Vou contar a vocês um segredinho: sobre a melhor festa de Shemini Atséret e Simchat Torá que já tive.
Vocês bem sabem que, com essa pandemia de corona, mal saímos de casa. Pois bem. Recebemos do Rabino Yossi Alpern, do Beit Chabad Central, as instruções detalhadas para comemorar em casa esses dias de alegria. Todas as rezas, com os devidos números das páginas no nosso querido Sidur Tehilat Hashem. (Muito útil!!!!). Também nos forneceu instruções detalhadas para as Hakafot (as voltas que se dá com a Torá), inclusive nos sugeria que fizéssemos as Hakafot segurando um Chumash (Os Cinco Livros de Moshé). E foi o que fizemos. E como meus netos tinham ganhado do Beit Chabad Torazinhas infláveis, elas entraram na dança também. Confesso que foi a mechaye (uma maravilha)!
Pois bem: fizemos todas as Hakafot dançando e cantando em volta da mesa da sala, na maior animação e alegria!
O Rebe fala numa carta que, desde o pecado da “árvore do conhecimento bom e mau” tudo neste mundo é uma combinação de bom e mau. Em tudo há vantagens e desvantagens.
Pois bem, embora a corona tenha causado muito estrago e muito sofrimento, dá para ver nela aspectos positivos.
Um deles foi nossa festa de SheminiAtséret e SimchatTorá.
Acho que foi a melhor que tive até agora. Será, porém superada na grande festa que teremos muito em breve com a chegada de Mashiach.
A Sucá envolve totalmente o indivíduo e nela devemos realizar todos os nossos assuntos mundanos durante sete dias.
O fato de a pessoa inteira ser envolvida pela Sucá, até mesmo seus sapatos, nos ensina que não é só através da prece e do estudo que veneramos D-us.
A Sucá nos ensina que nos aproximamos de D-us, e atraímos santidade, também por meio do mundo material, como consta: “Em todos os teus caminhos deves conhecê-Lo.”
A mitsvá da Sucá fortalece nossa percepção disso e nos dá a força para cumprir nossa missão Divina o ano inteiro.
Um dos milagres que ocorriam quando os judeus faziam a peregrinação obrigatória para o Beit Hamikdash nas três festas principais – Sucot, Pêssach e Shavuot – era que embora ao ficarem de pé lado a lado no Templo, fosse tão apertado que mal dava para se mexer, quando se prostravam diante de D-us havia bastante espaço.
A revelação de Divindade, porém não era óbvia apenas quando se prostravam.
A união e harmonia dos judeus reunidos no Templo Sagrado era inigualável. Além disso, quando chegava a hora de cada indivíduo se prostrar e servir a D-us de seu modo singular, havia bastante espaço para a individualidade de cada um.
A dinâmica do perdão, entre seres humanos é diferente do perdão entre o Homem e D-us. Quando um ser humano faz algo errado contra outro e pede desculpas, a parte ofendida achará difícil perdoar se o indivíduo lhe fizer a mesma coisa duas, três ou quatro vezes.
Mas com D-us não é assim. Como seu perdão origina-se no atributo Divino da misericórdia, que é infinita, não há diferença entre a primeira e a milésima ofensa, desde que nosso arrependimento seja sincero.
Há 29 anos o Rebe já nos revelou qual seria o acróstico do ano 5781.
Está no Sêfer Hasichot do ano 5751, na página 214, hagahá 94.
Tehê Shnat Plaot Arênu
SERÁ UM ANO DE MARAVILHAS REVELADAS.
Como?
Sabe-se que as letras do alfabeto hebraico possuem valor numérico. O Rebe explica que pê alef (81) é o contrário de alef pê (af = ira).
A ira (galut – algo negativo) será transformada em algo positivo: maravilhas que poderão ser perceptíveis com nossos olhos carnais (arênu). Tal qual no Êxodo.
“Esconder”, em geral quer dizer que não sabemos onde a outra pessoa está. Porém, se soubermos que a outra pessoa está do outro lado do obstáculo e, simplesmente, não a vemos, ela não está realmente escondida. D-us está nos encorajando: Embora Eu não esteja visível, estou perto de você.
“Por não teres servido a Hashem teu D-us com júbilo e alegria de coração… servirás a teus inimigos…”
(Devarim 28:47-48)
Daí concluímos que a alegria é parte tão importante do Serviço Divino de um judeu que o duro castigo de “servirás a teus inimigos” não é dado por uma deficiência no Serviço em si, mas por venerar D-us sem alegria e vitalidade.
