em diante, vou seguir Seus mandamentos, conforme revelados em nossa Torá. Minha esposa também confirmou sua promessa de se converter e viver de acordo com a Lei Judaica. Por favor, nos orientem, para que possamos entender o que precisamos fazer.”
Falou para o caixa dar à mulher quarenta mil Kroner. A primeira coisa que ela fez foi dar dez por cento para a yeshivá. Logo depois, seu negócio recomeçou a prosperar, e suas cinco filhas casaram muito bem, com jovens eruditos da Torá, tementes a D-us.
[Traduzido e adaptado do Hebraico para o inglês por Yrachmiel Tilles, de Otsar Hamaasiyot, Vol. I, Págs. 42-47, em nome do Rabino Y. Shapira de Jerusalém, que a escutou do próprio Rabino Sonnenfeld.]
“Porque se calares agora, de outra parte se levantarão para os judeus socorro e auxílio, mas tu e a casa de teu pai perecerão…”
(Meguilat Ester 4:14)
Em uma das viagens do Rebe Rayats, seu pai, o Rebe Rashab, mandou que ele se esforçasse para fazer um favor para um dos chassidim empresários. Quando o Rebe Rayats regressou, falou para seu pai:
“Fiz tudo o que o senhor mandou, e caprichei no favor que fiz a fulano.
O Rebe Rashab respondeu:
“Você está enganado. O favor, você fez para você mesmo, e não para fulano. Foi Hashem quem fez o favor para fulano, fazendo com que houvesse mensageiros por meio de quem a intenção Divina fosse realizada.
E o Rebe Rashab contou um fato que havia acontecido:
No ano 5640 houve muito anti-semitismo em nosso país, e em muitos lugares os anti-semitas instigaram a população local a fazer pogroms contra os judeus. Meu pai – o Rebe Maharash – viajou a Petersburgo, para fazer o que pudesse para ajudar os judeus. Meu pai tinha conhecimentos e contatos com altos ministros, e logo nos primeiros dias já tinha encontrado meios de controlar os desordeiros. Porém, para tornar público o assunto, os altos ministros sugeriram que uma delegação importante fosse visitar o Ministro do Interior e o Presidente do Senado, e que nessa delegação participassem também pessoas abastadas e maskilim (pertencentes ao movimento Iluminista) famosos. Meu pai convocou para uma reunião em seu hotel alguns milionários e “iluminados”. E propôs que eles escolhessem uma comissão dentre suas fileiras para participar dessa delegação. E como, em geral, meu pai não os levava em consideração nos assuntos comunitários, eles não gostaram muito da ideia. Quando ouviram a proposta de meu pai, um dos líderes dos convidados disse:
“Não somos fantoches, para que joguem conosco como se fôssemos peças de xadrez. Se somos pessoas importantes, é preciso nos levar sempre em consideração. Caso contrário, podem se virar sozinhos, agora.
Meu pai lhes respondeu:
“Na Meguilá está escrito: ‘se calares agora, de outra parte se levantarão para os judeus socorro e auxílio, mas tu e a casa de teu pai perecerão’. Está claro para mim que ‘socorro e auxílio se levantarão para os judeus’ e se vocês não quiserem participar, será ‘de outra parte’, mas aí: ‘tu e a casa de teu pai perecerão’ ou seja, vocês perderão a oportunidade.”
Quando o Rebe Rashab acabou a história acrescentou:
“É preciso lembrar sempre que com toda boa ação fazemos o bem para nós mesmos. É preciso lembrar com fé simples e confiança total que ‘socorro e auxílio se levantarão para os judeus’, e se não através de nós, ‘de outra parte’. Mas nesse caso, ‘tu e a casa de teu pai perecerão’. Pela Cabalá ‘tu’ é a luz da neshamá (alma) no corpo, e ‘a casa de seu pai’ é a raiz e origem da neshamá. A verdadeira elevação de ambas – a luz da alma e a essência da alma – depende do trabalho prático justamente aqui embaixo, e é necessário cuidar para que nenhum dos dois, ‘você e a casa de seu pai’, não perca o grande mérito de ser o mensageiro de D-us para fazer uma bondade para um judeu.
Adaptado de:
“Sipurei Chassidim”, Moadim, págs. 255-256.
