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O Rebe e o Psicólogo

 

 

 

Em 1995, uma senhora idosa elegantemente trajada entrou no escritório do Rabino Yakov Biederman, emissário do Rebe na Áustria. Apresentou-se como Marguerite Kozenn-Chajes, cantora de ópera aposentada, e primeira emissária do Rebe de Lubavitch em Viena! “Sei que o senhor acha que é o primeiro do Rebe aqui”, gracejou, “mas de fato, sou eu!”

A Senhora Kozenn-Chajes começou sua história. Seus ancestrais foram os santos Vishnitser rebes. Em sua juventude, deixou seu lar em Czernowits e foi para Viena, onde acabou tornando-se uma famosa cantora de ópera.

A Senhora Kozenn-Chajes atuou durante a década de ’30 no Salzburger Festspiele. Quando o exército alemão invadiu a Áustria e a conquistou, todos os artistas judeus foram proibidos de apresentar-se. De algum modo, a Senhora Kozenn-Chajes passou despercebida e chegou a cantar no Festspiele de 1939. Quando a Segunda Guerra Mundial começou, amigos conseguiram contrabandeá-la para a Itália, e ela conseguiu pegar o último navio para os Estados Unidos. Ela e seu marido, descendente do famoso Maharats Chajes, fixaram residência em Detroit, Michigan.

Anos passaram-se. E a Senhora Kozenn-Chajes teve a oportunidade de ter uma audiência particular com o Lubavitcher Rebe. “Entrei no escritório do Rebe”, contou ao Rabino Biederman, “não sei por que, mas pela primeira vez, desde o Holocausto, senti que podia chorar. Como tantos outros que perderam todo mundo, eu jamais chorara. Sabíamos que se começássemos a chorar, talvez jamais conseguíssemos parar. Comecei a soluçar como um bebê.

“Contei tudo ao Rebe: sobre minha infância inocente, de como saí de casa, tornei-me uma estrela em Viena, apresentei-me diante de Hitler, fugi para os Estados Unidos, fiquei sabendo do assassinato de meus parentes e amigos. Também mencionei que tinha muita vontade de visitar Viena. O Rebe pediu-me que antes de viajar o visitasse novamente.

“Poucos meses depois, antes de ir a Viena, fui ao Rebe. Ele me pediu para visitar duas pessoas em Viena, e lhes transmitir lembranças dele. A primeira delas era o rabino-chefe de Viena, Rabi Akiva Eisenberg e a segunda era um professor universitário judeu, Dr. Frankl, na Unversidade de Viena. O Rebe pediu-me para dizer-lhe em seu nome para que não desistisse. Que ficasse forte e continuasse seu trabalho com entusiasmo e vigor. Se ele continuasse forte, venceria. O Rebe falou assim durante bastante tempo.

“Quando cheguei a Viena, foi fácil encontrar o Rabino Eisenberg, mas encontrar o professor foi muito mais complicado. Quando cheguei à universidade informaram-me que há duas semanas ele não aparecia lá e negaram-se a fornecer informações mais detalhadas. Resolvi ir até a casa do professor.

“Uma mulher abriu a porta. Perguntei se o professor estava em casa. Instantes depois, um homem de meia idade foi até a porta. Parecia muito tenso e fiquei muito constrangida. ‘Trago lembranças do Rabino Schneerson, do Brooklyn, Nova York’, disse-lhe.

“‘Quem é ele?’ Perguntou impaciente.

“‘O Rabino Schneerson pediu-me para dizer-lhe em seu nome para que o senhor não desista. Fique forte e continue seu trabalho sem vacilar, e vai sair vitorioso. Não se desespere. Tem de prosseguir com confiança, ele prometeu que o senhor vai ter muito sucesso.’

“O professor olhou para mim como se tivesse visto um fantasma. Arregalou os olhos, incrédulo. Começou a chorar, soluçando como uma criança. Eu não estava entendendo nada. Só vi que ele chorava sem parar.

“‘Não acredito!’ Dizia Dr. Frankl e fez sinal para que eu entrasse. Acalmou-se um pouco e disse: ‘Esse rabino do Brooklyn sabia exatamente quando mandá-la para cá. É um milagre! Você me salvou!’

“‘Sobrevivi aos campos de morte alemães’, exclamou o Dr. Frankl, ‘e até consegui manter meu espírito, lá. Mas não estava conseguindo sobreviver às zombarias e insultos impiedosos de meus colegas, que solapavam toda e qualquer tentativa que eu fizesse para seguir em frente.’ Na época, as idéias de Freud reinavam supremas e as do Dr. Frankl eram desprezadas como noções não científicas de consciência, fé e dever. Os alunos que freqüentavam suas aulas não eram bem vistos. ‘Eu estava esgotado e melancólico. Fiquei deprimido e resolvi pedir exoneração. Comecei a redigir meu pedido de demissão.

“‘E de repente aparece uma mulher, dando-me lembranças de um Rabino Schneerson de Nova York! Alguém no Brooklyn, nada mais nada menos que um Rebe Chassídico, está sabendo sobre mim! Sabe de minha dificuldade! É um milagre!’

“De fato”, concluiu a Senhora Kozenn-Chajes, “as palavras do Rebe realizaram-se. Dr. Frankl deu continuidade a seu trabalho e pouco tempo depois obteve uma cátedra na Universidade. Seu livro, “Man’s Search for Meaning” (“Em Busca de Sentido: um Psicólogo no Campo de Concentração”) foi traduzido para o inglês e ele tornou-se um dos mais famosos psicólogos da geração. Tudo isso aconteceu há uns 40 anos. Portanto, Rabino Biederman”, disse sorrindo a Senhora Kozenn-Chajes, “fui emissária do Rebe em Viena muito antes de o senhor chegar aqui.”

O Rabino Biederman ficou curioso. Começou a investigar e descobriu que Victor Frankl ainda estava vivo e, de fato, enviava uma doação anual para o Beit Chabad de Viena! Rabino Biederman telefonou para ele, apresentou-se e perguntou se recordava-se das lembranças que Marguerite Kozenn-Chajens lhe dera do Rabino Schneerson do Brooklyn, cerca de 40 anos antes.

“Não me lembro do nome da mulher, mas obviamente me lembro daquele dia! Jamais esquecerei. Minha gratidão ao Rabino Schneerson será eterna”, respondeu emocionado. “Foi por isso que quando Chabad-Lubavitch se estabeleceu aqui em Viena, tornei-me um dos doadores.”

Em 2003, Rabino Dr. Shimon Cowen, um chassid Lubavitch da Austrália, que também é especialista em Frankl, foi a Viena visitar seu genro e sua viúva, que é católica, e cujo nome de solteira é Eleonore Katharina Schwindt. Conversaram bastante e, quando Cowen perguntou sobre as práticas religiosas de Frankl, ela lhe mostrou um par de tefilin e tsitsit. “Meu finado marido colocava isso diariamente”, disse-lhe. “E também dizia Salmos, de noite na cama.”

Agradecimentos aos rabinos Yosef Y. Jacobson, Tuvia Bolton, Dovid Sholom Pape.