Quando um judeu está feliz, D-us está feliz, por assim dizer, e até mesmo os mais duros decretos são anulados – tal qual um rei terrestre dando anistia a seus prisioneiros quando está de bom humor.
“Se Tu, D-us, preservasses as iniquidades, Hashem, quem poderia sobreviver? Pois Contigo está o perdão para que Tu possas ser temido.”
Tehilim 130: 3 e 4
Nos Dez Dias de Teshuvá falamos diariamente o Salmo 130 como parte da reza. Neste Salmo há algo que parece incompreensível:
“Pois Contigo está o perdão para que Tu possas ser temido.”
Tehilim 130: 4
Como é que o fato de ser perdoado nos leva a temer a D-us? Será que a perpétua bondade de D-us não teria o efeito contrário, uma vez que a pessoa sabe que sempre será perdoada?
Isso pode ser explicado da seguinte maneira:
Um pobre pegou emprestada uma grande quantia e só pode devolver metade do empréstimo, e mesmo assim, em muitas suaves prestações, em vários anos.
Se o credor aceitar esses termos, for gentil e compreensível, é mais provável que o devedor se esforce e tente devolver toda a quantia.
Mas se o credor for intransigente e insistir para que toda a dívida seja devolvida imediatamente à vista, o devedor vai desistir e vai achar que jamais conseguirá devolver o dinheiro. A bondade do credor, portanto, leva o devedor a temê-lo mais ainda.
O Rebe contou que havia uma família que morava em Israel que tinha uma filhinha de seis anos. A família não cumpria Torá e mitsvot e a menina estudava em uma escola que não era religiosa. Certo dia, duas mocinhas foram visitar a escola e contaram às alunas pequenas que existe uma mitsvá importante que só mulheres e meninas podem cumprir – a mitsvá de acender velas de Shabat. As moças falaram para as meninas que elas também podiam cumprir essa mitsvá importante, e receber o Shabat.
“Queremos muito acender velas em honra do Shabat” – empolgaram-se as meninas. – Como podemos fazer isso?” – Perguntaram emocionadas.
“Muito simples”, as moças as orientaram. “Primeiro coloca-se uma moeda numa caixinha de tsedaká. Depois devem acender a vela e fazer a berachá, assim receberão o sagrado Shabat.” E deram a cada menina uma vela e um castiçal pequeno com uma folha bonita contendo a berachá.
Quando acabou a aula e a menina foi prá casa, correu para sua mãe para lhe mostrar a vela. “Ima, veja o que recebi”, contou com a empolgação característica da infância, e avisou a sua mãe que na próxima sexta-feira de tardezinha, ela pretendia acender a vela, em honra do Shabat.
A mãe não entendeu nada. Não tinha o mérito de cumprir mitsvot, e nunca tinha ouvido falar em velas de shabat. “Não!” – “Não vai acender esta vela.” E pensou: “Onde já se viu uma coisa dessas?! Uma menina pequena resolve fazer algo que seus pais jamais fizeram?! Não é possível que a menina comece a mudar as regras da casa!”
A menina, que o dia todo tinha planejado como acenderia a vela, caiu no choro. “Qual é o problema que eu acenda a vela?! Já tenho a vela e já sei a berachá. Está tudo escrito no papel que me deram na escola. Não estou lhe pedindo que me dê nada. Só estou pedindo que me deixe acender as vilas”, chorou a menina e bateu os pés em teimosia.
A mãe se espantou com a reação da filha. Respondeu carinhosa: “Tudo bem, filhinha. Se parar de chorar, deixo você acender a vela que recebeu.”
Assim que escutou isso, a menina parou de chorar, seus olhos se iluminaram e ficou muito feliz.
Ao chegar a hora do acendimento das velas, a menina achegou-se à mesa e, exatamente como lhe haviam ensinado na escola, pegou a vela e o castiçal, e os colocou cuidadosamente sobre a mesa grande. Pediu fósforos a sua mãe, acendeu a chama e, com grande respeito, aproximou o fósforo à vela, que brilhou com uma chama tremeluzente. A menina cobriu os olhos e fez a berachá do acendimento das velas.