R. Shlomo Yossef Zevin
(Hebraico)
Em mérito dos soldados do Exército da Defesa de Israel, que tenham sucesso total e voltem para casa sãos e salvos, para uma vida boa e longa.
Pela proteção de todos os habitantes da Terra Santa, de todo nosso povo e de todas as pessoas boas.
Pela cura dos feridos.
Pela libertação dos reféns, sãos e salvos.
Que as famílias atingidas tenham consolo.
“Hashem oz leamô yiten, Hashem yevarech et amô bashalom.”
Pela vinda do nosso Justo Mashiach.
Leilui Nishmat:
Eliyahu ben Aba
Chaim Avraham ben Sara e Yossef Fogel
Moshe Haim ben Kaila z’l
David ben Avraham (Curico)
Arie Leib ben Yaakov
Miriam bat Yaakov
Chava bat Libi
Efraim Kopl ben Eliyáhu
Chaim Shemuel ben Aba
Moshê Baruch ben Yaakov Tsvi haLevi
Miriam bat Yaakov Kopl Halevi
Beile (Berta) bat Refael
Aba (Abel) ben (Eliyáhu) Eliash Leibas
Pinchas ben Moshê
Mordechai ben Yaakov Kopl HaLevi
Lea bat Hersh
Efraim Shlomo ben Motl Halevi
Eliyáhu ben Yaakov
Yaakov ben Eliyáhu
Miriam bat David
Chana Liba bat Tuvia
Isaac ben Luzer
Libe bat Tzipora
Avraham Duvid ben Eliezer
Tzipora bat Zalman
Todos os soldados que caíram defendendo nosso povo HY’D
Na época do Maguid de Mezeritch, vivia em Mezeritch um pai de família que era rico e erudito. Durante toda a vida dedicara-se ao estudo da Torá e às preces. Sua esposa era quem cuidava da loja que eles possuíam. Ele só ia à loja durante duas horas por dia. O resto dia ficava na casa de estudos. Era um mitnagued,e jamais se dera ao trabalho de ir ver o Maguid.
Certa sexta-feira foi, bem cedinho de manhã, ao Beit Hamidrash, e lá encontrou alguns jovens pais de família que não eram moradores da cidade. Eles estavam lá sentados, estudando. O homem lhes perguntou: “De onde são vocês e o que vieram fazer aqui?” Responderam-lhe que tinham vindo para ver o Rebe. O homem mudou de ideia: “Ora, pessoas vêm de longe para ver o Maguid, e eu, que moro aqui, ainda não o vi nenhuma vez! É óbvio que não vou desperdiçar meu tempo de estudo de Torá, mas vou deixar de ir à loja uma vez e irei vê-lo.”
Quando chegou ao Maguid ficou tão impressionado com o brilho da Shechiná e o esplendor sagrado que pairava sobre sua face, que passou também a abrir mão de suas aulas de Torá a fim de abrigar-se à sombra do Maguid, e a ele ligou-se como um dos chassidim.
Mas a roda do sucesso virou para ele, desde então, e seus negócios começaram a descer e descer até que chegaram lá embaixo. O homem não conseguiu se conter e perguntou a seu mestre, o Maguid: “Por que depois que me aproximei do sagrado minha situação desmoronou?”
Respondeu-lhe o Maguid:
– Ora, você é estudioso e, obviamente, conhece o dito de nossos Sábios, de abençoada memória (Baba Batra 25, 2): “Quem quer ficar sábio, volta-se para o sul, e quem quer enriquecer, para o norte, pois a Mesa fica localizada no norte, e a Menorá, no sul”. O que deve fazer quem deseja ser tanto sábio quanto rico, uma vez que a distância entre o norte e o sul é imensa?
O homem não respondeu.
Disse-lhe o Maguid:
– Se a pessoa se considera insignificante, torna-se espiritual, e o espiritual não ocupa espaço, podendo, portanto, estar tanto lá como cá.
Essas palavras penetraram nas profundezas do coração do homem, e desde então, tornou-se humilde, e seu sucesso voltou.
Do livro: Sipurei Chassidim – Torá
Do Rabino Shlomo Yossef Zevin
(Hebraico)
Págs. 232-233
Em mérito dos soldados do Exército da Defesa de Israel, que tenham sucesso total e voltem para casa sãos e salvos, para uma vida boa e longa.
