No início do mês de Nissan de 5640, o Rebe Maharash voltou de Petersburgo envolto em aflição. O motivo disso era que um dos altos ministros estava tentando fazer aprovar um novo decreto prejudicial aos judeus, relativo a limitações nos negócios e mais rigor na proibição de os judeus morarem fora do Território de Assentamento (Techum Hamoshav, região limitada onde os judeus tinham permissão de residir).
O Rebe Maharash ficou em Petersburgo durante algum tempo, tentando resolver o assunto. Chegou quase a conseguir algumas melhorias, sendo a principal, o adiamento da votação no Senado até o ano seguinte.
Acontece que um dos senadores, amigo do ministro antissemita que propusera os decretos, fincou o pé e convenceu também alguns dos seus colegas a exigir que todas as propostas do ministro antissemita fossem aprovadas.
O Rebe Maharash continuou seus esforços mesmo após voltar para casa. Isso, por meio de shluchim e cartas a ativistas comunitários conhecidos de seus chassidim.
Na terça-feira, 2 de Yiar, o Rebe Maharash chamou seu filho, o Rebe Rashab, e lhe disse:
– Desde que estive em Petersburgo para tratar do assunto dos decretos, comecei a falar Tehilim Beshofi (seu filho, o Rebe Rashab, explicou: além dos Tehilim da divisão mensal, costumeira, também falava a porção da divisão semanal). E hoje, quando estava falando o passuk “De toda angústia Ele me livrou e meu olho viu (a queda de) meus inimigos” (Tehilim 54,9), Ben Tsion (um dos atendentes) entrou e me trouxe um telegrama com a notícia de que o ministro antissemita teve um ataque súbito e morreu. Mas mesmo assim – concluiu o Rebe Maharash – concluí toda a porção dos Salmos.
Do livro:
“Sipurei Chassidim”, Moadim.
Do Rav Slomo Yossef Zevin
Pág. 363
(Hebraico)
Dedicado à cura completa de todos os feridos, e para Ilui nishmat de todos os falecidos, na terrível tragédia de Lag Baomer em Meron.
Leilui Nishmat:
Eliyahu ben Aba
Chaim Avraham ben Sara e Yossef Fogel
Moshe Haim ben Kaila z’l
David ben Avraham (Curico)
Neche bat Shlomo
Miriam bat Yaakov
Chava bat Libi
Efraim Kopl ben Eliyáhu
Chaim Shemuel ben Aba
Moshê Baruch ben Yaakov Tsvi haLevi
Miriam bat Yaakov Kopl Halevi
Beile (Berta) bat Refael
Aba (Abel) ben (Eliyáhu) Eliash Leibas
Pinchas ben Moshê
Mordechai ben Yaakov Kopl HaLevi
Lea bat Hersh
Efraim Shlomo ben Motl Halevi
Eliyáhu ben Yaakov
Yaakov ben Eliyáhu
Miriam bat David
Chana Liba bat Tuvia
Isaac ben Luzer
Libe bat Tzipora
Avraham Duvid ben Eliezer
Tzipora bat Zalman
Todos os soldados que caíram defendendo nosso povo HY’D
Há muito tempo que se sabe que todos os que rezam sinceramente no túmulo de Rabi Shimon bar Yochai em Meron em Lag Baomer, seu yahrtseit, terão suas preces atendidas. E todos os anos, centenas de milhares de judeus vão lá. Muitos casais conseguiram realizar o sonho de ter filhos, pois consta no Talmud que “o Portão das Lágrimas está sempre aberto” e que “pode-se confiar em Rabi Shimon bar Yochai em épocas de emergência.”
Embora quase todos nós tenhamos conhecimento da história de como Rabi Shimon e seu filho passaram treze anos numa caverna em Peki’in, onde lhe foram revelados os segredos místicos que se tornaram conhecidos como “o Zôhar”, são poucos os que sabem da história de seus virtuosos pais e dos dramáticos eventos que culminaram com seu nascimento.