Descobriu os olhos e olhou, encantada, para a vela acesa. De repente, lembrou-se de que as mocinhas disseram que é proibido tocar na vela e tirá-la do lugar no shabat. E com inocência infantil, falou para sua família: “No Shabat é proibido tocar na vela, tirá-la do lugar e até mesmo soprar na vela, para não apagá-la, pois é chilul Shabat (profanação do Shabat)…”
Os pais entenderam que aquilo não era tão mau assim, e que sua filha não modificou as regras da casa. Afinal de contas, tudo o que a menina fez foi acender uma vela. Inclusive, perceberam sua emoção na hora da cerimônia do acendimento da vela. E na sexta-feira seguinte, não esperaram até que a menina fizesse uma cena. Assim que pediu, deram-lhe permissão para acender sua vela.
A empolgação da menina foi igual à da semana anterior.
Algo começou a mudar no coração da família…
Numa sexta-feira algumas semanas depois, o pai disse, de repente para a mãe da menina, que não combina que a televisão esteja ligada enquanto a vela ainda está acesa. “Tem razão”, respondeu a esposa, “não consigo ver televisão enquanto nossa filhinha querida está cantando músicas de Shabat e a vela ainda está acesa…”
Os pais decidiram, simplesmente, que a partir daquele dia, enquanto a vela estivesse acessa, a televisão estaria desligada.
Na semana seguinte, os pais mantiveram sua decisão. Não tocaram na vela de Shabat que estava sobre a mesa, e quando a menina acendeu a vela, desligaram a televisão. Acontece que, logo em seguida, o telefone tocou…
A mãe se levantou para atender mas, imediatamente, recuou. “Como vou atender o telefone, e a vela de Shabat está acesa aqui sobre a mesa?” A partir daquela semana, os pais pararam de atender o telefone enquanto a vela de sua filhinha estava acesa…
Passou-se mais um Shabat e, de repente, a mãe percebeu algo estranho: Quando uma vizinha ou amiga entrava na casa, via a vela sobre a mesa. Inclusive notava como a menina estava feliz por ter aceso a vela de Shabat e contava a todos que era uma vela sagrada e um dia sagrado. Enquanto que a mãe se comportava como se fosse um dia comum, de semana… Isso era meio estranho e não dava para entender! Para a menina era um dia sagrado, enquanto para a mãe era simplesmente um dia de semana?!
A mãe resolveu começar a acender velas de Shabat!
Assim que acendeu suas velas, a mãe foi para a cozinha, como de costume, esquentar o jantar. Quase acendeu o forno quando se deu conta assustada: “Acabei de acender as velas do sagrado Shabat, inclusive fiz a berachá, dizendo que é Shabat Kôdesh, e logo depois vou profanar o Shabat?!”
A mãe, simplesmente, não tocou o forno! As velas que tinha acabado de acender não a permitiram ligar o forno.
Mas comer comida fria também não dá. Aí a mãe começou a preparar tsholent, tal qual uma família que cumpre mitsvot.
Deste modo a família foi, passo a passo, progredindo, e cada semana descobria mais uma ação que não se pode fazer no Shabat.
As semanas foram passando, e a família foi cada vez mais se aproximando do cumprimento das mitsvot. Até que agora (quando o Rebe contou esta história), todos os membros da família viraram baalei teshuvá.
E tudo começou porque uma menininha insistiu – com choro e muita bagunça – em acender uma vela cada véspera de Shabat. Isso fez com que, com o passar das semanas, toda a família deixou de profanar o Shabat enquanto a vela estava acesa. E continuou com a mãe, ela própria, começando a acender velas de Shabat. Deste modo, toda a família fez teshuvá.
Do livro: “Má Shesiper li HaRabi”
Vol III
Págs. 162-168.
Leilui Nishmat:
Eliyahu ben Aba
Chaim Avraham ben Sara e Yossef Fogel
David ben Avraham (Curico)
Neche bat Shlomo
Miriam bat Yaakov
Chava bat Libi
Efraim Kopl ben Eliyáhu
Chaim Shemuel ben Aba
Moshê Baruch ben Yaakov Tsvi haLevi
Miriam bat Yaakov Kopl Halevi
Beile (Berta) bat Refael
Aba (Abel) ben (Eliyáhu) Eliash Leibas
Pinchas ben Moshê
Mordechai ben Yaakov Kopl HaLevi
Lea bat Hersh
Efraim Shlomo ben Motl Halevi
Eliyáhu ben Yaakov
Yaakov ben Eliyáhu
Miriam bat David
Chana Liba bat Tuvia
Isaac bem Luzer
Libe bat Tzipora
Avraham Duvid bem Eliezer
Tzipora bat Zalman
Todos os soldados que caíram defendendo nosso povo HY’D