Pela proteção de todos os habitantes da Terra Santa, de todo nosso povo e de todas as pessoas boas.
Pela cura dos feridos.
Pela libertação dos reféns, sãos e salvos.
Que as famílias atingidas tenham consolo.
“Hashem oz leamô yiten, Hashem yevarech et amô bashalom.”
Pela vinda do nosso Justo Mashiach.
Leilui Nishmat:
Eliyahu ben Aba
Chaim Avraham ben Sara e Yossef Fogel
Moshe Haim ben Kaila z’l
David ben Avraham (Curico)
Arie Leib ben Yaakov
Miriam bat Yaakov
Chava bat Libi
Efraim Kopl ben Eliyáhu
Chaim Shemuel ben Aba
Moshê Baruch ben Yaakov Tsvi haLevi
Miriam bat Yaakov Kopl Halevi
Beile (Berta) bat Refael
Aba (Abel) ben (Eliyáhu) Eliash Leibas
Pinchas ben Moshê
Mordechai ben Yaakov Kopl HaLevi
Lea bat Hersh
Efraim Shlomo ben Motl Halevi
Eliyáhu ben Yaakov
Yaakov ben Eliyáhu
Miriam bat David
Chana Liba bat Tuvia
Isaac ben Luzer
Libe bat Tzipora
Avraham Duvid ben Eliezer
Tzipora bat Zalman
Todos os soldados que caíram defendendo nosso povo HY’D
E suas esposas serão viúvas – atadas como viúvas de marido vivo, de cuja morte não houve testemunhas, e estarão proibidas de se casar novamente, ou seja, agunot.
(Rashi)
Um chassid, que era shochet em Odessa, viajou, certa vez, com sua esposa a um local onde havia fontes de águas medicinais. No caminho, pararam num hotel numa aldeia, e viram que a dona do hotel era muito idosa, e no hotel também moravam seus filhos e netos, que também eram bem idosos. E espantaram-se.
A velhinha, percebendo que o hóspede era um chassid, contou-lhe sua história, dizendo:
“Quando eu tinha 25 anos, fiquei aguná. O Báal Shem Tov ainda era vivo, na época. Eu queria muito viajar até ele, para que me ajudasse em minha aflição. E com muito esforço consegui chegar até ele. Contei-lhe que tinha ficado aguná. Meu marido tinha desaparecido e eu não sabia onde ele estava, e eu tinha dele um filho pequeno.
“O Báal Shem Tovo apoiou a cabeça em suas mãos. Em seguida, levantou a cabeça e me disse, muito triste:
“ ‘Minha filha, não posso ajuda-la: seu marido morreu, e não há nenhuma testemunha do fato. Terá, portanto, de ficar aguná pro resto da vida.’
“Em seguida acrescentou:
“ ‘Minha filha, se me garantir que será uma mulher direita (ksherá) a vida inteira, vou abençoá-la para que veja muitas gerações deste filho, e você também será rica.’
“Garanti para ele e, veja, agora tenho 105 anos de idade, e 5 gerações de descendentes estão aqui comigo.”
Do livro: “SipureiChassidim – Torá”
Rabino Shlomo Yossef Zevin
Págs. 221-222
(Hebraico)
Em mérito dos soldados do Exército da Defesa de Israel, que tenham sucesso total e voltem para casa sãos e salvos, para uma vida boa e longa.
Pela proteção de todos os habitantes da Terra Santa, de todo nosso povo e de todas as pessoas boas.
Pela cura dos feridos.
Pela libertação dos reféns, sãos e salvos.
Que as famílias atingidas tenham consolo.
“Hashem oz leamô yiten, Hashem yevarech et amô bashalom.”
Pela vinda do nosso Justo Mashiach.
