Parashat Bamidbar (literalmente: “no deserto”) é sempre lida antes de Shavuot, para nos ensinar que uma pessoa que cumpre a Torá pode transformar até mesmo um deserto num paraíso idílico, como consta (Yishaiahu 51:3):
“E Ele tornará seu deserto como o Eden, e seu local abandonado como o jardim de D-us.”
Lá estava o Chassid, servindo bebidas e cobrando as contas dos fregueses. Hoje Ivan e Grisha tinham ido às tapas, de novo, e eles os expulsara, dizendo-lhes que resolvessem suas questões em outro lugar. Stasha tinha se recusado a pagar sua conta que já estava em cinco rublos. O chassid já não estava agüentando o barulho, as xingações e as brigas dos bêbados. Havia dias em que ele mal conseguia abria a porta da taverna para seus fregueses. “Malka,” – dizia à esposa, “tenho de encontrar outro meio de vida. Não agüento mais.” Mas, na verdade, o que mais poderia ele encontrar para fazer na vila? Afinal de contas, tinha seis filhos para criar.
“Todo dia e toda noite”, pensou o taberneiro, “minha semana inteira é gasta na companhia desses camponeses grosseiros, que passam as horas bebendo vodka, para em seguida caírem bêbados ou brigarem por motivos ridículos e vulgares. Acabo decaindo no meu Serviço a D-us, por passar meus dias num lugar assim.” E quando voltava a procurar saídas, caía em desespero.
Finalmente, resolveu ir visitar Rabi Aryeh Leib, o Shpoler Zeide. O tsadik, com certeza, teria um bom conselho que o ajudaria a sair daquela terrível situação. Ao chegar à casa do tsadik, foi recebido em seu escritório e pôs-se a explicar seu problema. Contou que ficava o dia todo na taverna servindo bebida a todo tipo de gente baixa, e estava preocupado de que poderia acabar caindo na deles, simplesmente por causa do contato constante. Por outro lado, tinha família, e deveres para com sua esposa, filhos e seus pais idosos. Sentia-se, portanto, sem saída. Mas tinha de haver uma solução.
O rabino escutou suas queixas, em silêncio, deixando que o pobre homem desabafasse. Em seguida, o tsadik disse com um sorriso compreensivo: “Pelo que está me dizendo, entendo que você preferiria cumprir suas obrigações para com seu Criador de um jeito diferente. Talvez ganhando um saco de moedas de ouro e morando num palácio luxuoso, cercado por livros sagrados, usando as mais finas vestimentas e com um chapéu de pele na cabeça, fosse mais fácil ser um bom judeu! Se você tivesse essas condições, poderia estudar Torá e cumprir mitsvot com a mente clara e o coração pleno, sem o peso de qualquer preocupação neste mundo. Bem, meu caro amigo, você está totalmente enganado. Não é este o plano Divino. D-us o quer sobrecarregado com todos os problemas que o perseguem todo dia – a falta de dinheiro para pagar as contas no fim do mês, filhos para casar, camponeses vulgares gritando para você trazer logo suas bebidas – e com tudo isso, quer que você seja um bom judeu. Meu amigo, é a vontade de D-us que você pegue todas essas distrações e as deixe de lado a fim de cumprir Sua vontade, mesmo que se sinta arrasado. Quando você se apega a Ele, mesmo diante de todas essas dificuldades e anseia por uns raros momentos de paz em que possa cumprir o desejo de seu coração de pronunciar algumas poucas e preciosas palavras de prece para Ele, aí D-us obtém a maior alegria de seu serviço. Se Ele só quisesse louvores sem esforço, Lhe bastaria os inúmeros batalhões de anjos que pronunciam: ‘Santo! Santo! Santo!’ Sem cessar. Não, Ele deseja seu coração, que você Lhe dá apesar de todas as suas adversidades diárias – isto é que é um verdadeiro Serviço Divino.
“Eu o aconselho a parar de reclamar das dificuldades de ganhar a vida no ambiente grosseiro de sua taverna e Lhe agradeça por ter lhe dado a oportunidade de se elevar a uma situação de tal santidade que nenhum outro teste lhe teria possibilitado. Na verdade, D-us lhe deu um grande presente, e você deve apreciá-lo.”
