Já era quinta-feira, e Yakel ainda não tinha um tostão para as despesas do Shabat. Estava disposto a aceitar qualquer trabalho para conseguir pelo menos dinheiro para vinho e chalot. Quando veio a sexta-feira e ele ainda estava sem trabalho, apesar de muito tentar, sua esposa teve uma ideia.
“Sabe, Yankel, há um grande rabino em nossa cidade que está precisando de um shiduch para um de seus filhos. Ouvi dizer que ele dá três rublos para qualquer pessoa que tenha uma proposta decente. Tenho certeza de que podemos pensar em alguém adequado. Aí você dá a sugestão para o rabino e, pelo menos, teremos três rublos com que honrar o Shabat.”
Por não ver alternativa, Yankel deu tratos à bola e acabou tendo uma ideia interessante. Correu à casa do rabino e sugeriu o casamento.
Os olhos do rabino se iluminaram. “Este shiduch é digno de consideração”, disse. “Venha após o Shabat e lhe direi se quero ir atrás.”
O coitado do Yankel ficou arrasado. Apesar de envergonhado, não conseguiu conter a decepção. “Mas… não vou ganhar os três rublos como pagamento pela sugestão?” Gaguejou.
“Meu bom homem”, respondeu o rabino. “Minha resposta depende da solução de dois textos contraditórios no Talmud. Em um deles, nossos Sábios dizem (Talmud Sotá 2 a) que quarenta dias antes da concepção de uma criança, a Corte Celestial anuncia: ‘A filha de Fulano se casará com o filho de Sicrano.’ Por outro lado, mais adiante na mesma página também afirmam: ‘Encontrar a alma gêmea é tão difícil quanto a abertura do Mar Vermelho.’ Essa afirmação é problemática. Se o casamento já tinha sido anunciado, qual é a grande dificuldade?
“A dificuldade vem das más interpretações feitas pelos anjos que têm a função de juntar o casal. Infelizmente, há muitos anjos defeituosos. Foram criados a partir de mitsvot cumpridas indevidamente, bênçãos pronunciadas sem o devido cuidado e preces desprovidas de pensamento concentrado. Esses anjos imperfeitos saem surdos, mudos ou mancos. Por isso não podem transmitir direito o nome do verdadeiro par de uma pessoa.
“Consequentemente, casamenteiros aparecem com muitas sugestões. As diversas ideias que eles têm são os nomes mal interpretados pelos anjos aleijados. Quando essas sugestões me são apresentadas, sinto que não são a alma gêmea. Contudo, sinto-me obrigado a pagar esses rublos pelo esforço e a boa vontade.
“Sua sugestão, porém, parece ser a correta, anunciada no Céu. Depois do Shabat, discutiremos como proceder com esse shiduch e você ganhará bons honorários pelo seu esforço – muito mais do que três rublos.”
[Lightly edited by Yrachmiel Tilles from “From My Father’s Shabbos Table” (pp. 110-111), Eliyahu Touger’s excellent selection and translation from the first two volumes of Rabbi Yehuda Chitrik’s 4-volume series, Reshimat Devorim.]
Duas semanas antes de Rosh Hashaná de 1734, em seu trigésimo sexto aniversário, Rabi Yisrael Báal Shem Tov foi revelado como o mais sagrado homem do planeta e líder do movimento Chassídico,que ainda estava em seus primórdios.
Antes disso, fazia de tudo para esconder suas qualidades especiais. Vestia-se, falava e se comportava como qualquer judeu ignorante e pobre da Ucrânia.
Para sustentar-se, labutava como simples trabalhador. Suas preces intensas, sua meditação, seu profundo estudo da Torá eram feitos em segredo. Ao conversar com outros judeus, costumava inspirá-los com ensinamentos e histórias do Midrash e Talmud que acentuavam o valor de servir a D-us com simplicidade, mas com sinceridade. Empenhava-se para neles estimular um amor por D-us, pela Torá e por todo o povo judeu. Mas o fazia numa linguagem de gente simples. Ninguém suspeitava de que fosse mais do que aparentava. Apenas sua esposa sabia quem ele realmente era.