Leilui Nishmat:
Eliyahu ben Aba
Chaim Avraham ben Sara e Yossef Fogel
Moshe Haim ben Kaila z’l
David ben Avraham (Curico)
Arie Leib ben Yaakov
Miriam bat Yaakov
Chava bat Libi
Efraim Kopl ben Eliyáhu
Chaim Shemuel ben Aba
Moshê Baruch ben Yaakov Tsvi haLevi
Miriam bat Yaakov Kopl Halevi
Beile (Berta) bat Refael
Aba (Abel) ben (Eliyáhu) Eliash Leibas
Pinchas ben Moshê
Mordechai ben Yaakov Kopl HaLevi
Lea bat Hersh
Efraim Shlomo ben Motl Halevi
Eliyáhu ben Yaakov
Yaakov ben Eliyáhu
Miriam bat David
Chana Liba bat Tuvia
Isaac ben Luzer
Libe bat Tzipora
Avraham Duvid ben Eliezer
Tzipora bat Zalman
Todos os soldados que caíram defendendo nosso povo HY’D
Certo dia, o Báal Shem Tov chamou um dos seus chassidim e lhe perguntou:
– “Quer aprender a ser temente a D-us?”
– “Sim, Rebe,” – disse o Chassid.
– “Na cidade de Odessa, numa ruazinha estreita no distrito portuário, mora um determinado estivador. Hospede-se em sua casa. Dele você vai aprender o que significa devoção sincera.”
O Chassid viajou até Odessa e conseguiu encontrar o homem que o Báal Shem Tov descrevera. O homem aceitou a oferta da modesta quantia que o Chassid ofereceu em troca de uma semana de hospedagem. E o Chassid se acomodou lá, para observar o comportamento de seu anfitrião.
Mas se o visitante esperara longas horas de preces toda manhã, seguidas de estudo à luz de vela pela noite adentro, ficou decepcionado. Percebeu que o dono da casa era um judeu simples, iletrado, que acordava cedo toda manhã, rezava de modo simples e rápido, e saia para trabalhar no porto. De noite voltava, rezava as orações da noite, comia uma refeição simples e ia dormir. Deste modo, o Chassid passou a maior parte da semana sem aprender nada e cada dia ficava mais entediado.
O estivador morava num sótão de um quarto só, escassamente mobiliado. Tinha uma única janelinha de vidro, bem lá no alto da parede. Um dia, enquanto o dono da casa estava no trabalho, o Chassid, inquieto e curioso, subiu numa mesa para olhar pela janela. Para seu horror, viu um quintal onde aconteciam atividades criminosas em todas as horas do dia e da noite.
Quando seu anfitrião voltou naquela noite, o Chassid lhe perguntou:
– “Me diga uma coisa: como pode um judeu morar perto de tais vizinhos? Você não poderia encontrar um lugar melhor para morar que não dê pro quintal de tal estabelecimento?”
Aí foi o estivador quem ficou horrorizado.
– “Moro aqui há vinte anos”, – disse – “e jamais me passou pela cabeça olhar para o quintal de estranhos para ver o que estavam fazendo. Você, porém, mal chegou há poucos dias e já está subindo nas mesas e espionando todos os pecadores da vizinhança.”
No “grande casamento”, dos netos do Rebe Levi Yitschak de Berditchev e do Alter Rebe, autor do Tanya, os dois avós tsadikim estavam presentes.
Na hora da refeição do casamento, o Alter Rebe bebeu lechaim para seu mechutan (consogro), o tsadik de Berditchev:
– Lechaim, mechutan! Que Hashem nos ajude material e espiritualmente.
Ao que Rebe Levi Yitschak de Berditchev perguntou:
– Como pode ser, mechutan?A materialidade antecede a espiritualidade?!
Ao que respondeu o Alter Rebe:
– É o que consta com Yaakov, nosso patriarca, em Parashat Vayetsê: “Se me der pão para comer e roupas para vestir…então será o Eterno para mim por D-us.” Ele pôs o material antes do espiritual.
Rebe Levi Yitschak de Berditchev voltou a perguntar:
– Mas podemos comparar a materialidade de Yaakov, nosso Patriarca à nossa?!
O Alter Rebe respondeu:
– E podemos comparar nossa espiritualidade à de Yaakov, nosso Patriarca?!
Do livro: Sipurei Chassidim, Torá
Rav Shlomo Yossef Zevin
Pág. 95
(Hebraico)
Em mérito dos soldados do Exército da Defesa de Israel, que tenham sucesso total e voltem para casa sãos e salvos, para uma vida boa e longa.