 

 Traduzido de “L’Chaim Weekly”

http://www.lchaimweekly.org/lchaim/#caption9

 

 

Nota da tradutora: Victor Emil Frankl (1905-1997) foi um psicólogo e psiquiatra austríaco, fundador da escola da Logoterapia, que explora o sentido existencial do indivíduo e a dimensão espiritual da existência, uma das dissidências da psicanálise freudiana e uma das muitas teorias sobre a motivação básica do comportamento humano. Passou por quatro campos de concentração entre 1942 e 1945. Durante os anos de cativeiro, Frankl observou o comportamento humano e concluiu que esse interesse o salvara e que os companheiros de prisão que tinham uma esperança e davam um significado à vida predominavam entre os sobreviventes.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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“Isto é para o Casamento”

BS’D

A família Asulin, da França, tinha um sobrinho que de vez em quando a visitava no Shabat. Em uma dessas visitas, em Mar Cheshvan de 5751 (1990), o sobrinho falou que estava programando uma viagem aos Estados Unidos no futuro próximo. Os Asulin sugeriram que fosse ver o Rebe, e até arranjaram acomodações para ele em Nova York.

O jovem permaneceu durante todo o farbrenguen, apesar de não entender nenhuma palavra de Yidish. No final do farbrenguen, os que entregaram uma garrafa de mashke (bebida) ao Rebe antes do Shabat fizeram uma fila diante da mesa do Rebe (o mashke seria distribuído em diversas comemorações especiais). O jovem, que desconhecia os costumes do “770”, pensou que o Rebe estava distribuindo mashke para todos, e entrou na fila. Quando chegou sua vez, o Rebe entregou-lhe uma garrafa e disse, em francês: “Isto é para o casamento.”

De volta à França, o sobrinho relatou sua experiência. “Acho que o Rebe se enganou,” concluiu. “Pensou que ainda não sou casado, mas sou!” Os Asulin explicaram que o Rebe não se engana. “Você vai ver,” asseguraram-lhe. “Um dia vai entender o que o Rebe quis dizer.”

A garrafa foi posta num armário e esquecida. O tempo passou, até que um dia o homem viu a garrafa na prateleira e teve uma idéia.

“Veja”, disse à esposa. “É uma pena deixar isto guardado. Vamos fazer uma festa? Podemos convidar todos os nossos amigos e parentes, e oferecer o mashke do Rebe.

A mulher gostou muito da idéia. Marcaram uma data, e mandaram os convites.

Poucos dias antes da festa, a mulher pegou um vírus. “Como vou poder cozinhar para tanta gente?” perguntou ao marido. Como já não dava para cancelar o evento, o marido sugeriu que alugassem o pequeno salão de festas ao lado da sinagoga que freqüentavam. Encomendaram a comida num restaurante kasher lá perto.

A festa foi num domingo. Veio muita gente, e o ambiente estava alegre. De repente, no meio da refeição, o rabino da sinagoga entrou fazendo um pedido urgente.

“Desculpem atrapalhar sua festa, mas preciso de um minyan. Há um casal debaixo da chupá aqui ao lado, querendo se casar, e precisamos de alguns homens!”

É óbvio que os homens atenderam ao pedido com a maior boa vontade. Ao entrar no shul, porém, ficaram surpresos ao ver que estava vazio. Só os noivos estavam lá!

Os noivos casaram-se “de acordo com a lei de Moshê e Israel”. Depois de cerimônia, o anfitrião da festa perguntou aos recém-casados onde estavam planejando comemorar. “Na verdade, não programamos nada”, responderam hesitantes.

“Pois faço questão que vocês fiquem conosco aqui ao lado!” disse animado. “Estamos fazendo uma festa, e vocês estão convidados!”

A festa rapidamente transformou-se num festejo de casamento. Durante a comemoração, o anfitrião relatou a história da garrafa de mashke que o Rebe lhe dera e como, na ocasião, pensara que o Rebe cometera um engano. Só agora compreendera a intenção do Rebe ao dizer, “Isto é para o casamento”! Era um verdadeiro milagre.

Mas a história da kalá (noiva) foi mais miraculosa ainda. De fato, explicou, aquele era seu segundo matrimônio, o primeiro fora uma experiência muito desagradável. Quando se divorciou do primeiro marido, sua família ficou furiosa e jurou que não iria às suas segundas núpcias. Este marido era um convertido ao judaísmo, não tendo, portanto, família para convidar.

“Eu não sabia o que fazer”, explicou. “Queria muito me casar, mas havia tantos obstáculos! Resolvi escrever ao Rebe de Lubavitch, pedindo sua bênção. Também pedi que ele me desse um sinal que mostrasse que nosso casamento tinha sua berachá, e que no final, tudo daria certo.”

De fato, o sinal foi recebido no dia do casamento.

(Reimpresso com permissão do

“Likrat Shabat on line”

da Yeshivá Tomchei Tmimim)

Em homenagem ao noivado de Haya Mushka Benzecry e Menachem Mendel Assulin, de Paris / França.

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“Um estranho não se sentará em seu lugar”

Rav Michoel Vishetzky era um jovem que emigrara da Rússia para os Estados Unidos. Na Rússia, Rav Michoel atuara secretamente, esforçando-se muito para difundir o judaísmo. Ao chegar aos Estados Unidos, não se esqueceu das muitas pessoas com quem estivera em contato. Mandava pacotes de alimentos e roupas, para melhorar a precária situação econômica dos judeus russos. Para levantar fundos, ia de shul (sinagoga) em shul falar sobre as dificuldades dos judeus que ainda cumpriam a Torá e as mitsvot na Rússia. E em seguida pedia doações de alimentos e roupas.

Certa vez, Michoel viajou ao Bronx, em Nova York, para encontrar-se com o rabino de lá, Rabi Rabinowitz. O rabino combinou de encontrá-lo em um certo shul, mas quando Michoel chegou, encontrou lá apenas um homem baixinho, que estava sentado lendo um livro.

“Onde posso encontrar o Rabino Rabinowitz?” perguntou Michoel.

“Eu sou Rabi Rabinowitz”, respondeu o homem.

Michoel ficou curioso de saber por que o rabino estava sentado no canto direito da mesa, e não na cabeceira. Tampouco ele permitiu que Michoel sentasse na cabeceira da mesa. E foi muito firme quanto a isso.

“Ninguém se senta nesse lugar”, disse Rabi Rabinowitz. Ao notar o espanto de Michoel, disse:

“Quando você ouvir minha história, entenderá o motivo.

“Durante a Segunda Guerra Mundial, passei muitos anos difíceis, vagando de um lugar a outro, como tantos outros. A certa altura, na Rússia, encontrei alguns chassidim Chabad que me ajudaram muito. No verão de 5709 (1949), quando cheguei aos Estados Unidos, tive uma audiência particular com o Rebe Rayats (o Rebe Anterior, sogro do Rebe de Lubavitch). Relatei-lhe tudo o que me acontecera na Europa e perguntei-lhe aonde deveria ir e o que devia fazer com minha vida.