Por vezes acontecia de ter de utilizar seus poderes extraordinários para salvar judeus, e até mesmo comunidades inteiras, de perigo. Quando assim fazia, tão logo se esgotasse a necessidade, mudava-se para um lugar distante, onde ninguém o conhecia. Uma dessas ocasiões aconteceu em Lag BaOmer.
Naquela época, as comunidades do Leste Europeu sofriam ataques frequentes de bandos de cossacos violentos e outros antissemitas grosseiros. Eles espancavam e até matavam os homens judeus, estupravam as mulheres e saqueavam e destruíam todos os bens dos judeus que viessem a cair em suas mãos.
Certa vez, os habitantes da cidade onde o Báal Shem Tov estava morando ficaram sabendo que um bando desses cruéis saqueadores estava se aproximando. Toda a comunidade judaica resolveu abandonar seus lares e se esconder nas montanhas durante alguns dias, até que os cossacos invasores se acalmassem e partissem. O Báal Shem Tov os acompanhou. As pessoas se abrigaram em cavernas.
Lá de seu esconderijo, viram o bando de cossacos chegando. Não encontrando judeus para atacar, lançaram toda sua ira e frustração nos bens dos judeus. Invadiram o depósito de vinho, embebedaram-se, arrebentaram o restante dos barris e atearam fogo ao prédio. Os judeus, que viam tudo à distância, tremiam de medo que os cruéis cossacos resolvessem procura-los nas colinas e os descobrissem.
Passaram-se alguns dias. Os invasores empilharam tudo o que saquearam das casas e lojas dos judeus. Os judeus ainda estavam com medo de ser descobertos quando, assustados, viram aquele discreto ‘Yisroelik’ juntando grupos de crianças fora das cavernas, em plena luz do dia!
Protestaram, ao que o Báal Shem Tov explicou que aquele era o dia sagrado de Lag BaOmer, um dia de ir para os campos e comemorar, com alegria, o dia de Rabi Shimon bar Yochai.
Assegurou-lhes de que não havia perigo e que o mérito de celebrar Lag BaOmer ajudaria a proteger e salvar toda a comunidade.
Seu entusiasmo e convicção influenciaram os pais, de modo que lhes deram permissão. O Báal Shem Tov foi de caverna em caverna e reuniu quase todas as crianças.
Muitos adultos ainda estavam ponderando sobre o espantoso acontecimento quando o Báal Shem Tov deu início a sua mini parada. As crianças marchavam, cantando alegremente, seguindo seu novo líder carismático.
A princípio, estavam um pouco receosas e cantavam aos cochichos, mas em pouco tempo, seu medo dissipou-se, fazendo com que aumentassem o volume, cantando as melodias contagiantes do dia, honrando Rabi Shimon Bar Yochai.
Os pais observavam os filhos com um misto de carinho e ansiedade. Mas sua atenção logo se voltou para o Báal Shem Tov. Era como se ele fosse uma pessoa que jamais tinham visto, seu rosto iluminado em Divino êxtase, dançando na roda das crianças. O simples Yisroelik que eles tinham conhecido transformara-se, diante de seus olhos, no mais sagrado dos homens. Sua voz, junto com a das crianças puras e inocentes, cantava como os anjos do Céu.
A parada e os cantos prolongaram-se durante bastante tempo. Depois, o Báal Shem Tov levou as crianças até um pequeno planalto, fez com que sentassem na grama e distribuiu para todas guloseimas que levara. Fez com que cada criança falasse alto e corretamente a bênção para o alimento que recebera. Em seguida, depois que acabaram de comer, contou-lhes histórias fascinantes do Talmud e do Midrash sobre Rabi Shimon bar Yochai e Rabi Akiva. As crianças ouviam, encantadas. Sentiam o grande amor que o Báal Shem Tov tinha por cada uma delas e retribuíam com grande afeto.
Os pais e demais adultos da vila ainda estavam muito preocupados. Como podia Yisroelik ficar tanto tempo ao ar livre com seus filhos? Olhavam alternadamente da vila abaixo para as fileiras de crianças sentadas diante do Báal Shem Tov. Sussurravam preces para que tudo acabasse bem e todos ficassem sãos e salvos.