Era costume, em muitas comunidades judaicas antigas, visitar o cemitério em Lag Baômer. Assim sendo, os residentes de Homil tinham o hábito de visitar seus entes queridos nesse dia.
A Chevra Kadisha, Sociedade Funerária, também fazia sua visita anual ao cemitério na tarde de Lag Baômer. Seus membros passavam por todos os túmulos, verificavam como estavam as lápides, e anotavam tudo o que precisava ser consertado.
No fim da tarde, quando acabavam a inspeção, os membros da Chevra Kadisha se reuniam para uma seudá (refeição festiva). Era sempre um evento inspirador, dedicado a promover o cumprimento de “atos de verdadeira bondade” (como são chamadas as práticas fúnebres judaicas, pois não se espera retribuição dos falecidos).
O famoso Rabino Yitschak Eizik de Homil também participava da comemoração da Chevra Kadisha. Fazia um “lechaim” e pronunciava algumas palavras de Torá adequadas à ocasião.
Antes, porém, R. Yistchak fazia sua própria visita aos túmulos de seus antecessores. Ano após ano, seguia a mesma rotina até que certa vez, algo muito incomum aconteceu.
Já estava ficando tarde naquele Lag Baômer, quando R. Yitschak começou sua ronda, acompanhado pelo zelador do cemitério. Aproximava-se de cada túmulo e sussurrava algo que só ele conseguia escutar.
Lá no finalzinho do cemitério, na parte nova, onde estavam enterrados os que faleceram mais recentemente, parou diante de um monumento de mármore novo. Abaixou-se para ler a inscrição e certificar-se de que era o que estava procurando e balançou levemente a cabeça.
“Rápido!” – Virou-se de repente e chamou o zelador. “Volte para a cidade e traga um machado bem forte e com a lâmina pesada.” O zelador obedeceu, e poucos minutos depois estava de volta.
“Agora, quero que você apague tudo o que está escrito aqui.” – Disse o rabino. – “Apague todos os elogios floridos e homenagens. Deixe apenas o nome do falecido e a data em que ele morreu.”
O zelador hesitou, ficou parado no lugar. Mas o Rabino Yitschak insistiu. “Por favor, faça o que estou lhe pedindo.”
Com as mãos trêmulas, o funcionário do cemitério levantou o machado e demoliu todo o texto em que constava a ladainha de boas ações que o falecido realizara durante a vida. Isto feito, um olhar de satisfação apareceu no rosto do rabino. “Muito bom” – disse ao espantado zelador. “Agora posso ir para a seudá da Chevra Kadisha.”
A notícia do ocorrido espalhou-se rapidamente por Homil. Ou, como falam hoje, tornou-se viral. E chegou aos ouvidos dos membros da Sociedade Funerária, antes mesmo de o rabino chegar à comemoração.
Mal chegou na porta, o rabino anunciou: “Graças a D-us consegui fazer um ato de bondade para uma alma judia.” E todos olharam para ele com cara de que não estavam entendendo nada.
O rabino sentou-se e fez uma bênção sobre um copo de vodka. “Lechaim – à vida!” – Desejou aos presentes. Em seguida explicou:
“Há poucas semanas, um judeu simples faleceu em Homil. Seu enterro foi pequeno e modesto. Só estiveram presentes alguns membros da família e representantes da Chevra Kadisha. Era um judeu bondoso, que tinha muitas mitsvot a seu crédito, embora não fosse especialmente culto ou santo. E de vez em quando vacilava, como todo mundo. Ou seja: era um judeu dentro da média.
“Após seu falecimento, sua alma subiu para a Corte Celestial, onde suas boas e más ações foram examinadas minuciosamente. O veredicto estava prestes a ser anunciado quando, de repente, um anjo levantou-se segurando um cintilante tablete de mármore. Era a lápide que os filhos do falecido tinham colocado sobre seu local de descanso final.
“Aparentemente, os filhos daquele homem tinham resolvido dar ao pai – e a si próprios – um bocado de honras não merecidas. A longa inscrição descrevia uma vida de devoção e religiosidade que, na verdade, não passava de invenção. A Corte Celestial foi perturbada por esse malogro da justiça.
“Hoje fiz um grande favor à alma do falecido,” – concluiu o rabino. “Quando apaguei todos os elogios imerecidos, a Corte Celestial anunciou que a alma do homem podia, agora, receber a recompensa que lhe era de direito.”