“O Rebe Rayats disse, ‘Como você é um erudito da Torá, deve procurar um emprego como rabino de uma comunidade.’

“Pouco tempo depois, fui indicado para um posto neste shul, aqui no Bronx. Visitei novamente o Rebe Rayats e pergunte-lhe se devia aceitar o emprego.

“O Rebe Rayats fechou os olhos durante alguns instantes e disse, ‘um shul é um shul, sendo, portanto, muito adequado, mas não gosto do shamash (ajudante da sinagoga).’

“Fiquei muito confuso com sua resposta. Perguntara ao Rebe Rayats sobre o posto de rabino, que não tinha nada a ver com o shamash. Por que ele chegara a mencioná-lo? O Rebe percebeu minha confusão, mas não mudou a resposta. Repetiu, ‘Um shul é um shul, mas eu não gosto do shamash.’

“As palavras do Rebe foram muito claras. Eu não podia perguntar mais nada. Quando eu já ia sair, disse-me para voltar dali a dois domingos. Voltei para casa e resolvi aceitar o emprego, e foi assim que me tornei o rabino do Bronx.

“Duas semanas depois, fui ver o Rebe, exatamente como ele me pedira. Quando cheguei ao 770 (Eastern Pankway, 770, Nova York, o quartel-general do movimento Chabad-Lubavitch),  uma enorme multidão estava na rua. Disseram-me que o Rebe Rayats falecera no Shabat, no dia anterior. Entendi que ele queria que eu estivesse presente no seu funeral.

“O tempo foi passando. Os membros da minha congregação estavam contentes comigo, e eu estava feliz com eles. Tudo parecia estar correndo bem, até que descobri que o shamash não estava satisfeito com meu trabalho.

“Após a morte do rabino anterior do shul, antes de minha chegada à comunidade, o shamash assumira muitas responsabilidades – tornara-se o rabino extra-oficial. Quando assumi meu papel, sentiu que eu o depusera, e começou a me causar problemas. De fato, tentava me fazer passar por um incompetente. No início, agia às escondidas, mas depois de certo tempo, começou a me sabotar abertamente. A situação acabou tornando-se insuportável.

“Quando não dava mais para agüentar, fui ver o Rebe de Lubavitch, que já assumira a liderança. Assim que entrei na sala, antes que eu conseguisse abrir a boca, o Rebe disse, ‘Meu sogro disse que um shul é um shul e que ele não gostava do shamash. Você deve continuar a ser o rabino do Bronx. Quanto às intrigas do shamash, dentro de pouco tempo ele vai ter de se preocupar com quanto tempo vai ficar no posto.’

“Fiquei espantado com as palavras do Rebe. Quando eu falara com o Rebe Rayats, não havia ninguém mais na sala, e eu jamais discutira o assunto com o Rebe. Em todo caso, perguntei como resolver a questão. O shamash estava lá há muitos anos. Tinha muita experiência. Não parecia haver jeito de despedi-lo.

“‘Tenho certeza,’ disse o Rebe, ‘que ele fará algo que vai causar sua própria demissão. Se você pegá-lo em flagrante, poderá despedi-lo.’ As palavras do Rebe me tranqüilizaram. (Dentro de pouco tempo vi que ele parecia ter o dom da profecia.)

“Voltei para meu trabalho. Certa noite, eu me revirava na cama, sem conseguir adormecer. Não conseguia tirar o shamash da cabeça. Ao raiar do dia, resolvi ir ao shul um pouco mais cedo que de costume. No caminho, encontrei o presidente e o diretor do shul andando na mesma direção. Fiquei surpreso de vê-los na rua tão cedo, mas antes que eu pudesse perguntar por quê, o diretor apontou para uma luz brilhando através de uma das janelas do shul. Aquilo parecia muito suspeito. Depois de conversar durante alguns minutos para decidir o que fazer, chegamos à conclusão de que tínhamos de descobrir o que estava havendo. Silenciosamente, abrimos a porta do shul e entramos.

“Demos de cara com uma cena chocante. O shamash estava perto da bimá (púlpito), segurando as caixas de tsedaká. Ele as estava esvaziando, e pondo o dinheiro no bolso. Estava tão concentrado no que fazia, que nem percebeu que estávamos perto dele. É óbvio que o despedimos imediatamente.”

Rabi Rabinowitz parou um pouco, antes de continuar sua história. “Passaram-se alguns anos tranqüilos e depois, algo ainda mais incrível aconteceu. Atrás do shul havia um açougue. A parede de trás do shul era também a parede de trás do açougue. Os negócios iam muito bem para o açougueiro, e a lojinha, logo tornou-se pequena para ele. Quando encontrou uma loja bem maior, quis vender a lojinha que ficava atrás do shul. Os membros da diretoria do shul ficaram muito satisfeitos, pois a congregação já estava grande demais para o shul, principalmente em Shabat e Yom Tov. Depois de negociações amigáveis, chegou-se a um acordo. A parede comum foi derrubada, e o shul foi ampliado. Toda a transação realizou-se sem contrato por escrito. O açougueiro parecia honesto e de confiança.

“Passaram-se alguns anos. O açougueiro prosperou, e seus negócios continuaram a crescer. Agora, sua nova loja já era pequena demais, e ele começou a procurar um depósito, ali por perto. Como não conseguiu encontrar nada, lembrou-se de que não fizera nenhum contrato legal com o shul. Não havia prova nenhuma de que vendera sua loja ao shul. De acordo com a lei, ele ainda era o proprietário do local.

“Sem o menor escrúpulo, esse açougueiro foi ter com a administração do shul, e pediu para que a loja lhe fosse devolvida! Os membros da diretoria ficaram horrorizados; haviam pago o preço combinado, integralmente. O açougueiro recusou-se a escutar seus argumentos. Contratou um advogado. Estava certo de que a justiça lhe daria ganho de causa, pois não havia contrato de venda.

“Depois de um julgamento breve, a diretoria do shul recebeu uma ordem de despejo, que teria de ser cumprida em um certo prazo. Se não obedecesse, a polícia seria acionada. A data se aproximava, e não sabíamos o que fazer. Resolvi ir ao Rebe, e pedir-lhe uma berachá. Eu achava que era a única solução.

“Quando descrevi a situação ao Rebe, ele disse: ‘Não sei o que você está perguntando. Meu sogro lhe disse claramente que um shul é um shul. Sendo assim, não se pode transformar um shul num açougue. Vá para casa tranqüilo e, se D-us quiser, tudo vai dar certo.’ Animado com a berachá, voltei para casa. Eu sabia, devido à experiência anterior, que as palavras do Rebe se realizariam.

“Os dias foram passando, e a data se aproximava. Parecia não haver a menor chance para nós. Na noite anterior à data estipulada, resolvi levantar-me muito cedo, na manhã seguinte, e ir ao shul. Antes de ir para a cama, eu disse o Shemá e rezei para Hashem ter pena de nós, a fim de que nada de mal nos acontecesse. E me deitei, mas não consegui dormir. Revirei-me na cama a noite toda, e só consegui cochilar algumas horas, de madrugada. E tive um sonho, que jamais esquecerei.