De repente, viram que o bando de cossacos saiu correndo em todas as direções. Fugiram tão de repente que nem levaram nada do que tinham juntado.
Inicialmente, os judeus ficaram com medo de que os invasores enlouquecidos estivessem a sua procura, mas a velocidade com que desapareceram logo acalmou seus temores. O perigo passara!
Acabaram entendendo o que acontecera. Os bandidos souberam – ou pensaram – que um batalhão de soldados estava vindo em sua direção. Apavorados, fugiram abandonando tudo o que poderia atrapalhar sua fuga.
Os judeus voltaram rapidamente para casa, espantados com o milagre que acontecera. Tinham certeza de que o milagre ocorrera em mérito da alegre comemoração das crianças com o tsadik, anteriormente oculto, o Báal Shem Tov (que já tinha se mudado para outro lugar!) em honra ao grande sábio Rabi Shimon bar Yochai, em seu dia de júbilo, Lag BaOmer.
[Traduzido para o inglês e adaptado por Yrachmiel Tilles, de Sichat Hashavua 176.]
No dia 2 de Iyar (tiferet shebetiferet) de 5694, nasceu em Lubavitch, o filho temporão do Rebe Tsemach Tsêdek, chamado Shmuel, o Rebe Maharash.
Certa vez, o Rebe Maharash (Rabi Shmuel, o quarto Rebe de Chabad) viajou a Paris. E com ele viajaram os gabaim R. Levik e R. Pinchas Leib. E os chassidim Rabi M. Monezson e Reb Yeshaya Berlin também foram. Quando lá chegaram, Reb Y. Berlin perguntou a seu tio, o Rebe Maharash para onde deviam ir. E o Rebe respondeu que deveriam ir para o Hotel Alexander, um dos mais luxuosos de Paris, frequentado pela nobreza. E acrescentou:
“Como você não sabe falar francês, deixe que eu falo.”
Quando chegaram ao hotel, o Rebe pediu vários quartos, e lhe disseram que havia quartos disponíveis por 200 francos a diária. O Rebe perguntou se havia quartos melhores, e se estavam no mesmo andar dos salões de jogos.
Responderam que havia tais quartos disponíveis, mas o preço era altíssimo. O Rebe pegou três quartos, apesar do preço: um para si, um para R. Levik e outro para R. Pinchas Leib. R. Yeshaya Berlin e R. Monezson ficaram em outro hotel, menos dispendioso.
Após algumas horas no hotel, o Rebe foi ao salão de jogos, onde jogavam dados. Sentou-se perto de um jovem que estava jogando e que, de vez em quando sorvia vinho. O Rebe pôs a mão sobre o ombro do rapaz e disse:
“Jovem, yáyin nessech (vinho não-kasher) é proibido beber.”
E repetiu:
“Yáyin nessech embota a mente e o coração – seja um bom judeu. Boa noite.”
Em seguida o Rebe voltou para seu quarto muito emocionado. R. Y. Berlin disse que jamais vira seu tio tão impactado.
Naquele hotel, quando alguém queria ir de um andar a outro (ainda não existiam elevadores) havia cadeiras especiais em que os hospedes sentavam e eram carregados. Devido a seu estado emocional, o Rebe sentou-se em uma daquelas cadeiras e, quando pegaram a cadeira para levá-lo pelas escadas, lembrou-se de que seu quarto era naquele andar mesmo. Desculpou-se e voltou para seu quarto.
Algumas horas depois, o jovem perguntou onde estava o homem que tinha falado com ele, entrou no quarto do Rebe e lá ficou durante bastante tempo. No dia seguinte o Rebe deixou Paris.
O Rebe explicou, depois, que há várias gerações não houvera uma alma tão pura, só que estava nas profundezas das klipot (do mal).
O jovem tornou-se báal teshuvá e o patriarca da família K. da França – uma família religiosa e temente a D-us.