Berel era um chassid do Chozê de Lublin. Era o batlan do lugar: passava o dia inteiro na sinagoga rezando e estudando. Conseguia sobreviver porque, de vez em quando, seu irmão rico, Shmuel, dava-lhe um dinheirinho para as despesas básicas. Quando suas três filhas chegaram à idade de casar, sua esposa começou a pedir que fosse falar com Shmuel para que desse dinheiro para que pudessem casá-las. Após recusar durante muito tempo, acabou cedendo.
Berel partiu do bairro pobre onde morava, a caminho da residência de seu irmão, que ficava no outro lado da cidade, onde viviam as pessoas abastadas. No longo caminho, Berel teve muito tempo para pensar. E dúvidas começaram a surgir em sua mente: “Talvez Shmuel não esteja em casa, e se estiver em casa, talvez não tenha dinheiro para me dar, e mesmo se tiver, talvez não queira me dar…” Afinal de contas, Shmuel não aprovava muito o modo de vida de Berel.
Com esses pensamentos, chegou à residência de Shmuel. Ao subir os degraus que levavam à casa, pensou: “Mas há Alguém que sempre está em casa, que tem o que dar, e que quer dar, por que estou vindo prá cá?”
Berel deu meia volta e foi direto para sua humilde morada. Ao chegar lá, não encontrou ninguém. Poucas horas depois, sua esposa chegou com uma grande quantia de dinheiro, e contou o seguinte:
“Logo que você saiu para a casa de Shmuel, uma carruagem elegante parou aqui em frente, e umas pessoas de aspecto nobre começaram a bater na porta. Quando abri, disseram que o Pôrets (senhor feudal) enlouqueceu e, uma vez que os médicos não conseguiram ajudar, queriam que eu fosse lá para curá-lo. Tentei explicar que não sou milagreira, tudo o que faço é tirar ayin hará (mau olhado), mas não queriam escutar.
“Por falta de opção, fui com eles. Quando cheguei até o Pôrets, fiz o que sei fazer e, para minha grande surpresa, ele recuperou o juízo. Em agradecimento por meu trabalho, ele me recompensou com todo este dinheiro. Agora podemos casar nossas filhas e nos sustentar durante bastante tempo.”
Berel resolveu viajar até seu Rebe, e lhe contar a história toda. Assim que entrou para ter sua audiência particular, o Chozê lhe disse: “Ele está em casa. Ele tem e Ele quer dar.”
É costume judaico educar um bebê a dizer Modê Ani quando ele começa a falar, e [algumas] nashim tsidkaniot (mulheres virtuosas) chegam a ter o min’hag (costume) de falar Modê Ani com o bebê e pelo bebê, antes mesmo de ele começar a aprender a falar.
Do livro:
Teachings of the Rebbe on Chinuch, pág. 34
(Inglês)
Leilui Nishmat:
Eliyahu ben Aba
Chaim Avraham ben Sara e Yossef Fogel
David ben Avraham (Curico)
Neche bat Shlomo
Miriam bat Yaakov
Chava bat Libi
Efraim Kopl ben Eliyáhu
Chaim Shemuel ben Aba
Moshê Baruch ben Yaakov Tsvi haLevi
Miriam bat Yaakov Kopl Halevi
Beile (Berta) bat Refael
Aba (Abel) ben (Eliyáhu) Eliash Leibas
Pinchas ben Moshê
Mordechai ben Yaakov Kopl HaLevi
Lea bat Hersh
Efraim Shlomo ben Motl Halevi
Eliyáhu ben Yaakov
Yaakov ben Eliyáhu
Miriam bat David
Chana Liba bat Tuvia
Todos os soldados que caíram defendendo nosso povo HY’D
“E Israel viu o grande poder com que D-us tinha agido com os egípcios, e o povo temeu a D-us. E eles acreditaram em D-us e em Moshê, Seu servo.
(Shemot 14:31)
Um severo decreto estava sendo tramado contra os judeus. O Rabi Menachem Mendel, conhecido como o “Tsêmach Tsêdek” (o terceiro Rebe de Lubavitch), enviou seu filho mais moço, Reb Shmuel (que ficou mais tarde conhecido como o Rebe Maharash) a Petersburgo, para tentar anular o decreto. Reb Yehuda Leib, irmão do Reb Shmuel e vinte anos mais velho que ele, foi junto nessa viagem.
