Archive for história

A CABRA BÊBADA

BS’D

Em Beit Nissan de 5780 estão fazendo 100 anos do falecimento do Rebe Rashab, quinto Rebe de Lubavitch.

Certa vez, num farbrenguen, Rabi Avraham Zaltzman contou a seguinte história sobre a época em que estudava na yeshivá na cidade de Lubavitch há mais de 100 anos:

Eu tinha apenas 12 anos, mas era tão levado e incontrolável que não conseguia ficar sentado estudando Torá. O que aconteceu, então? Deram para mim e para dois outros meninos de temperamento parecido, tarefas para nos manter ocupados de modo positivo.

Uma dessas tarefas era ordenhar algumas cabras, numa fazenda próxima, e trazer o leite para os alunos. Mas isso também acabou ficando chato. De modo que, num dia terrível, em que estávamos desesperados para nos distrair um pouco, meus amigos e eu conseguimos fazer com que uma das cabras bebesse vodka, levamos o animal bêbedo para a porta do grande salão de estudo onde todos os alunos estavam concentrados no estudo do Talmud, e a empurramos para dentro.

A cabra, sem dar a menor atenção à santidade do local, começou a pular nas mesas, derrubou vários rabinos e espalhou livros e papéis em todas as direções. Foi só depois de algumas horas que puderam voltar a estudar e, obviamente, todos sabiam quem tinham sido os culpados.

Nós três fomos chamados ao escritório do diretor, Rabi Yossef Yitschak Shneersohn (filho do Rebe Rashab – Shalom Dovber Shneersohn, quinto Rebe de Chabad, e fundador da yeshivá), onde ele nos mandou a fazer as malas e ir embora. Por falta de opção, obedecemos, e algumas horas depois, estávamos na estação de trem na cidade próxima de Rodna, para voltar para casa.

Mas, de repente, voltei-me para meus amigos e disse: “O que estamos fazendo? Não podemos ir embora! Precisamos voltar e implorar por piedade!”

Mas os outros balançaram a cabeça. “Não vai funcionar”, um deles falou. “Não viu a cara do diretor? Ele não quer mais nos ver. É nosso fim!” O outro menino concordou. Mas eu não desisti. Antes que o trem chegasse, consegui convencer um dos meninos a voltar comigo e tentar.

Nós nos despedimos de nosso terceiro amigo e voltamos para Lubavitch, sem nenhum plano, mas decididos a não nos render sem luta. Não podíamos voltar para o diretor, pois ele estava muito bravo. E também não dava para tentar com o Rebe, o pai do diretor, pois ele jamais passaria por cima de uma decisão de seu filho, ainda mais numa situação dessas.

Chegamos à conclusão de que nossa única chance seria a avó do diretor, a Rebetsin Rivka. Ela tinha um coração de ouro, e era como uma mãe para todos os meninos da yeshivá. Cozinhava, costurava e lavava para eles, bem como cuidava deles quando estavam doentes ou carentes. Talvez ela pudesse ajudar.

Fomos até sua casa e batemos na porta. Quando ela atendeu, desabafei. Quando acabei, sua resposta foi direta. “Não posso ir contra a decisão de meu neto; ele é o diretor. A única pessoa que talvez possa fazer isso é meu filho, o Rebe. Mas também não posso falar com ele sobre isso. Simplesmente não posso me meter.”

Em seguida, ela teve uma idéia. “Mas o que posso fazer é o seguinte: toda manhã, às 10, meu filho toma um copo de chá em seu quarto. Venham amanhã e lhes mostro onde é seu quarto… mas quem vai ter de falar vão ser vocês.”

Meu amigo e eu achamos um lugar para dormir naquela noite e, na manhã seguinte, fui para a casa da Rebetsin; mas meu amigo estava com tanto medo que esperou do lado de fora. Ela abriu a porta para mim, mostrou onde era o quarto, cochichou “boa sorte” e ficou olhando quando eu, corajosamente me aproximei da porta.

A porta se abriu. Quando o Rebe me viu lá, de pé, olhou para mim e perguntou o que eu queria. “Quero estudar em Lubavitch.” Eu estava quase chorando.

“Lubavitch?” O Rebe sorriu, fazendo um gesto, com a mão, para que eu me aproximasse. “Mas há tantas outras boas yeshivot! Slobodka, Navordek”, e citou todas as outras academias de Torá, umas 20, da região.

“Mas quero estudar aqui!” choraminguei.

O Rebe sorriu com minha atitude, e quando vi o sorriso, comecei a chorar. Isso fez com que o Rebe começasse a rir, o que me fez chorar ainda mais.

De repente, o Rebe ficou sério. Vamos pensar no caso. Volte mais tarde.

Fui saindo, andando para trás, fungando e enxugando os olhos com a manga. De repente parei, dei dois passos prá frente, o que me levou de volta à porta do quarto, e fiquei parado lá, timidamente olhando pro chão. “Nu? O que quer agora?” Perguntou o Rebe.

“Hum, tenho um amigo”, respondi. Está lá fora esperando.”

O Rebe recostou-se pensativo. “Um amigo? Bem, pensaremos nele também. Volte daqui a algumas horas.”

Bom, a história tem um final feliz. Voltamos a procurar o Rebe algumas horas depois. O Rebe nos levou ao escritório de seu filho, para falar com o Rabi Yossef Yitschak, disse algumas palavras e saiu.

Seu filho nos deu uma multa pesada: tínhamos que estudar dezenas de páginas do Talmud e de Chassidut de cor. Mas ele nos aceitou de volta!

E esta é a história de como meu coração partido me levou de volta para a yeshivá.

Rabi Mendel Ruterfas, um Chassid bem conhecido, também estava naquele farbrenguen, e comentou:

“Sabe por que o Rebe aceitou você de volta na yeshivá?”