“No sonho, fui ao shul, e vi o Rebe Rayats, de abençoada memória, sentado na cadeira à cabeceira da mesa – a cadeira em que não deixo ninguém sentar. De pé, ao lado dele, estava o Rebe de Lubavitch. Ele disse, ‘Não se preocupe. Hashem vai fazer com que tudo dê certo.’ Em seguida ele apontou para o Rebe Rayats. ‘O Rebe lhe disse que um shul é um shul. Para que se preocupar? Não se preocupe. D-us vai cuidar para que tudo dê certo.’

“Levantei-me espantado. O Rebe Rayats estava lá, embora tivesse falecido dez anos antes! Eu ainda estava maravilhado com essa visão extraordinária, quando acordei. Vi a luz do sol, através da janela, e percebi que já era tarde. Vesti-me correndo, e poucos minutos depois, já estava na rua, correndo para o shul, o mais rápido que eu podia. Ouvi gritos, à distância. Uma multidão se juntara diante do shul, e as pessoas estavam discutindo, em altas vozes, com os policiais, que tinham bloqueado a entrada. Meus olhos encheram-se de lágrimas quando vi que já tinham começado a retirar os móveis. Parecia que estava tudo perdido. Foi quando algo dramático aconteceu.

“Numa rua próxima, na loja grande do açougueiro, um lustre soltou-se repentinamente do teto, caindo-lhe sobre a cabeça! Ele desmaiou. Chegou uma ambulância, com médicos e equipamentos. Cuidaram do açougueiro e, poucos minutos depois, ele recuperou a consciência. Quando conseguiu falar, suas primeiras palavras foram, ‘Por favor, parem de esvaziar o shul.’ Quando a polícia chegou ao local, o açougueiro admitiu que fizera acusações falsas contra a administração do shul. Ele tinha, de fato, recebido todo o pagamento pela antiga loja.

“‘Fiz algo muito errado, e fui castigado por isso,’ disse. A polícia parou imediatamente de esvaziar o shul, e foi embora.

“Agora você entende por que não deixo ninguém sentar na cadeira à cabeceira da mesa.” Disse Rabi Rabinowitz, ao finalizar sua história espantosa. “A imagem do Rebe Rayats sentado naquela cadeira ficará para sempre diante dos meus olhos.”

(Do livro “The Rebes” Rabbi Yosef Yitschak Schneersohn of Lubavitch, Mayanot/Chish, Kfar Chabad, Israel)

 

Reimpresso com permissão do

“Likrat Shabat on line”

da Yeshivá Tomchei Tmimim

 

 

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“E sua alma está ligada à alma dele.” (Bereshit 44,30)

 Um dos grandes chassidim do Rav autor do Tanya, R. Pinchas Roizes (filho do gaon – gênio – R. Henich Shik de Shklov), costumava viajar ao Rav em quatro dos meses do ano – Elul, Tishrê, Nissan e Sivan. E aconteceu que certa vez, adoeceu no mês de Tishrê e não pôde viajar. Em Shemini Atseret, quando R. Pinchas estava sentado na Sucá comendo, emocionou-se, de repente, no meio da refeição, levantou-se e exclamou: “Oy Rebe!”. E aos que estavam sentados à mesa falou: “O Rebe está se lembrando de mim, agora”. E o Rav, no meio de sua refeição em Shemini Atseret, falou aos que estavam à mesa: “Pinchas Roizes está precisando agora de cura para o corpo. Não posso lhe dar o que não está ao meu alcance, mas lhe dou cura para o corpo.” Os chassidim de Shklov que estavam presentes junto ao Rav na ocasião, quando voltaram para casa, após a festa, logo foram visitar R. Pinchas e pediram que lhes servisse mashke (bebida). Serviu-lhes bebida e relataram o que aconteceu na refeição do Rav. Em seguida ficaram sabendo que na mesma hora que o Rav falou dele, R. Pinchas exclamou: “Oy Rebe!”, e começaram a zombar dele: “O que deu em você? Está se considerando uma pessoa muito elevada?” R. Pinchas respondeu: – Não é eu! Na primeira vez que estive em yechidut (audiência particular) com nosso Rebe, entreguei-lhe minha nêfesh, quando estive com ele pela segunda vez entreguei-lhe a ruach e da terceira vez que estive com ele entreguei-lhe minha neshamá. E, uma vez que minhas nara’n (nêfesh, ruach e neshamá – três níveis da alma) estão totalmente entregues e cedidas a nosso Rebe, não é eu quem sabe, nem é eu quem sente…”

(Harav Shlomo Yossef Zevin – Sipurei Chassidim) (Reimpresso com permissão do “Likrat Shabat on line” da Yeshivá Tomchei Tmimim)

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O HOMEM QUE ODIAVA SUA ESPOSA

Um judeu foi procurar o rabino da cidade para contar-lhe seu problema. “Não sei o que fazer. Odeio minha mulher. Parece que ela sempre faz coisas para me provocar.” Envergonhado, continuou, “Às vezes, até penso em matá-la!” O sábio rabino olhou pensativo para o homem. “Há quanto tempo sente-se assim?”

“Quase desde que me casei”, respondeu o homem. “No começo não era tão mal. Mas quando ela me irrita, acho impossível tratá-la bem. E agora, sonho em livrar-me dela para sempre.”

O rabino coçou a barba e disse, “Sabe, há um jeito de matá-la sem ser considerado responsável!”

O homem arregalou os olhos. Jamais esperara que o rabino fosse seu cúmplice, mas precisava de toda e qualquer ajuda. “Diga-me, rabino, o que posso fazer?”

“Bem”, explicou o rabino ao homem simples, “o Midrash diz que se um homem promete uma grande quantia para caridade e não a paga, seu castigo é que sua esposa falecerá. Tudo o que tem de fazer é comprometer-se a doar para a sinagoga uma grande soma e não pagar! Dentro de um ano, garanto que sua esposa estará morta.”

O homem ficou felicíssimo com a boa sorte de ter um rabino tão compreensível e sábio.

“Mas”, acrescentou o rabino, “você não gostaria que alguém pensasse que você não está pagando o prometido de propósito, para matar sua esposa. Você também não quer que D-us pense isso, não é?”
O homem aquiesceu com a cabeça. “O que devo fazer, rabino?”

“Bem”, principiou o rabino, “para começar, deve tratar sua mulher muito bem, nos próximos meses.”

O homem ficou horrorizado. “Rabino, não consigo tratá-la nem um pouquinho bem porque, como lhe disse, não a suporto. E como o senhor quer que eu seja muito bonzinho com ela?”

“Isso é o mínimo que pode fazer para que as pessoas não achem que você a está matando de propósito, não é?”

O homem fez que sim com a cabeça e o rabino continuou. “Primeiro, compre-lhe um vestido novo. Quanto tempo faz que ela não ganha um vestido novo?”

O homem admitiu que há sete anos, desde que se casaram, a mulher não obtivera um vestido novo.

“E também”, prosseguiu o rabino, “dê-lhe um dinheirinho para gastar.”