Pela proteção dos habitantes da Terra Santa, de todo nosso povo e de todas as pessoas boas.
Pela cura dos feridos.
Pela libertação dos reféns, sãos e salvos.
Que as famílias atingidas tenham consolo.
“Hashem oz leamô yiten, Hashem yevarech et amô bashalom.”
Pela vinda do nosso Justo Mashiach.
Leilui Nishmat:
Eliyahu ben Aba
Chaim Avraham ben Sara e Yossef Fogel
Moshe Haim ben Kaila z’l
David ben Avraham (Curico)
Arie Leib ben Yaakov
Miriam bat Yaakov
Chava bat Libi
Efraim Kopl ben Eliyáhu
Chaim Shemuel ben Aba
Moshê Baruch ben Yaakov Tsvi haLevi
Miriam bat Yaakov Kopl Halevi
Beile (Berta) bat Refael
Aba (Abel) ben (Eliyáhu) Eliash Leibas
Pinchas ben Moshê
Mordechai ben Yaakov Kopl HaLevi
Lea bat Hersh
Efraim Shlomo ben Motl Halevi
Eliyáhu ben Yaakov
Yaakov ben Eliyáhu
Miriam bat David
Chana Liba bat Tuvia
Isaac ben Luzer
Libe bat Tzipora
Avraham Duvid ben Eliezer
Tzipora bat Zalman
Todos os soldados que caíram defendendo nosso povo HY’D
Tuvia Bolton escreveu a seguinte história, que ele ouviu do Rabino Leibel Groner, secretário do Rebe:
Uma mulher da comunidade Chabad-Lubavitch do Brooklyn foi parada por um guarda de trânsito de Nova York por alguma infração. O guarda, parado ao lado da janela aberta do carro, percebeu uma foto do Rebe de Lubavitch na bolsa da mulher.
“Desculpe, a senhora é seguidora deste rabino?” Perguntou.
“Sou.” Respondeu ela.
“Bom, neste caso, não vou lhe dar multa.” Fechou o bloquinho de multas e continuou. “Sabe por quê? Porque este rabino”, apontou para a foto que ela estava, segurando, “fez um grande milagre para mim.”
“Bom, já que você não está me multando, tenho tempo de escutar sua história.” Disse a mulher, grata.
O policial sorriu e falou: “Esta é minha história predileta, mas não a contei a muitos judeus, na verdade, acho que a senhora é a primeira.” Os carros estavam passando rapidamente por trás dele, fazendo com que tivesse que levantar a voz. “A história é a seguinte:
“Fiz parte da escolta policial que, uma vez por semana, acompanhava o rabino ao Cemitério Montefiore (onde o sogro e antecessor do Rebe está enterrado). Fiquei conhecendo alguns dos jovens que acompanhavam o Rebe, a aprendi muitas coisas. São muito simpáticos, o que a senhora já deve saber, e conversávamos bastante, enquanto o rabino estava rezando lá dentro.
“Bem, certo dia, vi que todos eles estavam conversando muito empolgados, e perguntei o que tinha havido. Disseram que o rabino faz muitos milagres para as pessoas, mas naquele dia, tinha feito um milagre realmente extraordinário. Eu nem cheguei a perguntar qual foi o milagre, só perguntei se o rabino ajuda também não-judeus.
“‘Claro,’ disseram, ‘o Rebe ajuda qualquer pessoa que pede. Por quê? Você está precisando de alguma coisa?’ Aí contei que eu e minha esposa estávamos casados há nove anos e não tínhamos filhos, e na semana anterior os médicos nos disseram que não tínhamos a menor chance. Tínhamos gastado muito dinheiro com tratamentos e todo tipo de grandes especialistas, fazia seis ou sete anos que rodávamos como baratas tontas, e eles tinham acabado de nos dizer que já tinham tentado de tudo e que não havia chance. Vocês não podem imaginar como ficamos arrasados. Minha esposa não parava de chorar e eu comecei a chorar também.
“Aí um dos jovens me disse: ‘Escute, da próxima vez que você acompanhar o Rebe ao cemitério, fique perto da porta do carro dele, e quando ele sair, peça a ele uma bênção.’ E foi o que fiz. Na vez seguinte em que fiz parte da escolta, fiquei perto da porta e quando ele saiu perguntei: ‘Com licença, Rabino, o senhor só abençoa judeus ou não-judeus também?’