“Este é o ponto da história”, explicou Rabi Zaltzman. “Porque eu queria tanto estudar em Lubavitch que cheguei a chorar! É assim que uma pessoa deve querer estudar Torá e Chassidut a ponto de ter o coração partido!”

“Nada disso!” Disse Reb Mendel. “Não foi seu coração partido que trouxe você de volta para a Lubavitch. O Rebe aceitou você de volta porque você se preocupou com seu amigo. Você pensou noutro judeu. Foi por isso que ele aceitou você de volta. Por causa de seu amor fraternal!”

Adaptado de:

http://lchaimweekly.org/

http://lchaimweekly.org/lchaim/5775/1364.htm#caption7

Que republicou de:

Beis Moshiach Magazine

(Inglês)

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Neche bat Shlomo

Miriam bat Yaakov

Chava bat Libi

Efraim Kopl ben Eliyáhu

Chaim Shemuel ben Aba

Moshê Baruch ben Yaakov Tsvi haLevi

Miriam bat Yaakov Kopl Halevi

Beile (Berta) bat Refael

Aba (Abel) ben (Eliyáhu) Eliash Leibas

Pinchas ben Moshê

Mordechai ben Yaakov Kopl HaLevi

Lea bat Hersh

Efraim Shlomo ben Motl Halevi

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QUE CONSOGROS!

BS’D

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Reb Arieh, chassid  do Alter Rebe (Rabi Shneur Zalman, fundador do chassidismo Chabad), tinha sido nomeado, pelas autoridades, como “burgomestre” de sua cidade. Como juiz supremo e tabelião oficial, Reb Arieh era o responsável pelo cartório onde eram registrados todos os casamentos, nascimentos e mortes (que D-us nos livre) da comunidade judaica.

Certa vez, houve um caso em que um não-judeu da cidade se converteu ao judaísmo. Naquela época e lugar isso era um grave delito. Qualquer suspeita, por menor que fosse, de colaboração no processo de conversão estava sujeita a duras penas. Por isso, pediram a Reb Arieh para que desse um jeitinho de “esquecer” de registrar o óbito de certo judeu que falecera recentemente. O convertido tinha aproximadamente a mesma idade do falecido e assumiria legalmente a identidade dele.

Era um plano astuto, e teria dado certo, não fosse pelo dedo-duro que levou o caso à tona. O burgomestre foi pego e foi marcada uma data para o julgamento.

Reb Arieh estava realmente em apuros. Como era um chassid de verdade, foi ter com o Alter Rebe e lhe expôs seu dilema. O Rebe o aconselhou a adiar o julgamento, e ele foi reagendado para uma data posterior.

Quando a segunda data do julgamento foi se aproximando, Reb Arieh voltou a procurar o Alter Rebe. Mais uma vez, o Rebe o aconselhou a adiá-lo de novo. Isso aconteceu várias vezes, até que chegou uma hora em que Reb Arieh já não conseguiu mais adiá-lo. Finalmente o burgomestre seria julgado por seu “crime”. O chassid pediu ao Alter Rebe que o salvasse.

Por estranho que pareça, a resposta do Alter Rebe foi convidar Reb Arieh para o casamento de sua neta, que seria na cidade de Zlobin. Seria uma união entre duas dinastias rabínicas. Uma neta do Alter Rebe ia se casar com um neto do Rabi Levi Yitschak de Berditchev. “Por que não vai e conta seu problema ao Rabi Levi Yitschak?” Sugeriu o Alter Rebe. “Tenho certeza de que ele pode ajudá-lo.”

Reb Arieh viajou para Zlobin, mas era muito difícil conseguir se encontrar com o Rabi Levi Yitschak, pois milhares de pessoas tinham ido para lá com a mesma idéia. Reb Arieh foi persistente. Resolveu voltar no meio da noite e esperar na porta do Rabi Levi Yitschak. Deste modo, na manhã seguinte seria o primeiro da fila.

Naquela noite, Reb Arieh postou-se na porta do quarto do Rabi Levi Yitschak e deu uma espiadinha para dentro. Viu algo muito estranho! De um dos lados da cama do tsadik estava um gabai com um volume de Mishná; do outro lado estava um segundo gabai com o sagrado Zohar. Ambos estavam lendo alto – e ao mesmo tempo – e o Rabi Levi Yitschak parecia dormir. Mas quando um gabai errava alguma palavra, o tsadik se virava e reclamava, “Nu! Nu!” Umas duas horas depois, Rabi Levi Yitschak acordou de seu “cochilo” e Reb Arieh pode entrar.

A primeira coisa que o Rabi Levi Yitschak perguntou a Reb Arieh foi quem o tinha enviado.

“Meu Rebe”, respondeu Reb Arieh.

“E quem seria ele?”

“O Alter Rebe”, respondeu Reb Arieh.

“Ah, ele!” Exclamou Rabi Levi Yitschak. “Meu consogro é seu Rebe? Que tsadik e erudito que ele é, um homem sagrado de D-us!” E durante algum tempo continuou a falar assim, elogiando o Alter Rebe até as alturas. “Diga-me, então”, falou carinhosamente, “o que posso fazer por você?”

Reb Arieh explicou que era o burgomestre de sua cidade. “Um burgomestre?” Repetiu o tsadik. “O que é isso?”

O Chassid descreveu suas obrigações e responsabilidades.

“Quer dizer que um judeu é responsável por toda a cidade?” Rabi Levi Yitschak perguntou, impressionado. “Como pode ser?”

“Prá falar a verdade”, respondeu Reb Arieh, “só aceitei esse cargo porque o Alter Rebe insistiu que eu o fizesse.”

“Oh!” Declarou enfático o tsadik. “Meu consogro – o sábio, o santo, o erudito, o justo – o aconselhou a aceitar esse cargo. Neste caso, você não tem nada com que se preocupar. D-us vai ajudar e vai proteger você de todo o mal.”