O homem revirou os olhos. “Ela sempre se queixa de que não tem dinheiro o suficiente para fazer boas refeições. Mas sei que não passa de desculpa para me chatear!”

O rabino sorriu e acrescentou: “Diga-lhe algo gentil, de vez em quando. Até a elogie em púbico, só para que pensem que você realmente gosta dela, é claro”, acrescentou o rabino em tom conspirador. 

O homem saiu radiante do escritório do rabino. Imediatamente se comprometeu com a doação de uma grande quantia para uma instituição de caridade e começou a contar as horas para o momento em que se veria livre da mulher. Porém, seguiu o conselho do rabino e saiu para comprar um vestido novo para a esposa. Ela, obviamente, não entendeu a mudança do marido. Quando ele também lhe deu uma “mesada”, ela foi ao mercado e comprou boas frutas e verduras, e até um pedacinho de carne. Preparou uma refeição deliciosa para demonstrar sua gratidão.

Semanas se passaram, com o homem riscando os dias no calendário e, ao mesmo tempo, comportando-se decentemente, pela primeira vez na vida, com a esposa.

Dois meses depois, o homem parou de marcar no calendário. Ele e a esposa estavam mais felizes do que nunca, desde seu casamento. Quanto mais agradável era o marido, quanto mais elogiava a esposa e tentava ajudá-la, mais ela tentava agradá-lo de todas as maneiras.

Após seis meses, o marido esquecera totalmente sua conversa e seu “combinado” com o rabino. Quando faltava pouco para completar um ano, lembrou-se da doação prometida e de suas conseqüências, caso não a pagasse. Imediatamente, correu ao rabino.

“Rabino, daqui a pouco fará um ano e ainda não paguei o prometido”, disse o homem, histérico. 

Nu”, disse o rabino, daqui a pouco você terá paz e tranqüilidade. Com que está preocupado?”

“O senhor não está entendendo. Amo minha esposa. É a melhor pessoa do mundo. Faz de tudo para me agradar e eu gosto tanto de fazer coisas para que ela se sinta feliz. Não quero que morra!”

“Puxa, é um problema”, respondeu o rabino. “Então você precisa pagar o que prometeu.”

“Mas rabino, prometi uma quantia imensa, que jamais poderia pagar!”

“Tem de tomar dinheiro emprestado e pagá-lo aos poucos. Vou até lhe dar uma carta de recomendação para alguns fundos de empréstimos sem juros,” ofereceu o rabino. “Afinal de contas, é uma questão de vida ou morte!”

“Nem sei como agradecer-lhe”, disse o marido aliviado. “A vida da minha esposa vale todo o dinheiro do mundo!”

O homem pegou emprestado o dinheiro para pagar o prometido. Devolveu o empréstimo em suaves prestações mensais e foram felizes para sempre.

(Traduzido de “L’Chaim Weekly”, www.lchaimweely.org)

(Reimpresso com permissão do

“Likrat Shabat on line” da

Yeshivá Tomchei Tmimim)

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A MÃE DO ADMOR HAZAKEN

BS’D

Desculpem, realmente evito escrever histórias de memória, pois o Rebe diz que uma história é algo muito sério e delicado, e deve ser relatada com exatidão. Mas não estou mais encontrando a fonte. Não consigo me lembrar em que livro a li. E acho que tem uma lição muito importante para cada mãe judia.  A história é mais ou menos assim:

Certa vez, perguntaram a um dos irmãos do Alter Rebe que mérito tiveram seus pais para terem filhos assim, tão especiais. [O Alter (velho) Rebe é o Rav Shneur Zalman de Liadi, primeiro rebe de Chabad, autor do Tanya e do Shulchan Aruch. E seus três irmãos eram todos rabinos muito importantes.]  Ao que ele respondeu:

“Tudo por mérito de Mamãe.”

[Vale salientar que o pai deles, Rav Baruch era um grande tsakik, um grande sábio, descendente do Rei David e do Rei Shelomô. Sobre ele conta o Rebe Rayats (R. Yossef Yitschak Schneerson), o Rebe anterior, em suas memórias.]

E o irmão do Alter Rebe continuou:

“Para que se tenha uma idéia da importância que Mamãe, nossa mestra, dava à educação judaica de seus filhos, vou relatar um fato:  Papai viajou, certa vez, e ao voltar trouxe para sua esposa, um casaco de inverno muito chique e muito caro. Poucos dias depois, Mamãe percebeu que nosso professor  estava meio desanimado enquanto nos dava aula. Chamou-o de lado e perguntou o que estava havendo. Ele respondeu que desde que  Rav Baruch presenteara a rebetsin com aquele casaco, sua própria esposa (do melamed) não parara de atormentá-lo por ele também não lhe dar um presente assim. Mamãe não pensou duas vezes. Imediatamente, foi até o armário, pegou o casaco e o entregou ao melamed, dizendo: “Leve o casaco para sua esposa. Para mim, o que importa é que você estude com meus filhos com entusiasmo!”

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Mãos Firmes

BS’D

Um judeu idoso apareceu no Beit Chabad do Aeroporto Ben Gurion, em Israel. Foi até o balcão e, quando lhe perguntaram se queria um café, respondeu que aceitaria, desde que o copo estivesse cheio até a borda.

Os chassidim que estavam atrás do balcão concordaram com seu pedido e encheram o copo a ponto de que o menor tremor o faria derramar. E, para espanto de todos, o idoso levantou o copo e, sem derramar uma gota sequer, bebeu.

Ao terminar, o homem sorriu orgulhoso e disse: “Fiz isso para lhes mostrar como seu Rebe é espetacular!” E explicou:

“Anos atrás, eu era o rabino de uma grande sinagoga de Nova York. Tínhamos um minyan diário, aulas, um departamento feminino, bem como um mikvê para as senhoras. Mas como em muitos shuls, os velhos morreram ou se mudaram. A diretoria começou a insinuar que queria fechar a sinagoga, mas eu não concordava.

Ainda havia pessoas que freqüentavam o shul regularmente para rezar e para as aulas e, além disso, as mulheres ainda usavam o mikvê. Certo dia, a mulher que cuidava do mikvê contou-me que quase toda noite o Rebe de Lubatich lhe telefonava perguntando como ela estava e a encorajava em seu trabalho.

“Isso continuou durante vários meses até certa noite, quando eu estava no meio de uma aula de Talmud, no shul. A mulher que cuidava do mikvê entrou de supetão na sala e gritou, quase histérica, que alguém tinha trancado a porta do mikvê com um cadeado bem grande!

“Cheguei à conclusão que devia ter sido a diretoria, na tentativa de desencorajar as mulheres, mas eu não sabia o que fazer.

“Não sei o que deu em mim, mas corri até meu carro, achei uma ferramenta, corri de volta ao shul e comecei a golpear o cadeado. Cerca de meia hora depois, consegui abrir à força o cadeado e as mulheres puderam entrar.

“No dia seguinte, a atendente do mikvê contou-me que o Rebe lhe telefonara na noite anterior e, quando ela lhe contou o que eu fizera, ele disse: ‘Abençoadas sejam as mãos que romperam aquele cadeado.’