Yochai, da tribo de Yehudá, era uma pessoa importante em sua geração. Erudito, abastado e respeitado. E próximo ao palácio real. Sua esposa, Sara, descendia dos líderes oficiais do povo judeu nas gerações anteriores, através de Hilel, o Velho.
Durante muitos anos, Sara não teve filhos. Após muitos anos, o justo Yochai pensou que deveria se divorciar dela e se casar novamente, na esperança de ter filhos. Pediu a um shadchan para procurar uma mulher recatada, honesta e virtuosa que estivesse disposta a ser sua esposa. Pouco tempo depois, sua esposa descobriu que ele estava querendo se divorciar dela. Nada lhe disse, mas jejuou bastante, deu mais tsedaká e rezou mais intensamente ainda. Em prantos, implorou a D-us para que a salvasse do divórcio, permitindo-lhe ter filhos.
E na noite de Rosh Hashaná, seu marido teve um sonho.
Viu-se numa ampla floresta repleta de árvores, até onde a vista alcançava. Algumas eram frescas e davam frutos, enquanto outras eram secas. Yochai recostou-se a uma árvore seca e virou a cabeça. De repente, viu um sábio de aspecto impressionante, carregando uma jarra de água no ombro. Andava por toda a floresta e aguava algumas das árvores secas. Mas passava por outras sem molhá-las.
O sábio aproximou-se de Yochai, pegou uma garrafinha de água pura de sob suas vestes, aguou a árvore sobre a qual Yochai estava encostado e o abençoou. Yochai viu que havia uma bênção naquela diminuta porção de água, que subiu e regou toda a área em volta da árvore em que estava encostado. Imediatamente, a árvore deu frutos: grandes maçãs exóticas, rodeadas por folhas frescas. A árvore começou a florescer, criando novos brotos, galhos e frutas, que exalavam um perfume tão forte que dava para se sentir de longe. Yochai ficou muito contente com a visão de seu sonho e acordou, de repente, cheio de alegria.
Contou o sonho à esposa, dizendo-lhe: Tive um sonho, e sua interpretação, acho, é óbvia. A floresta é o mundo e as árvores são as mulheres. Há as que dão frutos, e há aquelas que são estéreis, como as árvores secas. Em Rosh Hashaná é decidido quem vai ter filhos e quem vai continuar estéril. Você, minha querida, é a árvore em que me recostei, e foi regada por uma fonte de bênçãos para ter filhos justos e sábios. Só há uma coisa que não entendi na interpretação de meu sonho: por que todas as outras árvores foram regadas com a jarra, ao passo que a árvore em que me apoiei foi regada com a garrafinha. Por que nada (nem antes nem depois) foi regado pela mesma garrafinha, nenhuma das outras árvores, mas todo o conteúdo da garrafinha foi vertido sobre a árvore sobre a qual me apoiei?
Sua esposa lhe disse: De fato, é surpreendente. Permita-me ir visitar Rabi Akiva e lhe contar o sonho. Ele o interpretará para nós.
Ele respondeu: Boa ideia! Nós dois iremos juntos lhe contar o sonho. E ele, por Inspiração Divina com que D-us o abençoou, nos dirá a interpretação.
Depois de Rosh Hashaná, o casal foi junto ter com Rabi Akiva. Yochai lhe contou o sonho, que o grande sábio interpretou exatamente igual a Yochai. E em seguida, Rabi Akiva explicou por que aquela tinha sido a única árvore que fora regada unicamente com a água da garrafinha. Saiba, Yochai, que seu sonho é uma metáfora para as mulheres que têm filhos e as que são estéreis. Sua esposa, Sara, está entre as estéreis. É impossível que ela tenha filhos. Foi só através das preces e das lágrimas que ela derramou diante de D-us que ela mereceu se transformar de estéril em fértil.
A garrafinha que você viu é a garrafinha das lágrimas dela. Foi com elas que foi regada e tornou-se merecedora ter filhos. Foi por isso que nenhuma outra árvore foi aguada por essa garrafinha, só a árvore em que você se recostou, que representa sua esposa.
Rabi Akiva disse então a Sara: Este ano você vai engravidar e ter um filho que iluminará todo Israel com sua sabedoria e feitos!