Reb Arieh voltou pro Alter Rebe e contou a conversa que tivera com o Rabi Levi Yitschak. “O que acha?” Perguntou o Alter Rebe. “Não lhe dei um bom conselho?” E repetiu a pergunta. “Lhe dei um bom conselho, não?”

Na véspera do dia marcado para o início do julgamento, um incêndio irrompeu no tribunal. Todos os documentos importantes que estavam no prédio foram reduzidos a cinzas – inclusive a acusação oficial contra Reb Arieh. Por não haver outro registro, o caso foi descartado, e não houve mais acusação.

Adaptado de:

http://lchaimweekly.org/

http://lchaimweekly.org/lchaim/5770/1106.htm#caption8

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A MENORÁ PACIENTE

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Certa manhã, durante Chanuká do ano 5773 um grupo de adolescentes, entre eles Shmuel Lipsch da Yeshivá Ketaná Chabad de Tsfat, partiu para o Golan, para levar a luz de Chanuká e outras mitsvot para os residentes das muitas pequenas comunidades espalhadas por lá. Após uma longa tarde e uma longa noite de trabalho duro, e muito sucesso, começaram a voltar. Já eram quase dez da noite.

Quando se aproximaram da saída da estrada que leva à cidade de Hatsor – a 15 minutos de Tsfat – resolveram fazer um desvio para um grande Shopping Center que fica perto daquela saída, onde as lojas ainda ficavam abertas naquela hora, para espalhar a luz de Chanuká lá também. Foram de loja em loja, e numa delas viram uma menorá de Chanuká arrumada numa prateleira com o número correto de velas para aquela noite, mas que ainda não tinha sido acesa. Como se estivesse à espera deles.

Os estudantes entraram juntos. Imediatamente a lojista foi ao encontro deles muito feliz. “Eu estava rezando para que vocês viessem. Sei que as luzes de Chanuká trazem bênçãos para minha loja. Faço questão de que a menorá seja acesa todas as noites” – disse entusiasmada.

Os rapazes ficaram intrigados. “Já é bem tarde. Por que a senhora esperou tanto até que alguém chegasse? Por que não acendeu as velas?”

“Porque”, sorriu, “não sou judia.”

“Sou drusa”, continuou. “Moro na vila drusa de Tuba az-Zanghariyya.”

Além de surpresos pela resposta dela, ficaram mais confusos ainda. “Por que dá tanta importância às luzes de Chanuká se não é judia?”

Ela lhes contou detalhadamente e com muita sinceridade porque o acendimento da menorá de Chanuká era tão importante para ela. Os rapazes entenderam que além de “ajudar” nos negócios dela, ela tinha plena consciência de que o cumprimento de um mandamento tinha como conseqüência um relacionamento maior com o Comandante, com o Criador de Tudo.

E a sensibilidade espiritual dela fez com que os meninos desconfiassem de que talvez ela tivesse uma ligação com o judaísmo que ia além da mitsvá de Chanuká. E começaram a lhe perguntar sobre sua família e seu passado.

Em menos de um minuto ficaram sabendo do que já estavam desconfiando: ao responder a primeira pergunta sobre sua família ela, inocentemente, revelou que sua mãe era judia! (No mundo muçulmano, a religião vem do pai, de modo que ela jamais pensara que fosse judia de acordo com a lei da Torá.)

Os rapazes explicaram para ela que ela também tinha uma alma Divina judia, que recebera de sua mãe sendo, portanto, 100% judia.  Vai ver que esse forte compromisso de acender a menorá nas oito noites de Chanuka se originava de sua alma-neshamá judia, que buscava se expressar, acrescentaram os meninos.

Ela ficou super feliz. Perguntou se suas irmãs e seus irmãos eram judeus também. Muito emocionada, falou que contaria aos irmãos que ela é judia e eles também. E agradeceu muito aos meninos.

Naquela noite, a menorá da loja foi acesa e as benções foram ditas por uma judia orgulhosa de sua tradição, e que acabara de se conscientizar de que fazia parte do povo judeu.

Traduzido para o inglês e adaptado por Yerachmiel Tilles de um artigo do R. Yitschak Lipsch (pai de um dos meninos), publicado em “Lubavitch”: a newsletter semanal da comunidade Chabad de Tsfat (12 de dezembro de 2012)

Source: Translated and adapted by Yerachmiel Tilles from an article by Rabbi Yitzchak Lipsch published in “Lubavich“: the weekly newsletter of the Chabad community in Tsfat (Dec. 12, 2012).

Traduzido com permissão de:

http://ascentofsafed.com/

http://ascentofsafed.com/cgi-bin/ascent.cgi?Name=1044-13

Weekly Chasidic Story #1044 (s5778-13/ 23 Kislev 5778)

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O PRESENTE DE CHANUKÁ

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Nechama Berenshtein relatou o seguinte:

Era Chanuká e eu estava no Shopping. Estava com pressa, mas não para fazer as compras de última hora. Para falar a verdade, não sou lá muito consumista. Eu tinha levado um grupo de estudantes de Crown Heights, Booklyn, a um shopping Center em New Jersey para distribuir kits de menorá de Chanuká. Por sermos Chassidim Chabad-Lubavitch, estávamos à cata de oportunidades para incentivar outros judeus a acenderem as velas da Festa das Luzes.

O percurso até New Jersey demorara mais do que o esperado e precisávamos voltar 45 minutos após termos chegado. Eu tinha de voltar para o Brooklyn para dar uma palestra e estava na entrada do shopping para poder reunir as meninas a tempo.

Após olhar para o relógio pela milésima vez, percebi uma rodinha de cadeiras no meio da praça de alimentação. Lá estava um grupo de mulheres de todas as idades, sentadas conversando, rindo, comendo ou bebendo. “Vai ser fácil”, pensei, quando percebi que muitas das moças e mulheres pareciam judias.