“É isso que eu quis lhes mostrar”, concluiu o rabino. “Hoje tenho mais de 91 anos de idade, e minhas mãos estão firmes graças àquela bênção.”

Por Rabino Tuvia Bolton de www.ohrtmimim.org/Torah

(Traduzido de “L’Chaim Weekly”, www.lchaimweekly.org)

  

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A Ajuda

 

O grande sábio, Rabi Yoel Sirkis, tinha um discípulo que era muito rico e generoso. Esse aluno nada escondia de seu mestre, com quem se aconselhava sobre todos os assuntos.

Certo dia, um taberneiro de uma aldeia procurou o rabino e relatou-lhe sua angústia: há anos sustentava-se honradamente de uma taberna, arrendada do pôrets (senhor feudal). De repente, apareceu outro homem, pedindo para arrendar a taberna, o que o deixaria sem meios de vida. O pôrets estava inclinado a aceitar a proposta e o locatário estava desesperado.

“Procure meu aluno, o milionário”, aconselhou o rabino, “e peça-lhe, em meu nome, que interceda por você junto ao pôrets. Estou certo de que, devido a sua riqueza e a seus diversos negócios, o pôrets levará em conta seu pedido e o estabelecimento ficará com você.”

O taberneiro seguiu o conselho do rabino e dirigiu-se à casa do discípulo abastado. Este preparava-se para viajar à grande feira anual que teria início no dia seguinte, e qualquer atraso na viagem poderia causar-lhe grande prejuízo. O rico consolou-o prometendo conversar com o pôrets sobre o assunto assim que voltasse da feira.

O taberneiro não se acalmou. “Até você ir e voltar posso perder minha fonte de sustento. O que será de mim, de minha esposa e de meus filhos?!” Expressou sua preocupação e lançou ao ricaço um olhar suplicante.

O abastado, porém, não se deixou levar pelo desespero do homem. “O sustento do homem é determinado em Rosh Hashaná, e ninguém pode tirar nada do que pertence a outro”, disse o abastado, na tentativa de fortalecer sua fé e confiança.

Quando o taberneiro viu que o rico não tinha a menor intenção de modificar seus planos, agradeceu-lhe a boa vontade de ajudá-lo na volta, e foi para casa com o coração pesado. Em casa, sua esposa esperava. Ela, tanto quanto ele, estava preocupada com o sustento da família. Ele contou-lhe sobre o conselho do rabino e sobre a promessa do ricaço, de que falaria com o pôrets após a feira. A mulher, tal como o marido, não ficou tranqüila. Caiu no choro e gritou para o marido: “Incompetente! Como pôde aceitar um desprezo desses?! Por que não exigiu que fosse imediatamente falar com o pôrets?!”

Houve muita tensão e briga na casa do taberneiro, nos dias que se seguiram. Mas acabaram passando, e tudo ficou bem. O rico regressou da feira e, após uma breve conversa com o pôrets a taverna permaneceu na mão do antigo arrendatário.

Passaram-se os anos e o rico faleceu. Todos da cidade foram ao seu enterro e choraram a perda daquele homem generoso, que jamais recusara-se a ajudar, com toda a boa vontade, aos necessitados. O próprio sábio, Rabi Yoel Sirkis, fez um discurso comovente sobre seu querido aluno.

Uma semana depois, o aluno apareceu a seu mestre, num sonho. Sua história, testemunho do mundo da verdade – foi perturbadora:

“Quando cheguei ao tribunal celeste, encontrei algumas almas trêmulas e preocupadas, à espera do veredicto. Entre elas havia almas de pessoas que eu conhecia. Uma delas, por exemplo, era um certo açougueiro, que foi negligente em seu trabalho e fez com que muitos tropeçassem.

“Seu julgamento teve início. A cena era apavorante. Cães e animais diversos surgiram de todos os lados, acusando-o de roubar sua comida e vendê-la aos judeus. De repente, ouviu-se uma voz que lhe falava em altos brados – ‘Como ousou dar nevelot e trefot (carne não kasher) para meus filhos comerem?!’

Mas naquele instante, apareceu um anjo defensor dizendo que o açougueiro já reconhecera seu erro, ainda em vida, e, inclusive, fizera teshuvá (arrependera-se e voltara a D-us). Doou todos os seus bens para tsedaká e jejuou até purificar sua alma, chegando ao nível de báal teshuvá (penitente). O tribunal celeste o considerou inocente e o enviou ao palácio dos baalê teshuvá.

“Quando chegou minha vez, meus joelhos tremiam. Meu julgamento foi rápido e fui declarado inocente. Imediatamente uma fileira de anjos me levou ao Gan Êden (Paraíso).

“Quando cheguei aos portões, postou-se no meu caminho um anjo, impedindo-me a passagem. ‘Quem é você e por que está bloqueando meu caminho?!’ – Perguntei espantado. ‘Sou o anjo criado a partir da bondade que você fez ao taberneiro aldeão, quando intercedeu por ele junto ao pôrets’, respondeu o anjo. Diante de tal resposta, meu espanto aumentou. ‘Como pode um anjo de bondade querer me atrapalhar?’

“O anjo suspirou e disse: ‘Embora você tenha feito uma boa ação para esse judeu, sabe o sofrimento que causou a ele e a sua família, durante o tempo em que esteve na feira? Pensou nas lágrimas derramadas por sua causa? Nas brigas e nos gritos que poderiam ter sido evitados se você tivesse agido imediatamente e não tivesse adiado sua conversa com o pôrets?’

“Por mais que eu argumentasse e me justificasse, de nada adiantou. ‘O favor que você fez para o taberneiro foi prejudicado, e para poder entrar no Paraíso você precisa corrigir essa falha’, falou o anjo avisando-me que eu precisaria esperar na porta do Gan Êden o mesmo número de dias que passei na grande feira, causando angústia ao taberneiro e a sua família.”

Algum tempo depois, o sábio Rabi Yoel Sirkis contou essa impressionante história aos habitantes de sua cidade e concluiu dizendo: “Disso aprendemos até que ponto temos de ser cuidadosos com cada mitisvá, e não retardá-la. Muito mais, ainda, quando se trata de uma mitsvá de que depende a vida de outro judeu – devemos ser ágeis e rápidos.”

(Traduzido de “Sichot Hashavua”,http://chabad.org.il)

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O Julgamento

 

 

Certa vez, Rabi Mordechai de Nadvorna, um grande líder chassídico, estava em uma longa viagem de trem com muitos de seus discípulos. O trem parou na cidade de Niridihous, onde deveriam fazer baldeação a fim de chegar a seu destino. Esperavam há vários minutos quando, de repente, uma jovem não-judia começou a gritar e chorar, atraindo a atenção tanto dos passageiros quanto da polícia. Ao que parece, roubaram-lhe a carteira, onde estavam seu dinheiro e a passagem de trem.

Em geral, era melhor que os judeus não se intrometessem nos assuntos dos não-judeus, principalmente nesse caso, em que a polícia procurava suspeitos. Foi, portanto, meio estranho quando Rabi Mordechai voltou-se a um dos mais jovens de seus chassidim e o mandou ao guichê comprar uma passagem para a mulher. Disse ao chassid que lhe desse também algum dinheiro para a viagem, sem dizer uma palavra sobre de onde vinha a pecúnia.