Antes de partir, Reb Shmuel fez questão que Reb Yehuda Leib concordasse em não abençoar ninguém durante a jornada. “Nosso pai é o Rebe e ele é o único que deve dar bênçãos às pessoas”, afirmou. Por falta de opção, Reb Yehuda Leib concordou com a condição estipulada.
Em todas as cidades do caminho as pessoas rodeavam Reb Yehuda Leib. E imploravam, por ele ser filho de um tsadik (pessoa justa) de tamanho calibre, para que lhes desse uma berachá (bênção) para saúde, sustento, filhos, etc. A cada um, Reb Yehuda Leib respondia: “Vá visitar meu pai e ele vai abençoar você”.
Em determinada vila, havia uma mulher que estava sendo muito insistente. Não tinha sido abençoada com filhos e estava certa de que, com a bênção de um tsadik,teria o mérito de ter suas próprias crianças.
A mulher se postou diante do Reb Yehuda Leib. Implorou, gritou e chorou, dizendo que tinha de ser abençoada para ter filhos. Mas Reb Yehuda Leib recusou-se a abençoá-la. “Procure meu pai, o Rebe”, disse simplesmente. “Ela vai abençoar você.”
A mulher não se deu por satisfeita. Continuou a gritar, pedindo que Reb Yehuda Leib a abençoasse. Finalmente, Reb Yehuda Leib perdeu a paciência e disse: “Vá falar com meu irmão. Talvez ele abençoe você.”
A mulher repetiu toda a cena diante do Reb Shmuel. Pediu, implorou, chorou e gritou para que Reb Shmuel a abençoasse para que tivesse filhos. Mas Reb Shmuel continuou impassível. Continuou afirmando que só seu pai, o Rebe, poderia ajudá-la. Percebendo que ela não estava aceitando suas recusas, Reb Shmuel falou para seu irmão e para o cocheiro que se preparassem para ir embora. Subiram rapidamente na carruagem para voltar para casa e se livrar da mulher.
Mas a carruagem não saía do lugar. A mulher, astuta que era, tinha colocado um bastão nos raios das rodas, para evitar que girassem.
Reb Shmuel desceu da carruagem e, chateado, disse à mulher: “Vá comer um beigel” – expressão equivalente a “vá catar coquinho”.
Satisfeita, finalmente, a mulher deixou Reb Shmuel e Reb Yehuda Leib continuarem a viagem. Ela foi logo prá casa e fez beigels, sem tirar nem por um minuto a concentração da bênção que estava certa de que o beigel traria. E achou que para se assegurar de que a bênção realmente se realizaria, talvez devesse comer dois beigels em vez de um. E foi o que fez.
No ano seguinte, Rabi Menachem Mendel faleceu e Reb Shmuel, embora fosse o mais jovem dos seus sete filhos, foi escolhido para sucedê-lo como Rebe.
Certo dia, um homem entrou no escritório de Reb Shmuel com dois bolos que sua esposa fizera para o Rebe. “O senhor abençoou minha esposa no ano passado para que ela tivesse um filho, de modo que ela me pediu para lhe trazer esses bolos como agradecimento.”
Reb Shmuel não se lembrava do acontecimento, de modo que o homem relatou todo o episódio a Reb Shmuel. E concluiu dizendo: “O senhor falou para minha esposa: ‘vá comer um beigel’. E foi isso, exatamente, o que ela fez e sua bênção se realizou.”
Espantado, Reb Shmuel perguntou: “Mas por que você me trouxe dois bolos?”
“Minha esposa queria garantir que a bênção se realizasse de verdade, aí ela comeu dois beigels e teve gêmeos!” – Disse o pai radiante.
“Saiba”, disse Reb Shmuel ao marido, “que eu tinha percebido que havia um decreto celestial de que você e sua esposa não estavam destinados a ter filhos. Falei para ela ir comer um beigel por estar irritado e não como meio para uma bênção. Mas a fé simples dela, a fé determinada na bênção de um tsadik fez com que o decreto fosse anulado e você e sua esposa fossem abençoados com filhos.”
Dr. David Weiss foi um dos principais cientistas na área de imunologia do câncer e imunoterapia. Foi professor em Berkeley até 1966, quando se mudou com a família para Israel.