Havia um jovem sentado sozinho na rodinha de cadeiras, mas estava na cara que não era judeu. Nem tanto por seu cabelo pintado de roxo e verde, nem pelos piercings que tinha nas orelhas e em outras partes do corpo. Ele simplesmente não tinha cara de judeu. Como o Rebe de Lubavitch sempre incentiva mulheres a abordarem mulheres (e homens a abordarem homens), fiquei tranqüila de que eu não seria indelicada se não oferecesse um kit de Chanuká ao rapaz.

Passei pelas mulheres e moças, perguntando se eram judias e se queriam kits de menorá de Chanuká. As mulheres judias reagiram positivamente e ficaram contentes de receber os kits. Algumas até me perguntaram se eu também tinha folhetos de acendimento das velas de Shabat.

Após falar com a última das mulheres, olhei para o relógio e vi que os 45 minutos estavam no fim. Comecei a andar rápido para a entrada do shopping para me encontrar com minhas alunas.

Dei alguns passos e ouvi alguém dizendo: “Nechama, volte.”

Não costumo ouvir vozes. Mas lá veio de novo: “Nechama, volte.”

“Me deixe em paz”, respondi para a voz. Mas ela não me desistiu.

“Nechama, volte a pergunte se ele é judeu.”

Resolvi voltar pro rapaz, que estava lanchando.

“Com licença, você é judeu?” – Perguntei-lhe.

No instante seguinte eu estava coberta de refrigerante, ketchup e mostarda. O jovem tinha se surpreendido tanto com minha pergunta que tinha largado tudo. Depois de se desculpar muito, ele me perguntou:

“Poderia me dizer por que me perguntou se sou judeu?”

Até hoje não sei por que essas palavras me vieram à mente, mas eu disse, com muita firmeza: “Você parece judeu!”

Foi quando ouvi um soluço, vindo do que só poderia ser o fundo de seu coração. O jovem começou a chorar e disse: “Diga isso de novo, por favor.”

“Você parece judeu”, eu disse novamente. Mais uma enxurrada de lágrimas. Mas ele se segurou mais uma vez e perguntou: “Por favor, diga isso de novo.” E eu disse.

Depois que se acalmou, o jovem me contou o seguinte:

“Minha mãe era judia, mas meu pai, não. Embora minha mãe não ligasse para religião – comemoravam em casa todas as festas não-judaicas – ela fez questão de que eu freqüentasse uma escola judaica.

“Todo dia, na escola, as outras crianças caçoavam de mim. Não por que não comemorávamos as festas judaicas em casa. Elas não sabiam disso. Era por que eu era a cópia exata de meu pai. As crianças da escola diziam: ‘Por que você está aqui? Não tem cara de judeu. Por que está de tsitsit e kipá, você não parece judeu.’ E é verdade. Eu não pareço nada judeu. As crianças mangavam de mim dia após dia. E eu voltava prá casa chorando. Meu pai pediu a minha mãe prá ela me deixar mudar de escola. ‘Não está vendo como ele está infeliz?’ Até que, após alguns anos de zombarias e tortura, minha mãe concordou com meu pai e me deixou ir estudar numa escola pública.

“Lembro até hoje as zombarias.” Disse, angustiado o jovem. “Hoje, quando eu estava sentado aqui vendo você falar com todas as mulheres e moças judias perguntando se eram judias, eu disse: “D-us, não tenho culpa de não está fazendo nada judaico. Olhe, essa moça vai abordar todos os outros, mas não vai se aproximar de mim para me perguntar se sou judeu. Não pareço judeu! Quando você chegou ao fim da rodinha, levantei os olhos para D-us e disse: ‘Vou até lhe mostrar que tenho razão. Mas se essa moça me perguntar se sou judeu, vou Lhe dar mais uma chance.’ Quando você foi embora eu disse: ‘Ahá. Tá vendo, D-us?’

E aí você voltou na minha direção. Bem, acho que agora vou ter que dar a D-us mais uma chance.”

Dei ao jovem um kit de menorá de Chanuká e o número do telefone do Beit Chabad daquela localidade. E nos despedimos.

Não sei se ele chegou a contatar o Beit Chabad. Mas sei que aquela luzinha que existe em cada um de nós, mesmo que não estiver sendo cuidada, ou se, D-us nos livre for zombada, brilha eternamente dentro de todo judeu.

Adaptado de:

http://lchaimweekly.org/

http://lchaimweekly.org/lchaim/5767/949.htm#caption2

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CHEVRON SHELANU

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Baruch Nachshon, o famoso artista, e sua esposa Sara, uma heroína moderna, estavam entre os primeiros judeus que voltaram para Chevron.

Em 1975, após a fundação de Kiryat Arba, numa colina acima da cidade velha de Chevron, os Nachshons festejaram o nascimento de um filho. Resolveram fazer o Brith Milah na Caverna de Machpelá, em Chevron – onde estão enterrados: Avraham e Sarah, Yitschak e Rivka, Yaakov e Lea e, de acordo com a tradição, Adam e Chava. O bebê recebeu o nome de Avraham-Yedidya.

Três meses depois, Sara encontrou Avraham-Yedidya morto no berço. A jovem mãe ficou profundamente angustiada. Por que seu filhinho (que tinha entrado no pacto de Avraham Avínu na cidade mais antiga do povo judeu na Terra de Israel) tinha sido levado com apenas três meses de idade? Tudo neste mundo tem um objetivo. Qual era o desígnio de seu filhinho de três meses?