“E o Rabino olhou para mim como um bom amigo, impressionante, e disse que tenta ajudar todos que pode. Aí, eu lhe disse o que os médicos tinham falado, e ele disse que eu escrevesse num pedaço de papel meu nome e o nome de meu pai, bem como o nome de minha esposa e o do pai dela, que ele rezaria por nós. Foi o que eu fiz. Minhas mãos estavam tremendo tanto, que quase que eu não conseguia escrever, mas consegui, e sabe o que aconteceu? Minha esposa engravidou e nove meses depois teve um menino! Os médicos ficaram malucos, não conseguiam entender, só coçavam a cabeça e – Uau! Eu me senti como o campeão do mundo!
“Mas agora vem a melhor parte. Sabe que nome demos para nosso filhinho? Adivinhe! Mendel! Em homenagem ao Rabino. Inicialmente minha esposa não gostou do nome, porque não é um nome americano, mas eu disse: Não! Vamos chamá-lo de Mendel! Assim, cada vez que dissermos seu nome vamos nos lembrar que se não fosse pelo Rabino, este menino não estaria aqui.
“Mas quando nossos pais ouviram o nome, foram realmente contra. Disseram: ‘Com um nome assim todas as crianças vão pensar que ele é judeu e vão lhe chamar nomes e maltratá-lo. Por que fazê-lo sofrer sem motivo?’ É justamente o que eu quero’ eu lhes disse. ‘Quando ele chegar em casa dizendo que os outros meninos lhe chamaram nomes e lhe bateram porque ele tem um nome judaico, vou lhe dizer que quero que aprenda com esses meninos como não se comportar. Eles odeiam os judeus sem o menor motivo, mas você deve amar os judeus e ajudá-los. Diga-lhes que sem aquele rabino judeu chamado Mendel você nem estaria aqui, e talvez eles comecem a pesar diferente também!’”
Betsalel Schiff nasceu na antiga União Soviética. Atualmente mora em Israel e faz muito pelo povo judeu. Ele conta o seguinte:
Quando eu era criança, na segunda série primária, meu pai faleceu. Minha mãe também morreu cedo, devido a um incidente trágico. A história que vou contar aconteceu uma semana antes de meu casamento.
Era uma época cheia de perseguição e muito sofrimento. O pavor de cumprir mitsvot era enorme. Qualquer ação praticada em nome da Torá e do judaísmo era perigosíssima. Como eu já não tinha pais e morava sozinho, assumi várias missões por meus companheiros judeus, muitas delas perigosas.
Uma das minhas tarefas era conseguir arba minim (lulav, etrog, etc.) para os judeus de Samarkand. Viajava para a Geórgia para colhê-los para a festa de Sucot. Partia logo após Rosh Hashaná, de modo que eu pudesse estar de volta para Yom Kipur.
Certo ano, cheguei em Tbilisi, na Goeórgia, onde o policial de sempre me esperava. Ele me conhecia, e me levou ao local onde as palmeiras cresciam numa área à beira-mar. Como eu lhe pagava muito bem, o policial me esperou respeitosamente e até me conseguiu uma escada e um serrote. Cortei dez lulavim (ramos de palmeira), o que era suficiente para todos os membros de nossa comunidade. Em seguida, prossegui para Kutaisi, onde colhi hadassim (murta), que cresciam em abundância no pátio da sinagoga. Era isso o que eu fazia todos os anos.
Naquele ano, quando concluí minha tarefa e queria voltar para casa, em Samarkand, antes de Yom Kipur, soube que não havia passagens disponíveis. Ofereci muito dinheiro, o triplo do preço, mas não havia nenhuma passagem.
Eu conhecia um judeu que tinha uma farmácia. Achei que ele poderia me ajudar. “Se não houver passagem para Samarkand, pelo menos me ajude a chegar em Moscou, onde mora meu irmão”, implorei. Eu tinha esperanças de poder passar Yom Kipur lá, com ele.