Adaptado de:
“Sipurei Chabad”, R. Avraham Chanoch Glitsenstein,
Vol. VIII, págs. 44-45
(Hebraico)
Em homenagem ao Yom Huledet de Yisrael Arieh Leib ben Chaia
Leilui Nishmat:
Eliyahu ben Aba
Chaim Avraham ben Sara e Yossef Fogel
Moshe Haim ben Kaila z’l
David ben Avraham (Curico)
Neche bat Shlomo
Miriam bat Yaakov
Chava bat Libi
Efraim Kopl ben Eliyáhu
Chaim Shemuel ben Aba
Moshê Baruch ben Yaakov Tsvi haLevi
Miriam bat Yaakov Kopl Halevi
Beile (Berta) bat Refael
Aba (Abel) ben (Eliyáhu) Eliash Leibas
Pinchas ben Moshê
Mordechai ben Yaakov Kopl HaLevi
Lea bat Hersh
Efraim Shlomo ben Motl Halevi
Eliyáhu ben Yaakov
Yaakov ben Eliyáhu
Miriam bat David
Chana Liba bat Tuvia
Isaac ben Luzer
Libe bat Tzipora
Avraham Duvid ben Eliezer
Tzipora bat Zalman
Todos os soldados que caíram defendendo nosso povo HY’D
Quando Rabi Levi Yitschak de Berditchev concluiu seu Seder, ouviu uma voz celestial dizendo-lhe que, naquele ano, “Moishele, o carregador de água de Berditchev, cumpriu a mitsvá de contar a seus filhos sobre o Êxodo melhor ainda do que você, e D-us curtiu a narrativa de Moishele mais que a de qualquer outra pessoa.”
No dia seguinte, depois da reza, o Rebe pediu a alguns de seus alunos que pedissem a Moishele que fosse ver o Rebe. Quando Moishele chegou, começou a chorar, dizendo: “Rebe, nunca mais vou fazer isso. Sinto muito. Não sei o que deu em mim.” O pobre homem estava arrasado.
O Rebe respondeu mansamente: “Ouça, não se preocupe. Só me conte o que você fez ontem à noite.”
Ora, Moishele era, no íntimo, um homem bom e inocente, temente a D-us e de coração puro. Mas tivera uma vida difícil. Ficou órfão muito cedo, e sempre fora paupérrimo. Infelizmente, caíra na tentação do álcool para poder suportar seus sofrimentos.
O “problema” é que em Pessach não se pode beber vodka. De modo que Moishele teve uma grande ideia: viraria a noite anterior a Pessach e beberia uma quantidade de vodka que o deixaria “numa boa” durante oito dias seguidos, toda a festa de Pessach.
E foi o que Moishe fez: quando chegou a noite antes de Pessach, bebeu e bebeu, até o último minuto em que se tem de parar de comer chamets na manhã anterior a Pessach. Quando deu 9:20, bebeu um último “Le chaim” e pronto. Encerrou a bebedeira.
Chegou a noite do Seder. Sua esposa foi acordá-lo e disse: “Moishele, não é justo. Toda casa judaica tem um Seder. Temos filhos pequenos, e somos os únicos que não temos Seder.”
Moishele olhou para o Rebe de Berditchev e continuou sua história: “Naquela hora me arrependi de ter bebido tanto na noite anterior! Como me arrependi! Teria feito qualquer coisa para não estar bêbado. Mas o que eu podia fazer? Pedi para minha esposa me acordar uma hora depois. Ela me acordou de hora em hora, e depois a cada meia hora. Depois, ele me disse: “Moishe, daqui a vinte minutos a noite do Seder acaba. E as crianças já estão dormindo. Que vergonha. Você é um péssimo pai e um péssimo marido!
“Fiquei arrasado!” Moishele disse ao Rebe. “Não tenho palavras para expressar o amor que sinto por meus filhos, e nem mesmo lhes dei um Seder. Percebi quão baixo tinha caído, que sou um péssimo pai alcoólatra . Com minhas últimas forças, levantei-me da cama e me sentei na mesa do Seder. Disse para minha esposa: “Por favor chame nossos queridos filhos.”
“Ela chamou as crianças e eu lhes disse: ‘Por favor, sentem aqui pertinho de mim, preciso conversar com vocês.