Sara decidiu que Avraham-Yedidya seria enterrado no antigo cemitério judaico de Chevron. O cemitério não tinha sido utilizado desde que os 67 judeus massacrados no pogrom de 1929, de Chevron, foram lá enterrados. Está a minutos de distância dos túmulos tradicionais de Ruth e Yishai. E tem vista para a Caverna de Machpelá. Sara pensou que talvez tivesse sido esse o propósito do bebê: o de participar da renovação da Chevron judaica. Depois de quase cinqüenta anos de oposição árabe, o cemitério judaico de Chevron seria novamente utilizado como último local de repouso para judeus.

A procissão fúnebre partiu de Kiryat Arba no final da tarde, rumo ao antigo cemitério judaico de Chevron. De repente, os enlutados encontraram soldados e obstáculos! Os carros tiveram de parar. Soldados começaram a vasculhar o local, abrindo as portas dos carros, procurando alguma coisa. “Não, vocês não podem seguir para o cemitério.” Foram as ordens dos soldados para os enlutados. “O cemitério está inacessível.”

A porta de um dos carros se abriu. Uma mulher saiu com um pacotinho nos braços.

Falou para os soldados: “Estão me procurando? Procurando meu bebê? Meu nome é Sara Nachshon. Aqui está meu bebê em meus braços. Se não permitirem que a gente vá de carro até o cemitério, vamos a pé!”

Homens com pás e lanternas e muitas mulheres passaram caminhando por Chevron antiga ao cair da noite. Passaram pela Caverna de Machpelá. Passaram pela sinagoga de 450 anos de idade de Avraham Avínu, que ficou em ruínas, destruída pelos conquistadores jordanianos em 1948. Passaram pelas ruas árabes. Os bloqueios erigidos para barrar a multidão foram empurrados. Oficiais superiores davam ordens pelos walkie-talkies: “Precisam detê-los, não permitam que prossigam!” Mas os soldados, dominados pela cena, responderam pelo rádio: “Não podemos barrá-los. Se querem detê-los, vão ter de vir aqui e fazê-lo.”

A procissão continuou. Passou por Beit Romano, Beit Shneerson, casa de Menucha Rachel Shneerson-Slonim, neta do Báal HaTanya, subiu a colina íngreme rumo ao antigo cemitério. A lua iluminava a área. Sara Nachshon liberou o corpo de seu filhinho, Avraham-Yedidya, que foi depositado no túmulo recém-cavado há poucos metros da vala comum de 1929.

Não foi sem esforço que Sara falou:

“Nosso Patriarca Avraham comprou Chevron há quatro mil anos para o povo judeu, e enterrou sua esposa, Sara, aqui. Hoje Sara está readquirindo Chevron para o povo judeu, enterrando seu filho Avraham aqui.”

[Adaptado por Yerachmiel Tilles de WWW.hebron.co.il]

Traduzido com permissão de:

ascentofsafed.com

http://ascentofsafed.com/cgi-bin/ascent.cgi?Name=318-09

#318 (s5764-09/ 24 Cheshvan)

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SALVAÇÃO EM TORONTO

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R. Shlomo, o rosh yeshivá, andava prá lá e prá cá em seu escritório, quebrando a cabeça, tentando encontrar uma solução para um problema grave.

Há três meses os professores não recebiam salário… havia altos débitos referentes a alimentos… o aluguel do semestre ainda não tinha sido pago.

Olhava e voltava a olhar para todas as dívidas crescentes da yeshivá.

Convocou uma reunião para, pela primeira vez, discutir abertamente a situação.

Desviando o olhar, falou: “Vocês estão sentindo o grande problema financeiro da yeshivá. Estou fazendo tudo o que posso, mas durante este ano obtivemos menos doações, muitos pais não podem pagar as mensalidades e a situação não está nada boa.”

Os funcionários ouviam atentos, à espera da próxima frase. O que fariam?

R. Shlomo pigarreou e disse: “Por falta de opção, vou ter de fazer uma viagem de três meses aos Estados Unidos para levantar fundos. Nunca arrecadei dinheiro. Jamais bati nas portas para pedir doações, mas…” Havia um tremor em sua voz. “A realidade está me obrigando a isso. Minha viagem está marcada para a próxima semana. Espero ter sucesso. Rezem e continuem trabalhando dedicadamente como sempre fizeram.”

R. Shlomo passava pelas mansões de um bairro chique dos Estados Unidos. Porém, não conseguia apreciar a beleza do lugar. Tinha uma lista de pessoas abastadas que moravam ali. Esperava conseguir generosas doações daqueles palacetes luxuosos.

Descreveu, constrangido, diante do primeiro ricaço da lista, a situação difícil da yeshivá. O homem tirou uma nota de 50 dólares da carteira e lha entregou.

“Só?” – Exclamou decepcionado. O homem aquiesceu e apontou para a porta.

Não era um bom começo. Quantias pequenas como aquela não dariam nem para começar a pagar as dívidas monumentais.

Para sua infelicidade, as coisas continuaram daquele jeito. Já tinha passado por toda a lista de doadores em potencial. Tinha visitado todos eles, mas não obtivera muitos resultados.

Caminhava desanimado pela rua. Dali a dois dias deveria voltar. O que diria aos funcionários? Como poderia encará-los?

Um leve toque no ombro o despertou de seus pensamentos. “Shalom aleichem, R. Shlomo, meu amigo. Que bom encontrar você! O que o traz aqui? Uma simchá na família?” Perguntou o amigo.

“O motivo de minha visita não é alegre. A situação financeira não está nada boa. A yeshivá está com dívidas enormes e vim para levantar fundos. Volto daqui a dois dias, mas não tenho boas notícias. Não tive sucesso.”

Seu amigo era um Chassid Lubavitch. Olhou para o rosto desanimado de R. shlomo e disse em tom animador: “Vá ver o Rebe. Ele é o único que poderá ajudá-lo. Muitos foram ajudados com suas bênçãos.”

R. Shlomo não era um Chassid Chabad e jamais tinha visitado o Rebe. Mas aceitou a sugestão. Não tinha nada a perder.

Seu amigo conseguiu marcar uma yechidut para ele para o dia seguinte. Na yechidut, R. Shlomo contou ao Rebe sobre a situação difícil da yeshivá.