Yochai e Sara ficaram muito felizes ao ouvir aquelas palavras e voltaram para casa em paz. Em Shavuot, o dia em que a Torá foi outorgada a Israel, foram abençoados com um filho, e seu lar encheu-se de luz. Esplendor e brilho o envolviam. Todos que o viam sabiam que ele era abençoado e que ele traria uma grande luz para Israel. Seus pais estavam encantados com ele. Louvaram a D-us e deram caridade e fizeram um grande banquete no dia do seu brit milá. Eles o chamaram Shimon, que significa que D-us ouviu (shamá) as preces de sua mãe e o som de seus prantos.
A partir daquele dia, o vigiaram muito e o criaram em santidade e pureza. A partir do momento em que começou a falar, o treinaram para falar apenas assuntos sagrados. Eles o enviaram para a yeshivá dirigida por Raban Gamliel em Yerushalayim. Ele era como uma fonte borbulhante e trasbordante.
Desde muito pequeno fez perguntas aos maiores sábios da geração, Rabi Yehoshua ben Chanina e Raban Gamliel, sobre a lei da Torá. Rabi Shimon bar Yochai tornou-se um dos maiores da quarta geração de sábios da Mishná. Faleceu no ano 3890 a partir da Criação do Mundo, 63 anos após a destruição do Segundo Templo.
Como consta no Zôhar, naquele dia ele revelou extraordinários segredos místicos, “que eram desconhecidos no mundo desde os Sete Dias da Criação”, para garantir que o dia de seu falecimento, Lag Baomer, fosse um dia de luz e comemoração para as gerações posteriores.
Translated from Nachalat Avot 8:3 by an accomplished writer and published author who wishes to remain anonymous (with some additions by the Ascent editor in the first and last paragraphs).
Yrachmiel Tilles is co-founder and associate director of Ascent-of-Safed, and editor of Ascent Quarterly and the AscentOfSafed.com and KabbalaOnline.org websites. He has hundreds of published stories to his credit.
Um báal teshuvá, que tinha o corpo todo tatuado, da cabeça aos pés, envergonhava-se das tatuagens e de seu passado.
Quando ia ao mikve, tentava ir num horário em que não havia muitos homens, e ia envolto na toalha até a beira do mikve, cobrindo-se, em seguida com a toalha para evitar constrangimentos.
Certa vez, por algum motivo, a toalha escorregou e todas as suas abundantes tatuagens ficaram à mostra durante alguns minutinhos. Ele, coitado, ficou morrendo de vergonha.
Lá no mikve encontrava-se um chassid idoso. Percebeu o mal-estar do moço, mostrou o número que ele tinha tatuado no braço (do campo de concentração), e falou para ele:
“Meu amigo, todos nós, tivemos coisas em nosso passado que não foram nada fáceis.”
Certa vez, o Rebe Maharash (Rabi Shmuel, o quarto Rebe de Chabad) viajou a Paris. E com ele viajaram os gabaim R. Levik e R. Pinchas Leib. E os chassidim Rabi M. Monezson e Reb Yeshaya Berlin também foram. Quando lá chegaram, Reb Y. Berlin perguntou a seu tio, o Rebe Maharash para onde deviam ir. E o Rebe respondeu que deveriam ir para o Hotel Alexander, um dos mais luxuosos de Paris, frequentado pela nobreza. E acrescentou:
“Como você não sabe falar francês, deixe que eu falo.”
Quando chegaram ao hotel, o Rebe pediu vários quartos, e lhe disseram que havia quartos disponíveis por 200 francos a diária. O Rebe perguntou se havia quartos melhores, e se estavam no mesmo andar dos salões de jogos.
Responderam que havia tais quartos disponíveis, mas o preço era altíssimo. O Rebe pegou três quartos, apesar do preço: um para si, um para R. Levik e outro para R. Pinchas Leib. R. Yeshaya Berlin e R. Monezson ficaram em outro hotel, menos dispendioso.