Relatou o seguinte:
Após obter um Ph.D. em Ciências Biológicas e estudar medicina em Oxford, fui nomeado professor assistente no Departamento de Imunologia e Bacteriologia na Universidade da Califórnia em Berkeley. Quando assumi esse posto, em 1957, mudei-me com minha família para a região de São Francisco. Lá, fiz amizade com o Rabino Shlomo Cunin, emissário do Rebe na Califórnia, e acho que foi o Rabino Cunin quem falou ao Rebe sobre mim.
A primeira e única vez em que encontrei o Rebe foi após uma viagem que fiz à União Soviética em 1965, quando o Rebe pediu para me ver.
Naquele ano, os soviéticos tinham organizado seu primeiro simpósio de ciência moderna e convidaram vinte e cinco cientistas do exterior, bem como vinte e cinco cientistas de lá mesmo. Foi um simpósio muito seleto, e fui um dos que tiveram a honra de ser convidados.
Eu, porém, não estava me sentindo muito honrado. Sabia muito bem da opressão aos judeus na União Soviética, de modo que recusei o convite. Mas Avraham Harman, embaixador de Israel nos Estados Unidos, apareceu na minha porta e me convenceu a ir. Contou-me sobre a terrível situação em que os judeus da URSS se encontravam – muitos tinham sido presos por ofensas menores, tais quais acumular farinha às escondidas para poder assar matsot para Pessach. Falou que o pessoal da Embaixada de Israel em Moscou estava sendo vigiado dia e noite, e não podia entrar em contato com a comunidade judaica para ajudá-la, mas eu teria uma oportunidade que eles não tinham. Estava indo para a Rússia como um VIP, com imunidade especial, com um carro e motorista à disposição, com liberdade de locomoção. Assim convencido, aceitei o convite e fui.
Os israelenses me disseram o que eu deveria fazer quando estivesse na URSS: deveria solicitar uma visita a Babi Yar; deveria ir até o cemitério em Moscou e perguntar por que não havia mais espaço para túmulos judaicos (uma vez que havia lugar); eu deveria sempre parecer um judeu religioso e pedir comida kasher, para que os judeus “ocultos”, por assim dizer, confiassem em mim e aparecessem. Foram coisas assim que me pediram para fazer, não espionagem.
Essas táticas funcionaram. Certa vez, quando eu estava fora da sala, um dos cientistas soviéticos que participavam da conferência, rabiscou no meu caderno: “sou judeu” em pequenas letras hebraicas. Fizemos amizade e, acabei conseguindo tirá-lo da União Soviética.
Também encontrei muitos judeus que praticavam o judaísmo escondido. Viviam em tal desespero, que me cortou o coração. Encontrei um minyan de 25 a 30 pessoas por trás de portas fechadas. Achei uma comunidade de judeus da Geórgia que se encontravam num prédio abandonado; essas pessoas saíram da toca para me mostrar que ainda estavam lá e viviam de acordo com a Torá, e foi uma experiência tão emocionante que me marcou para toda a vida.
Quando voltei de viagem, o Rebe me convidou a vê-lo. Levei meu filho mais velho, Hillel, que na época tinha sete anos. A audiência foi tarde da noite, e ele não conseguiu ficar acordado. Entrei no escritório do Rebe e me sentei, com meu filho cochilando no meu colo.
Quando o Rebe viu isso, deu a volta na sua mesa e o pegou. E durante todo o tempo em que conversei com o Rebe, Hillel dormiu no colo do Rebe.
A audiência deveria ter durado vinte minutos – é isso o que o secretário me dissera. E depois de vinte e cinco minutos, a porta se abriu um pouquinho, e um par de olhos me fitou, nada satisfeito. Mas o Rebe levantou a mão e a porta se fechou. A audiência durou cerca de duas horas e meia ou três horas. Não sei ao certo, mas o fato é que cheguei lá cerca de 10 da noite, e saí após 1 da manhã. O Rebe queria saber de todos os detalhes de minha viagem à Rússia.