‘Quero que vocês saibam que sinto muito por ter bebido e por ser alcoólatra. Mas agora ainda é a noite do Seder e vou lhes contar, em poucas palavras, a história de Pessach.’”
Moishele disse para o Rebe: “Mal sei ler hebraico, e ainda estava bêbado, mas fiz o melhor que pude. Eu disse: ‘Crianças, quero que vocês saibam que D-us criou o Céu e a Terra em sete dias. Depois, Adam e Chava comeram da Árvore e foram expulsos do Paraíso. Desde então, tudo foi por água abaixo: houve um dilúvio, uma Torre de Babel’ – isso era tudo o que eu sabia. Então continuei. ‘Depois vieram Avraham e Sara, Yitschak e Rivka, Yaakov e Rachel e Léa e seus doze filhos sagrados. Depois o Faraó nos escravizou, e hoje de noite, D-us nos tirou do Egito.
“‘Agora também estamos no exílio. E quero que vocês saibam, queridos filhos, que o mesmo D-us que nos tirou do Egito ainda está vivo e presente e, muito em breve vai nos libertar deste exílio também..’”
“Aí olhei para cima e disse: ‘Pai do Céu, muito obrigado por nos ter tirado do Egito. E lhe imploro, querido Pai, por favor, nos tire deste exílio atual muito, muito em breve!’
“Rebe, sinto muito. Não pude dizer mais nada pois eu ainda estava bêbado. Peguei a Matsá, o Maror e o Charosset que estavam sobre a mesa e os comi. Depois, enchi quatro copos de vinho e os bebi, um após o outro, me virei e adormeci novamente.”
O tsadik, Rebe Levi Yitschak de Berditchev estava chorando amargamente. Disse a seus alunos: “Vocês escutaram isso? Eu queria uma vez na vida conseguir comunicar o espírito do judaísmo a meus filhos do jeito que Moishele fez. Queria uma vez na vida conversar com D-us do jeito que Moishele conversou ontem à noite.”
Source: Adapted by Yerachmiel Tilles from an emailing of Rabbi Y. Y. Jacobson (//The Yeshiva.net), who is an internationally acclaimed educator and lecturer in great demand, and an annual summer guest teacher at Ascent here in Tsfat.
Certo ano, pouco antes do primeiro Sêder de Pêssach, Rebe Levi Yitschak de Berditchev foi para a cidade, com vários de seus alunos.
Bateu na porta de uma loja e pediu para comprar cigarros. O comerciante respondeu:
– “Não tenho. Não sabem que são ilegais?”
Rebe Levi Yitschak insistiu e o dono da loja acabou aparecendo com os cigarros e estava disposto a vendê-los.
Em seguida, Rebe Levi Yitschak abordou um homem que caminhava na rua e lhe perguntou se tinha um cigarro.
– “Não sabe que são proibidos? Posso ser preso por possuí-los!”
Mas após alguma insistência, ofereceu um cigarro ao Berditchever.
Em seguida, Rebe Levi Yitschak mandou seu atendente a uma casa judaica, e perguntar se teriam um pedacinho de pão.
– “D-us me livre!” – Foi a resposta. E por não saber o motivo do pedido, continuou explicando: “Em Pêssach somos proibidos de ter pão ou chamets em casa.”
O atendente foi a várias casas e a resposta era sempre a mesma.
Quando o atendente voltou de mãos vazias para seu Rebe, Rebe Levi Yitschak levantou as mãos para o céu e exclamou:
– “Mestre do Universo! O Czar proíbe a importação desses cigarros. Tem soldados e policiais para impor o cumprimento dessa lei. Contudo, qualquer um pode obtê-los, pois foram contrabandeados de algum modo através da fronteira. Há três mil anos Você ordenou a Seus filhos que não tivessem pão em casa em Pêssach. Você não tem nem soldados nem policiais, mas mesmo assim não há nenhum farelinho de pão em toda Berditchev, de tanto que Seus filhos O amam!
“Mi keamchah Yisrael? – Quem é como Teu povo: Israel?!”