Após algumas horas no hotel, o Rebe foi ao salão de jogos, onde jogavam dados. Sentou-se perto de um jovem que estava jogando e que, de vez em quando sorvia vinho. O Rebe pôs a mão sobre o ombro do rapaz e disse:
“Jovem, yáyin nessech (vinho não-kasher) é proibido beber.”
E repetiu:
“Yáyin nessech embota a mente e o coração – seja um bom judeu. Boa noite.”
Em seguida o Rebe voltou para seu quarto muito emocionado. R. Y. Berlin disse que jamais vira seu tio tão entusiasmado.
Naquele hotel quando alguém queria ir de um andar a outro (ainda não existiam elevadores) havia cadeiras especiais em que os hospedes sentavam e eram carregados. Devido a seu estado emocional, o Rebe sentou-se em uma daquelas cadeiras e, quando pegaram a cadeira para levá-lo pelas escadas, lembrou-se de que seu quarto era naquele andar mesmo. Desculpou-se e voltou para seu quarto.
Algumas horas depois, o jovem perguntou onde estava o homem que tinha falado com ele, entrou no quarto do Rebe e lá ficou durante bastante tempo. No dia seguinte o Rebe deixou Paris.
O Rebe explicou, depois, que há várias gerações não havia uma alma tão pura, só que estava nas profundezas das klipot (do mal).
O jovem tornou-se báal teshuvá e o patriarca da família K. da França – uma família religiosa e temente a D-us.
Adaptado de:
“Sipurei Chabad”, R. Avraham Chanoch Glitsenstein,
Vol. VIII, págs. 44-45
(Hebraico)
Leilui Nishmat:
Eliyahu ben Aba
Chaim Avraham ben Sara e Yossef Fogel
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David ben Avraham (Curico)
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Miriam bat Yaakov
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Efraim Kopl ben Eliyáhu
Chaim Shemuel ben Aba
Moshê Baruch ben Yaakov Tsvi haLevi
Miriam bat Yaakov Kopl Halevi
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Aba (Abel) ben (Eliyáhu) Eliash Leibas
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Yaakov ben Eliyáhu
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Todos os soldados que caíram defendendo nosso povo HY’D
No balcão de Informações havia um rapaz, e um grupo de rapazinhos estava conversando com ele. Aparentemente, os rapazinhos não eram Chabad e disseram ao moço do balcão de Informações:
“Nos falaram para vir aqui e fazer perguntas ao Rebe, que o Rebe encontraria uma maneira de nos responder. Que papo é esse?”
O rapaz do balcão de informações ficou muito empolgado e disse:
“Querem saber como o Rebe encontra uma maneira de responder? Vou lhes dizer. Quando as pessoas vêm ao Ohel, a grande maioria não vem me contar o motivo de estar aqui. Muito raramente alguém me diz por que veio.”
Apontou para o local dos biscoitos e do café e disse:
“Estão vendo ali um homem e uma mulher? Há cerca de meia hora aquela mulher chegou e veio direto a meu encontro. Repito: as pessoas não costumam me contar o motivo de terem vindo ao Ohel. Ela me disse: ‘Quero mandar meu filho para estudar numa Yeshivá, mas não posso pagar. Procurei algumas organizações, com quem obtive um pouco de dinheiro, mas não o suficiente. Perguntei-lhes onde eu poderia conseguir o restante, pois não tenho marido e não tenho dinheiro. Disseram-me que fosse ao Ohel do Lubavitcher Rebe. Aqui estou. O que devo fazer?’“
Ele a orientou sobre o que fazer: escrever um pan (deu-lhe as instruções de como fazê-lo), entrar no Ohel, falar Tehilim, é isso o que você pode fazer, disse ele.
E foi o que ela fez.
Há cinco minutos, pouco antes de vocês chegarem, ela saiu e foi tomar um café. Um ou dois minutos depois, aquele homem saiu do Ohel e, (repito: as pessoas não costumam me contar o motivo de virem ao Ohel, tampouco me perguntam o que fazer no Ohel). Isso é muito raro. Mas aquele homem se aproximou de mim e disse:
“Acabo de estar com o Rebe no Ohel e lá resolvi que quero ajudar alguém que esteja precisando de dinheiro. Tenho muito dinheiro sobrando e quero ajudar alguém que esteja precisando. Será que, por acaso, você conhece alguém que esteja precisando de dinheiro?”