O chassid obedeceu e a mulher, espantada, ficou literalmente muda de gratidão. Passaram-se quinze anos. O chassid casou-se e teve filhos, o santo Rebe faleceu e o incidente foi totalmente esquecido.

O chassid tornara-se um bem sucedido empresário e tinha até amigos não judeus em altos postos. Certa manhã, recebeu uma intimação para apresentar-se em juízo, acusado de fraudar o governo. As acusações eram obviamente falsas, estava na cara que as testemunhas tinham sido pagas, mas isso em nada ajudava. Percebeu, de repente, que não tinha nenhum amigo verdadeiro, uma vez que ninguém estava disposto a auxiliá-lo. Correu de escritório em escritório e obteve as mesmas declarações e desculpas solidárias e vãs. Finalmente, contratou um advogado, rezou a D-us por um milagre e dirigiu-se ao tribunal.

A audiência durou menos de uma hora. Foi declarado culpado de todas as acusações e deveria ser detido até o julgamento. O chassid ficou desesperado. Pagou uma fiança e começou a procurar um advogado melhor. Mas nenhum quis aceitar seu caso.

Por falta de opção, resolveu viajar a Budapeste, onde morava o juiz que deveria julgar seu caso, na tentativa de encontrá-lo. Talvez conseguisse convencê-lo de sua inocência. Rapidamente arrumou sua mochila, levou consigo uma grande quantia em dinheiro e pegou o próximo trem.

Em Budapeste o chassid teve mais uma surpresa desagradável. Descobriu que o juiz era um anti-semita fanático. Não havia a menor possibilidade de que ele chegasse a olhar para um judeu, muito menos falar, e é óbvio que não teria a menor pena de um judeu.

Mas o chassid não se deixou abater, pois “tudo o que D-us faz é para o bem”, lembrou-se. De modo que deu umas voltas pela cidade, conversando com as pessoas, até que bolou um plano de ação. O chassid descobriu que a esposa do juiz adorava bordados finos, principalmente toalhas de mesa. Compraria a toalha mais cara que encontrasse e apareceria à sua porta, como se fosse um vendedor. Em seguida, se ela se interessasse, lhe ofereceria a toalha de mesa como presente e lhe pediria que tentasse influenciar o marido a seu favor.

Era um plano audacioso, e até meio bobo; ela poderia muito bem denunciá-lo à polícia. Mas não tinha outro jeito. O chassid passou a manhã toda procurando o mais primoroso bordado que houvesse em Budapeste até que, finalmente comprou uma toalha de mesa caríssima, realmente elegante, com guardanapos combinando. Dirigiu-se rapidamente à casa do juiz, tentando manter a calma. Subiu a escadaria que levava à porta, fechou os olhos, disse uma prece e bateu.

Foi a própria esposa do juiz quem abriu a porta. Olhou para ele de um jeito estranho. Ele tentou começar sua oferta de vendedor mas as palavras simplesmente não saíam. Ele tremia, paralisado de medo. De repente, a mulher deu um grito e desmaiou!

O primeiro impulso do chassid foi correr. Se ficasse lá seria acusado de alguma coisa. Mas se corresse e fosse pego, seria pior ainda!

Enquanto isso, o juiz ouviu o barulho e chegou correndo. Quando viu o chassid, espantou-se também. Baixou-se para cuidar da esposa, que recuperou a consciência, e perguntou-lhe: “Você está bem, Greta? O que houve?”

Ela abriu um olho, olhou em torno e, finalmente, apontou para o judeu. “Yorik, Yorik!” disse ela, levantando-se. “Lembra-se que lhe contei sobre cerca de quinze anos atrás, na estação de trem de Niridihous, quando perdi minha passagem e meu dinheiro e veio um anjo e me salvou? Bem, o rosto deste judeu… ele é a cara daquele anjo! É ele!”

Quando o juiz percebeu que aquele era o homem que salvara sua esposa, seu rosto mudou totalmente. Convidou o espantado judeu para entrar e lhe ofereceu uma recompensa. Quando soube do motivo da visita, prometeu-lhe um julgamento justo. É óbvio que o chassid foi absolvido de todas as acusações.

(Traduzido de “L’Chaim Weekly”, www.lchaimweekly.org)

Reimpresso com permissão do “Likrat Shabat on line” da Yeshivá Tomchei Tmimim. 

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A maldição do tsadik oculto e a berachá do Rebe Shlita

Reb Leib Friedman contou-me, certa vez, a seguinte história impressionante:

O Rosh Yeshivá da Yeshivá Chayê Olam, em Jerusalém, sofreu, durante muitos anos, de problemas nas pernas. A doença foi piorando, até que ficou preso à cama. Os médicos insistiam que uma perna deveria se amputada. Se não adiantasse, a outra teria de sê-lo também. 

Em 1954, um de seus filhos casou-se. Centenas de rabinos e alunos de yeshivá estavam presentes no casamento. O Rosh Yeshivá pediu para ser levado ao salão numa maca, para participar do feliz evento.

Durante a comemoração, várias pessoas fizeram discursos, oferecendo palavras de Torá e abençoando os noivos. O Rosh Yeshivá também desejava falar. Como estava por demais fraco, não conseguindo nem mesmo se sentar, pediu silêncio absoluto, para que suas palavras fossem ouvidas. Quando todos calaram-se, iniciou sua história:

“Quando eu era jovem, fui para a yeshivá na cidade de Stuchin. Éramos trinta em toda a yeshivá, cujo local de estudo era a sinagoga local.

“Em Stuchin vivia um bêbado, a quem todos chamavam de ‘Itche Der Shiker’. Itche era famoso por seu mau hábito de beber até cair, acordar e beber de novo, e adormecer novamente. Ninguém sabia onde Itche morava. De fato, ninguém queria nem saber. Seus únicos amigos eram as crianças, que lhe falavam durante os raros momentos em que estava acordado. Itche encontrava-se quase sempre na sinagoga, onde os alunos da yeshivá também passavam a maior parte do tempo.

“Numa noite de inverno, estávamos sentados estudando, como de costume. Itche dormia sobre um dos bancos. De repente, a porta se abriu e entrou um cocheiro, muito nervoso e desesperado. ‘Rápido!’ gritou aos espantados bachurim (rapazes). ‘Vocês precisam me ajudar. Minha carroça carregada acaba de virar em cima do meu cavalo. As rédeas estão enroladas em volta do pescoço do animal. Se não desvirarmos a carroça imediatamente, o cavalo vai morrer enforcado! Por favor, venham me ajudar – não posso faze-lo sozinho’, implorou.

“O homem estava lá parado, enquanto nós discutíamos os prós e os contras de abandonar nossos estudos para ajudá-lo: será que era permitido interromper os estudos? No fim, chegamos à conclusão que negligenciar nossos estudos era um pecado grave demais para arriscar. Ficamos na sinagoga e continuamos a estudar. O coitado do cocheiro saiu irado e amargurado.