“Quando está pensando em voltar para Êrets Yisrael? – Perguntou o Rebe.

– “Amanhã”, respondeu.

O Rebe olhou para ele e disse: “Por que não vai por Toronto?”

R. Shlomo pensou: “Que idéia… Passei três meses viajando pelos Estados Unidos e Canadá, inclusive Toronto. Por que haveria de voltar lá?” Mas por respeito, não disse nada.

Quando saiu do escritório do Rebe, seu amigo estava lá fora esperando, impaciente, querendo saber o que o Rebe lhe dissera. R. Shlomo lhe contou e fez com a mão, um gesto de desdém.

“Não despreze o que o Rebe disse! Você precisa ir a Toronto. O Rebe nunca erra. Se ele está mandando você para lá, é lá que vai encontrar ajuda.”

Shlomo não tinha nem dinheiro para modificar a passagem, mas seu amigo lhe ofereceu a quantia necessária e R. Shlomo aceitou.

No dia seguinte, R. Shlomo pegou um avião para Toronto. Tentou se acomodar confortavelmente no assento apertado, na esperança de dar um cochilo, mas não conseguiu. Um jovem judeu estava ao seu lado. Começaram a bater papo. O rosh yeshivá contou a seu companheiro de vôo o motivo de sua viagem, e o jovem falou: “Trabalho numa firma de seguros e meu patrão é judeu. Ele não costuma fazer doações para caridade, mas não custa tentar.”

R. Shlomo viu nisso um sinal do Céu e aproveitou a oportunidade como um náufrago se apega a um colete salva-vidas.

O jovem marcou um encontro com seu patrão e quando R. Shlomo entrou, começaram a discutir as dificuldades financeiras da yeshivá.

“De quanto dinheiro o senhor está precisando?”- Perguntou o patrão.

“Nossa dívida é de US $22.000.” – Disse, esperando que o homem tirasse da carteira alguma nota de pouco valor. Para sua surpresa, porém, o homem pegou o talão de cheques e passou um cheque de toda a quantia!

“Você deve estar brincando! Não pode ter sido convencido a fazer uma doação tão generosa em apenas cinco minutos!” – Disse, surpreso, R. Shlomo, tentando descobrir se o homem estava falando sério.

“Falo sério, e o cheque é verdadeiro. Vou lhe contar o motivo de eu estar dando uma contribuição tão grande. Ontem à noite, meu pai me apareceu num sonho e disse: ‘Se quiser fazer algo de bom para mim, por favor, dê tsedaká.

“O sonho foi tão vívido, que prometi a meu pai que o faria. E agora o senhor chegou e me pediu tsedaká. E disse que precisava de $22.000. Hoje é o aniversário de falecimento de meu pai. Sabe há quantos anos ele faleceu? Vinte e dois. Quer um sinal mais claro do que este?”

Adaptado de

Nechama Bar

em:

http://beismoshiachmagazine.org/

http://beismoshiachmagazine.org/articles/salvation-in-toronto.html

(Inglês)

Leilui Nishmat:

Chaim Avraham ben Sara e Yossef Fogel

David ben Avraham (Curico)

Neche bat Shlomo

Miriam bat Yaakov

Chava bat Libi

Efraim Kopl ben Eliyáhu

Chaim Shemuel ben Aba

Moshê Baruch ben Yaakov Tsvi haLevi

Miriam bat Yaakov Kopl Halevi

Beile (Berta) bat Refael

Aba (Abel) ben (Eliyáhu) Eliash Leibas

Pinchas ben Moshê

Mordechai ben Yaakov Kopl HaLevi

Lea bat Hersh

Efraim Shlomo ben Motl Halevi

Eliyáhu ben Yaakov

Yaakov ben Eliyáhu

Miriam bat David

Chana Liba bat Tuvia

Todos os soldados que caíram defendendo nosso povo HY’D

Todas as vítimas do terror HY’D

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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UM OÁSIS NO DESERTO

BS’D

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6 Tishrei é o yartseit da Rebetsin Chana Schneerson, mãe do Rebe.

Feivel S. relata o seguinte:

Imagino que eu deveria ter me sentido grato e com sorte por ter tido a oportunidade de me envolver com a reabilitação de judeus deslocados na Europa, após a guerra. Para mim, era difícil sentir otimismo, pois tinha perdido tudo no Holocausto. Um velho amigo me conseguiu um emprego no escritório do Vaad HaHatsalá (Organização de Socorro) em Paris. A carga de trabalho constante que meu serviço exigia ajudou a manter minha sanidade.

Sentado atrás de uma grande mesa abarrotada de papéis e formulários, encontrei consolo e dor: consolo por estar numa posição de ajudar outras pessoas a reconstruir a vida, mas uma dor constante ao escutar tantas histórias trágicas.

Certo dia, ouvi uma batida curta e suave na porta de meu escritório. Bem diferente das batidas nervosas dos sobreviventes perturbados a que eu estava acostumado.

“Pode entrar”, falei.

Um homem de barba, bem vestido, chegou-se a minha mesa. Desde o primeiro instante em que o vi, fiquei profundamente impressionado.

Suas características distintas irradiavam paz interior. Aquilo me impressionou, pois, na Europa do pós-guerra a paz interior era algo muito raro. Além disso, sua compostura calma era contagiante e, pela primeira vez em anos, senti-me à vontade.

“Em que posso ajudá-lo?” – Perguntei.

“Minha mãe, Rebetsin Chana Schneerson, chegou da Rússia. Vim para ajudar em sua emigração para os Estados Unidos. Poderia me dizer quanto tempo devo dedicar a esse procedimento? Eu gostaria de organizar meu cronograma.”