Apontei para aquela mulher.
E eles viram como o homem preencheu um cheque para aquela mulher.
“Estão vendo?” – disse o rapaz. – “O Rebe achou um jeito de responder a ela, a ele e a todos vocês. Todos ao mesmo tempo!”
(falo ‘mais ou menos’ porque não encontrei a fonte. Sei que a li. Procurei nos livros aqui em casa e não encontrei. Se alguém tiver a fonte, o texto, por favor me avise. Agradeço de antemão. E peço perdão por alguma eventual inexatidão nos detalhes.)
O Rebe Rashab (Rabi Sholom Dovber Schneersohn, quinto Rebe de Chabad) já estava em Rostov. Ele e sua esposa, a Rebetsin Sterna Sarah estavam kasherizando para Pessach o apartamento em que estavam morando, usando para isso bastante água. A Rebetsin estava preocupada com a água que estava pingando no apartamento de baixo. E o Rebe Rashab exclamou:
“Você está preocupada com os de baixo? Você deveria se preocupar com ‘O de Cima’ (D-us)!
Leilui Nishmat:
Eliyahu ben Aba
Chaim Avraham ben Sara e Yossef Fogel
Moshe Haim ben Kaila z’l
David ben Avraham (Curico)
Neche bat Shlomo
Miriam bat Yaakov
Chava bat Libi
Efraim Kopl ben Eliyáhu
Chaim Shemuel ben Aba
Moshê Baruch ben Yaakov Tsvi haLevi
Miriam bat Yaakov Kopl Halevi
Beile (Berta) bat Refael
Aba (Abel) ben (Eliyáhu) Eliash Leibas
Pinchas ben Moshê
Mordechai ben Yaakov Kopl HaLevi
Lea bat Hersh
Efraim Shlomo ben Motl Halevi
Eliyáhu ben Yaakov
Yaakov ben Eliyáhu
Miriam bat David
Chana Liba bat Tuvia
Isaac ben Luzer
Libe bat Tzipora
Avraham Duvid ben Eliezer
Tzipora bat Zalman
Todos os soldados que caíram defendendo nosso povo HY’D
A Rebetsin Chaya Mushka, esposa do Rebe, nasceu em 25 de Adar de 5661.
Sorah Shemtov relata o seguinte:
… E foi quando tive a oportunidade de contar à Rebetsin que eu ia ficar noiva. Obviamente, eu conversava com ela na terceira pessoa, e disse:
“Vim conversar com a Rebetsin quando estava procurando um marido. E agora, graças a D-us, encontrei alguém, e estamos prestes a escrever para o Rebe para pedir sua berachá para noivar. Portanto, queria dar a notícia à Rebetsin.”
“Como é o nome do rapaz?” – Ela perguntou.
“O nome dele é Levi Yitschak Shemtov.”
“É neto de Bentzion Shemtov?”
“Sim.” – Respondi.
Com isso, o rosto da Rebetsin iluminou-se. “Agora estou muito feliz, pois sei que vocês vão falar yidish com seus filhos.”
Imagino que ela tenha dito isso porque minha família é muito americana, de ambos os lados, e a Rebetsin sempre conversava comigo, com minha irmã e com meu pai em inglês. Mas Levi Yitschak e sua família falavam yidish, e a Rebetsin entendeu que o yidish faria parte de nossa vida. Pelo jeito, isso era muito importante para ela.
Há uma continuação:
Depois que casamos, demoramos muitos, muitos anos para ter filhos. Embora tenha sido muito sofrido, sabíamos que se a Rebetsin falara que falaríamos yidish com nossos filhos, os filhos viriam. E não seria apenas uma criança, pois ela dissera crianças. E, graças a D-us, nós falamos yidish com nossos filhos.