Certa vez, sugeriram ao tsadik de Gur, autor de “Chidushei Hari’m”, um shiduch para um de seus descendentes, e ele concordou com o shiduch. E sua esposa, a rabanit, disse-lhe que após pesquisar, ficou sabendo que os mechutanim (consogros) não estavam à sua altura, e ficou sabendo de outros defeitos no shiduch proposto. Disse-lhe seu marido o Ri’m:
Não é bom saber tudo. Vou lhe contar uma história:
Certo melamed (professor de crianças) tsadik, encontrava-se numa aldeia, e toda noite saía de seu quarto ficava fora de casa durante algumas horas. Curioso, seu patrão insistiu com o melamed para que lhe dissesse o que ficava fazendo lá fora. Tanto insistiu, que o melamed viu-se obrigado a contar-lhe que ocupava-se com a conversa das aves. O patrão pediu-lhe que lhe ensinasse a entender a língua das aves. E o melamed respondeu que isso era algo muito difícil, que demandava mortificações, como rolar-se na neve e coisas assim. O patrão falou que faria tudo o que ele mandasse, pois tinha muita vontade de saber isso. O melamed não conseguiu se livrar dele, e depois que o patrão fez tudo o que ele disse, ensinou-lhe a linguagem das aves. Depois disso, o melamed viajou para outro lugar.
E o patrão viajou, certa vez, a negócios para um lugar distante, e no caminho pernoitou em uma estalagem. No meio da noite ouviu as aves dizerem que haveria um grande prejuízo em sua casa. Regressou imediatamente e conseguiu salvar sua riqueza. E, várias vezes conseguiu evitar perdas e danos através da conversa das aves. Depois, soube pelas aves que morreria em breve. E ficou profundamente angustiado por não poder evitar a própria morte. De repente, encontrou seu melamed em certa cidade, e relatou-lhe todo o ocorrido. Disse-lhe o melamed: “Por que você insistiu tanto para que eu lhe ensinasse a língua das aves? E para que você precisava saber tanto? Se você não soubesse dos prejuízos que teria, a angústia e os prejuízos expiariam sua morte, e você ficaria vivo. Mas através de seu conhecimento, conseguiu salvar seus bens, mas perdeu a vida. E concluiu o tsadik para sua esposa: “Daí você vê que nem tudo é preciso saber…”
(“Sipurei Chassidim”, Moadim, R. Zevin)
(Hebraico)
Leilui Nishmat:
Eliyahu ben Aba
Chaim Avraham ben Sara e Yossef Fogel
Moshe Haim ben Kaila z’l
David ben Avraham (Curico)
Neche bat Shlomo
Miriam bat Yaakov
Chava bat Libi
Efraim Kopl ben Eliyáhu
Chaim Shemuel ben Aba
Moshê Baruch ben Yaakov Tsvi haLevi
Miriam bat Yaakov Kopl Halevi
Beile (Berta) bat Refael
Aba (Abel) ben (Eliyáhu) Eliash Leibas
Pinchas ben Moshê
Mordechai ben Yaakov Kopl HaLevi
Lea bat Hersh
Efraim Shlomo ben Motl Halevi
Eliyáhu ben Yaakov
Yaakov ben Eliyáhu
Miriam bat David
Chana Liba bat Tuvia
Isaac ben Luzer
Libe bat Tzipora
Avraham Duvid ben Eliezer
Tzipora bat Zalman
Todos os soldados que caíram defendendo nosso povo HY’D
Nos primeiros anos da liderança do Alter Rebe, ele costumava transmitir seus ensinamentos em ditos curtos e homiléticos.
Um desses “discursos curtos” baseava-se no texto Talmúdico: “Todos os portadores de coleiras saem com a coleira e são puxados pela coleira.”
O Talmud está discutindo as leis do Shabat, quando é proibido a um judeu deixar seu animal carregar qualquer coisa de um domínio privado para um domínio público; porém, é permitido deixar o animal sair com sua coleira em volta do pescoço, e até mesmo puxá-lo pela coleira. Mas a palavra que o Talmud utiliza para “coleira”, “shir”, também significa “música”.