Quando acabamos de conversar sobre a Rússia, o Rebe falou: “Gostaria de conversar sobre o que você faz em ciência.” E começou a me perguntar sobre uma teoria chamada “imunologia de trauma”, que na época era muito nova, e que desde então se tornou muito famosa. Esta teoria afirma que uma vez que o sistema imunológico reconhece vírus, bactérias e células cancerosas como estranhos, e trabalha para rejeitá-las, talvez as pessoas fiquem com câncer pelo fato de o sistema imunológico deixar de funcionar adequadamente devido a algum trauma. É uma teoria bem complicada, e achei impressionante a compreensão profunda do Rebe sobre ela.
No final da audiência, eu estava tão impressionado que disse ao Rebe: “Não sou tão rigoroso no cumprimento da Torá como algumas outras pessoas. Rezo três vezes ao dia, mas nem sempre com um minyan. Nem sempre sou tão cuidadoso no cumprimento dos mandamentos como seus emissários. Mas gostaria de saber quem pode se considerar um de seus chassidim.”
Ele respondeu: “É muito simples… Quem no fim do dia pode dizer que está um pequeno degrau mais alto que no início do dia, eu consideraria meu chassid.”
Essa afirmação tinha uma mensagem muito forte. E desde então, eu tento – embora nem sempre com sucesso – ser o tipo de pessoa que pode olhar prá trás, no fim do dia, e dizer: “Hoje subi um pequeno degrau.”
Baseado no livro:
“One by One” – Stories of the Lubavitcher Rebbe
(da série: Here is my Story)
(Págs. 133- 136)
(Inglês)
Leilui Nishmat:
Eliyahu ben Aba
Chaim Avraham ben Sara e Yossef Fogel
David ben Avraham (Curico)
Neche bat Shlomo
Miriam bat Yaakov
Chava bat Libi
Efraim Kopl ben Eliyáhu
Chaim Shemuel ben Aba
Moshê Baruch ben Yaakov Tsvi haLevi
Miriam bat Yaakov Kopl Halevi
Beile (Berta) bat Refael
Aba (Abel) ben (Eliyáhu) Eliash Leibas
Pinchas ben Moshê
Mordechai ben Yaakov Kopl HaLevi
Lea bat Hersh
Efraim Shlomo ben Motl Halevi
Eliyáhu ben Yaakov
Yaakov ben Eliyáhu
Miriam bat David
Chana Liba bat Tuvia
Todos os soldados que caíram defendendo nosso povo HY’D
Em Beit Nissan de 5780 estão fazendo 100 anos do falecimento do Rebe Rashab, quinto Rebe de Lubavitch.
Certa vez, num farbrenguen, Rabi Avraham Zaltzman contou a seguinte história sobre a época em que estudava na yeshivá na cidade de Lubavitch há mais de 100 anos:
Eu tinha apenas 12 anos, mas era tão levado e incontrolável que não conseguia ficar sentado estudando Torá. O que aconteceu, então? Deram para mim e para dois outros meninos de temperamento parecido, tarefas para nos manter ocupados de modo positivo.
Uma dessas tarefas era ordenhar algumas cabras, numa fazenda próxima, e trazer o leite para os alunos. Mas isso também acabou ficando chato. De modo que, num dia terrível, em que estávamos desesperados para nos distrair um pouco, meus amigos e eu conseguimos fazer com que uma das cabras bebesse vodka, levamos o animal bêbedo para a porta do grande salão de estudo onde todos os alunos estavam concentrados no estudo do Talmud, e a empurramos para dentro.
A cabra, sem dar a menor atenção à santidade do local, começou a pular nas mesas, derrubou vários rabinos e espalhou livros e papéis em todas as direções. Foi só depois de algumas horas que puderam voltar a estudar e, obviamente, todos sabiam quem tinham sido os culpados.
Nós três fomos chamados ao escritório do diretor, Rabi Yossef Yitschak Shneersohn (filho do Rebe Rashab – Shalom Dovber Shneersohn, quinto Rebe de Chabad, e fundador da yeshivá), onde ele nos mandou a fazer as malas e ir embora. Por falta de opção, obedecemos, e algumas horas depois, estávamos na estação de trem na cidade próxima de Rodna, para voltar para casa.
Mas, de repente, voltei-me para meus amigos e disse: “O que estamos fazendo? Não podemos ir embora! Precisamos voltar e implorar por piedade!”