Quando o Rebbe Anterior, Rabi Yossef Yitschak Schneersohn desembarcou nas costas dos Estados Unidos, no dia 9 de Adar II, 5700 (1940), veio com o objetivo de transformar o Novo Continente em um lugar de Torá e Mitsvot.
Sua declaração:
“America iz nisht anderish” (A América não é diferente) – tornou-se seu lema.
Em Vilna, morava um judeu respeitado, chamado Reb Yaakov. Era um grande erudito da Torá, bem como um homem de negócios de muito sucesso. Certa vez, passou pela cidade de Mezritch em uma de suas viagens.
Tinha ouvido falar sobre o grande líder, Rabi Dov Ber, o Maguidde Mezritch. Embora Reb Yaakov não pertencesse à comunidade dos chassidim, resolveu visitar o Maguid. O Maguid era famoso por sua erudição, e recebeu Reb Yaakov com muita gentileza, ajudando-o a dirimir muitas de suas dúvidas em assuntos de Torá. Reb Yaakov não se interessava por Chassidut, de modo que nada conversaram sobre o assunto. Reb Yaakov ficou muito impressionado pelo vasto conhecimento do Maguid.
Quando Reb Yaakov já estava saindo, voltou-se para ele o Maguid e lhe disse algo estranho e inesperado:
“Lembre-se, Reb Yaakov, do que disseram nossos Sábios: que Hashem, Bendito Seja, manda a cura para um doente através de determinado médico, e através de determinado remédio. E às vezes, Hashem manda a cura completa, não por meio do remédio que o médico passou, e sim através do próprio médico. E como você sabe, a autorização que o médico tem para curar vem do que está escrito: ‘verapó yerapê = curará’ daí entendemos que todo médico tem ao seu lado um anjo de cura, e ao lado de um médico grande e famoso encontra-se e próprio Anjo Refael.”
Ao sair do escritório do Maguid para continuar a viagem, pensou muito naquelas estranhas palavras . Não tinham nada a ver com o que conversaram. Não estou doente, Baruch Hashem, sou uma pessoa saudável, que jamais precisou de médico. Espero não precisar deles no futuro, com a ajuda de D-us. Não procurei o Maguid para me aconselhar sobre médicos e remédios. Nem chegamos a tocar no assunto, durante nossa conversa. Por que, então, ele me falou aquelas coisas? Reb Yaakov não encontrou resposta. Resolveu, então, não pensar mais no assunto. Dentro de poucas semanas, ao concluir seus negócios, regressou a sua casa, em Vilna. Ficou feliz por encontrar toda a sua família bem e saudável.
Após descansar da viagem, voltou a sua rotina diária, de negócios e estudos de Torá, esquecendo-se por completo de seu encontro com o Maguid.
Certa manhã, poucas semanas após regressar, acordou sentindo-se muito mal. Vários médicos foram chamados, passaram remédios, mas nenhum conseguiu ajudá-lo. Seus remédios não ajudaram nada, pelo contrário. Foi piorando, piorando, até que seu estado tornou-se desesperador. e os médicos o desenganaram.
Reb Yaakov era muito querido por todos na comunidade e todos se reuniram nas sinagogas para rezar e falar Tehilim por ele. Mas sua saúde ia degringolando dia a dia. Até que, de repente, um raio de esperança apareceu.
Os judeus de Vilna ficaram sabendo que o rei pretendia fazer uma visita oficial à cidade, acompanhado por seu médico pessoal, que era judeu, embora distante do judaísmo. Se conseguissem fazer com que o médico do rei examinasse Reb Yaakov, talvez conseguisse diagnosticar sua estranha doença, e curá-lo. Os líderes da comunidade resolveram enviar uma delegação para recepcionar o rei e solicitar-lhe permissão para que seu médico fosse examinar Reb Yaakov.
O rei ordenou a seu médico que fosse imediatamente examinar Reb Yaakov na tentativa de ajudá-lo.
O médico real chegou seu demora à casa de Reb Yaakov. Mas bastou um olhar ao doente para chegar à conclusão de que a ciência médica nada podia fazer num caso assim. E ficou muito bravo por ter sido chamado. Disse: “Vocês não têm vergonha? Acham que não tenho o que fazer? Chamaram-me para ressuscitar um morto?”