O homem fez o que pode, mas nada conseguiu. Acabou conseguindo acomodações para mim num hotel especial, perto do aeroporto, na esperança de que na manhã seguinte, véspera de Yom Kipur, eu conseguisse lugar num avião que fosse para Samarkand, ou pelo menos para Moscou.
Quando entrei no quarto, vi um jovem dormindo em uma das camas. Deitei-me na outra cama e adormeci. Na manhã seguinte, acordei cedo e corri para o aeroporto, para ver se havia algum vôo. Vi que eu tinha tempo até que os aviões começassem a partir, e voltei para meu quarto. O outro homem tinha acordado e estava sentado na cama. Eu queria pegar meus tefilin e rezar, mas sua presença me incomodava. Perguntei se ele ia logo embora ou se ia ficar no quarto.
“Não estou com pressa e vou ficar aqui”, disse, dando de ombros. “Por que, precisa de alguma coisa?” – Perguntou.
– “Sim, você está me atrapalhando” – eu disse honesta e corajosamente. “Hoje à noite temos um grande feriado e agora quero rezar.”
“Então reze”, disse ele, “não estou atrapalhando.”
Por falta de opção, voltei-me para a parede, coloquei meus tefilin e comecei a rezar. Quando acabei, virei-me e vi que o jovem já tinha se vestido. Trajava uniforme de oficial do Exército Vermelho. Quando vi sua patente e suas medalhas, vi que tinha entrado pelo cano. Pensei: “Pronto. Estou frito. Eu não sabia o que fazer, pois tinha sido pego no flagra pondo tefilin. Eu ainda estava em estado de choque, e pensando no que diria quando ele me perguntou calmamente: “Que feriado temos hoje?”
Por um instante não captei o que ele queria dizer, e eu disse: “Hoje à noite é Yom Kipur.” Olhei para ele e vi que ele estava sentado na cama, de cabeça baixa, perdido em pensamentos. Em seguida, ouvi que ele suspirou e disse para si mesmo: “Oy, Moishe, o que está havendo com você? Nem isso você lembra?” E caiu no choro.
Depois que se acalmou me perguntou: “O que você quer agora?”
– “Quero voltar para casa antes do feriado”, eu disse.
– “Para onde quer ir?”
– “Para Tashkent.”
– “Então venha comigo.” E se levantou e saiu do quarto.
Lá fora, vi um veículo militar e um motorista. Ele disse ao motorista para nos levar para o aeroporto. Quando chegamos lá, ele perguntou onde ficavam os aviões para Tashkent (que é perto de Samarkand). Saímos para a pista e ninguém ousou detê-lo, tampouco falar alguma coisa. Sua alta patente impunha respeito. Quando achou o avião para Tashkent disse ao piloto: “Para onde está indo?”
“Tashkent.”
“Leve-o”, ordenou.
O piloto não ousou desobedecê-lo e eu consegui chegar em casa antes de Yom Kipur.
Antes de se despedir de mim, o oficial me perguntou: “Se eu quiser encontrar você em Tashkent, como faço?” Eu lhe disse que fosse à sinagoga e perguntasse por Betsalel. Alguns meses depois ele realmente foi a Tashkent e me procurou.
Certo ano, quando o Tsêmach Tsêdek (Rabi Menachem Mendel de Lubavitch) concluiu seu discurso na véspera de Rosh Hashaná, disse para seus chassidim:
“Hoje precisamos nos preparar para nos dirigir a D-us, a Quem dirigimos nossas preces como ‘nosso Pai, nosso Rei’. Um pai gosta de ver um coração puro; um rei gosta de uma roupa limpa.”
O Rebe em seguida explicou que a missão Divina adequada para a ocasião do Ano Novo era para que cada um purificasse seu coração e limpasse suas “roupas” – os três meios de expressão – pensamento, fala e ação. E continuou:
“Cada pessoa é acompanhada por dois anjos. Quando, após as preces da noite de Rosh Hashaná, os anjos escutam cada pessoa desejar sinceramente a seu próximo: ‘Que você seja inscrito e selado para um ano bom’, eles sobem e aparecem como advogados de defesa na Corte Celestial. Lá, pedem para que os que desejaram bons votos tenham um ano bom e doce.”
E o Rebe concluiu suas palavras com a bênção:
“Que todos vocês sejam inscritos e selados para um bom ano.”