Mas os outros balançaram a cabeça. “Não vai funcionar”, um deles falou. “Não viu a cara do diretor? Ele não quer mais nos ver. É nosso fim!” O outro menino concordou. Mas eu não desisti. Antes que o trem chegasse, consegui convencer um dos meninos a voltar comigo e tentar.
Nós nos despedimos de nosso terceiro amigo e voltamos para Lubavitch, sem nenhum plano, mas decididos a não nos render sem luta. Não podíamos voltar para o diretor, pois ele estava muito bravo. E também não dava para tentar com o Rebe, o pai do diretor, pois ele jamais passaria por cima de uma decisão de seu filho, ainda mais numa situação dessas.
Chegamos à conclusão de que nossa única chance seria a avó do diretor, a Rebetsin Rivka. Ela tinha um coração de ouro, e era como uma mãe para todos os meninos da yeshivá. Cozinhava, costurava e lavava para eles, bem como cuidava deles quando estavam doentes ou carentes. Talvez ela pudesse ajudar.
Fomos até sua casa e batemos na porta. Quando ela atendeu, desabafei. Quando acabei, sua resposta foi direta. “Não posso ir contra a decisão de meu neto; ele é o diretor. A única pessoa que talvez possa fazer isso é meu filho, o Rebe. Mas também não posso falar com ele sobre isso. Simplesmente não posso me meter.”
Em seguida, ela teve uma idéia. “Mas o que posso fazer é o seguinte: toda manhã, às 10, meu filho toma um copo de chá em seu quarto. Venham amanhã e lhes mostro onde é seu quarto… mas quem vai ter de falar vão ser vocês.”
Meu amigo e eu achamos um lugar para dormir naquela noite e, na manhã seguinte, fui para a casa da Rebetsin; mas meu amigo estava com tanto medo que esperou do lado de fora. Ela abriu a porta para mim, mostrou onde era o quarto, cochichou “boa sorte” e ficou olhando quando eu, corajosamente me aproximei da porta.
A porta se abriu. Quando o Rebe me viu lá, de pé, olhou para mim e perguntou o que eu queria. “Quero estudar em Lubavitch.” Eu estava quase chorando.
“Lubavitch?” O Rebe sorriu, fazendo um gesto, com a mão, para que eu me aproximasse. “Mas há tantas outras boas yeshivot! Slobodka, Navordek”, e citou todas as outras academias de Torá, umas 20, da região.
“Mas quero estudar aqui!” choraminguei.
O Rebe sorriu com minha atitude, e quando vi o sorriso, comecei a chorar. Isso fez com que o Rebe começasse a rir, o que me fez chorar ainda mais.
De repente, o Rebe ficou sério. Vamos pensar no caso. Volte mais tarde.
Fui saindo, andando para trás, fungando e enxugando os olhos com a manga. De repente parei, dei dois passos prá frente, o que me levou de volta à porta do quarto, e fiquei parado lá, timidamente olhando pro chão. “Nu? O que quer agora?” Perguntou o Rebe.
“Hum, tenho um amigo”, respondi. Está lá fora esperando.”
O Rebe recostou-se pensativo. “Um amigo? Bem, pensaremos nele também. Volte daqui a algumas horas.”
Bom, a história tem um final feliz. Voltamos a procurar o Rebe algumas horas depois. O Rebe nos levou ao escritório de seu filho, para falar com o Rabi Yossef Yitschak, disse algumas palavras e saiu.
Seu filho nos deu uma multa pesada: tínhamos que estudar dezenas de páginas do Talmud e de Chassidut de cor. Mas ele nos aceitou de volta!
E esta é a história de como meu coração partido me levou de volta para a yeshivá.
Rabi Mendel Ruterfas, um Chassid bem conhecido, também estava naquele farbrenguen, e comentou:
“Sabe por que o Rebe aceitou você de volta na yeshivá?”
“Este é o ponto da história”, explicou Rabi Zaltzman. “Porque eu queria tanto estudar em Lubavitch que cheguei a chorar! É assim que uma pessoa deve querer estudar Torá e Chassidut a ponto de ter o coração partido!”
“Nada disso!” Disse Reb Mendel. “Não foi seu coração partido que trouxe você de volta para a Lubavitch. O Rebe aceitou você de volta porque você se preocupou com seu amigo. Você pensou noutro judeu. Foi por isso que ele aceitou você de volta. Por causa de seu amor fraternal!”