Portanto o Rebe Shneur Zalman interpreta as palavras do Talmud da seguinte maneira: “Os mestres da música – as almas e os anjos – saem cantando e são atraídos pela música. Eles “saem” ansiando por D-us e são puxados de volta para sua própria existência para cumprir o propósito de sua criação – por meio do canto e da melodia.”
Esse ensinamento do Rebe Shneur Zalman, que se espalhou rapidamente entre seus seguidores em toda a Rússia Branca e Lituânia, provocou uma reação muito forte de seus oponentes, que acusavam os Chassidim de ter, mais uma vez, utilizado um jogo de palavras homilético e uma total deturpação da sagrada Torá para fundamentar inovações na tradição judaica. O Talmud, diziam eles, está se referindo a coleiras usadas por animais e não ao canto e música de almas e anjos!
As palavras do Rebe Shneur Zalman causaram um tumulto especial na cidade de Shklov. Shklov era uma cidade repleta de eruditos da Torá e uma fortaleza da oposição ao Chassidismo. Havia Chassidim em Shklov, mas eram uma diminuta minoria e muito perseguida, e aquela controvérsia recente inflamara o ardor de seus caluniadores.
Embora os Chassidim de Shklov não duvidassem das palavras do Rebe, ficaram constrangidos de se defender diante da chuva de insultos e zombarias que sua declaração recente suscitara.
Pouco tempo depois, o Rebe Shneur Zalman passou por Shklov em uma de suas viagens. Entre os que visitaram o Rebe em seu alojamento, estavam muitos dos maiores eruditos da cidade, que lhe expuseram perguntas e dificuldades que haviam acumulado durante os estudos. Pois até mesmo os maiores opositores do Rebe reconheciam sua genialidade e grandeza na Torá. O Rebe escutou atentamente todas as perguntas que lhe fizeram, mas não respondeu a nenhuma delas. Contudo, quando os eruditos de Shklov o convidaram para dar uma palestra na sala de estudos, o Rebe aceitou o convite.
Quando o Alter Rebe subiu ao pódio na sala de estudos principal de Shklov, o grande salão estava lotado. Praticamente todos os eruditos da cidade estavam lá. Alguns foram para ouvir o Rebe falar, mas a maioria estava interessada na oportunidade que teriam de fazer perguntas no final da palestra. Todos tinham ouvido sobre o estranho comportamento do Rebe, que respondera a todas as perguntas que lhe fizeram com silêncio. Muitos esperavam humilhar o líder Chassídico, demonstrando publicamente sua inabilidade de responder a suas perguntas.
No fundo, obviamente, pairava a recente controvérsia sobre a interpretação não convencional do Rebe sobre o texto Talmúdico a respeito das coleiras dos animais no Shabat.
O Alter Rebe começou a falar. “Todos os de shir saem com shir e são puxados por shir. Os mestres da música”, explicou o Rebe, “as almas e os anjos, todos saem em canto e são puxados por canto. Sua ânsia por D-us,e sua volta para cumprir o propósito de sua criação, acontecem por meio do canto e da melodia.” E o Rebe começou a cantar.
A sala ficou em total silêncio enquanto a voz melodiosa do Rebe envolvia os eruditos de Shklov. Todos foram conquistados pela melodia, uma melodia de nostalgia e determinação, subida e retorno. Quando o Rebe estava cantando, todos os homens da sala sentiram-se transportados da sala lotada para os mais íntimos recantos de sua própria mente, onde a pessoa fica sozinha com a confusão de seus pensamentos, sozinha com suas perguntas e dúvidas. Só que a confusão foi se dissipando gradualmente, as dúvidas foram sendo resolvidas. E quando o Rebe acabou de cantar, todas as dúvidas da sala tinham sido respondidas.