Eu não conseguia desviar os olhos desse homem de fala mansa. Foi a primeira pessoa a entrar no meu escritório com um senso de direção, expressando a vontade de calcular o tempo e utilizá-lo sabiamente. Naquela bagunça de uma Europa caótica, lá estava um homem que valorizava seus minutos.

Prometi ajudar em tudo o que estivesse a meu alcance, garantindo-lhe que eu tentaria processar os papéis necessários, de modo que ele pudesse usar seu tempo como bem lhe aprouvesse. Dei-lhe todos os formulários que tinham de ser preenchidos, e ele forneceu todas as informações necessárias. Em seguida, agradeceu-me e foi embora. Os poucos minutos que passou comigo me deixaram renovado e motivado.

Muitos anos se passaram. Casei, construí família e imigrei pra os Estados Unidos. Certo dia, estava no Brooklyn, no carro, com um colega de trabalho.

“Vamos visitar o quartel-general de Lubavitch”, sugeriu ele.

“Por que não?” – Respondi. Dezessete anos tinham passado desde aquele incidente em Paris. Embora eu jamais tivesse ido ver o Rebe, tinha ficado sabendo que ele era o homem que estivera em meu escritório e aquele encontro ainda estava gravado em minha memória.

Chegamos no 770 no meio de um farbrenguen – uma reunião Chassídica com milhares de participantes. Fiquei encantado com o que vi: uma atmosfera de intensidade espiritual muito diferente do ambiente americano comum. Olhei lentamente em volta, alternando meu olhar entre o Rebe e os Chassidim.

De repente, captei o olhar do Rebe, ou foi ele que pegou o meu? Estava olhando direto para mim e depois fez um sinal para um de seus atendentes e lhe disse algo. Antes que eu pudesse perceber, o atendente estava perto de mim. “O Rebe está lhe chamando”, sussurrou. Fiquei simultaneamente surpreso e perturbado com a atenção inesperada.

Segui, trêmulo, o atendente e me vi face a face com o Rebe. Era a mesma voz calorosa e eloquente que ecoava em meus ouvidos, de dezessete anos antes.

Yasher Koach (muito bem!) por seus esforços pela minha mãe há dezessete anos em Paris. Bênção e agradecimento por tudo o que você fez.”

De: “To Know and to Care”, R. Eliyahu e Malka Touger, publicado por Sichot in English.

Adaptado de: http://lchaimweekly.org/

http://lchaimweekly.org/lchaim/5767/939.htm#caption9

(Inglês)

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UM JUDEU É SEMPRE JUDEU

BS’D

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Betsalel Schiff nasceu na antiga União Soviética. Atualmente mora em Israel e faz muito pelo povo judeu. Ele conta o seguinte:

Quando eu era criança, na segunda série primária, meu pai faleceu. Minha mãe também morreu cedo, devido a um incidente trágico. A história que vou contar aconteceu uma semana antes de meu casamento.

Era uma época cheia de perseguição e muito sofrimento. O pavor de cumprir mitsvot era enorme. Qualquer ação praticada em nome da Torá e do judaísmo era perigosíssima. Como eu já não tinha pais e morava sozinho, assumi várias missões por meus companheiros judeus, muitas delas perigosas.

Uma das minhas tarefas era conseguir arba minim (lulav, etrog, etc.) para os judeus de Samarkand. Viajava para a Geórgia para colhê-los para a festa de Sucot. Partia logo após Rosh Hashaná, de modo que eu pudesse estar de volta para Yom Kipur.

Certo ano, cheguei em Tbilisi, na Goeórgia, onde o policial de sempre me esperava. Ele me conhecia, e me levou ao local onde as palmeiras cresciam numa área à beira-mar. Como eu lhe pagava muito bem, o policial me esperou respeitosamente e até me conseguiu uma escada e um serrote. Cortei dez lulavim (ramos de palmeira), o que era suficiente para todos os membros de nossa comunidade. Em seguida, prossegui para Kutaisi, onde colhi hadassim (murta), que cresciam em abundância no pátio da sinagoga. Era isso o que eu fazia todos os anos.

Naquele ano, quando concluí minha tarefa e queria voltar para casa, em Samarkand, antes de Yom Kipur, soube que não havia passagens disponíveis. Ofereci muito dinheiro, o triplo do preço, mas não havia nenhuma passagem.

Eu conhecia um judeu que tinha uma farmácia. Achei que ele poderia me ajudar. “Se não houver passagem para Samarkand, pelo menos me ajude a chegar em Moscou, onde mora meu irmão”, implorei. Eu tinha esperanças de poder passar Yom Kipur lá, com ele.

O homem fez o que pode, mas nada conseguiu. Acabou conseguindo acomodações para mim num hotel especial, perto do aeroporto, na esperança de que na manhã seguinte, véspera de Yom Kipur, eu conseguisse lugar num avião que fosse para Samarkand, ou pelo menos para Moscou.

Quando entrei no quarto, vi um jovem dormindo em uma das camas. Deitei-me na outra cama e adormeci. Na manhã seguinte, acordei cedo e corri para o aeroporto, para ver se havia algum vôo. Vi que eu tinha tempo até que os aviões começassem a partir, e voltei para meu quarto. O outro homem tinha acordado e estava sentado na cama. Eu queria pegar meus tefilin e rezar, mas sua presença me incomodava. Perguntei se ele ia logo embora ou se ia ficar no quarto.

“Não estou com pressa e vou ficar aqui”, disse, dando de ombros. “Por que, precisa de alguma coisa?” – Perguntou.

– “Sim, você está me atrapalhando” – eu disse honesta e corajosamente. “Hoje à noite temos um grande feriado e agora quero rezar.”

“Então reze”, disse ele, “não estou atrapalhando.”