“De repente, Itche levantou-se de seu cochilo e disse, ‘Bachurim! Vão imediatamente ajudar aquele judeu, antes que seu cavalo morra! Se não forem, nunca mais caminharão sobre suas próprias pernas.’

“Eu lhe disse brincando: ‘Itche, desde quando você decide questões haláchicas?’ Ele me ignorou e não disse nada. Cerca de meia hora mais tarde, o desesperado cocheiro voltou, implorando, em termos mais enfáticos ainda, que fôssemos ajudá-lo. Procurara ajuda em toda parte, mas não encontrara ninguém que pudesse faze-lo. Tivemos mais uma discussão sobre se devíamos ou não ir, e dessa vez chegamos à conclusão que era, de fato permitido. Saímos da sinagoga e seguimos o cocheiro, mas chegamos tarde demais. O cavalo já estava morto.

“No dia seguinte, na sinagoga, Itche me chamou pelo nome. Eu ainda não tinha chegado, mas assim que entrei meus colegas me disseram que Itche queria falar comigo. Eu o encontrei no seu banco de sempre e lhe indaguei o que queria. ‘Ouça,’ disse. ‘Tenho algo a lhe pedir. Hoje à noite vou morrer, e não quero estar só. Gostaria que fosse à minha casa e estivesse comigo quando minha alma partir.’

“Comecei a rir. Pensei que estivesse apenas brincando, mas ele repetiu o pedido. Perguntei onde morava, e ele descreveu uma velha ruína na periferia da cidade, que lhe servia de casa.

“Quando anoiteceu, resolvi que eu bem que poderia ir à casa de Itche, pois estudaria lá do mesmo modo que na sinagoga. Peguei minha Guemará e me dirigi à cabana de Itche.

“Quando lá cheguei, encontrei Itche deitado numas tábuas, dormindo. Sentei-me num caixote quebrado, abri a Guemará e comecei a estudar. ‘O que estou fazendo aqui?’ pensei comigo mesmo, após várias horas. ‘Como me permiti cair numa dessas?’ Resolvi ir embora, mas assim que me levantei, Itche acordou. ‘Não vá embora!’ disse. ‘Volte a sentar. Vou morrer exatamente às quatro horas da manhã. Quero que diga à Chevra Kadisha que desejo ser enterrado junto ao Rabi fulano de tal.’ Itche citou um importante erudito, um tsadik e gaon que estava enterrado no velho cemitério judaico.

‘Por que está dizendo essas asneiras?’ falei. ‘Você nem ao menos põe tefilin, e quer ser enterrado junto de um tsadik desses?’

‘Por que você está dizendo que eu não ponho tefilin?’ Itche disse. ‘Lá no canto há um baú. Olhe lá dentro e encontrará meus tefilin.

“Fui até o baú e o abri. Para meu grande espanto encontrei um belíssimo par de tefilin, kasher acima de todas as exigências da halachá. Se eu não os tivesse visto com meus próprios olhos, jamais acreditaria que pertencessem a Itche. ‘Mas mesmo que eu diga à Chevra Kakisha onde você quer ser enterrado, não vão me escutar,’ protestei. ‘Debaixo do baú  com os tefilin há uma caixinha,’ disse Itche. ‘Lá você vai encontrar todos os meus escritos e manuscritos. Se os mostrar à Chevra Kadisha, ela atenderá ao meu pedido.’ Abri a caixa e examinei seu conteúdo. Uma rápida olhada mostrou vários tratados esotéricos cabalísticos, contendo conceitos, muitos dos quais me eram incompreensíveis. Uma coisa, porém, era certa: o homem que jazia naquela decrépita cama de madeira era um tsadik oculto.

“Exatamente às quatro da manhã ele expirou. Depois que ele morreu, corri imediatamente para falar com o Rav e a Chevra Kadisha, conforme sua orientação. Contei-lhes a história toda, e levei comigo a caixa com os manuscritos para apoiar minhas palavras. Havia apenas um problema: a Chevra Kadisha afirmava que não havia mais lugar no velho cemitério. Há muitos anos os mortos da cidade estavam sendo enterrados no novo cemitério, por falta de espaço no  velho. Contudo, fomos verificar. Ficamos chocados ao descobrir que realmente havia lugar para Itche ser enterrado – bem ao lado do rabino que ele mencionara!

“A cidade inteira ficou em polvorosa com a história incrível e espantosa. Fizeram para Itche um grande e pomposo funeral, em que estiveram presentes a maior parte dos judeus importantes da cidade, que foram prestar-lhe as últimas  homenagens.”

Àquela altura do discurso, o Rosh Yeshivá começou a chorar. Grandes soluços, de cortar o coração encheram o salão do casamento. “Não tenho dúvida”, disse ele ao se recompor, “que meus longos anos de sofrimento e invalidez foram conseqüência direta  da maldição daquele tsadik oculto.”

Ninguém conseguiu conter as lágrimas. Os convidados ficaram com muita pena do Rosh Yeshivá. A alegria do casamento foi esquecida diante da triste história.

Eu estava presente na festa. Durante muito tempo, não consegui tirar a história da cabeça. Como eu me correspondia com o Rebe de Lubavitch, resolvi mencionar o Rosh Yeshivá em minha próxima carta. Pedi ao Rebe para rezar pelo infeliz judeu e lhe dar uma berachá para que recuperasse a saúde.

Pouco tempo depois recebi uma resposta: Diga ao Rosh Yeshivá que ele deve aceitar sobre si o estudo das porções diárias de Chumash, Tehilim e Tanya, conforme instituído pelo Rebe anterior. Além de estudar esses capítulos, escreveu o Rebe, ele deve cuidar para que todos os que se encontram sob sua influência façam o mesmo (o Rosh Yeshivá adquirira um grande número de seguidores, com o passar dos anos). Pelo mérito de “andar no caminho do Rebe anterior,” D-us Todo-Poderoso o abençoará com a habilidade de andar literalmente também, escreveu o Rebe.

Fui imediatamente visitar o Rosh Yeshivá, para mostrar-lhe a carta. Ele ficou absolutamente submisso. Ficou tão feliz e empolgado, que beijou o pedaço de papel. Como a carta era endereçada a mim, pedi que me devolvesse, mas ele implorou que a deixasse com ele, ao menos temporariamente, o que fiz.

Cerca de seis meses depois, quando de minha próxima visita ao Rosh Yeshivá, ele estava sentado à sua escrivaninha. Os médicos já não falavam em amputação, falavam apenas de seu progresso e reabilitação. E seu estado continuou a melhorar.

Quando a história do Rosh Yeshivá tornou-se mais conhecida, muitos chassidim foram a Jerusalém, falar com ele pessoalmente. Ele pediu a cada visitante que estudasse as porções diárias de Chumash, Tehilim e Tanya, por causa dele, para assegurar-lhe saúde duradoura.

Do livro Extraordinary Chassidid Tales, do Rabino Rafael Nachman Kahan, Vol. 2, págs. 65-71. 

Reimpresso com permissão do “Likrat Shabat on line” da Yeshivá Tomchei Tmimim.

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