O médico já ia saindo, mas a família do doente insistiu para que ele fizesse alguma tentativa e passasse algum remédio. Quem sabe, talvez ajudasse…
“Não há a menor esperança para este homem.” Disse o médico, sem a menor paciência. E deu uma última olhadinha na direção de Reb Yaakov. Naquele instante, percebeu uma pequena mudança na situação do doente. Percebeu algum sinal de vida. Um pouquinho de cor voltou ao semblante pálido de Reb Yaakov. Surpreso, receitou um remédio e ordenou que fossem buscá-lo na farmácia. Antes que voltassem com a medicação, porém, receitou outro remédio, pois o que tinha receitado antes, já não era indicado, pois o paciente estava melhorando de instante a instante. Sem acreditar no que estava acontecendo, receitou um terceiro remédio e ordenou que fossem buscá-lo depressa, pois o segundo remédio já não era indicado, tão rápida estava sendo a melhora do doente. De repente, o doente que estava às portas da morte, sentou-se na cama. E com voz clara, falou para o espantado médico:
“Doutor, peço-lhe que não vá ainda. Fique mais um pouco e, se D-us quiser, vou me sentir bem melhor. Parece que o Anjo Refael se encontra aqui, ao seu lado.”
O médico estava totalmente surpreso e agitado. Olhava incrédulo para o paciente. Embora não acreditasse em anjos, talvez houvesse algo, nas palavras do doente, que valesse a pena investigar.
Como se lesse os pensamentos do médico, Reb Yaakov contou-lhe sobre sua visita ao Maguid de Mezritch e suas estranhas palavras sobre médicos e seu poder de cura.
“Agora percebo que suas palavras foram certas, proféticas.” – Disse Reb Yaakov ao médico da Corte.
As palavras do doente tiveram grande influência sobre o médico. E ele percebeu que estava precisando de cura espiritual. Pediu a Reb Yaakov que o acompanhasse em uma visita ao Maguid de Mezritch assim que se recuperasse por completo.
Reb Yaakov concordou com a maior boa vontade. E dentro de pouco tempo, os dois partiram rumo a Mezritch. Reb Yaakov para tornar-se chassid. E o médico para tornar-se um báal teshuvá.
Quando Mendel Notik chegou a NovaYork, vindo da França, na década de 70, ainda era um bachur. E lhe pediram para começar a ajudar na casa do Rebe e da Rebetsin.
Embora inicialmente tenha hesitado, aceitou o trabalho.
No princípio, afirmou que não queria pagamento. A Rebetsin lhe disse que o dinheiro seria guardado para ele, e que poderia recebê-lo quando quisesse.
Durante dois anos, de 1977 a 1979 ajudou a Rebetzin.
Uma de suas diversas funções era ir fazer compras em várias lojas em Crown Hights.
O Rabino Mendel Notik relatou o seguinte:
De vez em quando, eu ia pagar as contas da Rebetsin nas lojas.
Quando eu chegava à casa da Rebetsin, o dinheiro estava sobre a mesa, junto com as contas, pronto para que eu o levasse.
A Rebetsin sempre insistia para que eu contasse o dinheiro novamente. E explicou:
“Na casa de meu pai (o Rebe Anterior) aprendi que DINHEIRO AMA CONTABILIDADE CUIDADOSA, E COM O DINHEIRO DE OUTRA PESSOA DEVE-SE SER MAIS CUIDADOSO AINDA.”
Se ela achava que talvez fosse se atrasar, telefonava e avisava: “Desculpe, atrasei-me um pouco” ou “Recebi um telefonema muito importante” – da Inglaterra ou de Israel – “vou demorar mais uns dez minutos para chegar.”
Tinha muita consideração pelo tempo das outras pessoas.
Eu era um rapazinho de quinze, dezesseis, dezessete anos. Um jovem de Yeshivá, e apesar disso ela era sempre muito cuidadosa, verdadeira e pertinente. Era muito pontual, e muito precisa e clara em suas instruções.