Por falta de opção, voltei-me para a parede, coloquei meus tefilin e comecei a rezar. Quando acabei, virei-me e vi que o jovem já tinha se vestido. Trajava uniforme de oficial do Exército Vermelho. Quando vi sua patente e suas medalhas, vi que tinha entrado pelo cano. Pensei: “Pronto. Estou frito. Eu não sabia o que fazer, pois tinha sido pego no flagra pondo tefilin. Eu ainda estava em estado de choque, e pensando no que diria quando ele me perguntou calmamente: “Que feriado temos hoje?”

Por um instante não captei o que ele queria dizer, e eu disse: “Hoje à noite é Yom Kipur.” Olhei para ele e vi que ele estava sentado na cama, de cabeça baixa, perdido em pensamentos. Em seguida, ouvi que ele suspirou e disse para si mesmo: “Oy, Moishe, o que está havendo com você? Nem isso você lembra?” E caiu no choro.

Depois que se acalmou me perguntou: “O que você quer agora?”

– “Quero voltar para casa antes do feriado”, eu disse.

– “Para onde quer ir?”

– “Para Tashkent.”

– “Então venha comigo.” E se levantou e saiu do quarto.

Lá fora, vi um veículo militar e um motorista. Ele disse ao motorista para nos levar para o aeroporto. Quando chegamos lá, ele perguntou onde ficavam os aviões para Tashkent (que é perto de Samarkand). Saímos para a pista e ninguém ousou detê-lo, tampouco falar alguma coisa. Sua alta patente impunha respeito. Quando achou o avião para Tashkent disse ao piloto: “Para onde está indo?”

“Tashkent.”

“Leve-o”, ordenou.

O piloto não ousou desobedecê-lo e eu consegui chegar em casa antes de Yom Kipur.

Antes de se despedir de mim, o oficial me perguntou: “Se eu quiser encontrar você em Tashkent, como faço?” Eu lhe disse que fosse à sinagoga e perguntasse por Betsalel. Alguns meses depois ele realmente foi a Tashkent e me procurou.

Por Menachem Ziegelboim

Beit Moshiach Magazine

Adaptado de: http://lchaimweekly.org/

http://lchaimweekly.org/lchaim/5763/736.htm#caption3

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ZALMAN ZALMAN

 

BS’D

mikvah1

“Um Zalman assim jamais houve e jamais haverá!”

 

O Alter Rebe (Admor Hazaken, o Rav. Schneur Zalman de Liadi, autor do Tanya e do Shulchan Aruch) demonstrou imensa sabedoria e instituiu muitos melhoramentos nos mikvaot (com, por exemplo, o aquecimento da água do mikvê).

 

E lá onde o Alter Rebe morava havia um não-judeu muito idoso, que trabalhava no mikvê – cortava lenha, acendia o fogo para esquentar a água, trazia do poço água para o banho, etc.

 

Assim era em todas as cidadezinhas: havia um não-judeu com essa função, e na maioria dos casos, por trabalhar lá tanto tempo, sabia falar yídish, e sabia de tudo sobre mikvê, inclusive quando as mulheres precisavam imergir, etc.

 

Esse não-judeu trabalhara lá durante muitos anos e, certa vez, disse carinhosamente ao Alter Rebe:

 

“Zalman, Zalman, você é tão sabido, sua mãe não foi num mikve assim, mas um Zalman assim jamais houve e jamais haverá! 

 

(Likutê Sipurim, Parlov, pág. 70)

(Lêket Lakalá Velamadrichá, pág. 103)

     https://sites.google.com/site/nashimtsidkaniot/

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UM HOMEM RELIGIOSO

BS’D

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Certo dia, o Báal Shem Tov chamou um dos seus chassidim e lhe perguntou:

– “Quer aprender a ser temente a D-us?”

– “Sim, Rebe,” – disse o Chassid.

– “Na cidade de Odessa, numa ruazinha estreita no distrito portuário, mora um determinado estivador. Hospede-se em sua casa. Dele você vai aprender o que significa devoção sincera.”

O Chassid viajou até Odessa e conseguiu encontrar o homem que o Báal Shem Tov descrevera. O homem aceitou a oferta da modesta quantia que o Chassid ofereceu em troca de uma semana de hospedagem. E o Chassid se acomodou lá, para observar o comportamento de seu anfitrião.

Mas se o visitante esperara longas horas de preces toda manhã, seguidas de estudo à luz de vela pela noite adentro, ficou decepcionado. Percebeu que o dono da casa era um judeu simples, iletrado, que acordava cedo toda manhã, rezava de modo simples e rápido, e saia para trabalhar no porto. De noite voltava, rezava as orações da noite, comia uma refeição simples e ia dormir. Deste modo, o Chassid passou a maior parte da semana sem aprender nada e cada dia ficava mais entediado.

O estivador murava num sótão de um quarto só, escassamente mobiliado. Tinha uma única janelinha de vidro, bem lá no alto da parede. Um dia, enquanto o dono da casa estava no trabalho, o Chassid, inquieto e curioso, subiu numa mesa para olhar pela janela. Para seu horror, viu um quintal onde aconteciam atividades criminosas em todas as horas do dia e da noite.

Quando seu anfitrião voltou naquela noite, o Chassid lhe perguntou:

– “Me diga uma coisa: como pode um judeu morar perto de tais vizinhos? Você não poderia encontrar um lugar melhor para morar que não dê pro quintal de tal estabelecimento?”

Aí foi o estivador quem ficou horrorizado.

– “Moro aqui há vinte anos”, – disse – “e jamais me passou pela cabeça olhar para o quintal de estranhos para ver o que estavam fazendo. Você, porém, mal chegou há poucos dias e já está subindo nas mesas e espionando todos os pecadores da vizinhança.”

Adaptado de:

http://lchaimweekly.org/

http://lchaimweekly.org/lchaim/5757/484.htm#caption9

(Que reimprimiu de “The Week in Review)

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