Entre os presentes na sala de estudos de Shklov naquele dia estava um dos maiores prodígios da cidade. Rabi Yossef Kolbo. Muitos anos depois, Rabi Yossef contou sua experiência ao ChassidRabi Avraham Sheines. “Entrei na sala de estudos, naquele dia, com quatro perguntas muito difíceis. Perguntas que eu expusera aos maiores sábios de Vilna e Slutzk, sem obter respostas. Quando o Rebe começou a cantar, os nós de minha mente começaram a se desembaraçar, os conceitos começaram a se cristalizar e cair no lugar. Uma a uma, todas as minhas dúvidas desapareceram. Quando o Rebe acabou de cantar, estava tudo claro. Senti-me como um recém-nascido olhando o mundo pela primeira vez.
“Naquele dia tornei-me Chassid”, concluiu Rabi Yossef.
Um aluno de yeshivá, viu, certa vez, a Rebetsin Chaya Mushka Schneerson, esposa do Rebe de Lubavitch, levando sacolas. O rapaz pegou as sacolas e as levou para a casa da Rebetsin.
Quando ele lá chegou, a Rebetsin tentou lhe dar uma barra de chocolate.
Ele disse: “Cresci num lar chassídico e me ensinaram que se deve fazer uma mitsvá de modo completo, sem receber recompensa.”
A Rebetsin respondeu: “Eu também cresci num lar chassídico e me ensinaram que quando alguém nos dá algo, devemos aceitar, especialmente chocolate!”
Uma conhecida de minha esposa estava se mudando para outro apartamento. Procurou minha esposa e lhe pediu ajuda para escrever uma carta para o Rebe, pedindo-lhe uma berachá para a mudança. Como ela não sabia nem yidish nem hebraico, pediu a minha esposa para escrever a carta.
“Escreva a carta em inglês”, disse-lhe minha esposa. “O Rebe entende inglês.”
A mulher escreveu a carta e, em seguida a colocou num volume de Igrot Kôdesh que ela tinha retirado de nossa estante.
Minha esposa abriu o livro na página onde a carta havia sido colocada aleatoriamente, e traduziu a carta que havia naquela página.
Era uma carta para um casal que estava se mudando para um novo apartamento, abençoando-os para que tudo o que fosse relacionado com a mudança tivesse sucesso.
A mulher ficou satisfeita com a bênção, mas minha esposa notou que o livro que ela tinha retirado da estante era uma coletânea de cartas do Rebe Anterior, sogro do Rebe.
“É óbvio que o Rebe Anterior era um tsadik e um Rebe, mas eu ficaria mais segura tendo uma bênção do nosso Rebe, também”, disse a mulher.
Minha esposa lhe mostrou onde estavam os volumes de Igrot Kôdesh do Rebe, em outra prateleira.
A mulher escolheu um volume daquela prateleira e pôs sua carta aleatoriamente naquele livro. Entregou-o a minha esposa, e lhe pediu para traduzir a carta que estava naquela página.
Minha esposa leu:
“Estou surpreso que você está me consultando sobre um assunto que meu sogro já respondeu…”
O Rebe é o sétimo, a partir do Alter Rebe. E todos os sétimos são queridos. Nós, que pertencemos à sétima geração temos a grande responsabilidade de ajudar a trazer a Shechiná para este mundo, com a revelação de Mashiach agora, now!
Baseado em Bati Legani
Leilui Nishmat:
Eliyahu ben Aba
Chaim Avraham ben Sara e Yossef Fogel
Moshe Haim ben Kaila z’l
David ben Avraham (Curico)
Neche bat Shlomo
Miriam bat Yaakov
Chava bat Libi
Efraim Kopl ben Eliyáhu
Chaim Shemuel ben Aba
Moshê Baruch ben Yaakov Tsvi haLevi
Miriam bat Yaakov Kopl Halevi
Beile (Berta) bat Refael
Aba (Abel) ben (Eliyáhu) Eliash Leibas
Pinchas ben Moshê
Mordechai ben Yaakov Kopl HaLevi
Lea bat Hersh
Efraim Shlomo ben Motl Halevi
Eliyáhu ben Yaakov
Yaakov ben Eliyáhu
Miriam bat David
Chana Liba bat Tuvia
Isaac ben Luzer
Libe bat Tzipora
Avraham Duvid ben Eliezer
Tzipora bat Zalman
Todos os soldados que caíram defendendo nosso povo HY’D